Derby à moda do Minho
Fevereiro 29, 2008
Expliquem-me isto como se fosse um miúdo de 10 anos
Fevereiro 27, 2008
Ok. Vamos ao exercício: O João tem 10 anos. O seu pai quer-lhe ensinar os valores de um estado de direito. Uma bela manhã, em viagem de casa para a escola, o pai do João começa a falar ao filho de respeito pela justiça.
Diz o pai do João ao João que num estado democrático todos têm a sua liberdade de acção e pensamento. Mas, avisa o pai, não podemos com essas nossas acções ou pensamentos prejudicar terceiros, quer seja essa a nossa intenção ou não.
O João a princípio fica algo baralhado e pergunta ao pai se caso isso aconteça, isto é, na eventualidade de alguém fazer mal a outro, como é que se resolve a questão em seguida? O pai do João explica ao filho que é a constituição, o livro que contém todas as leis do país, que serve de guia para os juízes – os senhores que garantem a aplicação da lei – saberem quais as regras de comportamento social aceites e, ao mesmo tempo, quais as infracções e as punições devidas em função da violação cometida. Ou seja, a constituição é o manual com as instruções para o jogo da vida social e quem violar as regras é castigado em concordância com o crime cometido.
O filho começa a perceber. Então, se alguém não cumpre a lei, e a lei existe para proteger os cidadãos, esse alguém te de ser punido pela justiça. O pai do João fica contente pela esperteza do filho, respondendo ainda que todos têm de cumprir a lei, pois ninguém está acima dela. “Nem o Presidente?” Não, nem o presidente, responde o pai do João. E, sublinha o pai, é essa a beleza da vida em democracia: somos todos iguais.
Mas não é que quando saem do carro para comprar o jornal para o pai do João, que o petiz lê o seguinte na capa do Público: “Não há providências cautelares que possam interromper o processo de avaliação dos professores”.
“Papá, estou confuso. Então não disseste que a lei era para ser cumprida por todos? Então, as ministras da educação não têm de respeitar a lei?”
Pois, está confuso o João e estamos todos nós. Pelo menos eu estou.
No Country for Old Men
Fevereiro 25, 2008
Como já se havia previsto, o filme dos irmãos Coen foi mesmo o grande vencedor da noite, arrecadando a estatueta referente a melhor Filme, tendo Joel e Ethan levantado o galardão para melhor realizador (es). O filme é muito bom e para aqueles que ainda não o viram deixo uma dica: Muita, mas mesmo muita, atenção aos monólogos e aos diálogos de Tommy Lee Jones. Pode-se mesmo dizer que é nesses momentos, principalmente no monólogo final, que se encontra a chave do filme.
And the Oscar goes to…
Fevereiro 25, 2008
A horas do início da cerimónia, deixo aqui as minhas previsões para a cerimónia dos Oscars, nesta que é a noite mais longa do ano para os cinéfilos portugueses.
Melhor Filme do Ano:
• No Country for Old Men
Melhor Realizador:
• Joel Coen and Ethan Coen (No Country for Old Men)
Melhor Actor Principal:
• Daniel Day-Lewis (There will be blood)
Melhor Actriz Principal:
• Marion Cotillard –La Vie en Rose
Melhor Actor Secundário
• Javier Bardem (No Country for Old Men)
Melhor Actriz Secundária
• Cate Blanchett (I’m not There)
Já o outro dizia que prognósticos só no fim, mas estas são as minhas previsões para a atribuição dos prémios da Academia. A ver vamos quais são as que se vão tornar realidade.
Diz-me algo que eu não saiba
Fevereiro 22, 2008
A Sedes alerta: Portugal está a passar por “um mal-estar difuso”. As razões para tal conclusão são claras: degradação da confiança no sistema político, sinais de crise nos valores, comunicação social e justiça, criminalidade, insegurança e os exageros cometidos pelo Estado.
Ao longo do documento apresentado pela Associação, pode-se ler que se verifica uma contínua “degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários”. Ora, o eventual falhanço das relações entre eleitores e regime político traduzir-se-á num “vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas”.
Quais as soluções apresentadas pela Sedes para resolver este problema de confiança entre população e classe política? Essencialmente, os partidos políticos terão de “ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade; e não devem ser um objectivo em si mesmos”.
A Sedes argumenta ainda sobre a influência, muitas vezes nefasta, dos meios de comunicação social na sociedade e a promiscuidade da sua relação com a justiça, salientando que a “combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz” contribui para a “degradação da qualidade da vida política”.
Em consequência dessa confusão encontrada pela Sedes, aparece sustentada a ideia de que esse carácter especulativo da comunicação social “alimenta um estado de suspeição generalizada. Sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a”.
E o relatório do grupo continua, continua, continua… lançando farpas ao Estado, à justiça e administração interna. Porém, após a leitura do documento faço apenas uma pergunta: O que diz a Sedes de novo? Na realidade, aquilo que a Sedes fez foi passar para um documento formal o produto de uma observação da sociedade que qualquer um pode fazer – e que quase todos fazem. Nenhuma destas conclusões é transcendental e muito menos extraordinária.
De facto, aquilo que apetece perguntar é quando é que se vai deixar de constatar o óbvio e começar a resolver os problemas identificados pela Sedes e por todos os portugueses, ou pelo menos por aqueles que não foram cegados pela poeira lançada nos últimos dias pela maioria rosa?
Hasta Siempre
Fevereiro 21, 2008
Quando em 1959 Fidel Castro liderou uma revolução armada contra o governo de Fulgencio Batista, poucos acreditavam que o recém-criado estado comunista resistiria muito tempo. Para mais, com a conhecida oposição dos EUA ao comunismo.
Aliás, em plena guerra-fria, os EUA foram sempre claros na sua relação com Cuba: não existiria qualquer tipo de contacto enquanto o estado fosse governado por Fidel e companhia. A associação da ilha à URSS era entendida como perigosa, e incidentes internacionais, como a Baía dos Porcos e a Crise dos Mísseis, foram-se sucedendo, comprovando a frieza das relações entre americanos e cubanos no período pós-revolucionário.
O líder cubano resistiu a muitas adversidades. O embargo americano e a crise económica verificada após a queda da União Soviética foram testes aos quais Fidel teve de se submeter. Através da legalização do dólar americano e da abertura do país ao turismo conseguiu evitar males piores, não obstante o fecho a ritmo continuado de fábricas um pouco por todo o país. Aliás, para fazer face à crise petrolífera, aceitou trocar médicos por petróleo com a Venezuela.
Fidel governou Cuba com longos discursos e mão-de-ferro até ao dia 31 de Julho de 2006, momento em que delegou no seu irmão os poderes de Presidente do Conselho de Estado, enquanto recuperava de uma operação aos intestinos. Desde então, diversos rumores têm circulado acerca da sua saúde. De facto, até antes da sua operação a CIA circulou deixou fugir a ideia de que Castro sofreria de Parkinson. O histórico líder cubano negou totalmente o boato.
Apesar de ter aparecido a espaços na televisão, e de Hugo Chávez insistir vezes sem conta que Fidel estava quase de volta, o facto é que Fidel Castro anunciou esta semana a sua retirada da vida pública. “Não aspirarei nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e de Comandante Supremo” escreveu em carta dirigida à Assembleia Nacional.
Castro não fugirá à associação à morte de milhares de oponentes ao seu regime que foram assassinados e aprisionados durante a primeira sua primeira década no poder. Foram também criadas sob sua supervisão as Unidades Militares de Auxílio à Produção, ou seja, campos de trabalhos forçados onde se confinaram os desalinhados sociais, homossexuais e até testemunhas de Jeová com o objectivo de lhes eliminar as influências contra-revolucionárias.
O professor Marifeli Pérez Stable, um antigo apoiante de Castro, revelou que diariamente tinham lugar “milhares de execuções” chegando a colocar a hipótese da existência de crimes contra a humanidade praticados pelo estado cubano. Estes campos foram mantidos de 1965 até 1967, altura em que foram encerrados devido à pressão internacional.
Seja como for, Fidel Castro é ainda hoje uma personalidade controversa, amada por uns e odiada por outros. A sua marca no Mundo será, muito provavelmente, a de ditador e assassino, de opressor de liberdades e de diversidade política. Porém, será também sempre uma figura de resistência à força irresistível dos EUA, aquele que não cedeu e a quem não se conseguiu forçar que aceitasse a americanização do seu país.
Herói para uns, déspota para a maioria, Castro afasta-se da ribalta numa altura em que Cuba mantém-se longe dos EUA. Mas, e agora? Será que Castro vai viver para ver uma aproximação entre Cuba e os EUA, entre o socialismo revolucionário e o capitalismo?
Chegou-se a defender que caso os EUA levantasse o embargo a Cuba, o regime cairia em menos de três meses. Pois bem, agora que Fidel saiu da jogada, e o seu irmão é um líder de papelão, qual será a posição americana perante Cuba? A próxima jogada pertence a Obama ou a McCain, pois Bush está fora-de-jogo há muito tempo – às vezes pergunto-me se chegou a equipar-se, mas isso são coisas para outro post.
Crónicas de Madchester
Fevereiro 17, 2008
Quase sem dar por ela, passaram-se cinco meses. De Setembro até Fevereiro, com uma ligeira interrupção em Dezembro, foram cinco meses em Manchester, foram cinco meses de Erasmus. Foram mesmo cinco meses.
Apesar de ter há muito decidido fazer Erasmus em Manchester não sabia com o que podia contar. A minha experiência por terras de Sua Majestade ficava-se por uns dias em Londres, há muito, muito tempo. O que viria agora? Como seria Manchester? Ir-me-ia conseguir adaptar à cidade e às pessoas? Eram dúvidas que eu tinha, questões que levantava a mim mesmo.
Cinco meses depois, só posso dizer que foi um sucesso. Não sendo uma cidade particularmente espectacular, Manchester é muito grande e oferece uma multiplicidade de opções àqueles que por cá passam. É a cidade universitária de Inglaterra e talvez por isso tenha tanta variedade de diversões, quer diurnas, quer nocturnas.
Arranjei habitação no bairro mais barato da cidade. Talvez por isso, fosse também o mais degradado e aquele por onde a polícia patrulha mais vezes. De maioria muçulmana, não deixaram de me surpreender e chocar alguns rituais que os fiéis de Maomé continuam a observar, mesmo estando bem longe de Meca.
Ter aulas com muçulmanos que não haviam comido nada o dia inteiro por altura do Ramadão, ou falar com alguém em plena sala-de-aula a quem só vemos os olhos foram experiências estranhas e que ajudaram a comprovar que só um país verdadeiramente tolerante do plano religioso é que aceita que cada indivíduo ostente os sinais da sua crença sem ser perseguido ou importunado por isso.
Na verdade, a minha experiência com a comunidade muçulmana era muito reduzida até chegar aqui. Cinco meses volvidos, e algumas amizades depois, não posso deixar de continuar a achar estranho que uma rapariga da minha idade aceite o facto de que vale menos do que eu, que terá um casamento arranjado pelos pais e que, provavelmente, irá servir o marido e os filhos toda a sua vida. A frieza e naturalidade com que tudo isto é observado não cessaram de me chocar.
O que também me chocou foi a ignorância que caracteriza grande parte dos ingleses. Diria mesmo que o inglês comum vive num perfeito desconhecimento acerca daquilo que passa para além da ilha britânica. Se é o seu carácter insular, ou o seu orgulho imperial, o facto é que aquilo que se passa para além do Reino não é aos seus olhos significativo.
Questões importantes como a União Europeia e o papel do país nessa organização não são debatidos e políticos com responsabilidades não perdem a oportunidade para vir a público e pedir a saída da União. Claro que enquanto for positivo para Londres a permanência na UE essas declarações não terão grande consequência.
Mas, a indiferença geral com que os ingleses olham para o “continente” (é assim que se referem à Europa) assim como a sua posição, por exemplo, perante o euro – deixar a libra seria um acto de subjugação perante o federalismo europeu, defendem – não deixam de causar espanto numa nação que é das mais poderosas da Europa.
Diferentes são os outros ingleses. Aqueles que não fazem parte do grupo do inglês médio. O meu contacto com os docentes da MMU levou-me a ter conversas interessantes sobre a posição da Inglaterra na Europa, assim como me forneceram instruções para interpretar algumas das atitudes assumidas pelos britânicos. Para além disso, eram os únicos que sabiam que foi Vasco da Gama quem chegou à Índia.
Em termos académicos a experiência foi enriquecedora, não tanto pelos conteúdos aprendidos, mas pela interacção com uma outra realidade educativa. A forma como alunos e docentes abordam as aulas é diferente, desenrolando-se as mesmas numa atmosfera muito mais informal. Tive aulas com professores vestidos com calças de motociclismo, fato-de-treino, sapatilhas All-Star e calças de ganga rotas. Apesar deste aspecto mais casual, todo o ano escolar é planeado ao milímetro e os serviços administrativos funcionam que nem relógios suíços.
Porém, ao nível dos conteúdos não se acrescenta nada de particularmente genial. As cadeiras que requerem maior cultura geral abordam as questões políticas e diplomáticas de uma forma muito ligeira, assim como os próprios exercícios propostos pelos docentes não são exageradamente complicados.
Mas, quem vem de Erasmus para estudar? Pouca gente. Aquilo que vale mesmo a pena aproveitar é a possibilidade de estabelecer contactos e laços de amizade com pessoas de outros países, de outras realidades.
Isto para não falar na natural proximidade e união que se desenvolve entre os estudantes Erasmus. Estar tão longe de casa tem momentos complicados, momentos mais difíceis e o facto é que estar próximo de pessoas que estão a passar pelo mesmo que nós alivia essa mágoa natural.
Claro está que os laços de amizade entre aqueles que estão de Erasmus têm um carácter muito forte, pois é para eles que nos viramos quando temos dificuldades, quando precisamos de um ombro amigo. São amizades que perduram no tempo. E ter amigos na Grécia, Itália ou Suécia ajuda na altura da planificação das férias.
E, no somatório de tudo isto, olhamos para nós, cinco meses mais velhos, e vemos que, de certa maneira, estamos mais crescidos. Mais independentes e autónomos, que viemos para uma realidade totalmente desconhecida e que, com maior ou menor dificuldade, nos safamos, que ludibriamos os obstáculos e que, por entre noitadas e copos, conseguimos retirar verdadeiras lições de toda esta experiência única, irrepetível e inesquecível.
Não me poderia esquecer de mencionar a música. Manchester será, provavelmente, a cidade musicalmente mais democrata do Mundo. Há discotecas “tradicionais”, com uma ênfase especial na música electrónica, mas também há casas de diversão nocturna que dedicam as suas colunas a sons mais latinos ou pop. E, claro, o rock nunca desaparece da cidade. A casa de Oasis, The Smiths, Joy Division e Roy Harper (entre tantos outros) nunca diz não a uma boa noite de guitarras, bateria e teclados.
Existe um culto da música que qualquer apreciador não pode deixar de reconhecer. As saudades que vou ter das noites de segunda e terça no “Matt and Phreds”, um clube de Jazz no coração da cidade que oferecia música ao vivo todas as noites.
“Vai que é para aprenderes” é o slogan Erasmus. De facto, fui e aprendi. Aprendi muita coisa, vi muita coisa, experimentei muita coisa e tudo isso serviu para me enriquecer enquanto cidadão deste Mundo cada vez mais pequeno e cada vez mais próximo e ao nosso alcance.
Manchester não tem o brilho de Paris, o sol de Barcelona nem a história de Atenas. Mas tem outras coisas a oferecer a quem por lá passa. Sem sombra de dúvidas que levarei para sempre uma recordação quente da cidade – bem diferente do clima tradicional – e para toda a minha vida Madchester terá uma lugar especial no meu coração.
I won’t look back in anger.
Foo Fighters e a consagração
Fevereiro 14, 2008
Para além das reuniões de alguns dos monstros sagrados do género, 2007 trouxe consigo a consagração de uma das mais importantes bandas rock da actualidade: os Foo Fighters.
De banda do baterista dos Nirvana a cabeça-de-cartaz de alguns dos maiores festivais de música do Mundo, o quarteto liderado por Dave Grohl teve um ano em cheio, em grande parte devido ao fantástico “Echoes, Silence, Patience & Grace”.
O álbum serviu para confirmar os Foo Fighters como a banda vanguardista do rock actual. Mantendo-se fiel à filosofia tradicional do rock’n’roll, o grupo apresenta por entre letras bem escritas e sedutoras um som recheado de influências clássicas do rock, tais como Led Zeppelin, Sonic Youth, Black Sabbath, Kiss, AC/DC, The Cars e Beatles.
A banda, cujo reportório inicial fora trabalhado por Grohl quando este ainda fazia parte dos Nirvana, evoluiu drasticamente nos últimos anos de grupo com riffs engraçados para um dos nomes mais fortes do mercado musical.
A noite dos Grammys serviu, para além de consagrar a rebelde e reabilitada Amy Winehouse e reforçar o misticismo em torno dos Daft Punk, para apresentar os Foo Fighters ao Mundo dizendo: “Olhai, estes são os novos embaixadores do rock’n’roll. Sigai-los!” Com a conquista de dois prémios, melhor álbum rock e melhor actuação rock, afiguraram-se como uns dos grandes vencedores da noite.
Isto tudo depois das críticas bastante favoráveis ao álbum e na sequência da limpeza geral que a banda tem vindo a protagonizar um pouco por todas essas cerimónias de prémios espalhadas pelo Globo.
O grupo, que até já esteve para acabar, ganhou novo fôlego nos últimos anos e prepara-se para continuar a trabalhar no rock e a encher palcos por esse Mundo fora.
Precipitações
Fevereiro 11, 2008
Estão muito em voga na realidade da sociedade portuguesa as chamadas “precipitações”, aquelas acções impensadas que podem conduzir, e são muitas as vezes que o fazem, os indivíduos para situações bem mais desfavoráveis do que aquelas em que estavam inicialmente.
Por exemplo, Alípio Ribeiro precipitou-se quando afirmou que os investigadores da PJ se haviam – imagine-se – precipitado ao constituir arguidos os pais da menina inglesa desaparecida na Praia da Luz em Maio do ano passado.
A precipitação do Director nacional da PJ pode até custar mais do que a eventual precipitação dos seus subordinados, pois enquanto as conclusões destes ainda terão de ser verificadas, ou não, as declarações do responsável máximo já não podem ser ignoradas nem atenuadas.
Alípio Ribeiro desautorizou completamente os seus investigadores, minando qualquer futuro achado no caso. A partir do momento em que classificou como “precipitadas” as decisões dos responsáveis pela investigação do caso, o director deitou por terra meses de trabalho e derrubou os profissionais que se dedicavam ao caso.
Os investigadores deixaram, naquele momento, de contar com o apoio daquele que deveria sempre protegê-los e servir de escudo aos constantes ataques, principalmente de Inglaterra, a que são sujeitos todos os dias.
Infelizmente, não é só Alípio Ribeiro quem tem uma relação próxima com a precipitação. Por exemplo, de cada vez que abre a boca o presidente do Benfica esquece-se de medir a quantidade e qualidade daquilo que vai dizer e, mais vezes do que menos, precipita-se.
Quando olhou para o plantel em Julho e disse que era o melhor da década e que ia limpar tudo, o Sr. Vieira precipitou-se. E precipitou-se porque a esta altura do campeonato deveria saber que não se ganham títulos só por se gastar muito dinheiro em jogadores sul-americanos. Para se ganhar títulos é preciso ter qualidade em campo e fora dele.
Porém, para se poder ter qualidade dentro do campo, é preciso que os artistas e o Maxi Pereira se sintam protegidos pela direcção. É necessário que exista uma estratégia para o grupo e, mais do que isso, que exista quem a ponha em prática e que proteja o plantel.
Sem esse tipo de relação, não há muito que se possa pedir. Quer dizer, até se podia pedir ao presidente para não falar em público – arrepio-me de cada vez que um microfone se aproxima daquele bigode – e para não mandar recados pela televisão. Mas, no campo, só se vai ganhar alguma coisa quando se tiver condições para ganhar.
E como se poderia falar de precipitação sem se mencionar o “Sr. Precipitação”, o ministro e engenheiro – este é mesmo engenheiro, passou o exame da ordem e tudo – Mário Lino?
É verdade, “jamais, jamais” se poderia esquecer o papel desse brilhante orador e político visionário que de tanto insistir na Ota acabou por levar o aeroporto para Alcochete. Coitado do senhor, eu bem sei que quem se precipitou a sério foi o patrão dele – aquele que nem engenheiro é – mas gosto mais de pegar com o Mário, porque ele tanto insistiu no caso que chegou a ser considerado para personalidade do ano na Ota.
Na verdade, ele queria era poupar as gentes de Alcochete de levar com a poluição do aeroporto e a Academia do Sporting de sofrer ainda mais prejuízos do que aqueles que já tem, mas acabou por perder e ao tanto insistir que a sul do Tejo só havia “deserto”, acabou por contribuir para que agora a margem sul seja um deserto com aeroporto.
Regra geral, aqueles que não se precipitam são os que se dão melhor. O Pinto da Costa, no que ao Porto diz respeito, não se costuma precipitar muito e essa situação tem tido os seus resultados.
E que tal um esforço contra a precipitação no futuro? O país e o Mundo agradecem.
Cada vez mais Harder, Better, Faster, Stronger
Fevereiro 9, 2008
Chegou às minhas mãos um dos melhores álbuns de 2007 e, provavelmente, o melhor disco gravado ao vivo no último ano. O “Alive 2007″ dos Daft Punk é uma obra-prima e merece um lugar na colecção musical de todos, incluindo aqueles que não têm uma grande afeição pela música electrónica.
Gravado em Paris, o álbum é uma contínua manifestação de júbilo, de energia positiva e de total submissão do público aos talentos dos dois DJ’s parisienses, Thomas Bangalter and Guy-Manuel de Homem-Christo, este último de ascendência portuguesa.
Tal como no “Alive 1997″, neste registo ao vivo o duo apresenta-se muito seguro no palco, aguentando os maiores sucessos comerciais sem, contudo, desmotivar o público. As transições e as misturas de faixas continuam a ser um cartão de visita dos Daft Punk. Faixas que à partida nada teriam a ver uma com a outra, fundem numa demonstração de harmonia que não está ao alcance de todos.
A mistura inicial do concerto, “Robot Rock” e “Touch it”, dá o mote para aquilo que viria a ser um festival de explosões sucessivas e contínuas de prazer, quer do público, quer do grupo, que não se coíbe de elevar a audiência à estratosfera com a mistura “Around the World”/ Harder, Better, Faster, Stronger” para depois o trazer, lentamente, de volta à Terra com “Burning”/Too Long” e “Face to Face”/”Short Circuit”.
O álbum é muito bom e para aqueles que, como eu, haviam deixado de acompanhar o duo depois de “Discovery” é uma fantástica caixa de recordações – “One More Time” leva-me sempre para o meu 9ºano. Neste disco, os Daft Punk poderão mesmo ter-se afirmado como a maior e melhor instituição dentro da música electrónica, ultrapassando alguns dos seus conterrâneos, como os Air, e dando o exemplo a outras que lhes querem seguir as pisadas, como os Justice.
Já ouvi quem dissesse que Daft Punk estão para a electrónica como Metallica para o metal. Se assim for, Alive 2007 é Metallica ácido, um concerto em que o grupo tem total poder sobre o público, em que se cria uma simbiose perfeita entre os dois. Exactamente o modus operandi dos 4 de São Francisco.
E, enquanto que o estilo electrónico se encontra cada vez mais dependente de Bangalter e Manuel De Homem-Christo, estes estão cada vez mais próximos do éter musical.
