Ainda não foi desta
Março 23, 2007
Vi-o quando saiu. Vi-o há dois anos atrás. Vi-o há dois dias atrás. E não, ainda não o percebo.
Falo, obviamente, de “Mulholland Drive”, filme de David Lynch do qual a maior parte das pessoas apenas se lembra da escaldante e extremamente erótica cena entre Naomi Watts e Laura Elena Harring. De resto, quase ninguém percebe do que o filme trata.
E, neste capítulo, nem os tão apregoados críticos de cinema nos podem ajudar. Cada um com a sua opinião, apenas convergindo num aspecto: o filme é bom, mesmo se não o entendermos.
É claro que percebo algumas coisas, como o facto de “Rita” ser na verdade “Camila”, amante de “Diane” que depois se apresenta como “Betty” mas que, antes de tudo isso, decide contratar alguém para matar a mulher pela qual estava apaixonada pelo simples facto de ela se ir casar com um realizador de cinema, Adam. Só que, algumas coisas correm mal e Camila consegue fugir. Mas não escapa a uma amnésia. Reencontra Diane, mas não a reconhece. Esta diz-lhe que se chama Betty e leva-a a confiar nela.
Mas a essência do filme continua a ser algo que eu não domino. Será que tudo, ou pelo menos os primeiros dois terços do filme, não passa de um sonho de Diane/Betty? Ainda não posso dizer convictamente que domino o filme, como domino o “Braveheart” – “They may take our lives, but they’ll never take our freedom!
Vou esperar mais alguns anos e vou voltar a ver. Talvez depois consiga compreender todo esse universo. Aliás, também não é a primeira vez que não percebo uma obra de Lynch à primeira. “Twin Peaks” também foi um mistério durante alguns anos. Mas, visto à luz dos meus 17, 18 anos finalmente consegui descobrir quem matou Laura Palmer. Vocês já?
Março 23, 2007 às 12:32 pm
Adoro o Mulholland Drive, já perdi a conta às vezes que o vi.
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Adoro também a Naomi Watts.
E gosto muito do David Lynch, porque - ou apesar - de nunca compreender muito bem as suas obras.
E tendo seguido o Twin Peaks, nunca descobri quem matou a Laura Palmer
Mas acho que também não quero saber, é o mistério que me fascina no Lynch. Vamos rezar para que o seu novo filme chague às salas, ou então esperamos que apareça pelo cineclube
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Um beijinho***
Março 23, 2007 às 1:14 pm
Não quero ser alarmista, mas penso que é o principal propósito do Lynch - mais aqui que em Twin Peaks, ou em The Elephant Man, p.e. - não deixar o público perceber.
Confesso-me mais interessado na resolução do Donnie Darko…
Março 23, 2007 às 2:59 pm
pois, todos já percebemos que o lynch gosta de complicar a vida… mas dava jeito perceber, de vez em quando, aquilo que ele faz/quer dizer.
donnie darko… pois é…