Oh my God
Outubro 6, 2007
O sempre presente tema da existência, ou não, de Deus tem vindo a marcar cada vez mais a agenda da blogosfera. São cada vez mais os bloggers que discutem o que é Deus, se existe ou não e, a existir, que tipo de forma assumiria. Física? Espiritual?
Seria fácil remeter para esta questão uma resposta lacónica como esta: “Deus existe para quem acredita. Para quem não acredita, não existe.” Não concordo nem um pouco com essa visão.
Ora, acho que se alguma coisa existe devem haver provas que consubstanciem essa mesma existência. Não podemos cometer o erro, repetido ciclicamente ao longo da história do homem, de acreditar em algo sem quaisquer provas que o rectifiquem. Exactamente por isto, e pela Igreja Católica ter estado por detrás de alguns dos maiores engodos da nossa história, a existência de Deus é, cada vez mais, posta em causa.
O primeiro ponto a referir é que ‘Deus’, a Instituição Divina máxima, não é uma representação exclusiva da religião católica. De facto, católicos, judeus, muçulmanos (as religiões vindas de Abraão) e muitas outras acreditam todos na existência de um só Deus. Por isso, os argumentos para justificar a sua presença são repartidos por profetas e pensadores ligados a cada uma dessas correntes de fé.
Os muçulmanos acreditam na existência de um só Deus, Allah. No livro sagrado, Deus é referido como sendo “o único criador e Senhor de todo o Universo”. Os judeus acreditam que Deus representa o píncaro da natureza divina. Para os católicos, Deus é o ser absoluto, senhor do dom da omnisciência, omnipotência, omnipresença, bondade perfeita, simplicidade divina e uma existência eterna e necessária.
Mas, como provar que Deus existe? Milhões de crianças também acreditam no Pai Natal e no Coelho da Páscoa, mas nem por isso essas duas figuras usufruem de uma existências concreta e palpável. São meras ficções. Invenções comerciais.
Ao longo da história, vários teólogos e pensadores apresentaram diferentes concepções de Deus. Por tudo isto, não há um claro consenso em relação ao conceito de Deus. A maioria das abordagens apresenta a figura de Deus como um ser poderoso, com forma humana, sobrenatural, cujos desígnios nós não somos capazes de compreender.
Gosto mais da definição do filósofo Michel Henry, que apresenta uma visão fenomenológica de Deus: “Deus é Vida, ele é a essência da Vida, ou, se preferirmos, a essência da Vida é Deus. Dizendo isto já sabemos o que Deus é, e sabemo-lo não por via de um qualquer conhecimento adquirido, nem por pensamento no fundo do pano da verdade do Mundo; sabemo-lo e apenas podemos sabê-lo pela própria Vida. Apenas podemos sabê-lo em Deus.”
É de realçar que Vida aqui significa a absoluta “vida fenomenológica” que, como diz Henry, se caracteriza por ser uma vida imanente que possui o poder de se mostrar a si mesma sem ter de sair de si. Como argumenta o filósofo, “Deus é a Revelação pura que revela nada mais para além de si mesmo. Deus revela-se a si próprio. A Revelação de Deus é a sua própria revelação.” Portanto, Deus é a Revelação primária que deu origem à Vida. Como diz o profeta João, “Deus é Amor, porque a Vida ama-se a si própria num amor infinito e eterno”.
Logo, a nossa vida é uma consequência directa e continuada da Vida gerada por Deus, pois ele não cessa de nos dar vida. Significa isto que Deus criou-nos aquando da nossa concepção ou no princípio do Mundo, mas que ele nunca cessa de gerar Vida dentro de nós, e que ele está continuamente presente nas nossas acções e comportamentos do dia-a-dia. Por mais subjectivo que esse comportamento ou pensamento seja, Ele está lá.
Deus existe porque é a essência de tudo, é o criador da Vida e enquanto existir vida, existe a noção exacta de que existe Deus, pois ele é o responsável por essa mesma Vida. A este respeito, recentemente surgiu uma corrente de pensamento, intelligent design, que suporta esta ideia, sublinhando que “certas características do Universo e dos seres vivos são melhor explicadas por uma causa inteligente, não um processo acidental de selecção natural”.
A melhor explicação para a existência de Deus não é dogmática, nem autoritária. É, pelo contrário, bastante racional e lógica: Se aceitarmos o facto de que a Vida existe, então reconhecemos que ela é o produto de desenho ou desígnio de uma entidade superior que traçou as regras e dirigiu os acontecimentos. Esse ‘arquitecto’ responsável pela criação e construção do Universo é Deus.