24 mau para o Iraque!?

Fevereiro 16, 2007

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Estava a ver o noticiário da CNN quando me deparei com uma peça bastante interessante: “Será a série 24 má para a guerra no Iraque?” A questão à volta da qual se desenvolvia a reportagem era a da legitimidade do recurso à tortura por parte da personagem principal da série, Jack Bauer, podendo esse facto influenciar os militares a adoptar uma igual estratégia.

De acordo com um dos psiquiatras consultados, “quem não gostaria de ser como Jack Bauer? Ele está sempre certo, ganha sempre e não cumpre as regras.” Os militares poderão sentir-se tentados a replicar algumas das estratégias de tortura adoptadas pela personagem de Kiefer Sutherland como forma de retirar informações.

Os acusadores da série, dão conta do facto de Bauer recorrer à tortura a qualquer custo como forma de recolher informações que ajudem a “causa”. Mencionam uma cena em particular, em que Bauer tortura quase até à morte o seu irmão em busca de informações. A preocupação de alguns oficiais é que os militares associem essa prática à recompensa e não ao castigo, pois Bauer não é castigado sendo, inclusive, visto como um herói pois “tudo o que faz é para o bem do país”.

Em defesa da série, o produtor executivo veio a público dizer que aquilo que se passa no programa é uma “exacerbação da realidade, um exagero das circunstâncias reais”, enquanto Kiefer Sutherland defendeu-se dizendo que “todas as cenas de tortura acabam por ter uma consequência negativa para a personagem, quer seja essa consequência emocional ou física”. A estação de televisão “FOX”, responsável pela produção da série, revela acreditar que as pessoas consigam “separar a ficção da realidade e 24 é apenas ficção”.

Bauer viola constantemente a Convenção de Genebra sendo essa uma acusação de que também os EUA são alvo, principalmente pelo tratamento dados aos prisioneiros no Iraque e em Guantánamo. Aliás, a este propósito, já a série “Prison Break” aborda a realidade de um indivíduo que é dispensado do exército por ter visto e se disponibilizado a testemunhar contra casos de violência e tortura a prisioneiros.

Por isso, as entidades responsáveis pelo exército americano pretendem sensibilizar o público, e os militares em particular, de que a tortura nunca é justificável nem aceite nas fileiras do exército americano. Falta ver se a partir de agora Bauer vai deixar de torturar suspeitos com fios eléctricos e demais utensílios.

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Aqueles que leram o anterior post já perceberam a minha fixação pelo filme “The Departed”, de Martin Scorsese. Não tendo visto todos os filmes que saíram este ano, devo dizer que dos que vi “The Departed” foi, sem sombra de dúvidas, o melhor. Aliás, à saída da sala comentei que há muito tempo que não deixava um cinema tão arrebatado pelo inteligência, consistência e brilho de um filme.

A película, rodada na minha cidade natal de Boston, Massachusetts, é um remake da popular trilogia “Assuntos Internos”, com origem em Hong Kong. O guião de “The Departed” foi adaptado por William Monahan do original de Felix Chong e Siu Fai Mak.

“The Departed” é um filme que já foi premiado com um globo de ouro para Martin Scorsese, na categoria de melhor realizador. Alguns Óscares poderão estar também na calha, principalmente na categoria de Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actor Secundário – para Mark Wahlberg.

Este filme marca o regresso de Scorsese ao seu estilo de referência: a vida do crime. Depois de “Gangs of New York” e “The Aviator”, em que experimentou diferentes formas de realização – com particular destaque para o brilhante filme que é “Gangs of New York” – Scorsese regressa agora ao estilo em que se sente mais à vontade. Do elenco fazem parte Matt Damon e Mark Wahlberg – meus conterrâneos – Jack Nicholson e Leonardo DiCaprio – este a afirmar-se como um caso cada vez mais sério da representação.

Damon e DiCaprio são os informadores. Ambos são polícias, mas um é um informador da polícia junto da máfia – DiCaprio – e outro é um mafioso que trabalha para a polícia – Damon. Pelo meio, temos Nicholson – será que consegue fazer maus papéis? – que representa uma espécie de figura paternal para ambas as personagens, mas que se revela por ser um informador do FBI não ficando claro se denunciava tanto DiCaprio como Damon, ou apenas este último. Temos também a figura feminina do filme, Vera Farmiga, que no papel de psiquiatra de DiCaprio e amante de Damon desenvolve com o decorrer do filme um interesse amoroso pelos dois, não ficando também claro quem será o pai do filho. Apesar de uma ligeira indicação de que será DiCaprio, o espectador nunca vê essa dúvida desfeita.

“The Departed” é um filme fortemente influenciado pela relação “pai-filho”. Nunca se menciona o papel que o pai de Damon (Colin Sullivan) tem na maturação do filho, mas sabe-se da relação próxima entre DiCaprio (Billy Costigan) e seu pai. No entanto, com o decorrer do filme, vários são os momentos em que percebemos que Nicholson desempenhou e desempenha esse papel para Sullivan e passa a desempenhá-lo em relação a Costigan. Aliás, com o avançar do filme, a relação entre Costello (personagem de Jack Nicholson) e Sullivan deteriora-se até chegar ao ponto em que Costello confia mais em Costigan do que no seu anterior protegido. Esta situação é demonstrada pela entrega a Costigan por Costello do embrulho em que contém as gravações das suas conversas com Sullivan, que Billy envia para este.

Em entrevista de promoção do filme, Nicholson terá dito que aceitou o papel porque lhe dava a oportunidade de representar um vilão. Aliás, a estrela de “The Shining”, classificou a sua personagem – “Frank Costello” – como a derradeira “encarnação do mal”.

O filme contempla uma série de pormenores e homenagens de Scorsese a alguns dos seus realizadores e filmes favoritos. Numa cena inicial, Scorsese utiliza uma cena do filme “The Informer”, realizado por John Ford 1935. Uma outra – e muito engraçada – é o facto de a personagem de Farmiga oferecer ao seu namorado – Sullivan – um croissant após um encontro com Costigan. Ora, os italianos chamam “corna” ao croissant pela sua forma em corno. Nas culturas mediterrânicas esse objecto está associado à infidelidade. Scorsese já tinha “brincado” com a situação em Goodfellas, quando a sua mãe conta a anedota do “corno contente”. O realizador de origem italiana inspirou-se nos filmes de “Fantozzi Contro Tutti” para fazer essas brincadeiras.

Referências a “The Untouchables”, ao “Inferno de Dante”, “Scarface” e “Chinatown” são também visíveis neste filme, assim como o recurso aos Rolling Stones e ao tema “Gimme Shelter”, faixa de abertura do filme e que se encontra também em “GoodFellas” e “Casino”, duas outras obras-primas de Scorsese.

O realizador já disse que “The Departed” foi o seu último filme para um grande estúdio. Pretenderá agora dedicar-se a projectos de mais baixo orçamento e aos filmes independentes. Por isso, muitos defendem que a ganhar este ano o Óscar para melhor realizador será por toda a sua obra – que inclui clássicos de culto como “Raging Bull” e “Táxi Driver” – e não para “The Departed” em particular. Eu não vejo as coisas assim. “The Departed” é um excelente filme que em nada fica a dever aos outros. Se Scorsese receber a estatueta será, claro, pela qualidade da sua extensa obra, mas não se poderá esquecer o papel determinante que “The Departed” terá nessa mesma atribuição.

Por falar em grandes filmes do ano, não gostaria de terminar sem referir um dos que mais me surpreendeu em 2006: “Casino Royale”, o remake do James Bond original. O filme está muito bem conseguido e Craig apresenta-se como o Bond mais vulnerável, falível mas também credível e humano dos tempos mais recentes. É claramente uma nova forma de fazer Bond, e nem alguns raccords históricos – se este é o primeiro Bond, como pode “M” ser Judi Dench, se ela só assume o posto com Pierce Brosnan? – chegam para retirar a qualidade ao filme e aos protagonistas.

Mas, voltando ao importante: Quero e desejo que “The Departed” seja o grande vencedor do próximo dia 25. Scorsese – o meu realizador favorito – merece-o.

And the Eclipse goes to…

Fevereiro 13, 2007

A cerimónia dos Óscares tem lugar no próximo dia 25, no mítico Kodak Theater em Los Angeles. Hollywood irá estar presente em peso para condecorar os melhores do ramo.

Ora, como nós por cá não interferimos com as decisões da Academia só nos resta esperar e ver o que sai de lá. Eu decidi fazer isso e um pouco mais: já que não tenho voz na decisão da atribuição dos Óscares de 2007, posso ter uma palavra importante na definição dos “Eclipses de 2007”, uma cerimónia “irmã” dos Óscares.

Ora, então aqui vão eles:

Melhor Actor Principal:
Leonardo DiCaprio – em “Blood Diamond”

Melhor Actor Secundário:
Djimon Hounsou  - em  “Blood Diamond

Melhor Actriz Principal:
Helen Mirren – em “The Queen”

Melhor Actriz Secundária:
Cate Blanchett – em  “Notes on a Scandal”

Melhor Realizador
Martin Scorsese - “The Departed” (Warner Bros.)

Melhor Filme:
“The Departed” (Warner Bros.)

Não queria terminar sem as menções honrosas a Will Smith, por in “The Pursuit of Happyness”, a  Mark Wahlberg em “The Departed” e Penélope Cruz em Volver. Fantásticas interpretações! 

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Há uns bons sete ou oito anos, fui passar uma tarde ao cinema com a minha namorada da altura. Estava eu todo contente, no caminho, a pensar que ia ter a oportunidade de passar umas boas horas no escuro com ela e, quem sabe, trocar umas carícias e uns carinhos, quando, chegado à porta do BragaShopping – ainda não havia BragaParque – vejo que ela não vinha sozinha. Vinha com um rapaz. Acabou por ser o irmão. Tinha sete anos.

Ora, eu tinha dois filmes em mente:  Um, era “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” -bastante romântico; o outro já não me lembro, mas recordo-me que era assustador. Porém, não havia maneira de convencê-la a largar o puto em qualquer lado ou a ver um filme a sério e então tive de me contentar com uma película escolhida pelo petiz. “O Pequeno Stuart Little” aguardava-me.

Enquanto caminhava rumo à sala, ia pensando que o filme não podia ser assim tão mau. “Um miúdo tem um amigo rato, ele foge e depois vão à sua procura”. Não é assim tão mau, pensei eu. Enganei-me. Era pior do que qualquer coisa que já tinha visto até então. Foram 90 dos piores minutos que passei numa sala de cinema. Verdadeiramente horrível o filme. Se a fita parecia que nunca mais acabava, já o meu namorico na altura parecia que definhava à velocidade da luz.

Bem, os tais sete ou oito anos volvidos, já homem de barba na cara e namoro sério, eis que me deparo com uma personagem desse tempo mas, agora, na televisão… Pois, o bom do Dr. Greg House, isto é, o pai do Stuart Little, ou seja, o Sr. Frederick Little.

Devo admitir que não me fiz fã imediatamente da série. Não me interessou muito no início. Mas, vendo um episódio aqui e outro ali comecei a achar alguma piada à trama. Porém, acima de tudo, comecei a reparar na excelente representação do experimentado Hugh Laurie, um verdadeiro exemplo moderno do clássico actor inglês. Versátil e talentoso, Laurie domina cada plano em que aparece - ele “é” a série. A sua pronúncia americana é perfeita e o cinismo que introduz na personagem tem tanto de brtish – o stiff upper lipp – como de natural, encaixando como uma luva num médico entediado, angustiado e em dor permanente como é House.

Assistimos hoje ao regresso das grandes produções dramáticas aos ecrãs da televisão. O sucesso de séries como “ER”, “Os Sopranos” e “Sete Palmos de Terra” permitiu que aparecessem outras com actores menos habituados ao pequeno ecrã, mas já sem espaço no cinema. Kiefer Sutherland é disso um excelente exemplo. Se não fosse pela personagem de Jack Bauer há muito que teríamos perdido a oportunidade de ver este excelente actor – mas, ainda assim mais fraco do que o pai, Donald Sutherland – em acção.

O mesmo se passa em “House”. Hugh Laurie, um actor que nunca atingiu um patamar elevado na cena internacional, encontrou neste médico coxo um veículo perfeito para atingir a fama e o reconhecimento que são, ao fim e ao cabo, inerentes e de direito a quem tem qualidade naquilo que faz. E Laurie tem-na, apenas teve de esperar pelo “seu” papel durante mais alguns anos do que seria expectável e encontrou-o na televisão – apesar de múltiplas participações prévias em diversas séries de televisão no Reino Unido, como “Blackadder” ou “The Young Visitors” e em filmes como “101 dálmatas” e “ O Homem da Máscara de Ferro”, para além do famigerado “Stuart Little”, só com “House” Laurie atingiu o êxito e ganhou os prémios que há já muito perseguia.

A televisão não é mais vista como um veículo de reciclagem de actores e tem assumido protagonismo na produção de ficção de excelente qualidade e o interesse crescente que se tem posto na produção televisiva tem tido repercussões na melhoria da qualidade das séries e na melhoria da qualidade dos actores que nelas participam. Fazer uma série para o pequeno ecrã deixou de ser visto como uma despromoção para ser encarado como uma via alternativa para o sucesso e consolidação profissional. Vejam-se os casos de Jeremy Irons e Helen Mirren em Inglaterra e de Al Pacino e Merry Streep nos Estados Unidos – todos abraçaram projectos televisivos nos últimos anos e nenhum se deu mal com eles.

“House” não é a minha série favorita – “24” e “Os Sopranos” são muito mais o meu estilo – mas já fiquei fã do estilo azedo e sem papas na língua do doutor e conto com ele para me entreter nas noites de quinta-feira. Uma das poucas noites em que a TV portuguesa me oferece algo para ver. Mas, uma coisa é certa: Em House pouco se vê de Little, a não ser a brilhante interpretação de Laurie, Hugh Laurie.

Brilhante

Fevereiro 12, 2007

Tem-se falado muito nos óscares… mas eu continuo a rir com os Emmys de 2006, principlamente com o vídeo inaugural.

Excelente! Conan 0′Brien ao seu melhor.

link: http://www.youtube.com/watch?v=i1q_8QQO70Q

O último capítulo

Fevereiro 12, 2007

Depois do referendo de ontem, ter-se-á fechado o capítulo do aborto. O “sim” ganhou, com alguma vantagem, e o projecto-lei elaborado pelo Partido Socialista tem todas as condições de ver a sua aprovação em sessão parlamentar. Projecto-lei esse que, convém relembrar, não contempla qualquer referência à obrigatoriedade de acompanhamento psicológico nem da necessidade de um consulta prévia, onde o médico terá de explicar todo o procedimento, e potenciais consequências, à paciente.

Com a aprovação da pergunta, será legal que uma mulher aborte em qualquer período temporal durante as primeiras dez semanas, desde que por sua vontade e em estabelecimento de saúde autorizado pelo Estado. A razão que a leva ao aborto perde, com a aprovação desta pergunta, relevância, podendo a mulher fazê-lo por qualquer razão. Por esta possibilidade de interpretação do projecto-lei em causa é que se confundiu ao longo da campanha a despenalização com a liberalização. Não deixará de ser legal praticar a interrupção voluntária da gravidez por qualquer motivo, desde que essa interrupção obedeça às condições estabelecidas, pois já sabemos que um aborto praticado à décima primeira semana conduz à prisão.

Eu votei num sentido mas poderia ter votado no sentido inverso. Não há nenhum fundamento moral que me encaminhe apenas numa direcção. Consigo perceber os argumentos do sim, e não catalogo os seus defensores como sendo adeptos do aborto. São pessoas que simplesmente não querem que as mulheres sejam presas nem que se vejam forçadas a abortar em condições desumanas, uma operação que coloca em perigo a sua vida.

Porém, também percebo o lado do não. Não acredito que fossem mercenários que queriam a prisão das mulheres a todo o custo. São simplesmente pessoas que não aceitam a terminação de uma vida humana e preferiam que o dinheiro que vai agora ser investido em clínicas de aborto fosse destinado a políticas de família e planeamento familiar.

A decisão de realizar um aborto só pode ser – a meu ver – uma decisão perfeitamente angustiante. Já o era quando obedecia à lei passada e sê-lo-á, com toda a certeza, debaixo desta nova lei. Por isso, deve ser sempre visto como último recurso. Se o problema da mãe é a inexistência de condições para levar a gravidez até ao fim e educar o filho após a mesma, ela tem de saber que há instituições que a podem apoiar durante esse período e que a aconselharão a tomar a melhor atitude.

Apesar da vitória do “sim”, não gostaria que se entrasse num clima de facilitismo em torno do aborto. Os jovens deverão continuar a ser educados no sentido de um saudável vida sexual, conscientes dos métodos contraceptivos à sua disposição e da sua forma de utilização, não considerando a interrupção voluntária da gravidez como um deles.

Antes de terminar gostaria de deixar apenas algumas notas acerca das votações de ontem. Em primeiro lugar, mais de metade dos portugueses recenseados não foram votar. Não levantará isto a questão do desinteresse por esta matéria? Se tivessem sido eleições legislativas, será que as forças vencedoras teriam feito a mesma celebração que os apoiantes do “sim” fizeram ontem? Vencer umas eleições em que mais de metade dos inscritos não votaram, não me parece uma grande vitória. Eles lá saberão. Em segundo lugar, o distrito de Braga, o mais jovem de Portugal e aquele onde resido, deu a vitória ao “não”. Situação interessante, quando se diz que foram os jovens que não votaram em 1998 a dar a vitória ao “sim” em 2007. Terceiro lugar, a festa dos apoiantes do “sim” foi, a meu ver, algo lamentável. A sua vitória de ontem não era para ser celebrada como se tratasse de uma vitória no futebol. Uma reacção daquelas não augura nada de bom.

Mas, agora que o referendo está para trás das costas, gostaria que o governo se voltasse a dedicar à governação, pois há diversas questões que ficaram em banho-maria por causa do referendo e que agora seria boa ideia serem retomadas. Falo da reforma na justiça, da política de emprego e segurança social, da saúde, na educação e no ensino superior entre outras áreas de actuação estatal. Vá lá meus senhores, a campanha, essa, já era. Mas os desafios, esses, ainda estão aí para serem alcançados.

Verdadeiramente Alarmante

Fevereiro 9, 2007

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 Para aqueles que ainda tinham dúvidas, o aquecimento global veio para ficar e, mesmo que interrompamos todas as emissões neste momento, continuará devido à quantidade de gases poluentes que se encontram retidos na atmosfera.

É preciso fazer alguma coisa contra isto, apelar a uma consciência global e cuidar do nosso planeta porque, ao fim e ao cabo, somos apenas os seus inquilinos e, como qualquer senhorio, a Terra pode “expulsar-nos” quando quiser.

Para mais informações clicar aqui.

Inspirados, ou não, pela presença de Al Gore em Lisboa, a RTP transmitiu na noite de ontem, directamente do Observatório Nacional em Lisboa, um segmento especial de informação de carácter ambiental. Debaixo da moderação de José Alberto Carvalho, quatro peritos em diferentes áreas dos efeitos climáticos – temperatura, água, energia e saúde – apresentaram as consequências para o meio ambiente resultantes do comportamento humano registado desde o tempo da Revolução Industrial, ou seja, desde 1750.

Aliás, segundo o professor da Universidade Católica de Lisboa, Filipe Duarte Santos, o consumo intensivo de carvão e gás natural dessa altura conduziu a que, num curto intervalo de tempo, houvesse um rápido aumento da emissão de gases para a atmosfera.

A Terra encontra-se hoje num estado de degradação ambiental, registando-se aumentos fantásticos da temperatura. Só em Portugal esse crescimento tem-se feito sentir ao ritmo de 0.5 ºC por década. Nos pólos esse crescimento é obviamente maior, conduzindo o seu degelo e fusão a um aumento do nível do mar.

Na realidade, as perspectivas futuras são as de que a temperatura vai aumentar. Essa situação verificar-se-á também em Portugal. As temperaturas mínimas verificadas vão crescer, assim como as máximas, sendo que aumentarão os dias em que as temperaturas atingirão os 35 ºC, isto é, os chamados “Dias Muito Quentes”. Também a temperatura do Oceano Atlântico vai subir de acordo com as últimas previsões.

Outro dos peritos presentes, o professor da Universidade Nova de Lisboa, Rodrigo Oliveira, apresentou as conclusões de estudos relacionados com os recursos hídricos. Segundo o seu testemunho, aumentarão as diferenças entre o Norte e o Sul no que à queda das chuvas diz respeito. Haverá uma crescente inibição de água na primavera, verão e Outono.

A água será mais cara, sendo a sua reciclagem uma possibilidade viável para garantir a reutilização da mesma e evitar o seu desperdício em doses mais elevadas. Porém, independentemente da solução a adoptar, o preço da água irá sempre crescer.

O investigador do Instituto Nacional da Indústria e Desenvolvimento, Ricardo Aguiar, apelou para a necessidade de sensibilizar as economias emergentes – a China e a
Índia – para não cometerem os mesmos erros que nós cometemos aquando do nosso período de desenvolvimento, ou seja, o recurso aos combustíveis fósseis como matéria-prima de crescimento económico. O investigador aconselhou o recurso a tecnologias mais limpas, sendo forçoso que os países mais avançados tecnologicamente dêem o exemplo, dando mostras do seu empenho na resolução desse problema.

De acordo com Ricardo Aguiar, não há uma solução absoluta para resolver estes problemas energéticos com que nos deparamos. O mais importante é que os portugueses percebam que o país importa cerca de 85% da energia que consome. Ora, a resolução definitiva para este problema está assente numa relação tripartida entre os comportamentos individuais, os regulamentos/leis do Estado e a tecnologia disponível. Só assim, apenas com esta confluência de factores, poderemos encontrar meios para a criação de uma sociedade avessa à perda de energia e com uma maior durabilidade na luta contra o aquecimento.

Também a saúde esteve em análise neste curto – talvez demasiado curto – segmento noticioso. O professor da Faculdade de Ciências da Saúde Universidade da Beira Interior, José Manuel Calheiros, alertou para o facto de o calor matar e dessa nova realidade contribuir para o aumento da probabilidade da transmissão de doenças, como a febre da carraça, através da picada de mosquitos, sugerindo às organizações que façam a análise e a vigilância dos mesmos, de modo a prevenir o alastramento de uma epidemia.
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Foi esta a situação apresentada no debate. E estas não são meras suposições. São factos. São a realidade das coisas como elas estão hoje. Cabe-nos a nós a tarefa de as mudar ou, pelo menos, trabalhar para isso.

Mesmo do plano económico, um estudo encomendado pelo governo britânico concluiu que com a devastação do planeta, perdemos cerca de 20 % de toda a riqueza económica global produzida por ano. Portanto, esta é já uma questão que afecta a economia e não apenas o meio ambiente.

Será a destruição do planeta o preço a pagar pelo estabelecimento da civilização como nós a conhecemos? A Terra aguarda por uma resposta.

Está a decorrer na nossa praça um concurso que visa apurar qual é o maior português de sempre – motivo, desde logo, despropositado para entretenimento. Mas, a grande notícia à volta desse concurso é a inclusão de Salazar nos 10 mais votados e, para além do mais, com boas possibilidades de vitória.

Muitas têm sido as vozes levantadas contra a inclusão do estadista. Defendem-se pelo facto de Salazar ter sido um tirano, um ditador que matou, torturou e violentou milhares de pessoas, reprimindo os portugueses e levando o nosso país para uma inútil (?) guerra colonial.

Salazar terá sido um retrógrado, indivíduo sem visão de futuro e que, “orgulhosamente só”, contribuiu para o atraso e afastamento de Portugal face ao restante Ocidente. A recusa inicial ao “Plano Marshall” é um dos argumentos mais usados para justificar essa análise.

Porém, a meu ver, esta escolha dos portugueses para além de legítima é perfeitamente normal. Ora, é uma escolha normal porque o concurso procura perceber qual o maior português de sempre. Logicamente, um homem que deteve o poder durante mais de 40 anos e que marcou toda uma era em Portugal terá de figurar nessa lista. Exactamente por esse motivo a escolha de Oliveira Salazar é também legítima, pois Salazar – para o bem e para o mal – marcou irremediavelmente uma época da vida portuguesa. Não se pode falar da história do Portugal do século XX e deixar o Estado Novo de parte. Para além de estúpida, essa reacção é reveladora de pouca honestidade intelectual.

Quer se goste, ou se odeie, Salazar marcou Portugal para sempre. Alguns argumentarão que essa marca é negativa, pois o líder da União Nacional não tratou de “democratizar, descolonizar e desenvolver” em tempo oportuno. Consideram esses que com a presença de Salazar no poder antes, durante e depois da II Grande Guerra, Portugal perdeu uma brilhante oportunidade para se aproximar da frente do comboio Europeu.

Mas outros há que defendem a importância de Salazar para o nosso país. Defendem estes que Salazar resolveu os problemas de tesouraria criados no tempo da I República, salvando Portugal de um erro político e social ao recusar a entrada na II Guerra Mundial. Salazar terá sido também o primeiro estadista a combater o analfabetismo sendo, no entanto, discutível se essa situação não seria apenas para contribuir para a aculturação da população propaganda, a começar nas bases. Muitos apontam também a segurança como trunfo a favor de Salazar, mesmo que essa fosse alcançada por meio da repressão.

Não tenho qualquer problema em ver Salazar nesta lista, nem de o ver ao lado de Álvaro Cunhal, um dos seus grandes adversários políticos e que terá sido, numa outra dimensão, um extremista que almejava conduzir Portugal para uma república socialista ao nível da URSS. Concordo com a visão de que seria impensável recusar a sua entrada neste concurso, estratégia que alguns sugeriram. Renegar a Salazar seria renegar à nossa história, àquilo que faz de nós o povo que somos nos dias de hoje.

Porém, já não vejo de forma tão liberal a sua eventual vitória neste concurso. Nunca esquecendo que se trata exactamente disso, dum concurso, não posso deixar de apresentar as minhas reservas perante uma eventual vitória salazarista. Nunca vivi em ditadura, e também não experimentei o período revolucionário de Abril de 74. Aquilo que conheço é dos livros de história e dos filmes/documentários televisivos. Mas conheço os ideais que levaram à revolução, as razões que levaram ao golpe. A necessidade de mudar, de instituir a democracia, a liberdade de expressão e, obviamente, acabar com a guerra colonial. Ora, o que terá mudado de 74 para 2007 de modo que possamos considerar Salazar como o “maior”? Depois de, durante perto de 40 anos, milhares de homens e mulheres de Portugal terem dado a vida pela oposição ao regime por ele personificado?

A meu ver, o voto em Salazar é um voto de protesto, de protesto contra os governantes actuais e contra os escândalos que os afectam dia após dia. É o voto contra os casos “Bragaparques” e “Felgueiras” que abundam neste território à beira mar plantado. É o voto da desilusão, do desencanto, do – eventual – falhanço dos ideais de Abril.

O país democratizou, mas apresenta problemas de base ao nível das estruturas democráticas; descolonizou, mas nenhuma das antigas colónias manifesta, hoje, sinais de prosperidade evidentes, principalmente nos casos de Angola e Moçambique em que longas e prologadas guerras civis derrubaram as possibilidades de crescimento económico e social das suas populações, tensões essas cuja génese não poderá ser dissociada da apressada independência concedida por Portugal; e desenvolveu, mas não no sentido desejado. Somos ainda um país com fortes assimetrias internas, ao nível da exclusão e integração social, do crescimento e expansão económica, já para não falar na nossa posição internacional, ainda vistos como um país atrasado e pobre.

Serão estas as razões que motivam os votos a favor de Salazar? Provavelmente. Em tempos de crise – e vivemos um – há sempre um retorno às raízes, uma apologia dos tempos passados, dos gloriosos tempos passados. Para muitos portugueses, o tempo do Estado Novo é recordado, em pleno século XXI, com saudade. Era o tempo da segurança, da vida em família, da apologia dos valores tradicionais da religião, em que a maioria do povo permanecia na ignorância em relação aos destinos de país.

E, para mim, isto é que é preocupante e motivo de reflexão por parte dos políticos de hoje. Entenderão eles essa hipotética e – de acordo com alguns “opinion makers” – provável vitória de Oliveira Salazar como um voto de protesto? Permanecerão indiferentes porque, ao fim e ao cabo, trata-se apenas de um concurso. Não sei, mas haverá conclusões a retirar de todos os dirigentes políticos e partidários que assumiram posições de destaque e relevo no Portugal democrático, desde Eanes e Soares a Cavaco e Sócrates, sem esquecendo Lourenço, Guterres e Barroso entre outros.

O meu voto já está decido e atribuído: D. Afonso Henriques. O nosso primeiro Rei. O pai da nossa pátria. O primeiro português. O jovem que teve uma visão e lutou por ela. Tinha um sonho e viveu-o. O homem sem o qual não havia Portugal. O conquistador.

United Colours of Floyd

Fevereiro 3, 2007

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Todos aqueles que tencionam ser visitas regulares no meu blog deverão ter em mente uma coisa: sou fanático por Pink Floyd! Representam, a meu ver, a mais bela forma de expressão musical. São geniais. Irrepetíveis. Únicos.

Pensei que esta seria uma boa imagem para dar início ao acto de postar.