Salazar: Melhor Português de sempre?!?
Fevereiro 5, 2007
Está a decorrer na nossa praça um concurso que visa apurar qual é o maior português de sempre – motivo, desde logo, despropositado para entretenimento. Mas, a grande notícia à volta desse concurso é a inclusão de Salazar nos 10 mais votados e, para além do mais, com boas possibilidades de vitória.
Muitas têm sido as vozes levantadas contra a inclusão do estadista. Defendem-se pelo facto de Salazar ter sido um tirano, um ditador que matou, torturou e violentou milhares de pessoas, reprimindo os portugueses e levando o nosso país para uma inútil (?) guerra colonial.
Salazar terá sido um retrógrado, indivíduo sem visão de futuro e que, “orgulhosamente só”, contribuiu para o atraso e afastamento de Portugal face ao restante Ocidente. A recusa inicial ao “Plano Marshall” é um dos argumentos mais usados para justificar essa análise.
Porém, a meu ver, esta escolha dos portugueses para além de legítima é perfeitamente normal. Ora, é uma escolha normal porque o concurso procura perceber qual o maior português de sempre. Logicamente, um homem que deteve o poder durante mais de 40 anos e que marcou toda uma era em Portugal terá de figurar nessa lista. Exactamente por esse motivo a escolha de Oliveira Salazar é também legítima, pois Salazar – para o bem e para o mal – marcou irremediavelmente uma época da vida portuguesa. Não se pode falar da história do Portugal do século XX e deixar o Estado Novo de parte. Para além de estúpida, essa reacção é reveladora de pouca honestidade intelectual.
Quer se goste, ou se odeie, Salazar marcou Portugal para sempre. Alguns argumentarão que essa marca é negativa, pois o líder da União Nacional não tratou de “democratizar, descolonizar e desenvolver” em tempo oportuno. Consideram esses que com a presença de Salazar no poder antes, durante e depois da II Grande Guerra, Portugal perdeu uma brilhante oportunidade para se aproximar da frente do comboio Europeu.
Mas outros há que defendem a importância de Salazar para o nosso país. Defendem estes que Salazar resolveu os problemas de tesouraria criados no tempo da I República, salvando Portugal de um erro político e social ao recusar a entrada na II Guerra Mundial. Salazar terá sido também o primeiro estadista a combater o analfabetismo sendo, no entanto, discutível se essa situação não seria apenas para contribuir para a aculturação da população propaganda, a começar nas bases. Muitos apontam também a segurança como trunfo a favor de Salazar, mesmo que essa fosse alcançada por meio da repressão.
Não tenho qualquer problema em ver Salazar nesta lista, nem de o ver ao lado de Álvaro Cunhal, um dos seus grandes adversários políticos e que terá sido, numa outra dimensão, um extremista que almejava conduzir Portugal para uma república socialista ao nível da URSS. Concordo com a visão de que seria impensável recusar a sua entrada neste concurso, estratégia que alguns sugeriram. Renegar a Salazar seria renegar à nossa história, àquilo que faz de nós o povo que somos nos dias de hoje.
Porém, já não vejo de forma tão liberal a sua eventual vitória neste concurso. Nunca esquecendo que se trata exactamente disso, dum concurso, não posso deixar de apresentar as minhas reservas perante uma eventual vitória salazarista. Nunca vivi em ditadura, e também não experimentei o período revolucionário de Abril de 74. Aquilo que conheço é dos livros de história e dos filmes/documentários televisivos. Mas conheço os ideais que levaram à revolução, as razões que levaram ao golpe. A necessidade de mudar, de instituir a democracia, a liberdade de expressão e, obviamente, acabar com a guerra colonial. Ora, o que terá mudado de 74 para 2007 de modo que possamos considerar Salazar como o “maior”? Depois de, durante perto de 40 anos, milhares de homens e mulheres de Portugal terem dado a vida pela oposição ao regime por ele personificado?
A meu ver, o voto em Salazar é um voto de protesto, de protesto contra os governantes actuais e contra os escândalos que os afectam dia após dia. É o voto contra os casos “Bragaparques” e “Felgueiras” que abundam neste território à beira mar plantado. É o voto da desilusão, do desencanto, do – eventual – falhanço dos ideais de Abril.
O país democratizou, mas apresenta problemas de base ao nível das estruturas democráticas; descolonizou, mas nenhuma das antigas colónias manifesta, hoje, sinais de prosperidade evidentes, principalmente nos casos de Angola e Moçambique em que longas e prologadas guerras civis derrubaram as possibilidades de crescimento económico e social das suas populações, tensões essas cuja génese não poderá ser dissociada da apressada independência concedida por Portugal; e desenvolveu, mas não no sentido desejado. Somos ainda um país com fortes assimetrias internas, ao nível da exclusão e integração social, do crescimento e expansão económica, já para não falar na nossa posição internacional, ainda vistos como um país atrasado e pobre.
Serão estas as razões que motivam os votos a favor de Salazar? Provavelmente. Em tempos de crise – e vivemos um – há sempre um retorno às raízes, uma apologia dos tempos passados, dos gloriosos tempos passados. Para muitos portugueses, o tempo do Estado Novo é recordado, em pleno século XXI, com saudade. Era o tempo da segurança, da vida em família, da apologia dos valores tradicionais da religião, em que a maioria do povo permanecia na ignorância em relação aos destinos de país.
E, para mim, isto é que é preocupante e motivo de reflexão por parte dos políticos de hoje. Entenderão eles essa hipotética e – de acordo com alguns “opinion makers” – provável vitória de Oliveira Salazar como um voto de protesto? Permanecerão indiferentes porque, ao fim e ao cabo, trata-se apenas de um concurso. Não sei, mas haverá conclusões a retirar de todos os dirigentes políticos e partidários que assumiram posições de destaque e relevo no Portugal democrático, desde Eanes e Soares a Cavaco e Sócrates, sem esquecendo Lourenço, Guterres e Barroso entre outros.
O meu voto já está decido e atribuído: D. Afonso Henriques. O nosso primeiro Rei. O pai da nossa pátria. O primeiro português. O jovem que teve uma visão e lutou por ela. Tinha um sonho e viveu-o. O homem sem o qual não havia Portugal. O conquistador.
Não sei se o voto em Salazar será de protesto ou de desespero. Afinal, quantos de nós não ouviram, já, a expressão volta, Salazar sempre que o país entra em recessão?
Quanto ao meu voto, segue direito a Fernando Pessoa. Pelas longas horas em que repousou na minha mesa de cabeceira.
Exacto. O que motivará esse saudosismo a Salazar? Homem que foi odiado visceralmente pelo povo na época. Será que Portugal se esqueceu do Tarrafal?
Pessoa, boa escolha se bem que, de entre os poetas, a minha recairia sobre Camões. Épico, simplesmente épico.
Desde que ouvi um rapaz de 18 anos da Madeira que telefonou para o programa a dizer…
“O meu voto vai para Salazar porque ele foi um grande homem… e agora com esta liberdade toda há aí tanta droga…”
…perdoei todos aqueles salazaristas enrugados que aí andam.
É que esses foram “propagandeados”, este é simplesmente parvo…
PS: Eu fiz uma pequena referência a este assunto no meu blogue em forma de comentário. A minha opinião é muito semelhante à tua.
Pois o meu voto será para Drº Oliveira Salazar, por ser o maior estadista de sempre . Leiam os seus discursos e estudem com seriedade, o Estado Novo e comparem com o actual estado do país … se forem honestos vão perceber a diferença, se forem correligionários do sistema ou de algum partido virão com as tretas do costume da democracia e da ditadura e das mortes durante a ditadura. Por acaso o Álvaro Cunhal foi fuzilado, durante a chamada ditadura? Onde estão os milhares de mortos da «ditadura» Salazarista? Não podemos colocar no mesmo patamar as diversas personalidades que estão no concurso, mas Salazar é o melhor estadista de sempre!E a propósito não sou nenhuma « salazarista enrugada» sou bastante jovem …
«E a propósito não sou nenhuma « salazarista enrugada» sou bastante jovem …»
Nota-se, nini.
Gostaria que o srº Pedro Romano me explicasse qual é o seu conceito de juventude. Mas deixe-me adivinhar … É ser de esquerda ?…Nos anos sessenta e setenta era o máximo, ler o livro vermelho do Mao e ter um boné à Che, autênticos assassinos, mas que importa isso, pormenores, era do mais chique. É ser políticamente correcto ? Ou ser jovem passa por conhecer e aceitar a versão da História que nos impõem nos manuais escolares … não sabia que eram essas as características que definem a juventude … talvez sejam …. então não me enquadro nesse perfil tão formatado .
Nini:
A escolha de Oliveira Salazar é tão legítima quanto outra qualquer. A questão que eu pretendo analisar com o post é a razão que levará a que hoje, pleno Século XXI, estejamos a considerar a hipótese de “consagrar” como maior português de sempre alguém que foi tão odiado e responsabilizado por tantos crimes como foi Salazar.
Claro que o argumento poderá ser feito que o Marquês era igualmente severo. Porém, o ministro de D.José nunca viveu em tempo de direitos humanos, nem em tempos de igualdade social. Na altura de Salazar tudo isso exisitia e era defendido por várias nações por todo o Ocidente. Porém, ele manteve a sua postura inalterável e com isso prejudicou o país. E isso é inegável.
Percebo, perfeitamente, a posição de Nini. Salazar foi, na sua época, quer quando assume a pasta das Finanças, em 1928, quer quando se torna Presidente do Conselho, em 1930, um visionário, mormente na recuperação económica do país. Os discursos a que Nini se refere são, de facto, de uma clareza e de uma objectividade impressionantes. E, à altura, era necessário, indubitavelmente, um pulso de ferro para tornar este país governável.
Salazar, no entanto, não soube/quis afastar-se do poder quando o devia ter feito (o que, aliás, estava consagrado nos referidos discursos). Continuo convencido que uma saída airosa no pós segunda guerra, em 1945, teria feito com que Salazar, ainda hoje, fosse visto como um grande estadista. É a partir desta altura que a situação nacional descamba, desde logo com a criação da PIDE, que vem substituir uma inactiva (e ainda bem) PVDE.
A perpetuação no Poder tem destas coisas (e isto serve para regimes ditatoriais de esquerda ou de direita) – começam a cometer-se erros absurdos e autênticos atentados contra os direitos humanos, mesmo que, muitas vezes, sem conhecimento/consentimento de Salazar. Foi o seu isolacionismo que lhe retirou, a pouco e pouco, o real poder sobre Pides e afins, bem como uma visão geopolítica mais global que o fizesse perceber que o colonialismo, por exemplo, tinha os dias contados.
Por fim, entendo o voto em Salazar mais como alguém que marcou o país. Por boas razões, por um lado, por péssimas razões, por outro. Se vencer o concurso, será por ser um nome inquestionável da política portuguesa e não por ter sido um bom timoneiro do país.
O que me faz pena é que a situação social, económica e política actual tenha chegado a um ponto de sofrimento para o Povo Português que seja preciso invocar Salazar nem que seja como protesto. Olha-se, olha-se e não se vê futuro. Daí à retaliação é um passo… E isto é de mau agoiro!
Sem dúvida, António. Já me tinha referido a isso no primeiro comentário.
Claro que Salazar, D. Afonso Henriques, o Marquês de Pombal são figuras incontornáveis da nossa História, percebo que Salazar seja um nome que incomode, muita gente,tal como o Marquês de Pombal incomodava na sua época, tanto que no reinado de D.Maria I, foi afastado do poder. Num país democrata no qual já passaram 32 anos do fim do Estado Novo, os nossos político e comentadores de tudo e mais alguma coisa já não deviam temer fantasmas do passado se os temem é porque sabem que a Democracia não está bem implantada no país e sabem também, que provavelmente estão gerir mal o país. Concordo com o autor do blog talvez o voto na figura de Salazar seja de protesto. No entanto, a maior parte das pessoas que conheço, com mais de 40 anos não possuem razões de queixa do período da sua vida, que viveram durante o Estado Novo. Grandes estadistas causam sempre polémica e nunca existirá unanimidade em torno das suas figuras, creio que já é tempo de termos outro olhar sobre a História de Portugal, lamento por todos aqueles que foram perseguidos ou que viram as suas vidas alterdas, durante o regime de Salazar, mas se essa perseguição não tivesses sido feita Portugal teria se transformado num bastião do comunismo, foi uma escolha que fizeram na sua época serem comunistas ou anarquistas… não se esqueçam que a Espanha de 1936 a 1939 viveu uma Gurerra Civil cruel que dividiu o país e o comunismo ameçava a Europa, assim como no fim da II Guerra Mundial com o início da Guerra Fria. Oque era preferível na época defender os interesses soberanos de Portugal ou entregar o país e as suas colónias à União Soviética. Claro que no fim do Estado Novo poder-se.-ia negociar uma descolonizaçaõ, na qual os nossos intereses ficassem salvaguardados mas fomos o último país, a manter um Império,numa conjuntura que dividia o mundo em dois blocos …. O pós 25 de Abril, deixa muito mais mágoa nesses aspecto da descolonização …. milhões de seres humanos foram abandonados à sua sorte nas nossas ex-colónias : Timor que ficou completamente abandonado e como tal os Indónesios fizeram a sua ocupação, para não falar de Angola que ainda hoje, morrem milhares de fome, doença e explosões de minas. No geral o Estado Novo foi positivo para a História de Portugal … vamos ver se quarenta anos depois a Democracia terá um saldo assim tão positivo … A minha geração, já nasceu depois do 25 de Abril, tem que viver desapaixonadamente a História e tem que ter uma leitura imparcial da mesma… E isso é uma dívida que temos todos para com as gerações mais novas para que possam aprender com os nossos erros e com os dos nossos antecessores.
Nini, o meu conceito de jovem não é relevante para a discussão.
Mas continuo a dizer que se nota a sua juventude. Como quando diz (com cara séria, presume-se) coisas deste género:
«Pois o meu voto será para Drº Oliveira Salazar, por ser o maior estadista de sempre»
«mas Salazar é o melhor estadista de sempre!»
Congratulo o Srº Pedro Romano, por finalmente ter chegado à mesma conclusão que eu … e de todos aqueles que conhecem com profundidade a História de Portugal …. Ou será apenas ironia! De facto Salazar foi o maior estadista de sempre, um grande homem de Estado. Continuo sem perceber a alusão que faz à minha juventude … nem a correlação que a mesma tem com a minha vontade de votar no Drº Oliveira Salazar. Será preconceito ? Isso não é políticamente correcto, para um democrata, presumo que o seja ?!
Nini,
Não gosto do argumento da autoridade. Sobretudo quando se funda em bases tão tíbias. Também não gosto das ironias, embora mais por uma questão estética do que de correcção história.
Mas posso deixar-lhe uma pergunta: se o homem era tão grande como afirma, por que raio precisava de uma polícia política? Para se defender daqueles a quem desejava o melhor?
É indiscutível que Salazar marcou a história de Portugal e temos de ser capazes de assumir a nossa história.
Porém, a discussão em torno do facto do ex-primeiro-ministro ser digno de conquista do título de “melhor português de sempre” levar-nos-á a ter de considerar o seu trajecto, de terror e tortura. E indivíduo que matou e torturou, em jeito de repressão da liberdade, não merece ser considerado o melhor português de sempre. Não interessa de quantas crises económicas nos livrou. Matou para garantir a sua permanência na poder. Inegável.
Antes de mais gostaria de responder ao srº Pedro Romano, ainda bem que existia a PIDE… pois permitiu a permanência de Salazar 40 anos no poder… assim que esta acabou … veja o que é que aconteceu a este país. Sabe todos aqueles que lutaram contra o Estado Novo, até deveriam ter conseguido os seus intentos, logo a seguir à II Guerra Mundial, para que pudessem experimentar a doce e inebriante liberdade e terem a vida próspera de um país satélite da ex-União Soviética … a propósito até ao início da década de 90 do século XX, existia na Europa a chamada cortina de ferro, milhões de pessoas que viviam atrás dessa mesma cortina, queriam fujir desse paraíso comunista, milhões foram torturados, fuzilados e desterrados para a Sibéria, viveram sempre com senhas de racionamento, menos as elites do partido …. claro. Mas evidentemente que compreendo que as purgas de staline e as mortes desses milhões de soviéticos não sejam comparáveis em horror, à terrível prisão e sofrimento de um Àlvaro Cunhal ou de uns quantos comunistas, anarquistas e bombistas, que foram parar ao Tarrafal. Por ventura Salazar deveria deixá-los continuar, nas suas acções subversivas até que eles transformassem este país num paraíso democrático e de liberdade de expressão à maneira comunista. A propósito gostaria de conhecer as reais estatisticas sobre aqueles que pareceram nas mãos da PIDE. Para existir um Estado forte, que saiba governar e que lhe permita governar este país ingovernável, tem que ter uma polícia forte mas gerida por um homem honesto…como foi Salazar e nada se lhe pode apontar, quanto à sua integridade moral e honestidade e dedicação a este país, ao contrário dos nossos políticos actuais. Quanto a outras personalidades que estão a votos no programa de televisão fizeram verdadeiras atrocidades, Vasco da Gama, durante a descoberta do caminho marítimo para a Indía quantos seres humanos matou e torturou, assim como D. João II, para consolidar o poder régio mandou matar e o Marquês de Pombal a forma cruel e bárbara como matou os Távoras, serão eles mais legítimos … sim já sei Salazar mete medo … Mais do que nunca a sua grande personalidade paira sobre o país.
Phillipe,
Eu nem me debrucei sobre a votação. Falei sobre Salazar.
Nini,
Acho que chegámos àquele ponto em que o debate se torna impossível. Não vou andar a discutir lógica.
Concordo Srº Pedro Romano, temos opiniões diferentes sobre Salazar e não vamos chegar a acordo. Apresentei argumentos, que o srº não contestou de uma forma lógica .
Não, não apresentou argumentos.
Um argumento serve de justificação de uma conclusão. Dizer «Salazar foi sem dúvida o melhor estadista português» não é um argumento, é uma conclusão que carece precisamente de argumentos. É lógico que eu não tenha refutado nada: não havia nada para refutar.
Infelizmente, temo que o Srº Pedro Romano não tenha lido nada do que escrevi…. apenas teima, na sua perspectiva histórica, sobre Salazar, sem apresentar factos, consistentes.
Que factos quer que eu apresente? Eu nem sequer falei de Salazar.
Eu também vou votar em Salazar no concurso para eleger o “Maior Português de Sempre”. Em primeiro lugar, vou começar por esclarecer que em minha opinião, e de forma objectiva, o Maior Português de Sempre só poderiam ser D. Afonso Henriques ou D. Nuno Álvares Pereira. Não vou dissertar sobre esta questão, ficará para uma próxima oportunidade. Então não haverá alguma incoerência da minha parte ao votar em Salazar? Não, porque o que está em causa não é apenas escolher o Maior Português de Sempre.
É evidente que está em curso uma vergonhosa campanha de deturpação da verdade Histórica e uma campanha de difamação sobre Salazar. O concurso para “Pior Português de Sempre” converteu-se numa anedota nacional com as proporções da fraude na votação. No concurso para Melhor Português de Sempre, Salazar continua a ser alvo das acusações mais patéticas. Vamos por pontos:
1. Salazar é acusado de manter um regime totalitário. É verdade, assim como todos os estadistas presentes em votação presidiram a regimes totalitários. Salazar subiu ao poder na “Era dos fascismos” e tal apenas aconteceu por uma manifesta incapacidade da “Democracia” tomar as rédeas do poder.
2. Salazar é acusado de mandar matar opositores políticos. Conheço o caso de Humberto Delgado, mais nenhum, mas admito que hajam mais casos.
Comparemos com Álvaro Cunhal, a quem ninguém faz semelhantes acusações. Segundo o estudo de J. Pacheco Pereira, recentemente publicado, Cunhal é responsável pelo assassinato de vários opositores políticos que lhe disputavam o poder dentro do partido. Afinal, para Cunhal tal já não é reprovável ou digno de menção? E já nem falo das perseguições do Marquês de Pombal aos Távoras ou dos reis mais antigos, pois aí valia tudo.
3. Deixando a questão das perseguições políticas, a obra de Salazar tem muitos aspectos positivos bem como negativos, naturalmente. No entanto, qualquer análise imparcial concluirá que a acção de Salazar foi globalmente muito positiva para o país.
4. Diz-se que Salazar deixou um país atrasado em relação à Europa desenvolvida. É verdade, mas também é verdade que Salazar pegou num país muito atrasado em relação à Europa desenvolvida. E não foi seguramente Salazar que deixou Portugal atrás de uma Grécia, de uma República Checa ou de um Chipre.
5. Por fim, Salazar foi um Português digno desse nome. Bem ou mal, tudo o que fez foi pelo país. Os Soares, Barrosos ou Guterres que temos actualmente dão-me a sensação que tudo o que fazem é pelas carreiras pessoais, pelos votos, pelos poleiros e que se estão nas tintas para o país.
6. No tempo de Salazar podia andar-se em segurança pelas ruas. Hoje, temos o país das Fátimas Felgueiras, dos Valentins Loureiros e da bandalheira generalizada. E quanto à Liberdade de Expressão a coisa não melhorou assim muito. É verdade que não há ninguém preso, mas as opiniões consideradas politicamente incorrectas não passam na comunicação social, e quem as emite fica irremediavelmente arredado de qualquer cargo público.
Por tudo isto, o meu voto vai para Salazar.
Excerto de uma entrevista a Fernando Dacosta:
(…) O Portugal do Fado, Futebol e Fátima é criado por Salazar à sua imagem ?
- Esta história dos três F não foi criada por Salazar. Não gostava de fado porque dizia que amolecia o carácter. Não gostava de futebol porque achava um jogo para atrasados mentais. E não acreditava nos milagres de Fátima. (…)
(…) Se Salazar aterrasse agora em Portugal e se tivesse o poder o que faria ?
- Punha o país em ordem (…).
(…) Acha que hoje em dia temos uma imprensa livre ?
- Não, de maneira nenhuma.
- Nunca tivemos uma imprensa tão dependente economicamente como hoje. Neste momento, a situação da comunicação social é muito mais grave do que era no tempo de Salazar. (…)
(…) É verdade que Salazar, na sua juventude, terá pensado ir para padre ?
- Penso que sim. Mas a dada altura da sua vida, aí pelos 25 anos, perdeu a fé, não em Deus, mas na hierarquia religiosa. Definitivamente, não gostava de padres. Nunca mais se confessou. Ia à missa, mas não comungava. (…)
Fernando Dacosta
In: Magazine Grande Informação, nº 14, Janeiro 2007
Nini:
“ainda bem que existia a PIDE… pois permitiu a permanência de Salazar 40 anos no poder… assim que esta acabou … veja o que é que aconteceu a este país. Sabe todos aqueles que lutaram contra o Estado Novo, até deveriam ter conseguido os seus intentos, logo a seguir à II Guerra Mundial, para que pudessem experimentar a doce e inebriante liberdade e terem a vida próspera de um país satélite da ex-União Soviética …”
Então, devo concluir que compreende a privação da liberdade em função de manutenção da segurança? Aceitará prescindir de liberdades se essa mesma rescisão lhe garantir um aumento da segurança, ainda que essa segurança seja apenas fictícia, isto é, ela assenta sob os pilares da repressão e da violência.
Não havia nenhuma diferença significativa entre o Portugal de Salazar e a URSS de Estaline. Eram dois governos de repressão, perseguição política e de tortura a todos os que pensavam de forma diferente. Ambos os povos eram pobres e ambos os líderes pretendiam garantir os impérios, mesmo que isso tivesse de ser feito à luz da violência. Pergunto, também, onde estava a prosperidade durante o Estado Novo. Garanto-lhe que mais de 90% dos portugueses que viveram nesse tempo também não lhe sabem responder.
The Studio:
” Salazar é acusado de mandar matar opositores políticos. Conheço o caso de Humberto Delgado, mais nenhum, mas admito que hajam mais casos.”
Não acha que isto é suficiente para condenar a postura de Salazar e a forma como manteve o poder? Matar um homem é terror a mais. E não adianta compará-lo a outros estadistas, de outros tempos históricos, porque esses viveram outras realidades e outras mentalidades. E, também, nunca ninguém disse que Cunhal era um santo. Provavelmente a sua situação não provoca tanto alarido porque nunca esteve na condução dos destinos do nosso país.
“No entanto, qualquer análise imparcial concluirá que a acção de Salazar foi globalmente muito positiva para o país.”
Pergunto-lhe onde se baseia para dizer isso? Salazar recuperou as finanças do país, mas o povo não usufruiu dessa situação. Ao invés, vivia cada vez mais pobre e oprimido.
“Diz-se que Salazar deixou um país atrasado em relação à Europa desenvolvida. É verdade, mas também é verdade que Salazar pegou num país muito atrasado em relação à Europa desenvolvida. E não foi seguramente Salazar que deixou Portugal atrás de uma Grécia, de uma República Checa ou de um Chipre.”
Estará com toda a certeza ciente de que a recusa de Salazar em aderir ao Plano Marshall conduziu ao irremediável atraso face à restante Europa Ocidental. Portugal não participou na guerra e estava numa situação em que poderia, de certa forma, liderar a Europa destruída no pós-guerra. Porém, a recusa de Salazar em aceitar o Plano – depois lá pediu qualquer coisa – significou que continuamos a crescer atrás das outras nações europeias. Portugal poderia ter-se adiantado à França, à Alemanha ou até ao Reino Unido. Contudo, o não de Salazar significou que ficassemos para sempre atrasados em relação a essas e outras nações. Os problemas estruturais de hoje, têm correlação, necessária e evidente, com esse tempo e essa decisão política.
“Por fim, Salazar foi um Português digno desse nome. Bem ou mal, tudo o que fez foi pelo país. Os Soares, Barrosos ou Guterres que temos actualmente dão-me a sensação que tudo o que fazem é pelas carreiras pessoais, pelos votos, pelos poleiros e que se estão nas tintas para o país. ”
Não acha este um argumento algo provincial e, por outro lado, claramente ao encontro da desilusão provocada pelos problemas na política em Portugal? Acha, sinceramente, que Salazar personifica melhor o espírito e o ser português do que, por exemplo, D. Afonso Henriques ou o Infante D. Henrique?
“No tempo de Salazar podia andar-se em segurança pelas ruas. Hoje, temos o país das Fátimas Felgueiras, dos Valentins Loureiros e da bandalheira generalizada.”
Qual a relação entre Fátima Felgueiras e a segurança, ou falta dela, nas nossas ruas? Se Fátima e Valentim se mantêm no poder é porque o povo os escolheu. O mesmo povo que apoiou Salazar. O mesmo povo que apoiou a Revolução. Portanto, se essa sua “bandalheira generalizada” existe é porque alguém deu poderes para que ela existisse.
Manuela:
Fernando Dacosta é um brilhante historiador da nossa praça, porém é um adepto de Salazar. Por isso, naturalmente, as suas conclusões sairão enviesadas no sentido da sua inclinação pessoal.
Como reconhecerá, poderia enunciar uma série de outros historiadores que apresentariam argumentos para contrariar os de Dacosta, e a beleza de vivermos em democracia é que os poderiam apresentar sem temerem ser perseguidos, torturados e assassinados.
Philippe Vieira:
Portugal é um caso perdido… Os Portugueses são ingovernáveis, a começar nas nossas elites políticas que são demagogas, incultas, incompetentes, e na sua maioria corruptas e cujo o objectivo é defenderem os seus interesses pessoais… As figuras conhecidas da chamada elite cultural, são subservientes ao sistema … dependem do subsídio do Ministério da Cultura, para fazer teatro, cinema, de qualidade duvidosa . Os escritores reputados serão assim tão bons ? Existe gente com muito mérito na cultura portuguesa mas essa não é falada, não aparece na televisão. Os museus vazios e os edificíos decadentes a necessitarem de obras com urgência, por exemplo: o Museu de Arte Antiga. As elites endinheiradas – a alta burguesia – está confinada a três ou quatro famílias, que quase compraram o país … veja o caso da OPA à PT. Os outros são donos de bancos não investem em indústria apenas emprestam dinheiro e amealham. Onde estão os industriais ? São esses que criam riqueza num país. O povo ou a dita classe média está mais rica do que antes ? Não sei! Claro que agora qualquer português tem um carro, tem sofás e televisão em casa e vive num apartamento, a pagar ao banco em 60anos. E todos esses bens são deles ? Não são do banco mas claro que tem acesso a esses bens de consumo. Estará o povo português mais culto ? O analfabetismo não existe?
Hoje a ignorância abunda … quer nos adolescentes que frequentam as nossas escolas e cujo exemplo de vida são os Morangos com Açucar. Quer nos jovens licenciados cujo saber cientifico e cultural é reduzido, veja o exemplo dos jornalistas que aparecem na televisão, cada erro ortográfico e uma falta de cultura que é de bradar aos céus. O resto do povo está como sempre esteve – indiferente ao querer aprender e saber. Como tal 32 anos depois da Revolução dos cravos e não sei quantas reformas do ensino, estamos um país mais culto, mais responsável, mais democrático ? Não creio ! Quem nasce pobre continua excluído de aceder a um ensino com qualidade e concluir um curso universitário. Continua a ser um país dominado pelas elites politico- financeiras … onde nem de longe nem de perto existe igualdade entre os cidadãos. Portugal está mais desenvolvido ? Se passearmos por este país … vemos um país descaracterizado, nas cidades no interior a mesma gente do tempo de Salazar, as mesmas aldeias, só que quase moribundas, sem gente com as escolas fechadas, os centros de saúde encerrados, é este o Portugal Democrático de que tanto falam… este país é um país eternamente adiado. Continuo a afirmar Salazar foi o grande obreiro de Portugal:
Nasceu pobre e morreu pobre.
Os competentes ocupavam os devidos lugares.
Portugal cresceu a 8% ao ano.
A dívida pública baixou de 44% para 5%.
O rendimento dos cidadãos aumentou 500%.
Portugal tornou-se auto sustentável.
Portugal era um império.
Defensor do Estado, não subordinava essa defesa a quaisquer outros critérios ou considerações;
era glacial no tratamento e condução dos negócios públicos; e por acto de vontade calcava gostos pessoais,
vencia emoções, suprimia ressentimentos, desconhecia ofensas.
Escutava sem interromper, com atenção concentrada, e retinha com fidelidade quanto se lhe dizia;
não se sentia afrontado com objecções ou ideias opostas; não era impressionável, nem influenciável;
mas factos e argumentos alteravam a sua posição.
Era intransigente nos princípios, mesmo que pudesse correr risco de destruição;
mas era flexível na táctica e subtil na mudança de rumo;
e dava à nova linha que prosseguisse uma nova construção lógica, de modo a não se contradizer nem desmentir.
Considerava-se emanação genuína do povo, de cujos interesses se sentia universitário, e cujos sentimentos misteriosamente compreendia e avaliava.
Era céptico e indiferente perante as élites.
Delegava autoridade, e aguardava que cada um cumprisse o seu dever; mas não tinha no íntimo a segurança de que o fizessem.
Não pedia favores, e não aceitava obséquios que lhe criassem dependências ou familiaridades.
Interessava-se por tudo, e informava-se nos mínimos pormenores; e sabia em cada momento qual a posição política e pessoal de cada homem que contasse no País.
Tinha acima de tudo um ângulo de visão só nacional.
Franco Nogueira
Por tudo isto é preferível abdicar da tal suposta liberdade em que todos nos encontramos e que de nada nos serve, apenas serve aos malfeitores e corruptos que polulam neste país para viver num país civilizado e estável, ou julga que hoje não existe censura ? E que os nossos políticos falam verdade?… Salazar não é comparável a staline que cometeu um verdadeiro genocídio e aí sim imperava a tortura e o medo, não em Portugal isso é propaganda dos comunistas e daqueles que querem aterrorizar a população com a figura de Salazar para não perderem os seus tachos .
Philippe Vieira :
Fernando Dacosta tem a sua admiração por Salazar. Mas não me diga que está a pensar em outros Historiadores, tal como Fernando Rosas… esse não é nada enviesado ?!
Não sabia que em Portugal torturaram e assassinaram historiadores durante o Estado Novo? Peço-lhe por favor que queira ter a amabilidade de dizer quem foram os Historiadores assassinados no Estado Novo.
Votar em Salazar para Maior Português de Sempre exige:
1. Determinar os critérios de eleição;
2. Provar que, de todos os candidatos, foi Salazar quem mais convenientemente preencheu esses requisitos.
Dizer que Salazar foi o «maior estadista português de todos os tempos» exige:
1. Determinar os critérios de eleição;
2. Provar que, de todos os candidatos, foi Salazar quem mais convenientemente preencheu esses requisitos.
Já vi aqui muitos argumentos a favor da vitória de Salazar nas duas eleições (muitos deles factualmente errados, outros mal interpretados); ainda não vi ninguém a definir os critérios de eleição quer do Maior Português de Sempre quer do «maior estadista português de todos os tempos».
Manuela:
Não vai, com toda a certeza, apoioar o delírio ingénuo de que no tempo da ditadura nenhum intelectual ou pensador filosófico português foi torturado? Ou assassinado? Então, quem pensa que ia para o Tarrafal? Turistas?
Qual era o propósito da censura? Impedir que ideias discordantes chegassem ao público. E não eram apenas os jornais que eram censurados. Também os livros e a música o eram. Os autores censurados eram torturados e violentados. E, não em vai dizer que continua a não querer perceber essa evidência. A perseguição e tortura por motivos ideológicos eram prática corrente e não sou eu que o diz. São os factos. É a história.
E, se eu quisesse citar Fernando Rosas como exemplo de historiador com obra contra Salazar, teria de aceitar essa escolha como sendo tão legítima quanto a de Fernando Dacosta. São dois belíssimos historiadores, com visões políticas bem definidas.
Nini:
Depois de uma afirmação como “Portugal é um caso perdido… Os Portugueses são ingovernáveis” penso que não há muito mais a dizer. A sua posição, relativamente a Portugal e ao seu povo, ficou perfeitamente esclarecida e com alguém que não respeita suficientemente o país para gostar dele não se pode conversar de forma séria e inteligente. Para aqueles que pensam Portugal como país terceiro mundista será natural que prefiram a vida controlada e sem qualquer capacidade de livre arbitrio à vida em democracia e liberdade.
Já se apercebeu que, em tempos de Salazar, esta conversa que temos mantido seria impossível. Está ciente disso, não está? Mas é mais importante que Portugal seja um império, não é?
Phillipe Vieira:
Adoro o meu país, com todos os seus defeitos e virtudes, tenho orgulho em ser portuguesa! Agora vai acusar-me de ser nacionalista, pois hoje em dia, tudo o que vai contra a cartilha de Bruxelas é mau! Como tal nem sequer me vou importar com o seu comentário:
«não respeita suficientemente o país para gostar dele não se pode conversar de forma séria e inteligente»
O gostar de Portugal não faz com que não seja realista, quanto à sua situação, pode não concordar com a imagem terceiro mundista de Portugal, mas ela é real, infelizmente, claro que gostaria que este país fosse civilizado, desenvolvido, com gente capaz de governar… Não quero uma ditadura, quero viver num país onde realmente exista uma verdadeira Democracia, onde as Fátimas Felgueiras sejam julgadas, justamente e condenadas, onde os corruptos paguem pelos seus crimes… onde o sistema de educação funcione para todos, independentemente, da sua classe social! Quero lutar, por um Portugal melhor, bem diferente, deste, onde só se respira futebol, corrupção… Será que o Srº quer também um Portugal melhor ou está satisfeito, com este que tem ?
Quanto, ao facto de no tempo de Salazar não podermos ter esta conversa, obviamente que poderiamos… não na internet, que não existia… mas as pessoas discutiam ideias e defendiam pontos de vista. Julga que hoje não existe censura nas televisões e nos jornais? Claro que existe, com uma agravante, atiram-nos com mortos violência e prostitutas que dão entrevistas nos telejornais e são consideradas, casos de sucesso.
Democracia, liberdade é igual a responsabilidade, civismo, educação. Apesar de vivermos em «Democracia» há 32 anos, não creio que esta esteja melhor!
Ao Tarrafal iam parar activistas, comunistas, bombistas, anarquistas, todos aqueles que queriam destruir Portugal. E muito bem !
Gostaria que toda a Península Ibérica, se transformasse num bastião do comunismo… quem sabe numa Roménia, com um Ceausescu, esse era bonzinho, matava pouco e o povo vivia na opulência… Temos que enquadrar Salazar na época em que viveu e perceber que ele fêz o melhor pela nação, a censura existia para servir os interesses do país, o Tarrafal existia para servir os interesses da nação. Quem não queria ser lobo não lhe vestisse a pele, não se metesse em política.
Ainda que mal pergunte: Andará tudo doido?
Surreal, tudo isto parece-me demasiado surreal…
“E não adianta compará-lo a outros estadistas, de outros tempos históricos, porque esses viveram outras realidades e outras mentalidades. E, também, nunca ninguém disse que Cunhal era um santo.”
É exactamente o que se pode dizer sobre Salazar: Viveu numa época diferente, viveu outras realidades e outras mentalidades. Sobre Cunhal, nunca ouvi ninguém criticá-lo por ter liquidado fisicamente os seus oponentes políticos dentro do Partido Comunista. Por uma questão de coerência, quem criticar Salazar por isso, que critique também o Cunhal.
Quanto ao que Salazar fez pelo país, sabes perfeitamente que desde 1974, os revolucionários de Abril não fizeram outra coisa que não fosse tentar denegrir a imagem de Salazar. Ainda hoje se lê com frequência pelos blogues e na comunicação social que Salazar é o responsável pelo atraso de Portugal. E eu até acredito que quem escreve tal coisa esteja verdadeiramente convencido disso.
Agora, os factos, como poderás confirmar por ti próprio, são os seguintes: Salazar, antes de liderar o governo era um conceituadíssimo professor na Universidade de Coimbra. Era tido como o “supra-sumo” em Economia e Finanças. Por essa altura, o país estava ingovernável. Os governos duravam em média 2 meses e o crescimento económico era fortemente negativo (Parecíamos o Zimbabué de hoje). Ao tomar o poder, Salazar sabia que o grande problema do país, tal como hoje , era um défice asfixiante. Em poucos anos reduziu o défice de 44% para 5%. Com as finanças controladas lançou grandes obras públicas, foram construidas infrastruturas e quase toda a rede viária, que era praticamente inexistente, tendo como ministro o Eng. Duarte Pacheco. Desde a barragem Castelo de Bode à ponte 25 de Abril, quase tudo se deve a Salazar.
Em termos de crescimento económico (apesar da recessão na década de 40 devido à guerra), nunca o nosso país registou um semelhante crescimento, nem mesmo após a adesão à CEE durante a fase em que recebemos uma chuva de fundos.
Se tens dúvidas, informa-te por ti próprio, desde que não seja no Avante ou no blog do Daniel Oliveira. O Salazarismo tem como aspectos negativos a PIDE e perseguições políticas, mas quanto ao resto, desde o Marquês de Pombal não tivemos ninguém que se lhe aproximasse em visão política.
Caro The Studio,
Salazar viveu numa época diferente, mas numa época em que já havia democracias, em que já se defendia a Carta dos Direitos do Homem. Não era o tempo do Marquês, em que nada disso existia. Logo, Salazar era um repressor.
“Salazar fez pelo país, sabes perfeitamente que desde 1974, os revolucionários de Abril não fizeram outra coisa que não fosse tentar denegrir a imagem de Salazar.”
Ninguém tentou denegrir a imagem de Salazar, até porque o homem já tinha caído da cadeira há algum tempo. E para criticar o seu “governo”, bastava a pobreza e miséria social, educativa e cultural que se vivia em portugal, aliado à guerra colonial.
“Salazar, antes de liderar o governo era um conceituadíssimo professor na Universidade de Coimbra. Era tido como o “supra-sumo” em Economia e Finanças.”
Também o Pina Moura era…
Em relação ao pretenso crescimento económico, ele exisitu mas foi à custa da “boca” e poder de compra dos portugueses. Recuperou as finanças às custas do bem-estar do povo.
Salazar foi um péssimo estratega político. Caso contrário, não teria rejeitado a ajuda americana no Plano Marshall. Rejeição essa que significou, para sempre, o “atraso” de Portugal.
Podes consultar qualquer documento histórico relevante. Factos são factos.
Caro Phillipe,
Sem qualquer pretensa defesa salazarista, apenas dois pontos em que discordamos. Salazar, ao contrário do que afirmas, foi um grande estratega político. Até ao pós II Guerra. Quanto ao crescimento económico, um pormenor interessante – mais à custa de endinheirados da capital (não, necessariamente, capitalistas), que dos restantes.
O resto, é chover no molhado.
Abraço
Quanto à sagacidade política de Salazar, é muito discutível. Até à II GM ele não teve de se mostrar políticamente. A sua grande preocupação era a recuperação económica do país. Por isso, apertou o dito cinto, recorreu a toda a economia e lá conseguiu baixar o défice – e esfomear quase toda a população. A atitude de Portugal durante a II GM é o primeiro indicador de Salazar enquanto homem da política. E, esse momento associado à incapacidade de ler o novo mapa geo-político formado no pós-guerra e a condução de Portugal à guerra colonial não nos pode deixar a pensar que se tratava de um grande estadista.
Como já disse: óptimo ministro das finanças, horrível primeiro-ministro. Grotesco, mesmo.
Caro Philipe,
Acho que não adianta discutir contigo. Não quero dizer que tenhas umas palas em frente dos olhos, mas quando se odeia alguém, é-se insensível a todos os argumentos racionais. Apenas algumas considerações finais:
1- Nunca disse que Salazar não era um ditador. Era-o, e havia presos políticos, sim.
2- À época, muitos países desenvolvidos foram governados por ditadores. Por exemplo a Alemanha, que seria talvez o país mais desenvolvido na Europa, mas também países como a Espanha ou a Itália. E os “Direitos Humanos” a que te referes dos regimes democráticos não eram os mesmos de hoje.
3- Dizes que “para criticar o seu “governo”, bastava a pobreza e miséria social, educativa e cultural que se vivia em portugal,”. Desculpa lá, mas isto é um disparate completo, de quem não sabe o que está a dizer. Lê este texto publicado pelo Dr. Pedro Arroja no Blasfémias: “A investigação da história económica em Portugal tem feito grandes progressos nas últimas décadas e é hoje possível reconstituir com razoável grau de aproximação os principais indicadores económicos e sociais do país nos últimos três séculos. Ao analisá-los, eu não tenho dúvida em proclamar que o período do Estado Novo foi, a grande distância de todos os outros, o período de maior prosperidade de Portugal nos últimos trezentos anos.”
4- Por muito que te custe a ti e aos outros “resistentes anti-fássistas”, o governo de Salazar representou o período de ouro de Portugal nos últimos três séculos. E isto não é uma questão de opinião, é uma simples questão de ver os indicadores económicos. E não ter umas palas à frente dos olhos, claro.
5- Quanto ao plano Marshall para Portugal, não sei de nada sobre o assunto. Procurei no google e não encontrei. O Plano Marshall foi para reconstruir os países destruídos durante a Guerra e Portugal nem na guerra participou. E se “ofereceram” a Portugal a possibilidade de beneficiar desse plano, certamente que exigiram contrapartidas. Talvez possas elucidar o que foi exigido a Portugal em troca, para que possamos avaliar essa decisão de Salazar.
Caro The Studio,
Não se trata de palas nos olhos. São simplesmente factos e não opiniões.
O teu segundo ponto, por exemplo. Tens de ter em consideração as circunstâncias que levaram à subida de Hitler ao poder: pobreza, miséria, desemprego e o Armistício – ou Tratado de Versalhes, como preferires. A Alemanha não era, de forma alguma, um país desenvolvido no pós-guerra, istó é, após a I GM. Aliás, se tiveres alguma atenção/conhecimento histórico saberás que todos os fascistas subiram ao poder por situações de instabilidade e pobreza social. Se a I República tivesse corrido bem, Salazar nunca teria subido ao poder, por exemplo.
E, os ideais de Direitos Humanos remontam à Revolução Francesa de 1789 e, numa segunda vaga, no início do século XX – nomeadamente em novas democracias que se formavam. E, mesmo a carta rectificada pela ONU data de 1949. E Salazar governou bem depois disso.
Seguinte. Com todo o respeito pelo trabalho do Pedro Arroja, não concebo como o período do Estado Novo tenha sido próspero. Um país só é próspero quando o progresso económico acompanha o progresso social e humano. Logo, se as pessoas eram pobres, não tinham comida e não estudavam de que adiantava dizer-se que o Estado tinha dinheiro? Dirias que os países do Médio Oriente são desenvolvidos e “prósperos” simplesmente pelos altos valores do seu PIB? Como pode o período do Estado Novo ter sido “de ouro” se havia pessoas que morriam à fome? Assim, o tempo de D. João V também foi de ouro. Com as riquezas do Brasil construiu o Convento de Mafra. Uma belíssima obra. Mas, e o povo? Ah, esse trabalhava e morria à fome. Mas o Estado tinha dinheiro. Logo, período de ouro. Muito bem visto.
É, o google é bom para encontrar algumas informações de algibeira, mas quando se quer investigar uma coisa a sério é preciso ir ler os livros. E, após a leitura de vários – incluindo um relatório elaborado por altura da entrada na EFTA – confirma que foi a política do isolacionismo que motivou a recusa do Plano de ajuda que foi oferecido a todos (!) os países da Europa Ocidental, Portugal incluído. Salazar rejeitou a medida, essencialmente porque teria de abrir o país ao investimento estrangeiro – leia-se americano. Algo que as outras nações fizeram e, sabes de uma coisa, saíram-se bastante bem. Mais tarde Salazar pediu alguma ajuda e já nos anos 50 lá recebeu alguma coisa, mas já nada a ver com o que poderia ter recebido se tivesse aderido logo. São escolhas. E Salaza fez uma má escolha. Está tudo nos livros. Basta ir consultar.
LOL
Não estou nada admirado
pessoal e urgente quais foram as razoes k motivaram ao Salazar a instituir a ditadura fascista em Portugal nos anos 30