World Champions
Outubro 29, 2007
Foi esta madurgada que os Boston Red Sox venceram o campeonato de Basebol da Major League Baseball (MLB), o chamado ‘World Series’.
Concordando-se ou não com esta tendência dos americanos para proclamarem os seus campeões como sendo os campeões mundiais – passa-se o mesmo no futebol americano, no basquetebol e no hóquei no gelo – a verdade é que a MLB é a liga profissional de basebol mais conceituada do Mundo, com os melhores jogadores e que movimenta mais dinheiro.
E, desde das 4 da manhã de hoje os Boston Red Sox, a minha equipa, são os Campeões do Mundo, repetindo o feito de 2004 ao vencer na final os Colorado Rockies, precisando apenas de 4 jogos – a série joga-se à melhor de 7 – para consumar o triunfo.
A vitória em 2004 foi a primeira em 86 anos. Agora, passados três anos os Sox voltam ao topo da montanha. Para trás ficaram eleiminatórias renhidas contra os Cleveland Indians – que forçaram o 7º jogo – e Los Angeles Angels.
Agora, Boston está em festa! Festa rija!
Privatizar ou deixar como está?
Outubro 27, 2007
Ele lançou o repto. Eu faço o melhor que posso desde Manchester.
Ciclicamente o tema da privatização da RTP é lançado para a praça pública. Normalmente, quando o ministro da tutela se encontra sobre brasas, atira para o ar umas notas soltas sobre o futuro da companhia, na esperança de ser olhado como um visionário; como o ministro que redefiniu a televisão pública em Portugal.
Recentemente, e perdoem-me pela dispersão temporal, mas estou longe de Portugal, José Rodrigues dos Santos foi suspenso de funções por ter dito, em entrevista ao Público, que a administração da RTP interferiu na nomeação de Rosa Veloso para correspondente em Madrid, quando esta era a quarta na lista de candidatos. Para o pivot, essa era uma decisão que cabia exclusivamente à direcção de informação, da qual ele fazia parte, motivo bastante para apresentar imediatamente a sua demissão.
Em suma, um jornalista foi castigado por falar com outros jornalistas sobre um processo nada claro de nomeação de uma outra jornalista.
A direcção de informação da RTP é apontada pelo Conselho de Administração que, por sua vez, é escolhido a dedo pelo governo. Para se ter uma ideia da carga política que o cargo de Presidente da RTP tem, o actual titular da pasta, Almerindo Marques, é o único a ter resistido a uma mudança governamental. Foi nomeado por Morais Sarmento e Augusto Santos Silva manteve a sua confiança nele.
Muito tentador é agora insinuar que Marques assegurou a continuidade no cargo graças a um qualquer favoritismo político. É que, para além da intromissão na nomeação de Rosa Veloso, Rodrigues dos Santos deixa entender que havia interferência ao nível da política editorial da estação. É essa a interpretação que eu retiro quando leio que a Administração da estação “passa recados do poder político”.
Rodrigues dos Santos vai mais longe e conta que a administração tomou decisões “na área editorial em substituição do director – na realidade contra ele. Isso é interferência consumada”. “Ver o poder interferir despudoradamente na informação como eu vi é algo que desmotiva”.
E eu podia continuar a transcrever citação atrás de citação porque elas são todas bombásticas e sensacionais.
Lendo essas palavras temos de nos fazer uma pergunta: “Mentirá Rodrigues dos Santos?” “Estará amargurado ao ponto de querer guerrilha interna?” “Estará, simplesmente, aborrecido?”
Ora, a minha opinião é que se trata de um profissional sério e responsável. Aceitando isso, tenho de encarar as suas declarações como sendo a sua interpretação, em boa fé, daquilo que se passou enquanto ele fez parte da Direcção de Informação da RTP.
E, aceitando-as como verdadeiras, só posso concluir que: a) a Administração da RTP é um joguete dissimulado do Estado; b) A equipa de Almerindo Marques é incompetente.
Primeiro ponto: Sempre se conotou a direcção da RTP com o poder político. Por mais não fosse, a proximidade institucional não pode ser ignorada. A uma escala menor, mas numa realidade mais próxima, o mesmo se passa no ambiente da Academia minhota com o jornal Académico. Pelo facto de ser o ‘jornal oficial’ da Associação, é visto como o ‘press-release’ da AAUM.
Ora, na RTP passa-se o mesmo. No final do mês, todos aqueles profissionais são funcionários públicos e a organização da empresa depende dos bolsos estatais e, claro, das contribuições dos portugueses. Mas, a esse ponto volto mais tarde.
Mas, se a Administração se intrometeu nos critérios editoriais da redacção – e recordo que a Administração em causa é a única a ter resistido a alterações no governo – então a RTP não passa de uma agência propagandística que serve os interesses de quem está no poder. E, pior do que ser uma marioneta é ser uma marioneta que serve a todos, ora sejam eles laranja, ora sejam rosa.
E, claro, do plano da imparcialidade da imprensa em Portugal estamos falados, porque se a RTP não é isenta e imparcial não podemos esperar que as privadas o sejam.
Segundo ponto: A incompetência da equipa de Almerindo Marques. Normalmente, quando se entra pelo caminho da corrupção é para favorecer alguém que, sem essa ajuda, não chegava ao destino desejado. Por exemplo, o Boavista não teria sido campeão se não fosse ajudado, etc. Em traços brutos é este o modus operandi da corrupção.
O problema é que, normalmente, o que se serve da corrupção para atingir o seu objectivo não é o melhor para o cargo. Excluindo o FC Porto do Mourinho, que mesmo sem ser ajudado teria sido campeão, a regra é mesmo essa. Então, se num concurso democrático Rosa Veloso era quarta na lista, significa que a Direcção de Informação – entidade competente pela distribuição das tarefas pelos jornalistas – entendia que havia três outros profissionais mais adequados para o posto.
Escolher a quarta da lista significa eliminar três alternativas melhores e proporcionar ao telespectador – e, no caso da RTP, ‘accionista’ – pior serviço. É, claramente, uma atitude incompetente que só poderia ser recompensada com um despedimento sem grandes honras.
Poderíamos, então, optar pelo fim do Serviço Público? Ora, neste momento, a RTP1 pouco ou nada tem a ver com uma estação de serviço público. É, hoje, claramente uma estação de televisão com lucro em mente e que participa nas guerras das audiências, prejudicando a qualidade do serviço prestado aos portugueses – programas de entretenimento tipificados, informação de imparcialidade duvidosa, etc.
Uma aposta a sério na RTP2 poderia reduzir esse fosso. Mas, essa estação é deixada para os ‘intelectuais’ e concentram-se atenções sobre o Fernando Mendes e o João Baião.
Parece-me que a solução lógica seria privatizar a RTP, nem que não fosse essa uma privatização a meio-gás – à imagem da GALP ou da PT. Poupava-se algum dinheiro, ganhava-se algum extra e dava-se mais margem de manobra à Administração para tomar todas as decisões incompetentes que quisesse. Guardava-se a RTP2 e aproveitavam-se os diamantes que a estação tem, para se oferecer serviço público de qualidade, ficando a RTP1 enquanto canal generalista, governada maioritariamente com dinheiros privados e que continuasse a transmitir os jogos da selecção.
Esta seria uma forma de clarear a concorrência pelas audiências e em incrementar a qualidade média do serviço público de televisão, enquanto que o nível do privado, esse, cai a pique.
Da Inteligência
Outubro 26, 2007
Continuam a surgir, dia após dia, reacções à ‘conclusão’ do cientista americano James Watson. Sei que já se passaram alguns dias desde que as conclusões foram apresentadas, mas não quis deixar de dar a minha opinião sobre este assunto.
Ora, concluiu o cientista laureado com o Prémio Nobel da Medicina em 1962 sugeriu que os negros têm uma inteligência inferior à dos brancos. Em entrevista ao Sunday Times, Watson confirmou que se encontra “naturalmente céptico acerca do futuro de África” porque “todas as nossas políticas sociais são fundamentadas no facto da sua inteligência ser igual à nossa quando, de facto, nenhum teste corrobora com essa ideia”.
O geneticista assentiu que há um desejo natural de que todos os homens sejam iguais mas, refere Watson, “as pessoas que têm de lidar com empregados negros sabem que isto não é verdade”.
Em livro a publicar na próxima semana, Watson escreve que “não existe nenhuma razão firme para concluir que as capacidades intelectuais de pessoas geograficamente separadas ao longo do seu processo evolutivo terão evoluído de forma idêntica. A nossa vontade em atribuir iguais poderes de razão como se de uma herança universal da humanidade se tratasse não será suficiente para tornar tal possível”.
Conclui, então, que os brancos são mais inteligentes do que os negros. No fundo, apresenta como razão justificativa o facto de o continente africano, hoje largamente atribuído aos negros, ser o centro das maiores pobrezas mundiais enquanto que a Europa, antiga potência colonizadora, a América e algumas nações asiáticas florescem económica e socialmente. Faz um paralelismo, em que no Hemisfério Norte encontra os inteligentes e no Sul os estúpidos.
Não conhecendo em pormenor o estudo, não posso apresentar argumentos científicos para combater a opinião. Nunca me dediquei ao estudo de fundo desta questão.
Porém, há um ponto que me merece maior reflexão e que gostaria de discutir: O que é inteligência? O que significa dizer-se que “x” é inteligente, por oposição a “y” que é burro que nem uma porta?
Uma rápida visita à Priberam permite-me concluir que inteligência é, nada mais, nada menos, que a “faculdade que o espírito tem de pensar, conceber, compreender; é a capacidade de resolução de novos problemas e de adaptação a novas situações; discernimento; juízo, raciocínio; talento.”
Dou particular ênfase a este último ponto: talento. É indiscutível que, falando em termos gerais, os negros têm uma especial apetência para as artes, para a música, para a dança, para o desporto, etc. áreas essas que são associadas à capacidade de criar coisas novas.
Por exemplo, Jimi Hendrix é, ainda hoje, considerado o melhor e mais inovador guitarrista de sempre, pois imprimiu um novo dinamismo ao instrumento, introduzindo uma nova forma de ver e tocar a guitarra. Hendrix era negro e é um símbolo para gerações de amantes da música.
Pélé é, sem grandes problemas, referido como o melhor jogador de futebol de sempre. À capacidade atlética conseguiu associar uma visão e inteligência de jogo invulgar para o seu tempo. E, que dizer de Eusébio, o melhor jogador português de todos os tempos e um fenómeno da bola a nível Mundial?
Quer-me parecer que aquilo de que trata o sr. Watson não é de inteligência, mas de uma forma de conhecimento – provavelmente académico – em que os brancos se superiorizam aos negros. Para justificar essa situação, essa aparente superioridade dos brancos sobre os negros, até poderíamos argumentar que o facto de as metrópoles (os brancos) terem abandonado as antigas colónias à sua sorte – e consumido à farta os seus recursos naturais – impediu que até hoje, e na sua generalidade, as nações africanas conseguissem criar estáveis planos de estudos para os seus alunos. Mas, nem isso será preciso porque não podemos dividir a inteligência.
Na definição que eu apresentei, em nenhum ponto diz que a inteligência é a capacidade para compreender os problemas alusivos à matemática. Por exemplo, podemos dizer que um génio da matemática é mais inteligente do que um génio do piano? Podia-se entrar numa discussão sobre o que seria mais relevante para a sociedade, se um bom matemático ou um bom pianista, e provavelmente o matemático ganharia. Mas, que seria de um povo sem música?
Não se pode materializar o conceito de inteligente. Não podemos afirmar contundentemente que um tipo de inteligência é superior a outro. Que vale mais um bom académico do que um bom desportista. São áreas diferentes de actividade, todas de extremo interesse e relevância social. Precisamos de grandes cientistas na mesma medida em que precisamos de grandes actores, de grandes arquitectos como precisamos de grandes pintores, de políticos de excelência tal como precisamos de bailarinos excelentes.
Não concordo com James Watson. Não podemos afirmar, contundentemente, que, regra geral, os brancos são mais inteligentes do que os negros. A inteligência não pode ser vista segundo uma lógica ‘branco ou preto’. Não só é socialmente injusto, como me parece ser também intelectualmente errado.
A Palavra segundo as Escrituras
Outubro 22, 2007
Para aqueles que andaram menos distraídos, nos últimos tempos tive uma alegre discussão com o meu amigo Pedro Romano sobre Deus e se sobre tal figura existiria, ou não, e qual o seu papel, se algum, na história da civilização. Como a animada altercação chegou àquele ponto em que se estava a ‘chover no molhado’, resolvi não continuar directamente esse debate, mas levantar à baila uma outra questão que ficou mal resolvida ao longo dessa conversa: A Bíblia. Melhor, o que é e o que significa a Bíblia.
A Bíblia é a compilação dos textos sagrados da religião judaica e cristã. Esses textos podem ser de valor histórico, conter as tradições sagradas ou, simplesmente, mitos.
Para os cristãos, a Bíblia encontra-se dividida em 2 livros: o Antigo e o Novo Testamento. O Antigo Testamento corresponde à versão judia da Bíblia, chamada Tanakh. Os 27 Livros do Novo Testamento descrevem a pregação de Cristo e dos seus discípulos, assim como relatam os acontecimentos antes, durante e depois da crucificação e ressurreição de Cristo.
Ora, um pouco como nos partidos políticos existem sempre alas mais conservadoras e outras mais liberais, também na religião encontramos grupos mais tradicionalistas e outros mais inovadores e adeptos da mudança.
A ala conservadora da religião, refiro-me ao judaísmo ortodoxo e ao fundamentalismo cristão, acredita na infalibilidade e absoluta certeza da mensagem da Bíblia, assim como dos acontecimentos por ela narrados. Alguns dentro desta corrente argumentarão a total e absoluta certeza da Bíblia, concedendo-lhe a razão na maioria das suas reclamações históricas e que nem tudo na Bíblia deve ser tomado à letra – existem casos óbvios de alegorias e parábolas.
A outra ala é a liberal. Esta sublinha a importância da mensagem moral e dos valores transmitidos pela Bíblia. Argumentam que a Bíblia é um documento importante, que tem de ser interpretado no contexto social, cultural, geográfico e político do tempo em que foi composta. A maioria dos adeptos desta corrente refere os episódios da criação como sendo simbólicos e alegóricos, intencionalmente simplificados para serem compreendidos pelas pessoas daquele tempo. Por exemplo, a corrente liberal de dentro do judaísmo não consente que exista uma única interpretação da Bíblia – aceita que diferentes indivíduos tenham diferentes interpretações do Livro Sagrado.
Tradicionalmente, têm sido formados dois grupos de análise da Bíblia: uns, que argumentam a exactidão do texto; outros, defendem que o mesmo deve ser interpretado de forma mais livre, fugindo à aceitação dogmática do mesmo. Estes dois grupos constituem as correntes maximalistas, os primeiros, e minimalistas, os segundos.
Na raiz da oposição entre os grupos encontra-se a forma como cada um vê a história. Os maximalistas vêem a narrativa bíblica como sendo o ponto inicial de construção da história, e corrigem ou reinterpretam a Bíblia nos pontos em que ela é contradita pelos arqueólogos. Os minimalistas partem na sua aventura pela história em uníssono com as descobertas arqueológicas a apenas aceitam os relatos bíblicos que encontram corroboração com as provas arqueológicas.
Confesso que a segunda posição é aquela que eu partilho. A Bíblia não pode, nem deve, ser lida e interpretada sem um certo distanciamento e relativismo histórico. Por várias razões, entre as quais estão a falibilidade dos relatos. Está provado que, por exemplo, os relatos do Pentecostes e do Êxodo foram escritos muito depois da altura em que, supostamente, terão acontecido. No caso do Êxodo existem, hoje, provas que desmentem algumas das passagens da Bíblia, havendo mesmo quem duvide da presença de Judeus no Egipto na altura de Moisés.
Para além da evidência histórica, existem também os problemas com as traduções. Ao longo dos anos a Bíblia foi escrita, reescrita e traduzida em diversas línguas. Do Hebreu para o Grego Antigo, passando depois ao Latim, a palavra de Cristo foi sendo proferida em diferentes línguas e com diferentes sentidos. Com essas traduções, algumas imprecisões foram aparecendo e quando analisamos a Bíblia que hoje nos chega às mãos, não podemos deixar de contemplar a possibilidade de ela estar mal traduzida; de haver passagens erradas e erros de interpretação.
Depois, claro, há o problema da natureza das passagens, nomeadamente no Antigo Testamento. A maioria das passagens do primeiro capítulo da Bíblia são o produto de narrações, de histórias populares que foram sendo contadas e passadas de geração em geração. Por exemplo, o Êxodo foi contado e recontado várias vezes até ter sido passado para o papel.
Tudo isto para além do facto de que a grande maioria das passagens da Bíblia deverem ser encaradas como parábolas, isto é, alegorias que carregam consigo alguma doutrina moral.
Os minimalistas defendem que, antes de tudo, a Bíblia é um trabalho teológico e apologético. Dão conta de que as histórias mais antigas prendem-se a elementos históricos que foram reconstruídos séculos depois, e que o Livro possuirá apenas alguns fragmentos de genuíno relato histórico – que coincidem com os achados arqueológicos.
Aceitar isto é aceitar que a maior parte das histórias relacionadas com as grandes figuras bíblicas – nomeadamente aquelas que protagonizam o Antigo Testamento – são fictícias, produtos da imaginação de um escritor, ou de séculos de narração popular. Assim, as doze tribos de Israel, por exemplo, terão sido uma construção posterior àquela que aparece na Bíblia e que as histórias dos Reis David e Salomão, a terem existido, foram modeladas a partir de posteriores exemplos helénicos, pois não existe nenhuma prova concreta de que o reino unido de Israel, que a Bíblia diz ter sido governado quer por David, quer por Salomão, tenha sequer existido.
Portanto, quando atentamos na Bíblia não podemos deixar de ter em conta de que se trata de um relato de época, com um contexto específico e não deve (nem pode?) ser levado à letra. O principal do livro é a sua mensagem, a transmissão dos códigos de conduta e o ensino da moral católica.
Does the song remain the same?
Outubro 21, 2007
Os Led Zeppelin vão-se reunir. No ano de todos os regressos, agora é a vez da banda de Jimmy Page e Robert Plant voltar a actuar, no dia 26 de Novembro, na O2 Arena em Londres. As receitas do concerto revertem a favor da Ahmet Ertegun Education Fund, que oferece bolsas de estudo no Reino-Unido, Estados Unidos e Turquia.
Ahmet Ertegun foi o fundador da Atlantic Records, editora dos Led Zep, e trabalhou lado a lado com várias bandas de sucesso, entre as quais o quarteto constituído por Page, Plant, John Paul Jones e John Bonham.
Os Led Zeppelin, que optaram pela dissolução da após a morte de John Bonham, já não tocam em palco desde 1989, altura em que participaram no concerto de aniversário da Atlantic.
Agora, e em nome da instituição patrocinada por Ertegun, os Zeppelin voltam a tocar juntos, apresentando a formação mais próxima daquilo que poderia ser visto como o alinhamento original, pois Jason Bonham vai tocar no lugar de seu pai, falecido a 20 de Setembro de 1980.
Inicialmente, estava previsto que o grupo tocasse apenas um set ligeiro de meia hora, mas após os primeiros ensaios em Junho decidiram que o melhor era proporcionar aos fãs um espectáculo de corpo inteiro: mais de duas horas a dar vida ao rock.
Eu bem que gostava de ir. Mas, para além do facto de a venda de bilhetes estar limitada a 2 por pessoa, está o preço: £125 por bilhete, para ver Led Zeppelin e outros artistas que subirão antes ao palco, tais como Pete Townshend e Foreigner.
Resta saber se a magia está lá e se os ressentimentos entre Page e Plant já se dissiparam. Esperemos que sim, e que estes monstros do rock continuem a encontrar a escadaria para o céu.
Deborah Kerr
Outubro 18, 2007
Para aqueles que gostam de cinema, Deborah Kerr será sempre relembrada pelos seus papeis em “From Here to Eternity” e “An Affair to Remember”.
A escocesa morreu esta semana aos 86 anos na calma cidade de Suffolk, Inglaterra.
Apesar de não ser um conhecedor profundo da sua obra, guardarei para sempre o momento em que vi, pela primeira vez, um dos beijos mais quentes, sensuais e profundos da história do cinema. Irradia paixão bruta, animal, primitiva e transborda intensidade.
Refiro-me a Deborah Kerr e Burt Lancaster em “From Here to Eternity”. A ver.
Longe vão os dias do Império
Outubro 18, 2007
O Dalai Lama passou por Portugal em Setembro. O governo Sócrates, embaraçado, recusou-se a receber oficialmente o líder espiritual do Tibete. Razão? Receio de uma qualquer reacção enfurecida e enraivecida da China – cada vez mais, um parceiro comercial, económico e diplomático de relevo.
Ora, esta semana, o mesmo Dalai Lama vai passar pelos EUA e, para além das habituais conferências e palestras, vai ser recebido oficialmente por George W. Bush e condecorado com a mais alta distinção que pode ser atribuída a um civil naquele país: a Medalha do congresso.
A China, claro, fez birra. Já anunciou que não poderá participar numa reunião diplomática, por motivos técnicos, cujo objectivo era discutir os passos a tomar após a decisão de Teerão em cooperar com a comunidade internacional no que diz respeito às armas nucleares. Porém, pouco mais vai fazer em relação a isto. O capricho chinês não vai durar porque não interessa a Pequim uma desavença com Washington.
Bush comunicou há duas semanas atrás ao presidente chinês, Hu Jintao, a vinda do Dalai Lama e a sua condecoração, ao mesmo tempo que assegurou que irá estar presente nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Jogo de concessões.
José Sócrates preferiu, em vez de contactar Pequim, ignorar a vinda de Dalai Lama. Em termos conjunturais, o Estado com a presidência da UE ficou com a imagem manchada. É feio não receber um Prémio Nobel da Paz. Dá mau aspecto, assim como dá mau aspecto acolher em Lisboa um ditador e assassino, como é Mugabe
O episódio com o Dalai Lama só revelou a pequenez da nossa visão diplomática da panorâmica das relações internacionais. Não recebemos o Dalai Lama, mas estamos a preparar a Europa para se sentar à mesa com Robert Mugabe, um déspota e opressor tirano africano.
Gordon Brown já afirmou contundentemente: Nenhum membro do Governo britânico se vai sentar à mesma mesa que Mugabe. Hoje, de Praga já vieram vozes de apoio à medida britânica e a intenção em imitá-la. E, agora, que vai fazer Sócrates?
A cimeira Europa-África é a marca que Sócrates quer dar à presidência portuguesa da União – talvez, até, mais do que o tratado Constitucional. Agora, a viabilidade e eficácia da mesma se encontra afrouxada, pois se um membro como o Reino Unido se recusa a participar dá conta de uma fractura na UE que poderá não ser sarada, qualquer que seja o caminho seguido na reunião.
É altura de tomarmos uma posição de força; altura de levantarmos a voz e fazer valer os nossos direitos enquanto membros de plenos direitos da EU e actuais presidentes da União e decidirmos o que vamos fazer: Ou se contacta Londres e, ao mais alto nível, se convence Brown da fundamental importância da reunião com África e como é importante que a Europa se mostre unida e a uma só voz – mesmo que essa voz seja de oposição e crítica à ditadura no Zimbabué – ou, por outro lado, sujeitamo-nos a acolher um líder como Mugabe, dando o peito às balas no que diz respeito às críticas que vamos receber da comunidade internacional. Mas, pelo menos, que se tome uma decisão coerente e consistente.
Para além disso há um problema maior, pelo menos para mim: Então, Portugal não recebe o Dalai Lama, o homem não faz mal a uma mosca, e deita-se com Mugabe? Que razão pode servir para receber um e ignorar o outro? A ‘legitimidade’ do poder de Mugabe?
Ou eu muito me engano, ou dos tempos do Império, politica e diplomaticamente falando, não sobrou muito. Talvez algumas caravelas. Agora, a coragem e a força política, essa, desvaneceu-se. Aliás, tão desvanecida que está que quase nem se vê.
Paul, let it be
Outubro 14, 2007
Por estes dias, a notícia principal em Inglaterra não é o caso Maddie, nem sequer as canceladas eleições legislativais ou o caso de corrupção na BBC. O caso do momento é o divórcio de Paul McCartney.
Há nove semanas que as audiências começaram no tribunal e o principal entrave é mesmo o valor da indemenização a pagar pelo Beatle à sua futura ex-mulher, a ex-modelo Heather Mills.
Mills, inicialmente, pretendia receber metade do valor da fortuna de McCartney (estimada em 825 milhões de libras). Porém, o dono da segunda maior fortuna ligada à música em Inglaterra apenas se mostrava disposto a pagar £50 milhões (pouco mais de 70 milhões de euros).
As últimas notícias davam, contudo, conta de que o valor a pagar poderá mesmo cifrar-se em £70 milhões de libras, pelo facto de Mills vir a ficar com a custódia da filha de ambos, a pequena Beatrice de três anos.
Apesar de todo o turbilhão à volta de uma metade da mais reconhecida e laureada dupla de compositores da história da música pop, Paul conseguiu ter tempo para dar uma saltada à inauguração de uma exposição de arte a seguir à audiência, acompanhado pelas filhas mais velhas e por algumas estrelas do cinema, incluindo Gwyneth Paltrow.
Sinceramente, nada disto me parece relevante. A única coisa que me interessa é a música de McCartney. Essa sim, faz a diferença. A música de McCartney e dos restantes ‘fab’. Os dias de Abbey Road e Rubber Sould, the Come Together e Revolution. Isso sim. Shall we get back to those days?
Preconceito
Outubro 12, 2007
Manchester é uma cidade cosmopolita. É uma cidade multi-cultural. Mesmo que eu quisesse fugir a isso, e refugiar-me nos asilos britânicos, não podia pois vivo no bairro muçulmano.
Viver no coração da comunidade muçulmana em Manchester tem-me exposto a variadíssimas situações novas, realidades desconhecidas que passaram a fazer parte do meu quotidiano.
A mais evidente é as mulheres tapadas. Todas andam de burka, a maioria com o rosto totalmente tapado – outras, menos radicais ou mais ocidentalizadas, lá mostram a cara. As senhoras andam na rua de burka, vão às compras de burka, conduzem de burka e vão buscar os filhos à escola de burka. E, claro, as suas filhas também andam tapadas.
Depois, temos as rezas. É frequente passar por uma casa à hora do pôr-do-sol e ouvir as pessoas a rezar no seu interior. Ajoelhadas em cima dos seus e descalços, vão rezando viradas para Meca. E, todos cumprem a regra. Novos e velhos. Nascidos em Inglaterra, ou não.
Quando me mudei, foi preciso reparar a caldeira. O técnico, um líbio com mestrado em física, fez o seu trabalho. Porém, à hora marcada deixou o seu posto, descalçou-se e ajoelhou-se num quarto vazio. E rezou.
Uma das outras imposições religiosas mais interessantes é o Ramadão, que termina este sábado. Durante um mês, os muçulmanos não comem enquanto se vê o Sol e alguns há que se levantam às 4 da manhã para rezar até à hora de sair para o trabalho.
E, apesar de toda a minha vida ter pertencido às maiorias comunitárias – os brancos, católicos e Ocidentais – não tive qualquer problema em abraçar e aceitar essas diferenças culturais, mostrando muita curiosidade em aprender e perceber o porquê de certas coisas.
Mesmo assim, quando entrei numa loja para fazer umas compras de circunstância, o caixeiro olhou para mim e disse, após alguns momentos de reflexão profunda, “not today, not today”.
E depois os Ocidentais é que são os preconceituosos e os outros os coitados.
Oh my God – a contra-resposta
Outubro 11, 2007
Nota prévia: Este escrito surge na qualidade de resposta/comentário ao post presente aqui, da autoria do meu camarada Pedro Romano. Aliás, já esse artigo aparecia na qualidade de interpretação dele a este postal aqui publicado.
Comummente, não se tenta, porque não se pode, provar a inexistência de algo. Se algo não existe, não pode ser desmentido. Simplesmente, não existe. Pelo contrário, se algo tem uma existência concreta, pode ser discutido e escrutinado.
Este raciocínio, perfeitamente lúcido e racional, não se concretiza quando nos colocamos perante a questão da existência de Deus. Aqui, neste contexto específico em que a razão encontra as forças irresistíveis que são a religião, a fé e a crença dogmática, não se pretende provar que Deus existe, mas tenta-se a todo o custo comprovar a sua inexistência. Argumento mais usado? “Quando me bater à porta, eu acredito.”
A relação entre ciência e religião não é, nem nunca foi, pacífica. O método científico traça como ideal a abordagem objectiva, calculista e descritiva do universo natural, físico e material. O ‘método religioso’, se quisermos, é mais subjectivo, autoritário, dogmático, fomenta a crença no sobrenatural, na experiência individual e em observações, não necessariamente testadas, sobre o Universo.
Apesar de uma relação conflituosa, religião e ciência têm-se influenciado mutuamente. John Polkinghorne estabelece quatro tipos de interacção entre a ciência e a religião: Conflito, quando uma disciplina se imiscui nos assuntos da outra; Independência, tratamento diferenciado que uma faz da outra; Diálogo, que sugere que cada uma pode apresentar alternativas de solução para problemas da outra; Integração, numa tentativa de unificação dos pensamentos de ambas.
A propósito de Deus, o biólogo britânico Richard Dawkins revelou que a existência de Deus é uma ‘questão empírica’, sustentando que um “universo com um Deus seria completamente de um universo sem um Deus, e isto faria uma diferença científica”.
O paleontólogo americano Stephen Jay Gould apresentou o conceito de Non-Overlapping Magisteria (NOMA) para resolver as diferenças entre Deus e a ciência, que ele classificou como sendo uma “abençoadamente simples e inteiramente convencional resolução para o aparente conflito entre a ciência e a religião”.
Para Gould, questões relacionadas com o sobrenatural, tais como as relacionadas com a existência de Deus, não são empíricas e são, por isso, do domínio da teologia. O método científico deve ser usado para responder a quaisquer questão empírica sobre o Mundo natural, e a teologia deve-se debruçar sobre o significado da nossa existência e sobre os valores morais.
Ciência e religião não são doutrinas contraditórias. É perfeitamente possível acreditar em ambas ao mesmo tempo, pois ambas se debruçam sobre questões e matérias diferentes. Quando pretendemos obter respostas sobre o Mundo físico, devemos procurar as respostas na ciência; quando, pelo contrário, o objecto da nossa pesquisa é espiritual, então, sem receios nem temores devemos ir à procura da teologia.
Apresentar como argumento principal para refutar a existência de Deus a ausência de uma forma física, não é um argumento sério. A explicação da existência de Deus não tem de ser fornecida pela ciência porque, pura e simplesmente, não é uma matéria do seu domínio. Porque não? Porque é uma questão espiritual.
Não se trata pois de rejeitar a ciência. Ela existe e é extremamente útil ao homem, facilitando e melhorando a nossa vida no dia-a-dia. Não se pode é, porém esperar que ela resolva todos os nossos problemas. Alguns, teremos de ser nós a resolver por nós mesmos, não adiantando pendurar nos braços da ciência as nossas esperanças de clarificação.
Mas, tal como existe quem não acredita na teologia, há quem não concorde com efeitos da ciência. Aliás, um dos princípios do método científico é a rejeição de qualquer verdade absoluta, pois alguma coisa apenas é verdadeira enquanto não for refutada. Assim sendo, nenhum conhecimento possibilitado e oferecido pela ciência pode, sem dúvidas, ser aceita como definitivo. A sua realidade pode mudar, transformar a qualquer instante.
Mas, acreditar em Deus não pode obedecer a este critério – mais uma forma de ver que não se trata de uma disciplina científica. Não podemos acreditar hoje, e desacreditar amanhã. Ao que respeita a existência de uma força divina a teologia oferece-nos respostas concretas. Deus existe, e as provas para isso encontramo-las todos os dias. Deus criou a Vida.
O que é, então, a Vida? É a condição que opera a distinção entre organismos de objectos inorgânicos, sendo o metabolismo, a reprodução e a capacidade de adaptação a diferentes ambientes tudo atributos que diferenciam uns dos outros. E todas estas transfigurações são possibilitadas por Deus, pois ele está na origem de tudo.
E, quando a palavra ‘fé’ é usada para classificar a crença nessa realidade não é usada como escudo, nem como bunker. Simplesmente, como palavra de confiança. Existe uma segurança e firmeza na convicção de quem acredita em Deus, que ultrapassa em muito a fasquia da “fé cega”.
Aliás, a ‘fé em Deus’ não é diferente da ‘fé na ciência’. A natureza dessa fé, digo. Isso porque representa a crença numa situação com base em argumentos apresentados e discutidos.
Por tudo isto, tenho de apresentar a minha discórdia face a alguns dos vários pontos, e reflexões, levantadas pelo meu amigo coxo. Objectivamente falando, provar a existência de Deus não obedece aos mesmos critérios da demonstração da teoria da relatividade, pois esta obedece aos critérios de avaliação e exame científicos; enquanto que Deus, e a questão da sua existência, não podem ser discutidas pela ciência, pois não é uma questão empírica. É, antes, uma matéria de espírito. De reflexão.
Deus está em nós, ele vive connosco. Para o ‘vermos’ não precisamos que ele toque à campainha; basta que tenhamos noção daquilo que nos rodeia. Deus está lá.