A silly season
Junho 26, 2007
Tal como a política, o futebol também tem direito à sua ‘silly season’. Essa época, em que os disparates só encontram correspondência nos sonhos que os adeptos começam a ter para a sua equipa, tem lugar precisamente no defeso.
É o momento das contratações, dos grandes negócios e do renovar de esperanças. Por exemplo, neste momento, estou convencidíssimo que nesta próxima época não há forma de o Benfica não ser campeão, ganhar a Taça e esta coisa nova – A Taça da Liga.
Em grande parte, essa crença dá-se por aquilo que tenho lido e visto de Óscar Cardozo, galante e destemido avançado paraguaio que José Veiga descobriu lá nas Argentinas…
Enfim, as imagens não são grande espingarda, mas o homem sabe umas coisas!
Vamos ser campeões e o Cardozo bota de ouro. Se isso não acontecer, será porque não nos deixaram. Pronto, já o disse.
O Berardo até tem razão mas… no Rui Costa não se toca!
Junho 20, 2007
O futebol é hoje um negócio como qualquer outro no mercado capitalista. Para se ter sucesso, é preciso conquistar resultados – entenda-se, vitórias. Para se conseguirem vitórias precisa-se de ter os melhores activos – leia-se, jogadores. As empresas (clubes) com melhores resultados serão os mais lucrativos e aqueles com maior poder de compra e atracção sobre o mercado de activos.
Como explicar, por exemplo, a ascensão do Lyon de equipa mediana de França a potência do futebol europeu? Boa gestão financeira e brilhante interpretação da realidade do futebol actual: aposta em jogadores jovens com potencial, moldá-los e vender os seus passes para depois ir buscar mais jogadores jovens, formá-los e vendê-los. O ciclo é interminável. Com o dinheiro da venda de Essien, ‘fizeram’ Diarra e aproveitaram Tiago. O primeiro rendeu milhões para o Real; Tiago é disputado por Juventus e Milan e o valor mínimo de licitação é de 18 milhões de euros – ele que foi para Inglaterra em 2004 por 12.5 milhões e foi ‘doado’ ao Lyon em 2005.
Não há volta a dar-lhe. Esta é a realidade do futebol de hoje. As equipas portuguesas, para se aguentarem, terão de apostar no mesmo: prospecção de talentos nacionais e internacionais – Brasil e PALOP poderão ser mercados interessantes – sua formação, integração nas equipas principais, valorização e venda. Um pouco aquilo que o Sporting tem feito, mas melhor e mais eficaz – Nani sai com apenas um título – Taça – ganho. Desportivamente, o Sporting pode ter perdido mais do que veio a ganhar financeiramente com a sua saída.
E, Berardo tem razão quando diz que o Benfica não pode contratar os jogadores que os outros não querem ou os ‘cotas’. Nessa lógica, Miccoli e Karagounis nunca deveriam ter vestido a camisola encarnada: nem Juventus, nem Inter queriam os jogadores. Ambos revelaram-se mais-valias, mas que ganhou o Benfica com eles? Nada.
Os clubes têm de perceber a posição que ocupam no mercado. Se o objectivo do Benfica fosse lutar ao nível internacional, provavelmente não teria contratado dois excluídos de rivais directos. Mas, como o Benfica quer é ganhar a Liga Portuguesa – fraquíssima em relação à maioria das outras Ligas na Europa – não se importa em contratar jogadores que não servem aos grandes europeus. Como o Porto que desespera pela lista de dispensados do Manchester United.
Derlei e Robert que acrescentaram ao nosso futebol? Nada. Em final de carreira e caros, a sua contratação foi mal pensada e desajustada em relação ao sentido das transacções dos grandes clubes: vender velho e comprar novo. Alguém duvida que Roberto Carlos não teria lugar em qualquer clube português? Mas, com 34 anos o Real Madrid achou que o ciclo tinha fechado e ele lá foi para a Turquia. A sua contratação pelo Fenerbache será uma mais-valia? Veremos. Em última instância terá a ver na relação entre aquilo que lhe pagam e aquilo que o Fenerbache vier a ganhar com ele lá .
Mas, há excepções a este futebol capitalista. Jogadores que escapam à simples lógica do mercado. Rui Costa é um deles. Nem querendo discutir a sua qualidade técnica, basta olhar para o plantel do Benfica e vemos que aos 35 anos é melhor do que todos os outros e corre quase tanto quanto os mais rápidos. Outro dos melhores jogadores do Benfica é Léo: 33 anos e corre tanto que até dói. Serão João Coimbra e Paulo Jorge melhores jogadores? Não são e se Berardo tem razão quando fala da idade, deveria ter pensado que a qualidade também tem influência e entre um Rui Costa com 35 anos e um Manu com 22, prefiro o nosso nº10.
Comparou Rui Costa a Baia. Fez mal. Para além de serem posições diferentes, o próprio Baia já confirmou que por ele jogava mais anos, mas como jogar significava aquecer o banco para o Hélton, preferiu descalçar as luvas e vestir o fato de dirigente.
Rui Costa é um símbolo do Benfica e no futebol o peso dos símbolos ainda conta – caso contrário, que faz lá o Mantorras? O público gosta deles e eles ‘levam’o espírito para o balneário. Costacurta foi campeão europeu pela 5ª vez esta época aos 42 anos. Maldini, capitão do Milan, tem 39. Para a próxima época ainda joga. Os nem sonham em vê-lo fora do plantel.
Em termos de movimentação mo mercado, volto a sublinhar que Berardo tem toda a razão. O Benfica não pode querer ser um grande clube e não investir em grandes jogadores. Mas atacar o coração benfiquista e, acima disso, a seriedade e o profissionalismo de um dos melhores que lá está foi baixo, incorrecto e de mau gosto. Pior ainda é a inacção da Direcção do Benfica no que toca à defesa do seu jogador e do seu activo.
O Padrinho, pois claro
Junho 13, 2007
A saga de Coppola é uma das mais ilustres e premiadas da história do cinema. O segundo capítulo da trilogia “O Padrinho” é o melhor (?) de todos os filmes, quebrando a regra de que as sequelas são sempre inferiores aos originais.
A personagem constante ao longo da narrativa é Michael Corleone. Um dos seus momentos mais importantes e decisivos é quando aprova o assassinato do seu irmão, que o havia traído. Esse episódio irá marcá-lo para o resto da trilogia, sendo fundamental na sua decisão em ‘abandonar’ o negócio da família no 3º capítulo.
Al Pacino,um dos melhores actores da sua geração, é Michael Corleone, um dos papéis mais marcantes da sua carreira. Sempre que vejo Al Pacino, quer seja em Serpico, quer seja em Ocean’s 13, penso sempre em Michael Corleone e no momento em que se vira para o irmão e lhe diz: “You’re nothing to me Fredo, nothing.” Arrepiante e um dos momentos mais tensos do filme, da saga e do cinema.
Já decidi. Compro o Manchester United
Junho 9, 2007
Para quem quiser ser o próximo Abramovich ou Glazer e patrão de Ronaldo, Henry, Gerrard ou Lampard surgiu o site ideal: o my football club.
Neste portal britânico, os visitantes podem deixar o seu contributo e escolher qual o clube de futebol - britânico, entenda-se - que estão interessados em comprar. A quota de inscrição é de 50 €, sendo que quando se introduzem os dados pessoais é pedido ao investidor que indique qual a agremiação que reúne as suas preferências. Quando se atingir a marca dos 50 000 inscritos a ooperativa avança para a compra do clube mais votado pelos visitantes.
Neste momento, o Leeds United é o mais votado, seguido pelo Nottingham Forest e o Cambridge. O ‘grande’ mais votado é o Arsenal, que se encontra em 7º lugar. O Manchester de Queirós, Ronaldo e Nani é o 10º clube mais votado. O Liverpool está em 11º e o Chelsea nem aparece nos 15 ‘mais’.
Agora, a decisão é nossa: Qual o clube que queremos comprar?
Vamos ajudar o Planeta Azul?
Junho 5, 2007
No dia Mundial do Ambiente, a Quercus apresenta um projecto que tem como objectivo aproximar a organização ambiental da população, sensibilizando-a para a necessidade de travar - ou, pelo menos, ajudar a travar - a constante destruição e violação a que o nosso planeta está sujeito.
Trata-se da Quercus TV, e pode ser vista aqui.
Hoje apeteceu-me… The Clash
Junho 4, 2007
Enquanto revia os últimos pontos para o oral de Jornalismo de amanhã, deu-me vontade de ouvir “London Calling” (1979), a obra-prima (?) do conjunto de Strummer e companhia.
O princípio do ‘punk rock’, e a alterantiva aos Sex Pistols e aos Ramones.
Aqui fica um cheirinho:
365 dias depois
Junho 2, 2007
Faz hoje um ano que Roger Waters tocou no Rock ‘in’ Rio Lisboa. Faz hoje um ano que eu vi Roger Waters. Faz hoje um ano que eu assisti ao melhor concerto da minha vida…
Nunca escondi a minha afeição pelos Pink Floyd, pela sua música e pelo seu inegável contributo para a música. De líderes do submundo do rock progressivo, estabeleceram-se como Monstros sagrados do rock. Roger Waters teve um papel fulcral em tudo isso.
Para muitos considerado como o culpado pela dissolução dos Floyd em 1983, para outros é visto como o mais criativo – diferente de talentoso – dos quatro. Quer se goste, ou se odeie, não se pode ignorar que foi ele a força motriz por detrás de álbuns como ‘Dark Side of the Moon’, Wish You Were Here’, ‘Animals’, ‘The Wall’ e ‘The Final Cut’, tendo escrito todas as letras e composto grande parte da música – aliás, a partir de ‘Dark Side…’ o input dos restantes membros foi sucessivamente diminuindo, até que uns foram despedidos – Wright – e outros passaram a figurantes – Gilmour e Mason.
Eu sou daqueles que acham que Waters e Gilmour a solo não valem nem metade daquilo que repesentam em conjunto. Com isso, não quero desprezar os seus trabalhos individuais, principalmente ‘Amused to Death’, (1992) de Waters e ‘About Face’ (1984) e ‘On an Island (2005) de Gilmour. Mas, nos álbuns de Waters falta a guitarra e a melodiosa voz de Gilmour ; nos de Gilmour falta a agressividade e capacidade narrativa de Waters.
Aliás, se há alguma coisa a apontar a ‘Momentary Lapse of Reason’ (1987) e ‘Division Bell’ (1994), os últimos registos dos Floyd e debaixo da liderança de Gilmour and friends, é a ausência de uma narrativa, de uma história, de algo para contar. No caso de Waters, falta alguém para fazer o contraditório, alguém para contrapor com a rudeza e agressividade do seu baixo e da força bruta e rouca da sua voz.
Polémicas à parte, Waters tocou e encantou Lisboa no ano passado. Eu estive lá e vibrei com cada instante, pois foi um sonho poder estar de frente – sim, primeira fila! – para Roger Waters, o homem responsável por todos aqueles sons, ora diabólicos, ora divinais, que tantas vezes imanam da minha aparelhagem e acordam toda a gente em casa.
E, naquela noite quente de Junho de 2006, foi quase como se eu e os meus boys estivéssemos no meu quarto, de aparelhagem ligada e charro na mão. A única diferença era que o som era mais alto e Roger, de fato preto e meias brancas, estava ali à nossa frente. O meu quarto havia-se transformado no Parque da Bela Vista, e a minha aparelhagem aumentado milhares de decibéis a sua potência. E Roger era o convidado. Estava ali à nossa frente a conversar connosco (e mais 69994 pessoas).
Ai, How I wish I was there again…
John Bonham (1948 - 1980)
Junho 2, 2007
Se fosse vivo John Bonham teria feito 59 anos esta semana. O talentoso baterista dos Led Zeppelin morreu em 24 de Setembro de 1980, aos 32 anos,, deixando o grupo despedaçado e milhares de fãs de luto.
Bonham, um dos mais virtuosos bateristas de sempre, é indiscutivelmente um dos primeiros profissionais do instrumento que dá o edge ao rock e um daqueles que melhor percebeu a importância que a bateria tem numa banda rock.
Para muitos, se os Zeppelin são uma das maiores bandas rock de sempre – e eu não digo que não sejam a maior – muito se deve ao trio Page/Plant/Bonham, o imprevisível mas majestoso baterista.
Daqui, fica a minha homenagem, enquanto fã dos Zeppelin e enquanto adepto do rock.
Moby Dick