Ingratidão Olímpica
Agosto 18, 2008
Foi no dia em que Vanessa Fernandes conquistou a medalha de prata no triatlo, que Vicente Moura decidiu criticar alguns dos atletas portugueses. Principalmente, aqueles que deixaram os Jogos debaixo de um tecto de desculpas esfarrapadas.
Esta foi a comitiva olímpica mais bem trabalhada de sempre. Houve bolsas a todos os atletas e as condições melhoradas imenso para que eles (os atletas) pudessem competir sem sentir demasiadas diferenças em relação aos atletas de países mais fortes e com outra cultura desportiva.
Porém, aquilo a que vimos assistindo é a um coro de desculpas que, para além de revelarem alguma falta de educação e sentido de responsabilidade, não são condizentes com atletas de estatuto olímpico.
Reparemos na minha desculpa “favorita”. Marco Fortes, lançador de peso, culpou a manhã chinesa pelo seu fraco resultado em Pequim: “de manhã só é bom é na caminha, pelo menos comigo”, disse o atleta depois do seu lançamento e da sua eliminação dos Jogos Olímpicos.
Mas o atleta do Sporting não foi o único a arranjar desculpas para o seu fracasso. Jessica Augusto, atleta minhota, desistiu de correr os 5000 m porque “não vale a pena”: ” Agora vou de férias. Treinei para os 3000 obstáculos. Não vou aos 5000 metros. As africanas são fortes. Não vale a pena lutar contra elas. Elas correm para 14m11s e eu para 15m22s. Por isso…”
Pelo menos, não perdeu tempo por se deslumbrar com o estádio olímpico. Arnaldo Abrantes falhou qualificação para a final dos 200 m e, em declarações aos jornalistas, culpou os nervos pela entrada no estádio: “Entrar neste estádio cheio bloqueou-me um pouco. Acabei a prova fresco, o que é estranho”, referiu.
Vânia Silva, no lançamento do martelo, esclareceu aos portugueses que “não é muito dada a este tipo de competições”, dando como exemplo os Olímpicos, Europeus e Mundiais. Fica a dúvida sobre que tipo de provas é que são boas para esta atleta.
Isto para não falar em alguns judocas, que criticaram a Federação e disseram não ter condições.
Ora, precisamente, condições como estes atletas tiveram mais ninguém teve na história de Portugal nos Jogos Olímpicos. Por isso, custa um pouco ouvi-los dizer que o importante é estar em Pequim, que as africanas são muito fortes e que de manhã está-se bem é na cama.
São declarações que pouco dignificam o desporto nacional e que reduzem a margem de manobra destes atletas para pedirem mais fundos para outras aventuras.
Conquistar o número de medalhas que a Espanha já ganhou é impossível. Porém, exigir aos nossos atletas uma participação e resultados ao mesmo nível de países mais parecidos connosco, como a Holanda, não me parece ser pedir demais.
Valha-nos que ainda temos uma Vanessa e, esperemos, um Nélson e uma Naide para o que aí vem – e o Gustavo Lima ainda está na luta, tal como o Emanuel Silva. É que os outros foram todos uma desilusão. E, alguns, ingratos. O pior do espírito olímpico.