Da Liberdade
Abril 30, 2007
Como se podem delimitar os limites da minha liberdade? Aonde acaba o meu livre arbítrio e começa o do outro? A resposta óbvia é que esse limite se encontra quando as nossas acções interferem com o bem-estar dos outros, da sociedade.
Isto é, cada um poderá fazer aquilo que bem entender desde que não cause prejuízo a terceiros. O aspecto a analisar são as consequências das nossas acções, e não as acções em si mesmas. Isto é, a acção é boa ou má, dependendo das consequências que tem para os outros. Consequências boas, acções boas; consequências más, acções más.
Assim, “o único fim para o qual as pessoas têm justificação, individual ou colectivamente, para interferir na liberdade de acção de outro, é a autoprotecção”. Ou seja, a prevenção de danos a outros. “O seu próprio bem, quer físico, quer moral, não é justificação suficiente” para interferir no curso de acção seguido pelo indivíduo.
Será mesmo assim tão simples?
Post escrito com a ajuda de John Stuart Mill
Portugal, o país com a Economia Anti-OPA
Abril 27, 2007
Depois do falhanço da OPA da Sonaecom sobre a PT, ficámos a saber que o BCP não vai possuir o BPI. Os accionistas não concordaram com o preço de €7 por acção e rejeitaram a proposta.
Porém, tal como no caso da empresa de Belmiro e Paulo de Azevedo, também o grupo liderado por Paulo Teixeira Pinto registou lucros acima do esperado – 16.1%, mais concretamente – em sequência do lançamento da OPA. Ou seja, apesar do insucesso das operações, ambas as instituições acabaram por lucrar na bolsa.
Parece evidente que tanto o BPI como a PT garantiram o insucesso das OPA’s pela garantia aos seus accionistas de melhores rendimentos futuros. Agora, teremos de ver se vão cumprir a promessa. Em resultado das ofertas, a PT comprometeu-se a libertar a PTM e o BPI viu o La Caixa reforçar a sua posição dentro do banco. Veremos como se vão processar estas mudanças. Belmiro já avisou que vai estar atento.
As OPA’s falharam. Certo. Mas, tiveram o condão de mexer num mercado de títulos demasiado estático e regulamentado. Azevedo e Teixeira Pinto têm, ao menos, esse mérito – para não voltar a falar nos aumentos dos lucros.
“No white man sings like Van Morrison”
Abril 27, 2007
Van Morrison faz parte de um tipo de músico que já não existe. Este natural de Belfast deixou-se influenciar pelo “soul” americano, R&B, pelas tradições célticas e pelo jazz. Tudo isso conjugado deu origem a uma dos mais únicos e verdadeiros músicos (e sons, porque não dizê-lo) do nosso tempo.
Líder da banda “Them”, que marcou a primeira metade da década de 60, é com “Moondance” (1970) que Van Morrison atinge o reconhecimento internacional. Temas como “Crazy Love”, “Into the Mystic”, “Moondance”, “Caravan” e “Come Running”, entre outras marcaram uma época.
Na transição entre os anos 70 e 80 passou por um problema devastador para qualquer músico: Medo dos palcos. O seu “stage fright” impediu-o de continuar a promover os seus álbuns para os milhares que se juntavam para o ver. Passou a actuar em pequenos clubes de jazz.
Porém, em 1990 teve de deixar esses medos para trás quando aceitou o convite de Roger Waters para integrar a equipa que pôs de pé a monstruosa actuação de “The Wall” no sítio onde antes estivera erguido o Muro de Berlim.
Van Morrison cantou Comfortably Numb, versão da faixa que Scorsese incluiu em “The Departed”.
Van Morisson marcou uma geração de singer-songwriters. Da sua lista de “influenciados” podemos encontra os U2, Bruce Springsteen, John Mellencamp, Jim Morrison, Rickie Lee Jones, Tom Petty, Elvis Costello, Thin Lizzy, Bob Seger, Jimi Hendrix, Jeff Buckley e, até, James Morrison.
Sendo, para mim, comparável na profundidade e brilhantismo das letras a Bob Dylan – será ele o Dylan Europeu? – Van Morrison é um dos nomes mais respeitados da música e um dos meus favoritos e é senhor de uma voz de meter respeito a qualquer um.
Como disse Greil Marcus, “no white man sings like Van Morrison.” E é mesmo. Ninguém canta com a alma patenteada por Van “The Man” Morrison.
“We were born before the wind
Also younger than the sun
Ere the bonnie boat was won as we sailed into the mystic
Hark, now hear the sailors cry
Smell the sea and feel the sky
Let your soul and spirit fly into the mystic”
Para ouvir:
E, assim, depois do último post vou ganhando, aos poucos, a credibilidade de outrora.
My Chemical Romance – o meu guilty pleasure
Abril 26, 2007
Não tenho muito orgulho nisto. E só o faço porque perdi uma aposta para um amigo. Vou anunciar o meu guilty pleasure musical, aquela música que sabemos não ser nada boa mas de que, mesmo assim, gostamos e… temos o álbum.
Pois, o meu é My Chemical Romance, em particular o último álbum: The Black Parade. Eu sei que aquilo deixa algo a desejar, mas há algo nas batidas irreverentes e nas letras teen que me apela. Pronto, e agora? Que fazer?
Já tentei pôr o álbum num canto do quarto. Mas ele acaba sempre por aparecer. Já tentei mudar de estação de rádio quando “Famous Last Words” começa, mas não dá.
Assim, resta-me apenas dizer alto e a bom som: “Eu gosto de My Chemical Romance”, e esperar que alguém não me feche a boca da próxima vez que tentar falar de música. Impossível, sei-o.
Sei que perdi toda a credibilidade junto dos meus visitantes. Pronto. Mas honro as minhas apostas. A culpa é do Fernando Santos.
Força à Revolução
Abril 24, 2007
Eu tentei. Tentei esconder os meus pensamentos mais íntimos. Tentei ser todo pó-liberal. Tentei ser todo republicano. Tentei dizer que apoiava a imigração. Tentei tudo isso, mas agora que vejo que há mais que pensam como eu, não vale a pena reprimir mais.
Como se pode defender e amar a democracia num país que prende polícias por se protegerem com as suas armas de fogo? Como se pode entender uma nação, que se diz democrática, mas que tem uma justiça para pobres e outra para ricos? Como se pode compreender um país que valida a corrupção e a podridão? Como se pode perceber o funcionamento de um país onde todos procuram “a cunha” para alcançarem os seus objectivos, sem olhar a meios para atingir esse fim?
Não, não se pode entender. Assim, aquilo de que se precisa é de uma nova revolução. Não, não é como a de 74, guiada por comunistas insurrectos que destruíram o Império! Aquilo de que necessitamos é de mais um general Gomes da Costa que marche, de Braga para Lisboa, que cerque todos aqueles inúteis no parlamento e que force o Cavaco a abdicar da Presidência.
Depois disso, temos de pegar em todos os africanos, russos, ucranianos, marroquinos, brasileiros e qualquer outra raça escrava e enviá-la para longe – ou pô-los todos num buraco, numa vala comum. É indiferente, desde que saiam da nossa pátria.
Esses “imigras” já abusaram da estadia. Consomem os nossos recursos, desonram as nossas raparigas e contaminam o ar que respiramos. Pô-los num avião e enviá-los para África é já muito bom. Aquilo que deveríamos fazer era construir umas câmaras de gás e enfiá-los por ali dentro. Solução Final.
Feito isso, aquilo que temos de fazer é prender todos aqueles deputadecos de terceira. Os comunistas são logo enforcados. Não paciência para esses “vermelhos”. Os outros, é analisar os casos e escolher aqueles que possam servir a Nação. Claro que, não queremos nem corruptos, nem putrefactos. Queremos homens sérios, de boas famílias, que trabalhem sempre em nome de um bem superior. É disso que precisamos.
O passo seguinte é meter as mulheres em casa. Se nenhuma mulher trabalhar, podemos aumentar os salários dos maridos. Estes levam mais dinheiro para casa e elas poderão viver muito bem sem ter de sujar as mãos. Terão, contudo, uma missão importantíssima: criar os filhos, próximos homens da Pátria. As filhas deverão ser ensinadas nas artes da lide da casa. Só assim podemos remendar o mal que a dita “liberdade” fez aos nossos jovens, levando-os à droga, à delinquência, ao hedonismo e à exaltação do profano. Tem tudo a ver com uma má educação.
Com as mulheres em casa a tomar conta dos filhos, temos de, em seguida, procurar, prender e massacrar os maricas. Sim, esses falsos homens que enojam o bom chefe de família e são uma desgraça para o Estado. Se gostam de levar com objectos recto acima, talvez gostem de umas boas pauladas. Não há nada pior do que um homem fraco, indefeso e afeminado. As fufas, essas, serão obrigadas a casar com homens procriar, pois foi para isso que Deus fez a mulher.
E isto é só o princípio. Depois ao nível da educação e da economia muito mais trabalho haverá a fazer para resolver os problemas causados pelos inúteis dos republicanos.
Quanto estou eu, e Portugal, agradecido a José Pinto Coelho. Esse grande português – quase tão grande quanto o Sr. Salazar – que nos abriu os olhos a todos e teve a coragem para expressar aquilo que todos os portugueses, os verdadeiros, sentiam mas que não diziam.
Este será o primeiro dos últimos 25’s de Abril. Esse republicanos há muito que murcharam. A nossa hora está a chegar. E, com a ajuda e bênção do nosso amado Salazar, o maior português de sempre, voltaremos a pôr isto na linha.
Portugal aos protugueses! Viva Portugal!
PS: Antes que me mutilem por mail ou na caixa de comentários, deixem que eu assegure que não são estas as posições que eu defendo. Mas, no momento da comemoração dos 33 anos do fim da Ditadura, não deixa de ser importante perceber que é assim que pensam muitos portugueses com que nos cruzamos na rua. E, tenho a impressão de que a força destes indivíduos não será tão residual quanto se pensa.
Os Maias “revisited”
Abril 23, 2007
Ao completar a minha quarta viagem pelo maravilhoso Mundo do Ramalhete, e das intrigas da família Maia, deparei-me com a minha passagem favorita. No capítulo XVII, na página 667 – para aqueles que seguem pelo edição clássica – a acção passa-se após uma noite de incesto entre Carlos e Maria Eduarda da Maia. O médico, sabendo que Maria era sua irmã, resolvido a ir contar-lhe a verdade, sucumbe perante a beleza e sensualidade do seu amor. Deixa-se cair nos seus braços e, conscientemente, tem relações com a sua irmã.
Entretanto, todas estas tramas atormentam Afonso da Maia, avô de Carlos e Maria Eduarda. Depois de ver o seu filho cometer suicídio após a partida de Maria Monforte, Afonso jura que fará de Carlos um homem mais forte do que Pedro. Porém, Carlos, que entretanto tira medicina em Coimbra, deixa-se afectar pela lassidão da vida em Lisboa e nada faz, vivendo apenas dos rendimentos e somando casos com mulheres casadas. O médico encontra em Maria a sua alma gémea e, determinado a ficar com ela para sempre, assume o desejo de fugir com a mulher e sua filha para longe de Lisboa. No entanto, essas intenções são destruídas quando o Sr. Guimarães entrega a Ega as provas irrefutáveis do parentesco entre Carlos e Maria Eduarda.
Mas, como dizia anteriormente, a minha preferida – e, talvez, a mais intensa de toda a obra – passagem dá-se quando Carlos chega ao Ramalhete, a altas horas da madrugada, depois de consumado o incesto e encontra o avô.
Melhor do que eu, o Eça pode explicar a situação:
“Mas, tendo por um só dia dormido com ela, na plena consciência da consanguinidade que os separava, poderia recomeçar a vida tranquilamente? Ainda que possuísse frieza e força para apagar dentro de si essa memória – ela não morreria no coração do avô, e do seu amigo. Aquele ascoroso segredo ficaria entre eles, estragando, maculando tudo. A existência doravante só lhe oferecia intolerável amargor… Que fazer, santo Deus, que fazer! Ah, se alguém o pudesse aconselhar, o pudesse consolar! Quando chegou à porta de casa, o seu desejo único era atirar-se aos pés de um padre, aos pés de um santo, abrir-lhe as misérias do seu coração, implorar-lhe a doçura da sua misericórdia! Mas ai! Onde havia um santo?
Defronte do Ramalhete, os candeeiros ainda ardiam. Abriu de leva a porta. Pé ante pé, subiu as escadas ensurdecidas pelo veludo cor de cereja. No patamar tacteava, procurava a vela, quando, através do reposteiro entreaberto, avistou uma claridade que se movia no fundo do quarto. Nervoso, recuou, parou no recanto. O clarão chegava, crescendo; passos lentos, pesados, pisavam surdamente o tapete; a luz surgiu – e com ela o avô em mangas de camisa, lívido, mudo, grande, espectral. Carlos não se moveu, sufocado; e os dois olhos do velho, vermelhos, esgazeados, cheios de horror, caíram sobre ele, ficaram sobre ele, varando-o até às profundidades da alma, lendo lá o seu segredo. Depois, sem uma palavra, com a cabeça branca a tremer, Afonso atravessou o patamar, onde a luz sobre o veludo espalhava um tom de sangue – e os seus passos perderam-se no interior da casa, lentos, abafados, cada vez mais sumidos, como se fossem os derradeiros que devesse dar na vida!”
Para quando um verdadeiro filme, um épico, sobre a família Maia? Haverá romance mais “filmável” do que esse?
Durante 12 segundos, Messi foi Maradona
Abril 20, 2007
Para quem ama o futebol, ficam duas das mais belas manifestações da arte de jogar a bola com o pé. Que têm tanto de belo como de místico, pelo facto do mais novo, Messi, ter feito um igual em todo idêntico ao do mais velho, Maradona, no momento em que este luta pela sua vida. Chamem-lhe coincidência ou destino. Mas, durante 12 segundos eu estive no México, em 1986, no jogo entre a Argentina e a Inglaterra. O jogo da “mão de Deus”.
Afogar as mágoas com o Gato
Abril 19, 2007
Num momento particularmente triste para todos os benfiquistas, este vídeo pode servir para levantar o ânimo das hostes. Pelo menos, assim espero.
Direita VS. Esquerda
Abril 17, 2007
Este texto, produto de alguma reflexão e consulta acerca da temática da orientação partidária, já deveria ter sido “postado” anteriormente. Porém, com jornadas e câmaras à mistura, de pouco tempo dispus para atacar, com seriedade e rigor, tão interessante mas melindrosa questão. O produto está aí. Para ser lido e reflectido. E comentado. Claro.
Um anterior post aqui colocado criou alguma confusão nalguma gente. Uns houve que duvidaram da necessidade de continuar a fazer a distinção entre esquerda e direita e, outros, deram conta da facilidade com que algumas posições, quer de uma, quer de outra ideologia, poderem ser adoptadas quer por uma, quer por outra.
Para muitos, hoje não faz sentido falar numa oposição entre a esquerda e a direita. A maioria aposta numa clara divisão do espectro político em dois grandes blocos: os totalitaristas, isto é, aqueles que defendem que o Estado deve ter todo o poder, de um dos lados; e, do outro, os anarquistas, ou seja, aqueles que defendem a inexistência de qualquer forma de governo. O “power to the people”, se quisermos.
Eu, por outro lado, acredito que cada vez faz mais sentido falar em oposição direita/esquerda. Cada vez se torna mais importante assumir diferenças em torno das mais diversas questões e discutir essas oposições. Porque a política, a verdadeira política, comporta sempre essa dimensão de debate entre pólos antagónicos que propõem diferentes visões de como a realidade deve ser interpretada e diferentes planos de acção. Cabe-nos a nós, enquanto indivíduos e cidadãos, escolher um caminho e segui-lo.
Não quero com isso dizer que acredito que uma pessoa não possa identificar-se à direita e, por qualquer motivo, concordar com algum ponto ou decisão da esquerda. Isso é, a meu ver, claramente possível. Porém, acredito que é de tamanha significância que as pessoas saibam qual a sua orientação, para se saberem guiar na bússola que representa a política moderna.
Para isso, é forçoso que os partidos assumam as suas posições e não manifestem crises de identidade. Os partidos não se podem dar ao luxo de ostentações esquizofrénicas. O eleitorado – e a democracia – precisa de partidos fortes. Partidos seguros.
Torna-se, então, importante definir aquilo que poderá ser visto como política de esquerda e aquilo que é de direita. Não me proponho a apresentar uma definição clara e absoluta. Apresento, isso sim, aquelas que para mim são as distinções mais óbvias entre as duas ideologias.
No que concerne à economia, quando falamos de políticas intervencionistas estamos, obviamente, na esfera de uma política de esquerda. É a direita que defende a política do mercado livre, o já famoso laissez-faire. A esquerda é também favorável a uma política de igualdade e redistribuição da riqueza e da receita, ao passo que a direita apresenta uma política de igualdade de oportunidade e de aceitação das diferenças e inequidades provocadas pelo próprio mercado livre.
Tradicionalmente, é a direita que é favorável à máxima “menos governo, mais governo”, isto é, uma política de redução da dimensão e interferência directa do estado na sociedade, nomeadamente no campo económico e não tanto nas instituições militares, policiais ou jurídicas. Por outro lado, a esquerda prefere um governo “maior” e mais intrometido na vida dos cidadãos.
A esquerda apela a uma igualdade social enquanto que a direita fala de uma responsabilidade individual. Ambas as ideologias são favoráveis à liberdade e igualdade, mas expressam-no de maneiras diferentes e sustentam-no de formas diferentes também.
Claramente, a direita apela à importância da tradição na nossa vida e da necessidade de haver alguma ordem nos comportamentos, ordem essa imposta pela história, pelos valores, pela religião e pala cultura já estabelecidos. A esquerda é muito mais dada à liberalização dos modos de vida dos indivíduos, desresponsabilizando-os da necessidade de respeitarem essa mesma tradição. Por isso mesmo, a esquerda é muito mais favorável à mudança enquanto que a direita apresenta-se muito mais conservadora nesse aspecto.
A ideia de mobilidade social é muito mais cara à esquerda do que á direita. A este respeito, a direita defende que apenas através do trabalho, da dedicação e do esforço será possível conseguir a ascensão social, ao passo que à esquerda se acredita que naturalmente essa ascensão ocorrerá, nem que o próprio Estado tenha de contribuir para ela.
A esquerda é também adepta de uma internacionalização da sociedade, das estruturas sociais, sendo que a direita defende o interesse doméstico sobre todos os outros. Nessa ordem de ideais, a esquerda prefere o apoio à autonomia cultural e económica das nações e, pelo contrário, a direita surge como favorável à globalização, à partilha dos recursos à escala – ideia também associada ao mercado livre.
É assim que eu distingo a esquerda e a direita nas matérias mais sensíveis. Volto a dizer que qualquer inclinação ideológica não significa que, sobre certos temas, não se possa assumir a posição contrária.
Portanto, hoje como sempre, faz sentido falar-se em oposição direita/esquerda. E, enquanto houver política teremos sempre de nos colocarmos de um dos lados. Ou à esquerda. Ou à direita. Agora, só temos de escolher. Esquerda. Direita.
PS: Pelo tamanho do post peço desculpa.
A inutilidade das quotas
Abril 16, 2007
Depois de navegar pela blogosfera e me ter deparado com este texto deste amigo, não pude evitar deixar a minha visão sobre este tema.
Tendo por base a decisão do presidente da África do Sul de criar um sistema de quotas de participação 50/50 entre homens e mulheres na vida política, o dito texto dá conta de um certo desencanto por essa mesma situação ser impossível no nosso Portugal, pois “no topo da hierarquia [política] estão os homens”.
Eu sou contra qualquer sistema de quotas. Se vamos abrir a quota que obriga os partidos a incluírem mulheres nas sua listas eleitorais, elas vão estar lá porque obrigação e não por mérito.
Neste ponto estou muito mais de acordo com este amigo. É evidente que isso seria abrir um precedente desnecessário. Se atribuíssemos quotas de participação política às mulheres, teríamos de fazer o mesmo com os africanos, ucranianos, chineses que povoam – contra a vontade do PNR – sectores estratégicos das nossas cidades mais importantes e da força de trabalho nacional.
Mas, avançar com um decreto deste nível implicaria, necessariamente, outras leis de favorecimento a minorias em outros sectores da actividade. Seriam as quotas de entrada no ensino superior e na frequência de certos cursos; quotas na ocupação de certos postos de trabalho, enfim, um sem número de quotas que garantisse uma participação mais “relativa” de todos os grupos étnicos, religiosos, políticos, ambientais, sexuais, desportivos, civis, etc do nosso contexto social em todos os mais diferentes sectores da vida civíca.
Neste caso em concreto, da obrigação da participação das mulheres na coisa pública, não me ocorre medida mais contraproducente. Primeiro, porque perpetua o papel de vitimização e menorização da mulher enquanto ser social e racional – logo, inteligente; e, em segundo, porque quem participa na política deve fazê-lo por gosto, vocação, capacidade e dedicação e não por obrigação ou imposição legislativa.