O descanso dos justos
Julho 20, 2007
Golden Shares
Julho 20, 2007
O Estado mantém irredutível no que à manutenção das golden shares diz respeito. Se conseguir cimentar a sua posição, o Estado mantém interesses estratégicos e lucrativos em empresas fulcrais do mercado português: Galp e EDP (Energia) e PT (Telecomunicações).
Para muitos isto é um erro político e, acima de tudo, financeiro. Partindo do pressuposto da liberdade de mercado e de circulação no mesmo, não faz sentido que o Estado mantenha interesses económicos em empresas anteriormente públicas. Bruxelas encontra-se neste lote de críticos à postura de Lisboa. Aliás, a Comissão já terá avisado o governo Sócrates da necessidade de venderem as suas acções douradas, argumentando que o Estado não tem qualquer legitimidade para se tornar num agente económico no sector privado.
O Estado pensa de maneira diferente. E não é só o Governo Sócrates. Todos os governos pós-liberalização lutaram pela obtenção de posições especiais na administração dessas empresas. O argumento é lógico: são empresas dominantes no mercado, sem as quais a vida dos portugueses seria bem mais difícil. Garantir uma posição nas mesmas é garantir o fornecimento do serviço à população. Concorde-se ou não, tem a sua razão de ser.
Ora, como já escrevi noutras alturas, a minha posição é muito mais próxima da de Bruxelas. O mercado auto-regula-se sendo a única função do Estado garantir o cumprimento das regras e a aplicação das leis. A competitividade é o melhor aliado do consumidor, garantindo ela que nenhuma organização abuse na sua acção no mercado.
Porém, nos casos citados o mercado português não oferece concorrência. A PT não tem uma adversária séria, a GALP é o gigante dos combustíveis e recursos energéticos e o processo de privatização da energia é ainda lento de mais e incipiente o suficiente para não preocupar a EDP.
E, só por isto é que acredito que seja concebível e de todo o interesse que o Estado não deixe de ter as acções privilegiadas que lhe dão palavra decisiva nas decisões importantes mas que, para além disso, não lhe imputam qualquer responsabilidade de gestão – que fica a cargo dos conselhos de administração.
Desde que, claro, a sua presença sirva para evitar que o consumidor sai explorado. Se nem isso o Estado consegue controlar, então mais vale deixar no imediato as empresas e dedicar-se àquela que é a sua principal missão: governar o país.
Culto
Julho 20, 2007
Quando me falam em filmes de culto, há um que me salta logo à memória: “Entrevista com o Vampiro”. O filme com Tom Cruise, Brad Pitt, Kirsten Dunst, Christian Slater e Antonio Banderas é uma óbvia escolha para película de culto, de maravilhoso filme do Mundo fantástico onde o elo mais fraco é mesmo a, por vezes, insegura actuação de Pitt.
Enfim, fraquezas à parte, o filme de Neil Jordan reuniu o apoio de cinéfilos um pouco por todo o Mundo e é ainda hoje visto como uma das obras que melhor retrata o maravilhoso mundo do oculto, nomeadamente um dos seus personagens centrais: os vampiros. E não, estes não são da Transilvânia.
Virtuosos (2)
Julho 19, 2007
Depois de ter dado destaque a estes tipos, não pude deixar Jimmy Page de fora. Ainda por cima, num solo fantástico como este. A ver muitas vezes.
Lisboa é mesmo importante
Julho 19, 2007
Na comemoração da vitória de António Costa para a chefia da Câmara de Lisboa, as câmaras da RTP, em reportagem pela multidão, descobriram um grupo de viajantes que provinham – imagine-se – de Celorico de Basto…
As senhoras, no alto da sua humildade, apenas disseram que haviam vindo a Lisboa numa iniciativa paga e custeada pelo próprio PS.
Daqui se pode concluir que a encenação política, muito para além de ser um trunfo, é uma exigência. Também se percebe que o partido adivinhava a reacção morna dos lisboetas a estas eleições – e a sua falta de disponibilidade para ‘festejar’ com o vencedor – e por isso, como Sócrates gosta da pompa e da circunstância, se apressaram a encontrar figurantes para embelezar a cena.
Também não será de estranhar que as câmaras da RTP tenham ‘desistido’ do acontecimento e quase que ignorado o acontecimento. Não tinha valor notícia ou, antes, teria demasiado?
Mais um fogo
Julho 18, 2007
Num Verão em que os incêndios têm sido em menor número do que em outros – ou será a atenção mediática mais reduzida? – não faltam a Marques Mendes fogos por extinguir. Agora, com a demissão de Paula Teixeira da Cruz da presidência da Distrital do PSD Lisboa – não da Assembleia Municipal, claro está – encontra-se mais um problema que necessita da rápida e célere intervenção de Marques Mendes.
Com a derrocada do passado domingo Mendes dispensaria mais problemas. Mas não, Teixeira da Cruz – que segundo consta queria ser a candidata ao município lisbonense – bateu com a porta em virtude desse mesmo resultado.
Poderá esta decisão ser entendida como uma crítica à gestão de Marques Mendes? Ou é a simples constatação das responsabilidades da dirigente distrital que à saída da sede do partido foi lacónica: “o partido está em crise”.
Pois está. E se as pessoas que têm responsabilidades continuarem a sair do partido, pior irá ficar. E esta decisão deixa a corda ainda mais perto da garganta de Mendes, restando agora perceber se a decisão de Teixeira da Cruz é individual ou se foi tomada num cenário mais amplo e que pressupõe o enfraquecimento da liderança de Mendes e o apoio a um dos candidatos à liderança do partido – expectavelmente será Meneses – para depois conseguir a candidatura em 2009. A ver vamos.
A Manchete
Julho 17, 2007
Bruxelas é que manda
Julho 17, 2007
Portugal é membro da União Europeia. Tendo aderido ao dito organismo de livre e espontânea vontade, parece evidente que se terá de adaptar às regras impostas pelo mesmo. Em termos mais claros, o preço que temos a pagar pelos subsídios comunitários é o respeito pelas directrizes de Bruxelas.
Ora, quem determina a política de Bruxelas é, em grande medida, a Comissão Europeia, uma espécie de ‘governo europeu’ que é financiado pelos diferentes estados-membros e, por via disso, tem a função de legislar a agir no sentido de melhorar e optimizar a vida dos cidadãos europeus.
Acontece que essa Comissão não é completamente livre e independente. Os maiores estados são, ao mesmo tempo, aqueles que mais contribuem financeiramente para a União e os que dela procuram retirar maiores benefícios.
Com efeito, aos pequenos estados como Portugal cabe, na verdade, um papel meramente presencial. Apesar de ser preciso – melhor, aconselhável – unanimidade para a tomada da maioria das decisões, os estados pequenos são facilmente convencidos a abandonar a resistência e a embarcar no comboio.
E a força de um Estado não encontra correspondência directa no seu tamanho ou densidade populacional. Mas sim na sua força política e económica – que poderá, ou não, estar relacionada com esses factores.
Sendo Portugal um pequeno membro da poderosa União – a maior economia do Mundo – o raio de acção do seu Governo é extremamente limitado. Quer o governo seja mais à esquerda, mais à direita, as políticas governamentais têm de obedecer a um critério fundamental: não irem contra a determinação europeia. Contra isso não há volta a dar.
País à esquerda?
Julho 17, 2007
Depois da derrocada da direita nas autárquicas de Lisboa muitos terão desejado anunciar a morte da direita. Sustentam que estes resultados associados aos das legislativas dão conta da cada vez maior dificuldade de a direita encontrar o seu eleitorado.
Em abono da verdade, a direita tem acumulado sucessivas derrotas a nível nacional. Depois da derrocada de Santana e Portas em 2005, agora foi a vez de Lisboa dar o cartão vermelho a laranjas e centristas. Nem a vitória de Cavaco poderá ser entendida como resultado da diligência da direita pois o mesmo procurou sempre fugir ao apoio partidário, nunca lhe dando muita importância.
A direita vive uma crise profunda. Crise de liderança e identidade que se explica pela ausência de posições políticas relevantes e figuras carismáticas de referência nos diferentes partidos. No PSD o nome mais forte é o de Manuela Ferreira Leite, mas a ‘dama’ de Durão Barroso não se está para chatear com as politiquices da vida partidária activa. Luís Filipe Menezes é um personagem de valor regional, não reunindo condições para ser um líder nacional – apesar de ter valia no plano Municipal. Depois temos um deserto de figuras interessantes mas desconhecidas, e outras conhecidas mas desinteressantes. Por onde escolher? Se calhar, Marques Mendes ainda é a melhor alternativa.
O caso de CDP/PP é bem mais grave. O partido está em vias de extinção. O desejado voltou, mas não convenceu ninguém. Portas esperou dois anos para regressar, orquestrou nos bastidores as etapas para esse retorno, comandou as primeiras desinteligências entre Ribeiro e Castro e o grupo parlamentar e depois apareceu e saqueou o lugar no Caldas. Agora, em vez de ficar para a história como um líder marcante que liderou o processo de entrada do CDS/PP no governo, será visto como aquele que liderou na hora da morte do partido, no momento do seu definhamento.
E o PS governa com maioria. Mas, não quer isto dizer que Portugal seja um país governado à esquerda. Nada mais falso. Na verdade, um país que faz parte de uma organização internacional como a EU e que se submete às leis da mesma não pode ter um governo com excessiva iniciativa. Isto é, o governo de Portugal não pode governar sem consideração pelas directrizes comunitárias. Assim, a política governamental está, à partida, enviesada.
Claro que o PS governa à direita. O PS de hoje não é o PS de Soares – nem sequer o de Sampaio. É um partido diferente, um partido claramente consciente dos seus deveres sociais, políticos e económicos. Aproximou-se da direita. Fixou-se no centro. Sócrates é tudo menos o líder de uma esquerda moderna.
Votar no PS não é votar à esquerda. É votar no centro, é votar na protecção do capitalismo e na lógica do mercado. E, na Europa de hoje, nenhum partido pode fugir a uma realidade simples: não somos ilhas isoladas. A política é consertada e não se pode fugir dela. Se Bruxelas legisla em certo sentido, Portugal tem de obedecer. E isto condiciona o Governo. Seja ele de direita ou de esquerda.
Virtuosismo
Julho 16, 2007
Este ano decidi que tinha de deixar de adiar. Era forçoso cumprir uma promessa antiga que fiz a alguém que já não está entre nós: este ano, antes da partida para Manchester, vou aprender a tocar guitarra.
Enquanto que vários amigos meus se deliciavam com a bateria, ou requintavam com o piano, a guitarra foi sempre o instrumento que mais me apaixonou. Desde cedo, habituei-me a ouvir alguns nomes consagrados como os intocáveis Hendrix, Page ou Young, sem esquecer BB King e outros guitarristas oriundos do jazz e blues da América Negra.
Já toco três acordes na velha guitarra de 12 cordas do meu avô. ‘Brown Eyed Girl’ do Van Morrison está quase sabida de fio a pavio. O entusiasmo ainda é grande.
Porém, depois lembro-me de ouvir o CD dos G3 e enervo-me com tamanho exibicionismo daqueles três senhores, a gozar com todos aqueles que não conseguem/sabem tocar daquela maneira. Enquanto eu ando à procura dos frets adequados, Satriani faz solos ao longo de todo o braço da guitarra e Vai tem o descaramento apenas tocar no braço da guitarra.
Afinal, o génio existe e se trabalhado faz sempre a diferença. É aquela coisa que uns têm e que outros desejariam ter. Como disse o meu primeiro professor de música, “You’ve either got it or not. That’s the difference between being the next Hendrix or just the next kid on the block”.



