And the Eclipse goes to…
Fevereiro 13, 2007
A cerimónia dos Óscares tem lugar no próximo dia 25, no mítico Kodak Theater em Los Angeles. Hollywood irá estar presente em peso para condecorar os melhores do ramo.
Ora, como nós por cá não interferimos com as decisões da Academia só nos resta esperar e ver o que sai de lá. Eu decidi fazer isso e um pouco mais: já que não tenho voz na decisão da atribuição dos Óscares de 2007, posso ter uma palavra importante na definição dos “Eclipses de 2007”, uma cerimónia “irmã” dos Óscares.
Ora, então aqui vão eles:
Melhor Actor Principal:
Leonardo DiCaprio – em “Blood Diamond”
Melhor Actor Secundário:
Djimon Hounsou – em “Blood Diamond
Melhor Actriz Principal:
Helen Mirren – em “The Queen”
Melhor Actriz Secundária:
Cate Blanchett – em “Notes on a Scandal”
Melhor Realizador
Martin Scorsese – “The Departed” (Warner Bros.)
Melhor Filme:
“The Departed” (Warner Bros.)
Não queria terminar sem as menções honrosas a Will Smith, por in “The Pursuit of Happyness”, a Mark Wahlberg em “The Departed” e Penélope Cruz em Volver. Fantásticas interpretações!
Ser ou não ser… House, eis a questão
Fevereiro 13, 2007

Há uns bons sete ou oito anos, fui passar uma tarde ao cinema com a minha namorada da altura. Estava eu todo contente, no caminho, a pensar que ia ter a oportunidade de passar umas boas horas no escuro com ela e, quem sabe, trocar umas carícias e uns carinhos, quando, chegado à porta do BragaShopping – ainda não havia BragaParque – vejo que ela não vinha sozinha. Vinha com um rapaz. Acabou por ser o irmão. Tinha sete anos.
Ora, eu tinha dois filmes em mente: Um, era “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” -bastante romântico; o outro já não me lembro, mas recordo-me que era assustador. Porém, não havia maneira de convencê-la a largar o puto em qualquer lado ou a ver um filme a sério e então tive de me contentar com uma película escolhida pelo petiz. “O Pequeno Stuart Little” aguardava-me.
Enquanto caminhava rumo à sala, ia pensando que o filme não podia ser assim tão mau. “Um miúdo tem um amigo rato, ele foge e depois vão à sua procura”. Não é assim tão mau, pensei eu. Enganei-me. Era pior do que qualquer coisa que já tinha visto até então. Foram 90 dos piores minutos que passei numa sala de cinema. Verdadeiramente horrível o filme. Se a fita parecia que nunca mais acabava, já o meu namorico na altura parecia que definhava à velocidade da luz.
Bem, os tais sete ou oito anos volvidos, já homem de barba na cara e namoro sério, eis que me deparo com uma personagem desse tempo mas, agora, na televisão… Pois, o bom do Dr. Greg House, isto é, o pai do Stuart Little, ou seja, o Sr. Frederick Little.
Devo admitir que não me fiz fã imediatamente da série. Não me interessou muito no início. Mas, vendo um episódio aqui e outro ali comecei a achar alguma piada à trama. Porém, acima de tudo, comecei a reparar na excelente representação do experimentado Hugh Laurie, um verdadeiro exemplo moderno do clássico actor inglês. Versátil e talentoso, Laurie domina cada plano em que aparece – ele “é” a série. A sua pronúncia americana é perfeita e o cinismo que introduz na personagem tem tanto de brtish – o stiff upper lipp – como de natural, encaixando como uma luva num médico entediado, angustiado e em dor permanente como é House.
Assistimos hoje ao regresso das grandes produções dramáticas aos ecrãs da televisão. O sucesso de séries como “ER”, “Os Sopranos” e “Sete Palmos de Terra” permitiu que aparecessem outras com actores menos habituados ao pequeno ecrã, mas já sem espaço no cinema. Kiefer Sutherland é disso um excelente exemplo. Se não fosse pela personagem de Jack Bauer há muito que teríamos perdido a oportunidade de ver este excelente actor – mas, ainda assim mais fraco do que o pai, Donald Sutherland – em acção.
O mesmo se passa em “House”. Hugh Laurie, um actor que nunca atingiu um patamar elevado na cena internacional, encontrou neste médico coxo um veículo perfeito para atingir a fama e o reconhecimento que são, ao fim e ao cabo, inerentes e de direito a quem tem qualidade naquilo que faz. E Laurie tem-na, apenas teve de esperar pelo “seu” papel durante mais alguns anos do que seria expectável e encontrou-o na televisão – apesar de múltiplas participações prévias em diversas séries de televisão no Reino Unido, como “Blackadder” ou “The Young Visitors” e em filmes como “101 dálmatas” e “ O Homem da Máscara de Ferro”, para além do famigerado “Stuart Little”, só com “House” Laurie atingiu o êxito e ganhou os prémios que há já muito perseguia.
A televisão não é mais vista como um veículo de reciclagem de actores e tem assumido protagonismo na produção de ficção de excelente qualidade e o interesse crescente que se tem posto na produção televisiva tem tido repercussões na melhoria da qualidade das séries e na melhoria da qualidade dos actores que nelas participam. Fazer uma série para o pequeno ecrã deixou de ser visto como uma despromoção para ser encarado como uma via alternativa para o sucesso e consolidação profissional. Vejam-se os casos de Jeremy Irons e Helen Mirren em Inglaterra e de Al Pacino e Merry Streep nos Estados Unidos – todos abraçaram projectos televisivos nos últimos anos e nenhum se deu mal com eles.
“House” não é a minha série favorita – “24” e “Os Sopranos” são muito mais o meu estilo – mas já fiquei fã do estilo azedo e sem papas na língua do doutor e conto com ele para me entreter nas noites de quinta-feira. Uma das poucas noites em que a TV portuguesa me oferece algo para ver. Mas, uma coisa é certa: Em House pouco se vê de Little, a não ser a brilhante interpretação de Laurie, Hugh Laurie.