Ladies and Gentleman, Jimi Hendrix
Fevereiro 28, 2007
O que é boa televisão?
Fevereiro 28, 2007
Será que a televisão que nós temos hoje – e por questões de simplicidade falo apenas das 3 estações de televisão generalistas – é de boa qualidade? Estará ela nivelada por baixo? Serão os padrões de exigência do público baixos? Preferirá o nosso público um relity show a um debate político? Será mais interessante um série juvenil, como “Morangos com açúcar” do que um concerto de música, por exemplo, dos Oasis, para o público juvenil? Deverá a orientação temática da televisão ir no sentido daquilo que o povo quer, ou daquilo que o povo deveria querer? E quem determina isso, ou seja, quem diz o que o povo quer e quem sabe aquilo que o povo deveria querer?
Para responder a estas questões é que há directores de programação. Quando determinam as grelhas das suas estações, fazem-no na convicção de que é o melhor caminho para a estação e, consequentemente, para o seu público.
Porém, se atentarmos àquilo que a nossa televisão nos dá, chegamos à conclusão de que “todos queremos o mesmo”. A semelhança entre a programação da SIC e da TVI é grotesca, recheando os nossos ecrãs com novelas em saturação, “Morangos” e Floribella, Goucha e Fátima. A RTP, que durante alguns anos se pautou pela diferença, tem vindo a alterar os seus critérios para se aproximar do Grande Público aumentando, assim, as suas audiências.
O caso da RTP, aliás, é diferente dos demais. Financiada pelo Estado, a Rádio Televisão Portuguesa recebe também dinheiros provenientes dos interesses privados, isto é, da publicidade. Podemos assim dizer que a RTP tem o melhor de dois Mundos: por um lado recebe o dinheiro da publicidade – tal e qual qualquer operadora privada – e por outro vai recebendo subsídios estatais.
A razão pela qual a RTP recebe esses mesmos dinheiros é para, entre outras coisas, providenciar um bom serviço público de televisão. Mas, que será isso de bom serviço público de televisão? Será o “Preço Certo em Euros”? Será a “Grande Entrevista” ou o “Prós e Contras”? Será o “Um Contra Todos”? Será uma mistura de tudo isso?
Eu não sei e penso que na RTP também ninguém sabe. A minha ideia é que eles se limitam a tentar chegar ao público da mesma maneira que a SIC ou a TVI para subir nas audiências.
Mas, deveria a RTP estar preocupada com as audiências? Isto é, deveria sacrificar a integridade da sua programação apenas para subir uns pontos nas audiências? O Estado não continuará a financiar a RTP quer as ditas audiências sejam boas ou más? Não deveríamos esperar da RTP um papel de maior interesse pela formação cultural e cívica dos seus espectadores e menos preocupada em bater a TVI nas audiências? Não deverá ser a prioridade da RTP, a todo o tempo, o de contribuir para o enriquecimento cultural e social dos indivíduos?
Eu não me sinto identificado com nenhum desses três canais. Aliás, apenas a “2” satisfaz alguns dos meus desejos televisivos. De resto é um deserto. Porém, posso admitir que existe a possibilidade de eu ser uma minoria e da maior parte da população gostar daquilo que vemos na televisão. A maior parte poderá gostar de ver os concursos televisivos em que se faz tudo menos um apelo ao conhecimento.
Se calhar o problema é meu porque gostaria de ver mais documentários históricos, mais filmes e melhores séries na televisão. Porque gostaria que tivéssemos mais informação, mais debate e mais música na televisão. Porque gostaria que alguém se lembrasse de pegar “n’Os Lusíadas” ou “n’Os Maias” e fizesse um filme ou uma série/novela com qualidade, em vez de importar pré-fabricados. Mas, nada disso dá audiências e nada disso dá dinheiro. Ou será que até dava, se as televisões apostassem nessa linha?
O desejo de emissão de um maior conteúdo cultural na televisão não tem nenhuma presunção de superioridade de uma elite sobre as massas. Desde quando é que um documentário histórico é uma imposição sobre alguém? Desde quando é que transmitir concertos, filmes de culto ou peças de teatro é imposição sobre as “massas”? Será que hoje não me estão a impor já os Morangos e a Floribella? Será que a elite que se receia tanto não é mesmo o grande público? Não serão os outros a minoria? Aqueles a quem se impõe a programação?
PS: Este post vem na sequência de uma debate na aula de Sociologia da Comunicação. Aqueles que foram conhecerão melhor as circunstâncias que o envolveram.
Neutralidade no jornalismo: Imposição profissional ou capricho ideológico?
Fevereiro 27, 2007
Desde o início da nossa aprendizagem no ramo do jornalismo que somos ensinados que o profissional da comunicação deverá ser isento, imparcial, nunca tingindo qualquer notícia com uma posição pessoal de modo a não influenciar directamente o público nem adulterar o acontecimento em questão.
É-nos ensinado que todos os profissionais têm a obrigação de olhar para um acontecimento e atribuir-lhe um “valor-notícia”, caso seja relevante para o nosso público, isto é, se for algo que nós consideremos interessante para a nossa audiência. Se o acontecimento for, então, visto como relevante para o nosso destinatário devemos construir a notícia de acordo com todos os preceitos tradicionais mas, sempre, debaixo da objectividade que caracteriza o trabalho do jornalista.
Tudo isto pressupõe que o jornalista vê os acontecimentos de uma forma particular e diferente do que as outras pessoas. Na realidade, o jornalista tem um poder fantástico nos dias que correm. O jornalista tem o poder da palavra, tem o poder de definir o que é notícia e, muito mais do que isso, de determinar qual o enquadramento que será dado de determinado acontecimento, isto é, decidir como um assunto será analisado, qual será a perspectiva de tratamento do tema em questão.
Só é do conhecimento público aquilo que os jornalistas “autorizam” e só é discutido na rua, pela população e – mais importante – pelos políticos aquilo que é trazido a público na imprensa. Os debates entre políticos, as conversas de rua são sempre sobre as notícias veiculadas pelos órgãos de imprensa.
Por causa de todo este poder, atribuído e reconhecido aos media, pede-se bom-senso aos profissionais da comunicação no exercício do seu trabalho. Os jornalistas são frequentemente avisados do seu papel de observadores imparciais da realidade, servindo “apenas” de ponte entre o facto e o público. Exactamente por isso devem ser imparciais.
Quando o jornalista se recusa a assumir um papel neutral, dizem alguns teóricos, ocorre uma deturpação e violação na transmissão dos factos, no relato dos acontecimentos. Dá-se lugar à parcialidade, ao escolher um caminho e a preterir os outros. Foi disso que se queixou Santana Lopes quando perdeu para Sócrates. O “menino guerreiro” veio dizer que foi vítima de uma conspiração dos media.
Também Manuel Maria Carrilho, mais conhecido por ser marido de Bárbara Guimarães, acusou a imprensa de ter forçado a sua derrota nas eleições pela câmara de Lisboa. Valentim e João Loureiro acusaram a forma tendenciosa como o “Apito Dourado” tem sido tratado pela imprensa, assim como Carlos Cruz e Ferro Rodrigues incriminaram os media de tentativa de “linchamento público”.
Terá a imprensa este poder? O poder de derrubar quem quiser? De virar a opinião pública contra determinados marcos? Claro que tem. Os media constroem e destroem a opinião pública. Podem “matar”, publicamente falando, qualquer personagem. Ninguém consegue resistir à força da imprensa. Mas, será que a simples constatação desta evidência, deste poder conferido à imprensa pelo próprio público, suficiente para justificar a imperiosa necessidade de isenção do jornalista no relacionamento com a realidade?
Nos Estados Unidos, para muitos o local onde se pratica o “verdadeiro” mass media, é normal ver um órgão de comunicação a tomar posições em questões políticas ou sociais. Em 2004, três dos maiores jornais americanos – Washington Post, New York Times e o Boston Globe – deram o seu apoio ao candidato a John Kerry aquando das presenciais. Que quis isto dizer?
Simplesmente que as redacções não se isentaram do papel de eleitores e tomaram uma posição pública de apoio a uma das candidaturas. A partir daquele momento qualquer leitor sabia que a posição oficial da redacção era a de apoio a uma das listas. Porém, terá isto significado uma cobertura tendenciosa da campanha? Não. Os três jornais continuaram a cobrir as incidências da campanha de Bush e a entrevistar e dar a conhecer as posições dos seus apoiantes. Os editoriais reiteravam, nos editoriais, aquela que era, afinal de contas, a posição oficial da redacção, mas as notícias continuavam a obedecer aos critérios de objectividade. E Bush ganhou. A Fox News deu o apoio a Bush. Mas nunca ignorou a campanha de Kerry, aliás, chegou a publicar uma sondagem à boca das urnas – no dia das eleições – em que dava a vitória ao democrata.
Em nenhum destes casos a difusão, factual e concreta, da realidade esteve em causa. Os jornais e televisões, apesar de não se recusarem a emitir uma posição oficial, nunca deixaram de cumprir a sua função, isto é, a divulgação noticiosa.
Mas, não foi apenas para as eleições que os órgãos de comunicação tomaram esta posição. Nos EUA é rotina que um órgão se identifique como sendo de direita ou de esquerda, conservador ou liberal. Quem vir as notícias da NBC sabe que está perante um noticiário liberal, tal como quem preferir o da CBS sabe que estará em frente a uma redacção de direita.
Ora, em Portugal não se ganharia com a tomada de posição por parte das redacções? Se de antemão soubéssemos que determinada redacção era favorável ao PS não seria esta uma forma de “limpar o ar” e eliminar as suspeições. Se eu sei que determinado jornal segue determinada tendência, ao comprá-lo não estou já cinte dessa mesma posição? Não ocorrerá uma certa ilibação dos órgãos de informação? Não se eliminará logo o clima de desconfiança tão frequente, por exemplo, em tempo de eleições? A tomada de posição não poderá ser encarada como uma forma de salvaguarda das próprias redacções, de protecção contra eventuais acusações de facciosismo?
É evidente que o jornalista deverá ser sempre objectivo na produção, tratamento e difusão de informação. Deverá moldá-la da forma que melhor servir o seu público. Todavia, será legítimo afirmar-se que a qualidade da notícia estaria em causa caso o órgão responsável pela sua difusão assumisse uma dada posição em relação a uma dada matéria?
Acredito que o papel do jornalista na sociedade actual, tão importante e de responsabilidade tão grande, não é incompatível com a tomada de uma posição acerca de certo assunto. O jornalista tem de ser capaz de retratar um acontecimento com objectividade, mesmo que vá contra a sua atitude perante determinado assunto, independentemente de ter afirmado publicamente a defesa de uma opinião contrária.
Aliás, não faz ele já isso? Os jornalistas, apesar de não as manifestarem, têm as suas posições em relação aos temas que abordam. Porém, isentam-se de responsabilidades, afirmando-se como neutros em relação à temática abordada.
Será, então, correcto dizer-se que a defesa – pública – de uma posição é antagónica à produção de jornalismo de qualidade? Se funciona nos EUA, porque não poderá funcionar por cá?
Manchester ou Amesterdão?
Fevereiro 26, 2007
Em vésperas de entrega das declarações de Erasmus uma dúvida existencial assola-me: Manchester ou Amesterdão? Manchester é um desejo de longa data, mas que se pode revelar impraticável por motivos financeiros e de alojamento. Amesterdão é uma possibilidade nova que se coloca, uma cidade cosmopolita e “vermelha”. Tantas questões e a data de entrega é já quarta-feira.
Para ti Martin
Fevereiro 26, 2007
Que Martin Scorsese é o meu realizador favorito, disso já não restavam dúvidas – até dissipadas neste mesmo espaço. Que “The Departed” era o meu filme do ano, disso também não havia grandes incertezas. Que era uma injustiça Scorsese nunca ter ganho um Óscar, também não se podia discordar. Que “The Departed” é um grande filme, também não se pode negar, podendo-se questionar se será mais “oscar worthy” do que “Raging Bull”, “Taxi Driver” ou “GoodFellas”. Que eu já havia previsto a vitória de ambos, também não se pode esquecer. Que fiquei muito contente às 5 da manhã quando Scorsese ganhou o prémio, também não resta dúvidas. Que eu sou um tipo porreiro, e até coloco o trailer do “Melhor Filme do Ano” à vossa disposição, também não há hesitações.
Aquele Comfortably Numb no final fica muito bem, diga-se de passagem!
One of these days
Fevereiro 22, 2007
“One of these Days” é uma das grandes faixas de Meddle, álbum de 1971 dos Pink Floyd. Este, raro, clip é um excerto proveniente do filme “Pink Floyd live in Pompeii”, lançado pouco tempo antes de “The Dark Side of the Moon”.
“Pink Floyd Live in Pompeii”, de Adrian Maben, foi uma tentativa de mostrar o grupo em “família” dando-nos a oportnidade única de ver um pouco daquilo que eram os Floyd antes de atingirem o sucesso em escala mundial, a sua relação antes do êxito global de “Dark Side of the Moon”, ao mesmo tempo que nos oferece um set do grupo por entre as ruinas de Pompeia, cidade situada nos arredores de Nápoles e que terá sido destruída em 79 d.C. após a erupção do vulcão Vesúvio.
Alguém consegue ver a tensão entre Gilmour e Waters?
Os problemas de estudar em Portugal
Fevereiro 22, 2007
Tal como a maior parte das pessoas que vai ler este post, estudo em Portugal, envergando orgulhosamente a camisola da UM e o signo do curso de Comunicação Social. Mas, ao contrário dessa maioria, tive a oportunidade de ir estudar para fora.
Nas vésperas de entregas das candidaturas estudei as possibilidades de ir estudar para a Inglaterra, Gales, Escócia ou os Estados Unidos. Preferi ficar por cá porque, para além desta ser uma universidade com prestígio, era uma solução financeiramente mais viável. Nunca me arrependi dessa decisão… mas não deixo de pensar: Será que fiz bem?
O número de licenciados no desemprego é assustador. Portugal apresenta-se, aos olhos dos seus jovens, como um mercado pouco atraente. É minúsculo e parado. E consome a sua força de trabalho qualificada em empregos que nada têm a ver com a sua especialização.
O problema, dizem-me, é que o mercado português é muito pequeno para o número de licenciados que temos. O Governo diz que esse número – o de licenciados – é muito reduzido e que é preciso aumentá-lo. Eu digo que o número é já bastante grande para as condições de emprego que o país pode oferecer. Com cada vez mais jovens a optar pela carreira no ensino superior, e não havendo capacidade de escoamento de todos, a grande parte dos licenciados portugueses não tem alternativa que não seja a de aceitar as condições que o mercado lhe pode oferecer, mesmo que isso implique trabalhar em áreas que nada tenham a ver com a sua opção de estudo ou, inclusive, ficar em casa a receber o desemprego.
Não são raros na nossa praça casos de indivíduos com boas notas e competências suficientes para segurarem um trabalho mas que não o conseguem. Incompetência? Talvez. Porém, a grande razão poderá ser económica. O licenciado é um empregado potencialmente mais caro do que um indivíduo sem formação, por isso, a não ser que aceite ganhar um salário mais baixo, é quase sempre preterido por esse, mesmo que muitas vezes não tenha qualquer formação. Podemos assim ver que os empregadores, com maior frequência do que pensaríamos, preferem contratar indivíduos sem formação específica nessa área em detrimento de indivíduos que a têm, mas que são muito mais caros. É a indisponibilidade em pagar um salário condizente com o nível de especialização e competência.
Eu, aproximando-me a passos largos do dia da entrega do canudo, já me apercebi dessa realidade. Por isso, já avisei os meus pais: quando acabar o curso o mais provável é a saída do país. Porquê? Ora, Portugal é hoje membro integrante da União Europeia. Nós já não somos apenas cidadãos portugueses mas europeus. Isso significa que há um aumento significativo da nossa área potencial de emprego. O mercado para o qual estudamos e no qual queremos trabalhar não é mais o português mas antes o comunitário. Para além de tudo isso, vivemos também na era da globalização, isto é, vivemos num tempo em que a velocidade das comunicações e dos transportes “encolheram” o globo, transformando a Terra na tal “aldeia global” de que todos falam. E nós temos de saber aproveitar essa possibilidade. A mobilidade é imperiosa.
E, com toda a certeza, muitos dos meus colegas já terão também pensado em soluções semelhantes à minha. É preferível ir para fora e trabalhar naquilo para que estudamos, do que ficar frustrados em casa, mesmo que esse êxodo implique as – naturais – saudades dos entes queridos. Claro que muitos argumentarão que se todos saírem, então o país perde duplamente: perde mão-de-obra qualificada e perde o dinheiro que investiu na nossa formação. Pois, visto assim até perde. Porém, se o governo e a iniciativa privada tomassem uma postura mais activa, muitos jovens, como eu, deixariam de sentir a necessidade de deixar o país. Ficariam cá e constituiriam família, isto se o Estado criasse condições para isso – incentivos à natalidade.
O meu estado natal nos EUA, Massachusetts, é lar de algumas das melhores universidades americanas, Harvard, MIT, Northeastern ou Suffolk são apenas alguns exemplos. Contudo, nos últimos anos, um em casa cinco graduados tem deixado o estado. Para combater essa situação, um vereador local já apresentou a seguinte proposta: Entregar a cada licenciado 10 mil dólares e ajudá-lo a arranjar habitação própria. A contrapartida é a obrigatoriedade em ficar no estado durante 5 anos, caso contrário corre o risco de ter de devolver o dinheiro com juros.
É claro que uma solução desta dimensão seria impraticável para Portugal, até porque o orçamento do estado de Massachusetts é quase o dobro do orçamento do Estado português. Mas, percebe-se que há um interesse e uma vontade em contrariar uma tendência dominante e prejudicial para o futuro do Estado. Cá ninguém percebe onde é que o Estado pretende investir para impedir a fuga de cérebros.
Se tudo correr conforme o planeado, para o próximo ano irei de Erasmus. Será a oportunidade de conhecer um novo ambiente e novas perspectivas. De ver como são as coisas lá fora e se estou melhor cá dentro. Depois digo.
Não acham estranho…
Fevereiro 21, 2007
Será que só eu é que acho estranho que o Sporting de Braga, o clube da minha terra, tenha demitido o treinador que contratara em Novembro? Mais, num momento em que, apesar da derrota em Leiria, o Braga se encontra a lutar claramente pelo quarto lugar, continua com aspirações na Taça e pode continuar a sua avenura pela UEFA não será estraha a troca de treinador? Não será ainda mais estranho que na semana em que o meu Braguinha vai jogar o desafio decisivo contra o Parma, Rogério Gonçalves tenha sido convidado a sair? Não será também estranho promover para o cargo um indivíduo que apesar de experiente nos campos de futebol, nunca treinou nem o Salvaterra de Magos? Um indivíduo com apenas o 1º nível de treinador? E não me venham dizer que é um “novo Mourinho” em potencial, porque Mourinho só há um e o último que se disse como “da mesma escola do Mourinho” anda por ái a jogar FM - estou a falar do Luís Campos, caso não perceberam.
Será que pelo facto do indivíduo ser o Jorge Costa, antigo “bicho” do FC Porto, eterno rufia dos campos portugueses, tudo isto está explicado? Tal como a ida do Domingos para Leiria - mas esse ao menos tinha treinado a equipa B e estava “legitimado” par tal experiência na primeira liga - foi no mínimo estranha, a promoção de Jorge Costa é duvidosa. Será que pelo facto do Braga ser das melhores equipas em Portugal, com diversos jogadores de qualidade, haverá algum interesse azul em determinar quem orienta a equipa? A emancipação de Jorge Costa não pode, se queremos ser sérios, ser separada de um quadro de interesses do FC Porto. Tal como o caso de Domingos e outros que irão aparecer. Toda esta história está mal contada e necessita de ser explicada aos associados. Como se despede um técnico qualificado e a fazer uma razoável época, quando a alternativa é um principiante sem qualquer experiência a este nível? Eu, pelo menos, não encontro explicação para isso.
Se o Braga vencer o seu próximo jogo contra o FC Porto, quero ver se o Bicho vem a público pedir desculpa como fez o Domingos e se depois de perder com o Benfica vai à sala de imprensa reclamar pelos lançamentos que foram marcados ao contrário. Vejamos.
Where’s the rock ‘n’ roll?
Fevereiro 21, 2007
“Pink Floyd? Que é isso?” Foi assim que um indivíduo, amigo de um amigo, reagiu quando lhe disse qual a minha banda favorita. Ficou a olhar para mim como se de extraterrestres se tratassem. Esse episódio, ainda que protagonizado por alguém cuja ideia de boa música é Linkin Park, despertou-me para uma realidade para a qual me tenho vindo a sensibilizar aos poucos, isto é, o desaparecimento da nossa cultura pop dos ícones do rock ‘n’ roll, dos verdadeiros ícones do rock.
Quem ligar a televisão ou sintonizar a rádio em busca de música sabe, com certeza, onde deverá ir para ouvir hip-hop, punk, pop, electrónica, etc. Porém, quem, como eu, tem gostos diferentes fica com uma profunda mágoa ao perceber que não vai encontrar aquilo que quer ouvir em lado nenhum.
Quando ligo o rádio no carro ou a TV em casa já sei que não vou ouvir Bealtes, já sei que a única música de Metallica será “Nothing Else Matters”, obviamente nem pensar em ouvir Floyd, a não ser que seja a bela da “Wish You Were Here”.
Hoje em dia, aquilo que se quer é música curta, cheia de caixas de ritmos com refrões fáceis e descartáveis. Nunca passar uma música com mais de 3 minutos! Cruzes credo! E, a estrutura interna é sempre a mesma: estrofe/refrão/estrofe/solo/refrão. Aquilo que as discográficas querem são faixas “rádio friendly”, nunca interessados em produzir bons álbuns, aquilo que é importante é um bom single de lançamento para cativar. Por isso, muitos dos meus amigos me dizem que não compram música, pois “só gosto de uma música. Vou ao e-mule e «saco»”. Perdeu-se o culto do álbum.
No tempo do vinil, compravam-se os álbuns, não apenas por se gostar do tema lançado no air play – aliás, muitos nem lançavam singles – mas por causa dos artistas, porque se desenvolvia uma qualquer afinidade com eles e acreditava-se nas suas obras. Quando ouço “Freewheelin Bob Dylan”, de Bob Dylan, eu acredito nele, ouço-o porque confio na sinceridade daquilo que ele quer expressar. Por exemplo, nunca consigo ouvir “The Dark Side of the Moon” de outra maneira que não seja do princípio ao fim. Sem interrupções. Só assim faz sentido. Não são oito singles. São nove capítulos de um livro e, caso não leias o livro todo, nunca vais perceber aquilo de que se trata.
Mas há outra coisa que me entristece. A ausência de novas bandas de rock. Partilho com um amigo meu de uma teoria que pode ajudar a explicar o declínio da guitarra eléctrica e o aparecimento dos “MC’s”… a culpa é da MTV! A MTV foi o veículo responsável pela difusão de toda uma nova cultura musical, de toda uma nova onda musical. O rap, por exemplo, considerado como tudo menos música, passou a ser gradualmente aceite na cultura suburbana da América branca e essa legitimidade tornou possível o aparecimento dos primeiros “mainstream rappers”. Depois, também toda a onda punk e grunge de inícios de 90 teve a televisão como baluarte e suporte. E, durante todo esse período, que acontecia aos rockers dos 60, 70 e até meados 80? Consumiam-se, desapareciam. Gozavam os rendimentos, refugiando-se nas suas principescas mansões, deixando o rock ‘n’roll morrer aos poucos.
E, se os miúdos cresceram a ouvir Duran Duran e Michael Jackson, não podiam tornar-se nos novos “The Who”. Se já ninguém ouve Hendrix, não vamos ter ninguém num registo próximo do dele num futuro próximo e nunca vamos ouvir um trabalho de guitarra como em “Purple Haze”.
Aquilo de eu gostaria era de poder ligar o meu rádio e ouvir a guitarra do George Harrison, ou a bateria do John Bonham, a voz do Jim Morrison ou as teclas do Rick Wright. O que seria bom era dizer que gostava de Pink Floyd e não ter ninguém com os habituais “Quem?”ou “Esses velhos? Senta-te mas é aqui e ouve este Vibezinho….”.
O rock teve o seu auge durante os anos 60 e 70, períodos de grande transformação histórica e social e surgiu como ferramenta de arremesso a uma política rígida e conservadora que conduziu o planeta a algumas das situações mais tensas e dramáticas do nosso tempo. Era a mais bela e alta forma de expressão cultural. Quando os artistas queriam dizer alguma coisa, usavam a música para o fazer. Quando tinham um sonho, uma utopia, era o rock que servia de veículo para a sua manifestação e finalização.
E rock não é cabelos cumpridos e música alta. Rock é um estado de espírito, é uma forma de ver a realidade, uma possibilidade de relação com o real e sua interpretação. Por isso, mas também por ser o meu estilo favorito, é um pena ver o rock a definhar assim.
Guardo, em perfeitas condições, os exemplares dos meus álbuns favoritos. Trato-os com uma devoção quase sagrada. De entre os meus álbuns predilectos, aquele que tem uma data de lançamento mais recente é “Californication”, dos Red Hot Chili Peppers… Bem sei qual muitos de vocês estarão a pensar: “ Mas este tipo mora nalgum sótão? Então ele não ouviu isto ou aquilo… Como é possível?” Bem, é possível que exista muita coisa muito boa a ser lançada hoje – e continuo a consumir música contemporânea – mas simplesmente não reúne em mim o esplendor de um “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, “Revolver”, “Rubber Soul”, “Highway 61 Revisited”, “Are You Experienced?”, “Electric Ladyland”, “Paranoid”, “Number of the Beast”, “Master of Puppets”, “Exile on Main Street” ou, claro, de um “Dark Side of the Moon” ou “Wish You Were Here”.
Por falar nisto, Tricky despacha-te homem! O meu ouvido precisa de ti…
Depois da chuva
Fevereiro 21, 2007
Após um tempo de intensos e imensos problemas de natureza pessoal que me impediram de continuar a dar o meu contributo ao Mundo da blogosfera, anuncio o meu regresso apesar de ainda não estar completamente pronto para tal.
Agradeço a todos os que “insistiram” a passar por cá em busca de novidades.