Deixa marcar o Mantorras
Janeiro 31, 2009
Janeiro está quase a acabar. E, com ele, acaba a limitação imposta pela Optimus, que me tem impedido de actualizar este meu espaço. Mesmo assim, nem o engenheiro Belmiro me convence que uma vitória do Benfica com golo de Mantorras não vale um post. O homem entrou e quatro minutos depois marcou. Se isso não é um homem golo, não seio o que é. Resquíssios de 2005? Lembram-se? “No Benfica, sai Nuno Assis e entra Mantorras.” Dez minutos depois. “Benfica ganha com golo de Mantorras”. Meses depois. “Benfica é campeão!” Sim, parece-me que vamos por esse caminho.
Nick, dá cá uma abraço homem!
Janeiro 27, 2009
Está de parabéns o baterista de uma das mais míticas e místicas bandas de sempre da música rock, os Pink Floyd. Nick Mason, amante do desporto automóvel, com uma das colecções de carros antigos mais valiosas da Grã-Bretanha, completa hoje 65 anos de vida.
Para muitos, Mason será sempre o mais sortudo de todos os músicos. Baterista vulgar, encontrou a sorte quando conheceu Roger Waters numa universidade de Londres a estudar arquitectura – também por lá andava Richard Wright, um teclista com a mania. E, como tocava umas coisas, chamaram-no para baterista de um conjunto amador lá do sítio.
Para outros, Mason é um músico cheio de qualidade que contribuiu com visão e mestria para a criação daquilo que ficou conhecido como sendo o “som” floydiano. Para além de baterista, Nick Mason era quem fazia os cortes nas fitas das gravações (com Waters) e também era o responsável pelas gravações in loco de alguns sons ambiente que fazem parte do imaginário floydiano, como os aviões que se ouvem em “Final Cut”.
Pessoalmente, acho que lhe falta alguma técnica para ser um virtuoso da bateria. No entanto, tem de ter alguma coisa de especial para poder dizer – e com toda a razão – que é o único dos cinco membros oficiais da banda que nunca deixou os Pink Floyd, fazendo parte do grupo desde a sua concepção.
Independentemente da sua qualidade técnica, ou falta dela, será sempre pela música que Mason será conhecido. E, apesar de não haver registos de grandes solos de bateria na discografia dos Floyd, basta fazer uma visita à desabitada ilha de Pompeia para descobrir um Mason, mais novinho e com uma camisola azul demasiado justa e uma fita no cabelo, a arrebentar com tudo em “One of these days”.
Afinal, ele até sabia tocar umas coisas…
Parabéns, Nick.
Woody Penélope Javier Barcelona
Janeiro 25, 2009
Está cheio de idiossincrasias de Woody Allen. Mas, também, só faz sentido. O filme é dele. De Woody. E também é dela. De Penélope Cruz, a fogosa espanhola que roubou o palco ao seu galardoado namorado espanhol. Javier Bardem. Quer dizer, o filme é mesmo dos espanhóis. Mais dela. Claro. Mas, dele também. E dela. Dessa cidade mítica e misteriosa que é Barcelona.
Vicky e Cristina são duas amigas norte-americanas que chegam a Barcelona para passar o Verão. Vicky vem descontrair antes do casamento. Cristina vem em busca do amor. Premissa mais cliché não existe e basta desenterrar do baú inumeráveis filmes sobre teenagers norte-americanos para conhecermos jovens inseguros sobre o casamento e meninas em busca do amor.
Onde o filme inova é no cenário. Barcelona. E nas personagens, com especial destaque para Javier Bardem e Penélope Cruz. Apesar de ter gostado muito mais de o ver em “Mar adentro” e “No Country for Old Men”, Bardem faz muito bem o papel de boémio, de conquistador de mulheres profissional. Com algum charme pelo meio e muito bem integrado na riqueza e beleza intrínseca de Barcelona.
Ai, mas ela. Ela é tudo. Ela é o filme. Aparece a meio, atarantada depois de uma mal sucedidade tentativa de suicídio. E, depois, vai ficando. Fazendo a vida negra a Scarlett, amando Bardem, amando Scarlett e amando Bardem e Scarlet ao mesmo tempo e em momentos separados. E amando Barcelona e a arte. Penélope, ou seja, Maria Elena é um hino ao amor, à vida e à arte. Isto, claro. apesar de ser um hino tresloucado, capaz de pegar numa pistola e atirar na pobre da Vicky, que se vinha divertindo com a ideia do adultério e da promessa do amor boémio ao lado de Juan Antonio. Javier para os amigos.
Tudo isto não ficaria completo sem aquele que é o momento mais delicioso de todo o filme. O pai de Juan Antonio. Um poeta que não publica os seus poemas. Porquê? Porque o Mundo não os merece. E porquê? Porque ao fim de tantos milhares do anos, a humanidade ainda não aprendeu a amar. E, como castigo, o pai de Juan Antonio – que se recusa a falar outra língua que não o castelhano – não deixa o Mundo conhecer e apaixonar-se pelas suas palavras. Tem todo o direito.
“Vicky Cristina Barcelona” é um bom exercício de cinema. Mas, sobretudo, é uma óptima propaganda a Espanha, a Barcelona e ao cinema espanhol, com dois dos seus mais brilhantes representantes a um nível altíssimo, muito acima do nível médio do filme que fica sempre mais pobre quando nos impede de ver quer Bardem, quer Penélope, quer Barcelona.
De Woody Allen, o filme mantém a mesma movimentação de câmara de outros tempos, os diálogos profundos e, quase ao mesmo tempo, desesperadamente inócuos. As idiossincrasias de um realizador especial. Mas, faz sentido que o filme as tenha. Afinal, é dele. Ou será que é deles? Ou será de Barcelona? Ai, já não sei.
Um curioso caso de nomeações para os Óscares
Janeiro 22, 2009
Foram hoje conhecidas as nomeações para os Óscares. Na 81ª edição daquela que é a cerimónia que comemora aquilo que de melhor se faz no cinema, o filme com o maior número de nomeações é “The Curious Case of Benjamin Button”, realizado por David Fincher e que conta com Brad Pitt e Cate Blanchett nos principais papeis.
O curioso filme do mesmo realizador de “Fight Club” (o derradeiro filme de culto) é o líder destacado da tabela de nomeações, contando com 13, de onde se podem destacar as nomeações para Melhor Filme, a de Brad Pitt na categoria de Melhor Actor e a nomeação de David Fincher na categoria de Melhor Realizador.
Contudo, a vitória em toda a linha de Benjamin Button não é, de todo, previsível, uma vez que nos Globos de Ouro foi “Slumdog Millionaire” o filme que arrecadou os prémios mais importantes, da mesma maneira que Mickey Rourke “roubou” o globo a Brad Pitt pela sua actuação em “The Wrestler” – filme que conta também com a nomeação da já galardoada Marisa Tomei.
O “Dark Knight” de Chrisopher Nolan também não se saiu nada mal, com oito nomeações, onde se destaca a presença de Heath Ledger na categoria de Melhor Actor Secundário – o falecido actor australiano, que já ganhou o Globo de Ouro, pode em breve juntar o Óscar.
Para além do já referido Slumdog Millionaire, “Milk”, “Doubt”, “Frost/Nixon” são os outros filmes que contam com cinco ou mais nomeações para esta edição dos Óscares da Academia.
Para terminar, de destacar a nomeação de Robert Downey Jr., na categoria de Melhor Actor Secundário, pelo seu papel em “Tropic Thunder”. Este até pode ser o ano dos “bad boys” de Hollywood, com Mickey Rourke e Downey Jr. a comemorar um 2008 em grande.
Aqui fica a lista dos nomeados para as principais categorias. Para consultar a lista total, basta viajar até aqui.
Nomeados para a 81ª edição dos Prémios da Academia. Os vencedores são conhecidos a 22 de Fevereiro.
Melhor Actor Principal
• Richard Jenkins in “The Visitor” (Overture Films)
• Frank Langella in “Frost/Nixon” (Universal)
• Sean Penn in “Milk” (Focus Features)
• Brad Pitt in “The Curious Case of Benjamin Button” (Paramount and Warner Bros.)
• Mickey Rourke in “The Wrestler” (Fox Searchlight)
Melhor Actor Secundário
• Josh Brolin in “Milk” (Focus Features)
• Robert Downey Jr. in “Tropic Thunder” (DreamWorks, Distributed by DreamWorks/Paramount)
• Philip Seymour Hoffman in “Doubt” (Miramax)
• Heath Ledger in “The Dark Knight” (Warner Bros.)
• Michael Shannon in “Revolutionary Road” (DreamWorks, Distributed by Paramount Vantage)
Melhor Actriz Principal
• Anne Hathaway in “Rachel Getting Married” (Sony Pictures Classics)
• Angelina Jolie in “Changeling” (Universal)
• Melissa Leo in “Frozen River” (Sony Pictures Classics)
• Meryl Streep in “Doubt” (Miramax)
• Kate Winslet in “The Reader” (The Weinstein Company)
Melhor Actriz Secundária
• Amy Adams in “Doubt” (Miramax)
• Penélope Cruz in “Vicky Cristina Barcelona” (The Weinstein Company)
• Viola Davis in “Doubt” (Miramax)
• Taraji P. Henson in “The Curious Case of Benjamin Button” (Paramount and Warner Bros.)
• Marisa Tomei in “The Wrestler” (Fox Searchlight)
Melhor Realizador
• “The Curious Case of Benjamin Button” (Paramount and Warner Bros.), David Fincher
• “Frost/Nixon” (Universal), Ron Howard
• “Milk” (Focus Features), Gus Van Sant
• “The Reader” (The Weinstein Company), Stephen Daldry
• “Slumdog Millionaire” (Fox Searchlight), Danny Boyle
Melhor Filme
• “The Curious Case of Benjamin Button” (Paramount and Warner Bros.), A Kennedy/Marshall Production, Kathleen Kennedy, Frank Marshall and Ceán Chaffin, Producers
• “Frost/Nixon” (Universal), A Universal Pictures, Imagine Entertainment and Working Title Production, Brian Grazer, Ron Howard and Eric Fellner, Producers
• “Milk” (Focus Features), A Groundswell and Jinks/Cohen Company Production, Dan Jinks and Bruce Cohen, Producers
• “The Reader” (The Weinstein Company), A Mirage Enterprises and Neunte Babelsberg Film GmbH Production, Nominees to be determined
• “Slumdog Millionaire” (Fox Searchlight), A Celador Films Production, Christian Colson, Producer
Tinha de ser a 20 de Janeiro?
Janeiro 20, 2009
Eu gosto de Obama. Votei Obama. Estou contente com a “mudança” que vai chegar aos Estados Unidos. Só fico chateado pela inauguração da presidência Obama ser, precisamente, no dia em que a minha mãe comemora os 23 anos de nascimento do seu filho mais velho.
Não se faz, “roubar” o dia especial de alguém – como se pode concorrer contra a inauguração do primeiro Presidente negro da história? Bem, aqui ficam os parabéns ao filho mais velho da minha mãe.
Já com saudades de Bush
Janeiro 15, 2009
Apesar de ainda não ter saído de cena, já estou a sentir saudades de George W. Bush. A política internacional pode passar a ser muito mais bem conduzida. Mas vai deixar de ser tão engraçada. E é pena.
Quanto vale Ronaldo?
Janeiro 14, 2009
Quanto vale para um país ter o Melhor Jogador de futebol do Mundo? O que ganha Portugal com isso? Turistas? Investimento estrangeiro? Maior visibilidade desportiva? Mais reconhecimento internacional?
Infelizmente, não ganhamos muito com a vitória de Ronaldo. A marca Ronaldo é das mais valiosas no mercado desportivo, mas quem ganha com isso são Cristiano e o Manchester United.
Portugal, e neste caso concreto a Federação Portuguesa de Futebol, não lucra directamente com o prémio do seu melhor jogador. Ronaldo apenas vem jogar de vez em quando com a Selecção e não existe por cá uma efectiva estratégia de marketing que promova os produtos da Selecção Nacional. Basta especular se um jovem japonês, fã do jogador, prefere comprar o jersey do Manchester United ou a camisola 7 da Selecção Nacional? O maior nome e projecção do clube britânico levam-nos a especular que eles vendem melhor o nosso produto do que nós alguma vez conseguiríamos.
Em termos turísticos, parece-me pouco viável pensar que grupos de turistas asiáticos, europeus ou americanos venham passar férias a Portugal por ser a terra de Cristiano Ronaldo, o melhor do Mundo em 2008. Nem me parece legítimo acreditar que não vai faltar por aí investimento estrangeiro, empresas interessadas em gastar dinheiro no país que viu nascer o grande responsável pelo ano dourado do Manchester United.
Desportivamente, também não ganhamos muito com isto. Os craques do futebol europeu não vão passar a querer jogar em Portugal, apenas por ser a liga onde Ronaldo marcou os primeiros golos e driblou os primeiros adversários. Muito menos, vai a nossa liga registo uma subida na qualidade dos espectáculos por cá praticados e número de espectadores nos estádios.
Quanto muito, o Sporting pode desfraldar a bandeira de clube formador de dois vencedores do prémio de melhor do Mundo: Figo e Ronaldo. Mas, isso motivará alguém a vir jogar para junto de Liedson? Aparentemente, nem o Moutinho quer continuar por lá….
A Selecção Nacional também não lucra muito mais com isto. Ronaldo já era o jogador mais perigoso da equipa e aquele que era objecto de marcação individual pelos adversários. Já era a ele que os colegas entregavam a bola, esperando uma qualquer solução milagrosa. E, também já era ele quem teimava em não jogar com a camisola das quinas ao mesmo nível daquele evidenciado em Old Trafford.
Portanto, o prémio significa o reconhecimento pelo mérito e valia de Cristiano Ronaldo e é inteiramente merecido. Marcar 42 golos numa temporada, ganhar a Premier League, a Liga dos Campeões, o Campeonato Mundial de Clubes, a Bota de ouro e a Bola de ouro é algo que apenas está ao alcance dos predestinados. O prémio de Melhor do Mundo em 2008 é seu por direito.
Nós por cá, ficamos com o orgulho de ver um compatriota ganhar um prémio que consagra o melhor dos melhores no desporto que mais multidões move no Mundo. E pouco mais. O prémio é de Ronaldo. Nós apenas aplaudimos.
Naquela que é vista como a cerimónia que serve de antecipação aos Óscares, o grande vencedor da noite dos Globos de Ouro foi “Slumdog Millionaire”, o drama, romance, feel good movie realizado por Danny Boyle.
Rodado na Índia, Slumdog conta-nos a história de um jovem indiano que está a uma resposta correcta de vencer a versão nacional do concurso “Quem Quer Ser Milionário?”.
Porém, quando termina aquela edição do programa, faltando ao jovem Jamal falta a tal resposta para se tornar num milionário, e os participantes vão descansar, preparando o próximo programa de perguntas e respostas, o concorrente é preso pelas autoridades. Motivo? Estava a fazer batota.
Melhor, a polícia não acredita que um adolescente – e órfão, também - que toda a vida viveu nos bairros de lata de Mumbai possa estar a um passo de se tornar num milionário. É nessa altura que o rapaz conta aos polícias a história da sua vida, sendo que cada capítulo da sua narrativa é uma pista para responder correctamente às perguntas feitas ao longo do programa.
É também aí que ficamos a conhecer Latika, o amor da vida de Jamal, o próximo milionário indiano?
Falando dos Globos de Ouro, é apenas justo referir os dois globos ganhos por Kate Winslet, o reconhecimento pela actuação de Mickey Rourke em “The Wrestler” e a vitória de Heath Ledger na categoria de melhor actor secundário, com a sua interpretação de Joker em “The Dark Knight”.
Melhor solo de guitarra de sempre, às 3 da manhã
Janeiro 10, 2009
Aqui, tenho vindo a discutir o papel do serviço público de televisão em Portugal. Várias posições têm sido apresentadas, continuando eu a achar que nós temos apenas um canal que faz um efectivo serviço público de televisão, sendo o outro uma espécie de parceria público-privada.
Tudo isto para dizer que ontem a RTP 2 transmitiu o concerto de David Gilmour em Gdansk – o tal que foi editado agora em DVD. Anunciado como sendo a oportunidade de ver e ouvir a voz e a guitarra dos Pink Floyd ao vivo, o programa foi para o ar muito depois da meia-noite.
Mais, como o senhor Gilmour gosta de tocar muito tempo, a actuação acabou pouco antes das três da manhã. Eu vi, mas com toda a certeza muito mais pessoas gostariam de ter visto, mas àquela hora era impossível.
Continuo sem perceber qual a aversão das televisões portuguesas em apostar na música para o horário nobre. E, falo de música à séria e não de concursos onde se cantas umas coisas.
Estou a falar de concertos de música rock, mas também clássica, de músicos portugueses e estrangeiros. É uma questão de audiências? Devem ser as mesmas razões que fazem com que seja impossível ver um filme em qualquer um dos quatro canais antes da meia-noite.
Bem, o concerto foi mesmo para o ar. E o melhor solo de guitarra de todo o sempre foi mesmo tocado. Às 3 menos pouco, lá estava o senhor Gilmour no ecrã da 2. E o Richard Wright também. A fazer de Roger Waters.
Hulk Hogan era um lutador “horrível”
Janeiro 8, 2009

Hulk Hogan é um lutador de wrestling. Melhor, é um antigo lutador de wrestling, múltiplas vezes campeão do Mundo, multimilionário e reformado. Hogan construiu a sua carreira atrás de um personagem patriota, defensor dos bons valores e da moral e que, acima de tudo, estava sempre do lado certo.
Quem conhece o wrestling sabe que existe sempre um bom e um mau no ringue. Existe sempre alguém de quem o público gosta e alguém de quem o público não gosta. E, durante a maior parte da sua carreira, Hogan foi precisamente o tipo de quem todos gostavam.
Cresci a ver wrestling. E, antes de ficar fã de Triple H ou Chris Jericho, eu gostava mesmo era do Hulk Hogan. Ele mandava-me rezar e tomar as minhas vitaminas e eu fazia isso. E, aos domingos à noite colocava os meus pijamas do Hulk Hogan e ia ver o WWF Main Event.
E, tudo isso faz sentido quando se é pequenino. Quando somos crianças e facilmente impressionáveis, é natural gostarmos do bonzinho que ganha sempre. Ainda para mais, quando eles nos diz para rezar todas as noites e portarmo-nos bem na escola.
Contudo, quando comecei a ficar mais velho apercebi-me de uma realidade: Hulk Hogan não sabia lutar. Ele levava pancada o combate todo e quando parecia que estava “morto”, ressuscitava, dava três murros no adversário, dava uma biqueirada nos queixos, corria às cordas e aplicava o leg drop ao coitado, que permanecia deitado no ringue.
E, se durante um tempo isto só me fez alguma confusão, quando comecei a ver atletas tecnicamente mais dotados, como Bret Hart ou Shawn Michaels, entendi claramente que o meu herói não sabia lutar. Era fraquinho. Mas, depois vim para Portugal e o wrestling ficou um bocado afastado da minha memória.
Muitos anos se passaram e agora o Congresso dos EUA está a investigar o uso de substâncias dopantes no wrestling – para quem não sabe, Hulk Hogan foi investigado em 1994 por uso de esteróides.
E, quando se fala de wrestling em 2009 temos de falar da família McMahon, dona da WWE, praticamente a única promotora de wrestling – é, pelo menos, aquela que tem maior expressão internacional.
Ora, no âmbito destas audiências foi ouvida a Stephanie McMahon, a filha do patrão da WWE. A bela Stephanie – casada com o matulão do Triple H – revelou, entre outras coisas, que o wrestling é fingido, que a WWE tem actualmente cerca de 10 escritores encarregues de criar as narrativas que vão para o ar e que… Hulk Hogan era um péssimo lutador.
Referindo-se ao facto de que a companhia apenas promove ao estrelato os atletas que consigam interagir com o público – quer os espectadores os amem ou odeiem –, Stephanie explicou assim o sucesso de Hulk Hogan: “ (Para se ter sucesso no wrestling) não se precisa de ser um bom wrestler. Hulk Hogan era um lutador horrível, e ainda é”.
E a malvada da filha do patrão não se ficou por aqui: “ Ele era um lutador terrível. Mas que pessoa carismática! Não se pode negar que Hulk Hogan é uma das maiores estelas na história da nossa indústria e vai sempre ser reconhecido como tal. Mas não era um grande lutador, não tinha técnica.”
Em pleno congresso dos EUA, Stephanie McMahon destruiu todo o imaginário infantil que eu tinha construído em torno do soldado amarelo, do homem com os maiores braços do Mundo, do campeão dos campeões, de Hulk Hogan.
Agora, só falta dizerem que o Triple H não é mesmo o maior… E que isto é mesmo tudo a fingir. Era o que faltava.