Péssima gestão
Janeiro 8, 2008

Fiquei abismado quando soube que Luisão e Katsouranis tinham andado aos arrufos durante o último jogo do Benfica. Pior do que perder dois pontos na corrida pelo título – ou ganhar um no campeonato da Segunda Circular – foi ver dois dos jogadores mais experientes do grupo a resolverem as suas diferenças, em público, à pancada.
Por tudo isso, naturalmente, acolhi como acertada – e única – a decisão do presidente do maior clube do Mundo em suspender preventivamente os dois jogadores e exclui-los da convocatória e dos treinos até o inquérito disciplinar estar pronto. Aliás, em consonância com aquilo que está previsto no Regulamento Interno.
Ora, qual não foi o meu espanto quando hoje, durante a minha revista da imprensa nacional, li que Luisão havia sido “perdoado” e que o único “culpado” era Katsouranis – à bom jornalista, cito as minhas fontes pois os termos entre aspas são do Record.
Em situações como estas não há mais, nem menos culpados ou inocentes. Quando dois profissionais, pagos a peso de ouro, têm comportamentos amadores têm de ser punidos por isso. Luisão, na hora do incidente, não se ficou e também agrediu Katsouranis que se dirigiu ao brasileiro depois de ter sido insultado – pelo menos, já percebe algum português. Aquilo que vai acontecer a Katso deveria ser também aplicado a Luisão, um dos jogadores em maior sub-rendimento esta temporada, e são já alguns.
Um plantel de uma equipa desportiva tem de ter força e união. Quando os indivíduos mais directamente relacionados com o mesmo não o conseguem fazer, capitães e treinadores, tem de ser a direcção, nas pessoas do Presidente ou Director para o futebol, a garantir a solidez e harmonia do balneário. Quando campeão em 2005, uma das maiores virtudes do Benfica de Trapattoni era a força do balneário. A união de todos que fez a força e deu o título.
Hoje, sente-se que esse mesmo sentimento está adormecido. O balneário está demasiado exposto. O presidente critica o capitão em público, exigindo um pedido de desculpas. Cumpriu-o o jogador? Não. Foi punido? Não. Então, para quê a fantochada em público? Apenas denegriu a imagem das três entidades em causa: clube, presidente e jogador.
O futebol do Benfica precisa, desesperadamente, que Luís Filipe Vieira volte para a administração do clube e que deixe o futebol em mãos mais sabedoras; nas mãos de um director que conheça o mercado e que saiba onde encontrar activos para rentabilizar, que consiga blindar e proteger o balneário do clube e que promova a liderança entre os jogadores. Forçosamente, é necessário que haja um grupo de jogadores, capitães, que promova essa união dentro do balneário.
Liedson referiu que Alvalade era um quartel-general. Paulo Bento disse que ao menos não era uma anarquia. Enganou-se, pois quando um jogador tem tiradas públicas como essa, está a desproteger grupo e clube e é um exemplo de individualismo e anarquia.
Aquilo de que os balneários precisam é de união e liderança. Chamem-lhe um quartel-general, chamem-lhe chefia. Não me interessa. Num grupo de jogadores profissionais, de diferentes raças e credos, é importante manter o respeito e a disciplina. Se os atletas não o conseguem fazer por si próprios, muitos não têm educação para perceber essa realidade, então alguém tem de a impor por eles. Quer sejam jogadores mais experientes, treinadores ou dirigentes. Alguém tem de mandar.
E, se eu mandasse, Luisão e Katsouranis seriam severamente punidos e multados de forma condizente com a gravidade do acto e da importância que têm no plantel. Com jogadores que se querem modelos para os mais jovens, comportamentos desses não podem ser aceites e devem ser punidos em função dessa mesma seriedade e do peso que têm, os atletas, na instituição.
PS: É verdade. A foto é do Record.