A crónica de uma retirada anunciada
Novembro 30, 2008
Esta semana, o Governo do Iraque sentou-se à mesa com o dos EUA e negociou a retirada dos americanos do país. O documento é extenso, mas não muito complicado. Ficou acordado que até meados de 2009 as tropas americanas irão deixar as ruas iraquianas.
A saída definitiva está marcada para 2011. Entretanto, e já a partir de 2009, todas as tropas americanas ficarão debaixo da autoridade das forças iraquianas, a quem terão de prestar contas.
O acordo acaba por ser bem melhor do que aquele que os iraquianos inicialmente esperavam. Uma administração Bush enfraquecida e avisada pelo futuro presidente que a saída do Iraque era prioritária, cedeu em diversas questões importantes, nomeadamente na chefia das forças de paz no local.
Não sendo inédito, não deixa de ser altamente invulgar que tropas americanas fiquem em território estrangeiro debaixo do comando das forças locais. Muito menos, de um país como o Iraque, até há pouco tempo visto como um inimigo selvagem que era preciso domesticar e, dentro dos possíveis, ocidentalizar.
Mais do que isso, a submissão de Bush representa a rendição americana. A realização de que o Iraque nunca será uma plataforma para aumentar a influência do país na região, como o Kuwait e a Arábia. Com este acordo, não vamos ter bases americanas no país, nem militares em digressão pelo Iraque.
O petróleo já foi negociado e não é de prever que os iraquianos deixem de cumprir esses contratos, particularmente favoráveis aos seus interesses – mas ainda mais favorável aos interesses das petrolíferas americanas e de algumas outras.
Com a situação relativamente pacificada – desde o aumento do número de tropas – no Iraque, o tempo é de devolver o seu a seu dono. O Iraque pertence aos iraquianos e a partir de 2009 também terão de ser eles a zelar pela sua segurança.
Claro que existe sempre o perigo de um aumento da insurgência, dos ataques dos rebeldes e opositores ao actual regime. Mas, essa é uma realidade que faz parte do dia-a-dia naquela parte do globo e para a qual o Governo iraquiano terá de estar alerta.
Bush, pelo menos oficialmente, acaba com a borrada que ajudou a criar. Não colocando em causa a destituição do ditador Saddam, mas mais as razões apresentadas para entrar no Iraque e a estratégia inicial de contenção dos fiéis ao regime deposto, o conflito no Iraque deixou marcas demasiadamente profundas nos EUA, quer ao nível da confiança interna, quer no plano do respeito da comunidade internacional.
Com a assinatura do acordo que prevê a saída em definitivo dos EUA do Iraque em 2011, Bush coloca um prazo oficial para o fim da guerra. Resta saber se os acontecimentos geopolíticos na região vão permitir que a data se mantenha.
Resquícios da Guerra Fria
Novembro 28, 2008

Medvedev já chegou a Cuba. Depois de ter estado na Venezuela, com um exercício militar e encomendas de navios russos por parte de Caracas, e de ter passado por Brasil, Bolívia e Nicarágua.
Agora, em Havana, continua a ver até onde pode ir a influência russa numa região onde, num passado não muito distante, Moscovo foi o parceiro número um.
À atenção de Washington e de Bruxelas.
Body of Lies
Novembro 25, 2008
Nesta altura do campeonato, confesso que não são todos os filmes/actores/realizadores que me conseguem levar ao cinema. O elogio da preguiça é mais forte e o botão do download está sempre tão convenientemente perto que nem sempre a motivação consegue derrotar a inércia e fazer-me levantar da cadeira para ir ver o filme ao sítio certo. À sua casa.
Mas, vá lá, de vez em quando vão aparecendo umas películas que são mais fortes do que nós e nos levam a decidir que, desta vez, o download não é solução. Por exemplo, “Body of Lies”, realizado por Ridley Scott e com Leonardo DiCaprio e Russel Crowe nos principais papeis.
Por esses três nomes consegui derrotar a tentação da pirataria e percorri os 500 metros que vão desde o Bairro do Charquinho aos cinemas do Colombo. Entrei, sala bem composta, e dirigi-me para o meu lugar. Na última fila. Exactamente como eu gosto.
Depois, estive quase duas horas a seguir um filme de espionagem como já não se fazem, bastante bem articulado e cheio de vida e energia. As personagens estão bem feitas e Crowe dá uma interpretação extremamente segura num papel anormalmente pequeno – se tivermos em conta aquilo que costuma fazer.
Mas, claro, este filme pertence a DiCaprio. É mais uma etapa na sua consolidação e afirmação como um dos bons actores de Hollywood. Longe, mas muito longe, estão os dias de “Titanic” ou “A Praia”. DiCaprio é, agora, o actor que Scorsese moldou e transformou num dos nomes mais respeitados de Hollywood.
Body of Lies é um óptimo filme e um dos poucos que vale a deslocação até à sala.
Os invencíveis
Novembro 24, 2008

Ainda, a única equipa sem perder nos principais campeonatos europeus.
O vencedor de Brasília
Novembro 23, 2008

Apenas um português saiu vencedor do Bezerrão. Nuno Gomes, que provou ser o jogador que melhor pode envergar a braçadeira de capitão e, mais do que isso, é o único avançado de classe que Portugal tem. Hugo Almeida é um “panzer” lusitano e Hélder Postiga não entra nestas contas – aparentemente.
Nuno já não garante golos, mas garante boas exibições e inteligência e experiência em campo. Algo que, diga-se em abono da verdade, começa a fazer alguma falta à Selecção.
Nuno Gomes tem mais de 150 golos marcados na liga portuguesa. Nuno Gomes é o melhor marcador avançado da última década no Benfica. Nuno Gomes é o jogador com mais golos marcados no Estádio da Luz. Nuno Gomes tem 76 jogos pela selecção e 29 golos marcados. Porém, se tivermos em linha de conta que a maior parte dessas internacionalizações aconteceram como suplente, ou seja, em que o número de minutos em campo é menor, é dos jogadores mais eficazes de sempre aos serviço da nossa selecção. Mesmo assim, é o quarto jogador com mais golos pela selecção, apenas atrás de Pauleta, Eusébio e Figo.
Tirando Scolari, Nuno Gomes é o único que pode tirar ilações positivas da partida no Brasil. É que, sem ele, não vamos lá de certeza. E, mesmo com ele, já se está a ver que vai ser difícil. Não só pelo que joga, mas por aquilo que dá de estabilidade ao grupo, Nuno é importante.
Só falta perceber até onde vai a teimosia de Queiroz.
Mais valia ter ido eu falar com a Judite
Novembro 22, 2008
Depois de ver a entrevista de Dias Loureiro à RTP, fiquei com a impressão de que eu sabia tanto o que se passava dentro da SLN – e, por arrasto, no BPN – como o antigo administrador da sociedade. E, acho que isso não será muito positivo para o senhor Conselheiro de Estado.
“Dias Loureiro afirma que não participou nem teve conhecimento de irregularidades no Banco Português de Negócios (BPN), confiando sempre nas boas intenções e na boa gestão de José Oliveira e Costa. O ex-administrador de empresas do grupo BPN afirma mesmo: “não acredito que ele tenha feito isso para benefício pessoal”. “Isso” são as irregularidades e os crimes de que Oliveira e Costa, ex-presidente do BPN, está indiciado e que ontem lhe valeram a prisão preventiva depois de ser ouvido pelo juiz.
Em entrevista à RTP, hoje à noite, o ex-ministro da Administração Interna e actual conselheiro de Estado nomeado por Cavaco Silva defendeu que acreditava nos mecanismos de controlo do grupo para confiar na forma como eram geridas as sociedades. “Havia auditorias, havia a supervisão do Banco de Portugal, havia pessoas em quem confiava”. Ainda assim, diz ter questionado directamente Oliveira e Costa quando, em 2001, a revista Exame publicou um trabalho onde levantava algumas suspeitas sobre a forma como o grupo BPN era gerido.
O presidente terá respondido que eram notícias infundadas, originadas por invejas. No ano seguinte, em Abril, manteve uma reunião com António Marta, então vice-presidente do Banco de Portugal com o pelouro da supervisão bancária, onde alertou para a necessidade de ter especial atenção para com o BPN. “Disse-lhe o seguinte: não tenho conhecimento de nada nem qualquer desconfiança em relação à Sociedade Lusa de Negócios (SLN) mas a SLN tem um banco, tem accionistas e estou preocupado com isso. O que lhe queria pedir era que tivesse uma atenção especial ao BPN”, afirmou. “Não tinha nenhum facto concreto, apenas o que se ouvia cá de fora”, continuou, esclarecendo que não tinha qualquer controlo sobre a gestão do BPN.”
Yes, Mr. President
Novembro 22, 2008
E, afinal, Hillary lá conseguiu chegar à Casa Branca. Mesmo que não seja para se sentar na cadeira principal da Sala Oval.
“Hillary Clinton decidiu aceitar o convite de Barack Obama para o cargo de secretária de Estado, noticiou a edição online do “The New York Times”, que cita dois colaboradores da actual senadora de Nova Iorque.
“Ela está pronta” a aceitar a chefia da diplomacia americana, adiantou uma das fontes, acrescentando que Hillary decidiu depois de uma segunda conversa com o Presidente eleito, já que considerou o encontro da semana passada em Chicago “demasiado generalista”.
O NY Times acrescenta que a antiga primeira-dama quis conhecer em pormenor qual será margem de acção que terá no cargo e quais os planos de Obama em matéria de política externa.”
Quando acordei, nem quis acreditar…
Novembro 20, 2008

Deitei-me, estava 2-1. Não era óptimo, mas podia ser bem pior, tal era o volume de jogo do Brasil. Quando acordo, conheço o resultado final. 6-2? A sério? 6-2? Com o Paulo Ferreira na esquerda, o Bruno Alves ao meio, Tiago e Maniche juntos, Danny a ponta-de-lança e Ronaldo em campo com a cabeça nas brasileiras, as coisas não podiam mesmo correr bem.
Quem é o actual adjunto do Ferguson?
O Subprime
Novembro 19, 2008
A crise do subprime trocada por miúdos.
Para combater crises no futuro
Novembro 19, 2008
Pat Regnier. É um nome que nos diz muito pouco, mas trata-se do sub-editor da revista “Money Magazine”, com direito a crónica publicada na página financeira da CNN.
Na sua crónica desta semana apresenta-nos uma carta. Uma carta às suas filhas em que lhes diz o que fez mal durante toda esta crise e o que elas devem estar dispostas a fazer para enfrentar as eventuais crises futuras.
Uma perspectiva paternal e interessante análise da crise, da sua raiz e de como lutar contra ela. Talvez, já não esta mas uma outra que esteja reservada para o futuro.
A ler.
First let’s talk about the hardest question: Why didn’t people see this coming? Well, we sort of did. Talk of a real estate bubble was common by 2003. But bubbles do funny things to your head – you’ll see that when your generation’s bubble comes along. You may read in your textbooks about the euphoria and optimism of boom times, but what I remember most was the worry.
In 2005, a year when home values in our neighborhood jumped 25%, your mother and I would talk anxiously about not having a giant mortgage. We didn’t want to stretch for a loan before we had saved for a big down payment. That conservatism hurt: Our chances of joining what was called the ownership society seemed to become more remote with each uptick in real estate prices. We were worried that our new family would never be financially secure. Or even truly at home.
So this is how you’ll know when a strong market has turned into a bubble. If you stick to prudent rules you learned before the market took off, you are bound to feel at least a little bit stupid for a while. Learn to regard that sinking feeling in your gut as a sign that you are doing something right.
Another thing we’re discovering is how quickly the rules can change. For years the good jobs were in construction, real estate and, of course, financial services. All those industries are shrinking right now. And for Dad, who has spent most of his adult life either working in or writing about finance, this is…uncomfortable.