Quanto vale Menezes?
Agosto 30, 2007
Luís Filipe Menezes sabe que vai perder. Sabia-o em Julho quando lançou a sua candidatura. Sabe-o hoje porque reconhece que Mendes tem o apoio dos influentes do partido. Sabe também que esses influentes conseguem convencer as bases pertencentes às suas distritais a votar no actua líder. Se sabe tudo isto, por que concorre à liderança do partido
Porque foi ele quem forçou a situação. Foi ele quem minou o terreno a Mendes, foi ele quem procurou denegrir a imagem do líder. Foi ele quem preferiu falar da derrota em Lisboa, em vez de enaltecer a histórica vitória de Cavaco Silva nas Presidenciais.
Foi ele quem se aliou aos ‘bandidos’ Valentim e Isaltino, numa simples tentativa de apresentar uma linha ideológica diferente da de Mendes. Foi Menezes quem criou a instabilidade na liderança do partido. Por isso, esta crise é de sua inteira responsabilidade.
Menezes sempre quis ser líder, mas sempre esperou concorrer contra um Marques Mendes enfraquecido por uma qualquer humilhação legislativa às mãos de Sócrates; nunca pensou que teria de se opor a Mendes em pleno Verão, época morta e sem grande intervencionismo político.
O médico de Gaia não queria lutar pela liderança do seu partido nestas condições, mas terá de o fazer. E, em grande medida a culpa é dele, só dele. O resultado das eleições de Setembro será um medidor do correcto valor de Menezes no partido.
Se for alto, sereá sempre uma sombra sobre Mendes; se for um resultado mais baixo do que o de 2005, então será um vulto que o tempo se encarregará de dispensar e anular, remetendo-o a Gaia e nada mais.
Virtuosos (3)
Agosto 27, 2007
Chega a vez de Eric Clapton. Eric Clapton. Será preciso escrever mais?
Homeless
Agosto 24, 2007
E, enquanto não há tecto em Manchester, vou ouvindo Buckley. Jeff Buckley.
O outro D. Sebastião
Agosto 20, 2007
Há uns anos atrás os benfiquistas suspiravam por um nome: Toni. O - então - último técnico campeão nacional pelo clube. Era ele o desejado, era ele o preferido.
Manuel Vilarinho, o presidente do povo, deu aos adeptos o que queriam em detrimento de José Mourinho. Resultado péssimo. Desastroso. Penoso.
Hoje, vivemos um período de um novo D. Sebastião. Este, espanhol, pela Luz também já passou e com relativo sucesso - o troféu mais relevante do seu currículo continua a ser a Taça ganha no Benfica em 2004. Tal como o outro, deixou desejo e saudade. Agora, depois do engenheiro mais torto do que direito, vem o Camacho. Apenas espero que o sonho não se transforme em pesadelo porque não conseguimos viver sem um Messias e o Rui Costa já cá está.
Está bom para o rock
Agosto 20, 2007
Enquanto que o campeonato não arranca - sim, para mim a época desportiva ainda não começou. Talvez domingo. Talvez nem aí - e o S. Pedro não dá grandes motivos para a romaria balnear, aconselho de viva voz a consulta do seguinte sítio na web: Planet Rock.
O Sítio, um autêntico paraíso para os amantes do chamado ‘classic rock’, é da maior responsabilidade de Rick Wakeman, teclista dos YES. Wakeman é, ainda, locutor da rádio Plantet Rock, contando com o precioso auxílio de outras nomes conhecidos como Guy Pratt (baixista ’substituto’ de Waters na formação Pink Floyd liderada por David Gilmour), Mick Wall, Ian Anderson (Jethro Tull), Tony Iommi (Black Sabbath), Fish e o sempre fantástico Alice Cooper. Todos estes músicos têm programas na rádio.
Quando muitos, como eu, lamentam a ausência dos riffs poderosos das ondas de rádio por esse planeta fora, a Planet Rock Radio torna-se facilmente na ‘melhor rádio do Mundo’.
Aconselho vivamente a sua audição aqui. E, quando o campeonato arrancar, é uma óptima companhia para festejar vitórias.
Quantas línguas se falam na Luz?
Agosto 15, 2007
Sim, a equipa não joga nada. Perde dois brilhantes jogadores - como deixar Manuel Fernandes sair por 9 (!!!) milhões? - e tem sérios problemas de agrssividade e de ritmo. Mais de 20 milhões de euros foram investidos e o ‘mister’ é um benfiquista, mas está lá por ser barato e pouco refilão. Mas, ainda tem o ‘velho’ e enquanto ele for resolvendo a coisa não correrá muito mal. O problema será quando ele não conseguir. E depois? Recorremos ao Mantorras?
Celtic Pride
Agosto 6, 2007
Depois do Benfica no futebol e dos Red Sox no baseball, só tenho olhos para os Celtics no basketball. E, esses olhos ficaram bastante contentes quando viram Kevin ‘Big Ticket’ Garnett a vestir a camisola dos Celtics.
Desde 1986 que os Celtics não vencem o campeonato. Apesar disso, continuam a ser o clube com mais títulos conquistados na história da NBA (16). Esta época estão a operar uma verdadeira revolução no plantel em busca da qualidade que lhes devolvam o ceptro e os anéis perdidos.
Os Celtics são dos clubes com mais adeptos da NBA. Por toda a Nova Inglaterra há adeptos do clube verde. A contratação de Kevin Garnett - assim como a de Ray Allen - vem estimular todos esses fãs. Agora, com esses dois monstros da NBA associados a Paul Pierce ninguém sabe até onde os Celtics poderão chegar. Pelo menos, aconferência de Leste fica inclinada a favor dos verdes de Boston.
Para se ter uma ideia, imaginem se o Benfica contratasse o Henry para juntar numa equipa com Cristiano Ronaldo e Van Nistelrooy. Grandes coisas se esperam dos meus Celtics a partir de Outubro.
A competitividade e a falta dela
Agosto 2, 2007
Portugal não é um país competitivo. Melhor, Portugal não tem uma economia competitiva. E, a ausência de uma tal competitividade no sector económico tem repercussões em todos os sectores sociais, como a educação, a investigação académica e a cultura (entre outros) são exemplo.
Por que acontece isto? Várias razões. A primeira, provavelmente, terá a ver com questões relacionadas com a qualidade da mão-de-obra. Internacionalmente, a força de trabalho nacional é vista como medíocre. Isto aplicar-se-á aos sectores de actividade mais associados ao emprego da ‘força’, pois existe algum reconhecimento internacional em torno da capacidade de trabalho da nossa ‘massa cinzenta’.
Porém, a meu ver, a grande causa da incapacidade produtora de Portugal é o próprio regime laboral. O dito regime é demasiado ‘pró’ trabalhador e demasiado ‘contra’ empregador. Atentamos no seguinte exemplo: o trabalhador X recebe € 1250 mensais. Em Agosto vai de férias. Significa isso que o salário é duplicado – subsídio de férias. Ora isso dá € 2500. Quando regressa de férias, apesar de não ter trabalhado durante o mês, recebe o seu salário por inteiro. Significa isso que são € 1250 para estar estendido na toalha em Albufeira ou a acampar nas matas do Gerês. Quando chegamos a Dezembro volta a receber o salário duplicado. Ora, em termos práticos, isso significa que o indivíduo X recebe salários equivalentes a 14 meses apesar de apenas ter trabalhado 11. São € 17 500 ao final do ano.
Este é o caso do senhor X. Agora, recapitulemos todos os passos e apliquemos os mesmos a todos os indivíduos em idade activa e que se encontram a trabalhar actualmente em Portugal. É uma brutalidade. O Verão tem um custo absurdo para as empresas que têm de pagar salários a dobrar – assim como o Natal. Se numa empresa existe apenas um funcionário, paga como se tivesse dois. Se existem cem, paga (a empresa) como se fossem duzentos.
Com tudo isto, não parece de todo irracional que as empresas quer nacionais, quer internacionais, decidam contra o investimento em Portugal. Ao fim e ao cabo é um investimento avolumado e a qualidade da produção final poderá não justificar o esforço. Para garantir que esse investimento acontece mesmo em Portugal, por várias vezes o Estado vê-se obrigado a ‘auxiliar’ essas empresas por meio de incentivos fiscais e facilidades nos pagamentos para conseguir que o investimento venha para cá.
Contudo, por vezes esse ‘auxílio’ revela-se insuficiente e as empresas fecham. Não aguentam a pesada tributação a que estão condenadas. É um preço demasiado caro. É, aliás, incomportável.
Os salários não são os únicos entraves à competitividade. Por exemplo, o mesmo esquema de pagamento é aplicado às reformas, isto é, também os reformados recebem um valor equivalente a 14 pagamentos por ano. Com tudo isto não há Estado que aguente e tem de ir buscar o dinheiro aos bolsos das empresas. Sobretudo, das Pequenas e Médias empresas.
Para resolver esta questão vejo uma solução: acabar com os subsídios. Os subsídios são prejudiciais à economia e travam o desenvolvimento e são um contra-estímulo à competitividade. Se o empregado X em vez de receber 14 vezes um salário de 1250 euros, recebesse 12 salários de € 1500 cobraria no final do ano € 500 mais do que no actual sistema. O empregado ganha mais dinheiro, e a empresa consegue alguma estabilidade e capacidade de previsão de gastos futuros. Aliás, o empregado X poderia manter o mesmo salário de € 1250 euros que seria enriquecido por bónus inerentes ao alcance de certos objectivos estipulados – o ‘tal’ contrato por objectivos.
Para além disso, a concessão de um mês de férias a todos os trabalhadores com um ano de casa é pernicioso. Se partíssemos de um sistema mínimo de duas semanas de férias pagas por ano, o ritmo da produção aumentaria, as empresas facturariam mais e teriam mais possibilidades para pagar salários mais elevados – seria aqui que as empresas angariariam o dinheiro ‘extra’ para colmatar o aumento bruto do salário.
A obtenção de mais dias de férias poderia ser com base no mérito – por exemplo, definir no contrato de trabalho que à obtenção anual de certas metas de trabalho estão associados mais dias de férias – ou por acumulação de um ano por outro ou, por fim, com base nos anos de casa. Também a atribuição de bónus aos trabalhadores em função do cumprimento de metas de trabalho seria uma possibilidade.
Os sindicatos, claro, não se poupariam em esforços para contestar este ‘ataque’ ao trabalhador. Mas, se em vez de dedicarem o seu tempo à ociosidade e a comentários que têm tanto de ignorância como de burrice, talvez prestassem um serviço melhor aos trabalhadores e ao país. Por esta ordem.
O actual regime laboral em Portugal é arcaico e contra natura. Num Mundo globalizado, onde a China e a Índia são já ali ao lado, Portugal precisa de modernizar as suas estruturas produtivas e apanhar o comboio. Caso o não faça, é bom que nos habituemos à cauda da Europa pois dela não sairemos. Esteja quem estiver no governo.
40 anos depois de Interstellar Overdrive
Agosto 1, 2007
Depois de um merecido e aproveitado descanso, eis que surge o regresso. Mas, como as férias são, também elas, cansativas, é preciso entrar devagar. Assim, este primeiro post de regresso aparece na forma de um conselho, uma sugestão: Comprem a Blitz deste mês! Comprem, comprem, comprem! É a edição comemorativa do 40º aniversário do lançamento de “Piper at the Gates of Dawn”, o primeiro álbum dos Pink Floyd e o mais marcadamente influenciado pelo genial e louco Syd Barrett. O artigo não é nenhuma revelação – é, aliás, uma tradução de um já publicado na Rolling Stone – mas não é todos os dias que se pode comprar uma Blitz em tons de Rosa…