Lamentavelmente Científico

Janeiro 17, 2008

O Papa desistiu da ideia de ir à Universidade Sapienza em Roma.  Essencialmente, porque não quis correr o risco de colocar em perigo os habitantes da cidade.

A onda de contestação à visita papal teve início em 67 professores que se opuseram à vinda de Bento XVI por dois motivos essenciais: a condenação, pela Inquisição, de Galileu em 1633 e as visões do próprio Ratzinger sobre a ciência.

Em primeiro lugar, rejeitar a vinda de Bento XVI por algo que aconteceu no séc. XVII seria equivalente a nenhum estado receber a Ângela por ser do país do Adolf. São coisas do passado, e têm de ser esquecidas para que seja possível avançar. Não é justo que os alemães de hoje paguem pelo que os de ontem fizeram. Da mesma forma que não é justo que Bento XVI, ou qualquer outro chefe religioso, seja julgado por algo que estave fora do seu controle.

Em segundo, é perfeitamente normal que o Papa defenda que a ciência deve progredir debaixo da filosofia cristã. Se o homem dissesse o contrário, provavelmente em vez de Papa era companheiro de Tom Cruise na Cientologia. Qualquer pessoa tem o direito a ter a sua opinião acerca do que quer que seja sem ser perseguida por isso. Ratzinger, como homem de fé, tem uma visão da ciência que choca com a de alguns professores. Aceitem-se, então, as diferenças e discutam-se as mesmas. Uma Universidade não deveria servir para isso?

A vida em democracia e na sociedade judaico-cristã leva-nos a acolher valores como a tolerância e a liberdade de expressão. Mas, de facto, damos uma rédea muito curta aos outros quando eles apelam a qualquer uma delas.

Esta situação do Papa é, ao fim e ao cabo, um resultado de falta de bom senso e de respeito. Alguém ainda acredita que a Terra é plana? Alguém acha que queimar pessoas é uma forma correcta de castigar prevaricadores? Ninguém. Que mal iria fazer o Papa à universidade? Nenhum Provavelmente dar um discurso em que apela ao estudo dos meninos e não à reza na altura dos exames.

Ahmadinejad quando foi aos EUA não só foi recebido como, atenção, foi convidado de honra na Universidade de Columbia onde, entre outras coisas, assegurou que no Irão não existem homossexuais. Mesmo assim, o senhor foi recebido e tolerado, tendo os professores preferido uma discussão ideológica com o patrão de Teerão do que uma manifestação populista.

Então, de que lado do Atlântico é que estão os “tolerantes”?

Arrepios Floydianos

Janeiro 17, 2008

 Não é a mesma coisa que ouvir os floyd four. Não, não é. Mas anda lá perto e enquanto não pára de chover, só me resta ficar em casa e ouvir, ouvir, ouvir…