Still Special

Setembro 21, 2007

chelseamourinhoportugal.jpgEsta foi uma semana muito ‘portuguesa’ aqui em Inglaterra. Primeiro, o omnipresente ‘caso’ McCann, com os jornais sensacionalistas ora a condenar os pais, ora a criticar a PJ, depois o futebol. Sim, o futebol, o jogo que eles dizem que inventaram e que conhecem melhor do que qualquer outro povo. Na terça, enquanto o Glorioso debatia-se em Milão, o Porto recebeu o Liverpool. Na quarta, foi a vez do United deslocar-se a Alvalade e socorrer-se do seu melhor jogador, Cristiano Ronaldo, para vencer o jogo. Ontem, foi a vez de Mourinho fazer as manchetes com o anúncio da sua saída do Chelsea.

Mourinho chocou a opinião pública quando chegou a Londres e intitulou-se o “Special One”. Agora, na hora do adeus a Stamford Bridge, José volta a impressionar, quer seja pela manifestação de apoio incondicional que recebeu dos adeptos do clube, quer seja pela fantástica indemnização que consegui extrair a Abramovich.

Hoje, a imprensa britânica dedica secções inteiras ao técnico português. No “The Times”, em artigo de opinião assinado por Giles Smith, pode-se ler que “Mourinho foi o melhor treinador que o Chelsea alguma vez teve – brilhante, apaixonado, perigoso engraçado e às vezes todas essas coisas juntas durante cinco segundos”.

Entre mais uma série de elogios, este cronista adepto do clube azul de Londres termina dizendo que “de facto, Roman Abramovich poderia anunciar esta manhã que tinha segurado os serviços de Rijkaard e Guus Hiddink na primeira parceria civil da história do futebol, declarar que ele e os dois treinadores estariam no aeroporto em Janeiro para receber Ronaldinho, e mesmo assim não seria qualquer tipo de consolação porque perdemos (os adeptos) Mourinho. Nós (adeptos) aceitávamo-lo de volta num segundo.”

Outro cronista, este sem ligações afectivas ao Chelsea, Tony Cascarino refere que “embora os jogadores do Chelsea possam respeitar Abramovich, eles amam Mourinho e estão a sofrer tanto quanto o seu anterior treinador”.

O mesmo Cascarino relata que se cruzou com o plantel do Chelsea por altura de uma acção de caridade. Conta que “o à vontade, a camaradagem – a ligação entre treinador e jogadores era simples e poderosa. Claramente, essa foi uma das razões para o sucesso do Chelsea. (…) Os jogadores amam Mourinho por tê-los tornado vencedores”.

Até Scott Minto, antigo defesa esquerdo de Chelsea e Benfica, reconhece que “Mourinho garante troféus” enquanto que Ray Wilkins, uma lenda do clube londrino, penitencia o facto de a Premier League perder um “treinador fabuloso”.

Enfim, a ideia geral é que a Premier League e o Chelsea perderam um (o?) dos melhores treinadores do Mundo à conta de uma casmurrice do dono do clube. Como sentenceia o editor de desporto do mesmo jornal, Simon Barnes, enquanto esteve em Inglaterra “Mourinho foi a estrela do futebol”.