In Barack the Post trusts

Janeiro 31, 2008

O New York Post, um dos jornais mais reconhecidos dos EUA, declarou publicamente o seu apoio a Barack Obama, o senador do Ilinois que se encontra na corrida pela nomeação Democrata para as Presidenciais de Novembro.

Sustentando que o voto em Hillary é o regresso à co-presidência exercida durante 8 anos por ela e pelo marido, um período marcado pelo “oportunismo, escândalo e pelo assassínio de valores morais” umbilicalmente ligados à história americana.

Aproveitando para dizer que Barack não é perfeito, admitindo a inexperiência e falta de juízo militar como principais debilidades, sublinham que pelo menos não faz parte da “Team Clinton” e que seria uma lufada de ar fresco na vida política e pública dos EUA.

O Post também refere que Barack é um político que pode, que consegue inspirar as pessoas e dar-lhes confiança. Por outro lado, Hillary é demasiado fria e calculista para criar empatia com o povo americano, para o liderar para enfrentar as adversidades do futuro – a recessão está aí à porta.

Não querendo voltar ao tema do apoio público dado por um jornal a um político, parece que Barack vai ganhando o apoio de círculos importantes dentro do partido. Depois do apoio declarado de Ted Kennedy – que chegou a comparar o ímpeto de Obama ao do seu irmão John – chega agora o consentimento de um dos jornais mais liberais do país.

Hillary parece pagar caro a sua ligação à política industrial, pelo menos na ala mais liberal do partido. Se essa questão terá impacto nas urnas, teremos de esperar para ver o que se passa terça-feira, o Super dia das primárias americanas, o dia em que metade dos estados escolhe os seus representantes.

Para já, ela parte na frente mas Obama tem vindo a recolher apoios interessantes e que, até certa extensão, se poderão revelar determinantes. Agora está nas mãos dos delegados do partido.

E quem fala assim…

Janeiro 29, 2008

“[Os comunistas portugueses] Em vez de se prepararem para as grandes batalhas que aí vêm, sindicais e políticas (…), metem a cabeça na areia, como a avestruz, recusam-se a ver as novas realidades do mundo de hoje, em plena transformação e, em lugar de relerem Marx, com os olhos críticos de hoje e terem em conta a tão valiosa experiência adquirida, desde então, continuam apegados à cartilha stalinista e metem-se no bunker, prontos a morrer na sua, com os olhos vendados ao futuro. É lamentável!”
 

Mário Soares, “Diário de Notícias”, 29-1-2008

Never forget, Never forgive

Janeiro 28, 2008

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De gritos. Bom, demasiado bom.

160735oh71.jpgNão se sabe se foi acidente ou suicídio. O facto é que Heath Ledger, actor australiano de 28 anos, foi encontrado morto no seu quarto num apartamento em Manhattan com uma mistura de comprimidos, uns prescritos, outros nem por isso, a seu lado, enquanto o seu corpo jazia nu e sem vida no chão.

Ledger tinha tudo para se vir a tornar num actor de sucesso e qualidade. Deixa-nos para sempre a figura do Cowboy homossexual em “Brokeback Mountain”, papel que o trouxe para a ribalta e que lhe concedeu uma nomeação para os Óscares.

Outrora comparado a Marlon Brando, pela intensidade do olhar e pela vida que entregava às suas personagens, Ledger rodou este ano “The Dark Knight”, o próximo Batman, no qual interpreta Joker, papel confiado a Jack Nicholson na última vez que o arqui-rival do homem de negro foi representado no cinema. Quando o filme estrear, estaremos perante a última aparição cinematográfica de Heath Ledger.

Não tanto pelo que foi, mas por aquilo que poderia ter sido, Heath Ledger deixa uma profunda mágoa e tristeza no universo artístico e cinematográfico, uma sensação de perda de um jovem com um potencial ilimitado – vem-me à cabeça River Phoenix – que agora nunca veremos confirmado.

oscars-732859.jpgFoi na última madrugada que a Academia divulgou os nomeados para a 80ª edição dos Óscares, cerimónia anual que premeia aqueles que se distinguiram ao longo do ano no cinema.

Porém, este ano, e um pouco em linha com o que se sucedeu nos Globos de Ouro, fala-se mais da possibilidade de cancelamento da cerimónia do que propriamente dos nomeados. Apesar de estar ao lado dos escritores grevistas, não posso deixar de manifestar o meu pesar se, por sua obra, este ano não houver cerimónia.

E, atenção, não é que eu preste muita atenção à coisa. Sinceramente, acho quase impossível olhar para a carreira de alguns actores e realizadores e ver que nunca foram premiados ou, nalguns casos, nomeados. Custa-me ver que Pacino nunca foi reconhecido enquanto Michael Corleone, ou que Scorsese não ganhou por “Taxi Driver” ou “Raging Bull”. São coisas que me incomodam.

Mas, lá vou achando sempre alguma piada à festa – então com a apresentação de Jon Stewart – e acreditando que os vencedores são escolhidos pelas melhores razões, isto é, pelo facto de o júri realmente achar que a sua prestação foi exemplar e não por qualquer motivo político. Se assim for, não deixa de ser uma boa publicidade à actividade.

Deixando, por isso mesmo, a politiquice de fora, avancemos pelas nomeações de onde destaco, com muita surpresa, “Juno”de Jason Reitman que se encontra nomeado nas categorias de Melhor Filme do Ano e cujo realizador está nomeado na categoria de Melhor Realizador do Ano. Também a jovem Ellen Page figura entre as nomeadas para melhor Actriz e o argumento está inscrito na categoria de Melhor Argumento Original.

Dou conta do meu espanto pois, aparentemente, trata-se de um filme extremamente leve sobre uma adolescente que engravida de um rapaz particularmente estranho e que lida com a perspectiva de entregar a criança para adopção. Apesar desta sinopse poder parecer “crua”, o facto é que o filme faz da comédia e da ligeireza a sua força e canal de transmissão da sua mensagem tendo, talvez por isso, conquistado a Academia e os festivais de Toronto e Telluride.

Porém, o vencedor das nomeações, espécie de campeão de pré-época, é “No Country For Old Men”, o alucinante filme dos irmãos Coen, que se encontram nomeados para “Melhor Realizador”. Talvez por já ter sido pensada a sua nomeção por “In the Valley of Elah”, o veterano Tommy Lee Jones não viu a sua prestação no épico nomeada na categoria de Melhor Actor Principal – lembra-se de DiCaprio o ano passado? – mas Javier Bardem integra a lista de candidatos à estatueta de “Melhor Actor Secundário”, onde terá como adversários Casey Affleck, Philip Seymour Hoffman, Hal Holbrook e Tom Wilkinson.

O filme consta ainda nas nomeações em categorias mais técnicas, incluindo edição e som, assim como também se encontra na corrida ao galardão de “Melhor Filme do Ano”.

“There Will be Blood” “Michael Clayton”, “Atonement” e “3:10 to Yuma” também coleccionam várias nomeações nas categorias técnicas, encontrando-se os três primeiros ainda na lista para Melhor Filme do Ano.

Johnny Depp não surpreende ninguém com a sua presença entre os elegíveis para “Melhor Actor Principal” pelo seu papel em “Sweeney Todd”, mas terá como adversários George Clooney (“Michael Clayton”), Daniel Day-Lewis (There Will Be Blood”), VIggo Mortensen (agradável surpresa e reconhecimento por algumas representações passadas, pelo seu papel de mafioso russo em “Eastern Promises”) e o já referido Tommy Lee Jones.

Nas senhoras, destaca-se Cate Blanchett que, tal como nos Globos de Ouro, volta a estar presente enquanto Melhor Actriz Principal, em “Elizabeth”, e na categoria de Melhor Actriz Secundária pelo seu desempenho enquanto Bob Dylan, em “I’m not There”.

Para além de Blanchett e Ellen Page, Julie Christie (Away from Her), Marion Cotillard (La Vie en Rose) e Laura Linney (The Savages) completam a lista de nomeadas para Melhor Actriz do Ano.

Triste fiquei pela ausência de Tim Burton e de Helena Bonham-Carter da lista de nomeados por Sweeney Todd, assim como pela ausência de “3:10 to Yuma” das categorias da representação e realização. Não deixa também de ser interessante o desinteresse com que a Academia recebeu filmes como “American Gangster” e Charlie Wilson’s War, repletos de actores e realizadores consagrados mas que não fizeram os mínimos para estarem presentes na grande noite dos Óscares.

A cerimónia está prevista para dia 24. Até lá, vamos ter de esperar e lançar hipóteses. Quando acabar de ver todos os principais filmes do ano – faltam-me Sweeney Todd e No Country for Old Men – farei o mesmo.

Para já, a lista dos nomeados nas principais categorias.

  • Melhor Filme:

Atonement
Juno
Michael Clayton
No Country for Old Men
There Will Be Blood

  • Melhor Realizador

Julian Schnabel – The Diving Bell and the Butterfly
Jason Reitman – Juno
Tony Gilroy – Michael Clayton
Joel Coen and Ethan Coen – No Country For Old Men
Paul Thomas Anderson – There Will be Blood

  • Melhor Actor Principal

George Clooney – Michael Clayton
Daniel Day-Lewis – There Will Be Blood
Johnny Depp – Sweeney Todd The Demon Barber of Fleet Street
Tommy Lee Jones – In the Valley of Elah
Viggo Mortensen – Eastern Promises

  • Melhor Actriz Principal

Cate Blanchett – Elizabeth
Julie Christie – Away From Her
Marion Cotillard –La Vie en Rose
Laura Linney – The Savages
Ellen Page – Juno

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Lamentavelmente Científico

Janeiro 17, 2008

O Papa desistiu da ideia de ir à Universidade Sapienza em Roma.  Essencialmente, porque não quis correr o risco de colocar em perigo os habitantes da cidade.

A onda de contestação à visita papal teve início em 67 professores que se opuseram à vinda de Bento XVI por dois motivos essenciais: a condenação, pela Inquisição, de Galileu em 1633 e as visões do próprio Ratzinger sobre a ciência.

Em primeiro lugar, rejeitar a vinda de Bento XVI por algo que aconteceu no séc. XVII seria equivalente a nenhum estado receber a Ângela por ser do país do Adolf. São coisas do passado, e têm de ser esquecidas para que seja possível avançar. Não é justo que os alemães de hoje paguem pelo que os de ontem fizeram. Da mesma forma que não é justo que Bento XVI, ou qualquer outro chefe religioso, seja julgado por algo que estave fora do seu controle.

Em segundo, é perfeitamente normal que o Papa defenda que a ciência deve progredir debaixo da filosofia cristã. Se o homem dissesse o contrário, provavelmente em vez de Papa era companheiro de Tom Cruise na Cientologia. Qualquer pessoa tem o direito a ter a sua opinião acerca do que quer que seja sem ser perseguida por isso. Ratzinger, como homem de fé, tem uma visão da ciência que choca com a de alguns professores. Aceitem-se, então, as diferenças e discutam-se as mesmas. Uma Universidade não deveria servir para isso?

A vida em democracia e na sociedade judaico-cristã leva-nos a acolher valores como a tolerância e a liberdade de expressão. Mas, de facto, damos uma rédea muito curta aos outros quando eles apelam a qualquer uma delas.

Esta situação do Papa é, ao fim e ao cabo, um resultado de falta de bom senso e de respeito. Alguém ainda acredita que a Terra é plana? Alguém acha que queimar pessoas é uma forma correcta de castigar prevaricadores? Ninguém. Que mal iria fazer o Papa à universidade? Nenhum Provavelmente dar um discurso em que apela ao estudo dos meninos e não à reza na altura dos exames.

Ahmadinejad quando foi aos EUA não só foi recebido como, atenção, foi convidado de honra na Universidade de Columbia onde, entre outras coisas, assegurou que no Irão não existem homossexuais. Mesmo assim, o senhor foi recebido e tolerado, tendo os professores preferido uma discussão ideológica com o patrão de Teerão do que uma manifestação populista.

Então, de que lado do Atlântico é que estão os “tolerantes”?

Arrepios Floydianos

Janeiro 17, 2008

 Não é a mesma coisa que ouvir os floyd four. Não, não é. Mas anda lá perto e enquanto não pára de chover, só me resta ficar em casa e ouvir, ouvir, ouvir…

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“No, nothing else matters”. Está confirmadíssimo: a 5 de Junho os Metallica vão encabeçar o festival “Rock in Rio 2008” no Parque da Bela Vista, em Lisboa.

Esta será a segunda vez que o quarteto de São Francisco participa no festival de Roberto Medina e a terceira vez que toca na capital portuguesa desde 2004.

E desta, tal como nas outras, quero lá estar a entoar os hinos do grupo em uníssono com os milhares de fãs que irão estar em peregrinação na Bela Vista.

O Irão é que é mau

Janeiro 13, 2008

Qual profeta, George W. Bush anda em digressão pelo Médio Oriente a fazer propaganda aos valores da democracia. Em discurso directo nos Emirados Árabes Unidos, um dos países menos democráticos do Mundo, Bush relançou a sua cruzada contra os infiéis iranianos, classificando a nação como “o patrocinador oficial do Terror no Mundo”.

Entre os pecados iranianos podemos ver que financiam extremistas, que ameaçam a paz no Líbano, vendem armas aos Talibãs, intimida os seus vizinhos com um discurso ameaçador, desafia as Nações Unidas e desestabiliza toda a região ao recusar abrir as portas do seu programa nuclear.

Numa anormal demonstração de tacto político, Bush lá deu conta de que os EUA não podem compactuar com governos que prendem adversários políticos ou, pior do que isso, que os assassinem. No entanto, em nenhum momento ele fez questão de referir qual a nação – Paquistão – ou movimento – Hamas – em causa.

E é aqui que voltamos aos Emirados, essa bela nação em uma minoria governa o resto, em que uns vivem na opulência e maioria na pobreza, onde os imigrantes não têm direitos e onde se recrutam trabalhadores em países como o Sri Lanka para os explorarem em favor dos mais poderosos.

E Bush lá estava, no palácio dourado do Emir a dizer coisas de democracia. O Mundo a ouvir mas a fazer de conta que não está a ouvir. Como quando disse que quer deixar a paz no Médio Oriente antes de deixar a Casa Branca. Ouvimos, acenámos com a cabeça e fomos ver o jogo do Benfica.

Bush deixará a Sala Oval em Janeiro do próximo ano – as eleições são “já” em Novembro. Não vai deixar saudades, como se pode ver pelo ávido interesse com que se discutem as primárias deste ano. Porém, vai deixar uma marca na história do país e do Mundo como o Presidente cowboy que meteu o país no Iraque sem uma estratégia para o tirar de lá, como o Presidente que encaminhou o país rumo à recessão, como o Presidente que congelou as reformas na educação e como o Presidente que ignorou os problemas do sistema de saúde americano.

Mas não se preocupem muito com isso, porque ele também não. O que interessa é dizer que o Irão é que é mau e que é preciso derrubar o governo. O filme chama-se “Charlie Wilson’s War”, mas quando fizerem adaptação da presidência de Bush a cinema, sem problemas que o título “Little Georgie’s War” assenta que nem uma luva.