Vai trabalhar, mas é!
Novembro 11, 2008
A recente (?) polémica em torno da questão da avaliação dos professores revela-se, mais uma vez, num caso em que todos ralham mas onde, invariavelmente, ninguém tem razão.
Desde que me lembro, as associações de pais e os próprios professores queixavam-se de que não havia uma avaliação dos docentes. A ideia por detrás desta reclamação era que uma classe avaliada, onde os melhores pudessem ser distinguidos dos piores, seria mais eficiente.
Tal como os alunos são avaliados para separar aqueles com melhores resultados dos outros, para efeitos de entrada na universidade, por exemplo, também se acreditava que em caso de a promoção/recompensa dos professores estar dependente da avaliação dos mesmos, e fazendo fé que os critérios de avaliação fossem equilibrados, os docentes revelar-se-iam mais empenhados na leccionação o que, pela ordem natural das coisas, poderia e deveria implicar um aumento no rendimento dos alunos.
No entanto, bastou que este governo falasse em avaliação para toda a classe se exaltar contra aquilo que, acreditam eles, ser a corrupção dos seus direitos mais do que assegurados, aproveitando a oportunidade para criticar a excessiva burocratização do sistema de avaliação proposto.
Aliás, os professores começaram logo por contestar a actual ministra quando se decidiu implementar as aulas de substituição – algo que já se tornou banal em todo o Mundo civilizado – dando aquela ideia chata de que quando se ameaça aumentar a carga de trabalho, os professores sentem vontade de vir para a rua fazer barulho.
E é isso que têm vindo a fazer nos últimos meses. Mesmo depois dos sindicatos que os representam terem chegado a acordo com a ministra, os professores voltaram este fim-de-semana para a rua, reclamando contra tudo e contra todos, defendendo-se dos “ataques” desferidos pelo Governo.
Os professores não querem a avaliação. Nem esta, por todos os defeitos que tenha, nem uma outra qualquer. Os professores não querem nada que possa colocar em causa a sua carreira e a certa progressão na mesma – qual o problema da progressão automática?
Aquilo que os professores querem é uma espécie de “evolução na continuidade”, em que se diz que se vai avaliar, que se vai ser rigoroso, mas na verdade apenas se altera o nome de uns departamentos, contratam-se novos “observadores” e fica tudo na mesma.
Portanto, e enquanto esta avaliação não for lei, os professores vão continuar a fazer barulho, a juntarem-se aos magotes nas grandes cidades e a despedirem-se da ministra com lenços brancos no Terreiro do Paço. Vão continuar a fazer figuras tristes, a achincalhar a sua profissão e a colocar-se numa posição ridícula perante os alunos.
Os professores já não percebem nada do que significa ensinar. Os professores querem é um horário das 9 às 17 e poucas chatices no caminho para casa. (In)Felizmente, o tempo das vacas gordas já passou. Agora, tal como todas as outras pessoas, eles têm de trabalhar. E, ao fim do dia, é isso que chateia.