Pornografia
Fevereiro 25, 2009
Ao que parece, o Ministério Público e a PSP andam muito preocupados com a pronografia. Desde o carro alegórico em Torres Vedras ao livro em Braga, a justiça parece não gostar muito de ver umas maminhas ao léu, ou uns pelinhos púbicos na capa de um livro.
Eu, não tenho grandes problemas com isso. Agora, se a PSP ou o Ministério Público pretendem “limpar” as nossas ruas e feiras do livro de mamas e de rabos despidos, aconselho que passem por Queluz e obriguem a TVI a retirar do ar a série “Equador”.
É que todas as semanas vemos lá maminhas, rabinhos e outras coisinhas. Ali, na televisão. Para todos verem, até o filho da procuradora do MP de Torres Vedras, que agiu rapidamente ao proibir e voltar a permitir o carro alegórico com referências a um Magalhães pornográfico.
Mas, a sério. Todas as semanas vemos a São José Correia, a Maria João Bastos e outras que mais sem nada vestido. Se vamos voltar a vestir as meninas, é preciso começar pela televisão. Depois, as revistas. Principalmente a GQ deste mês que traz a Liliana Santos. É preciso tirar tudo isso das nossas ruas.
Aqui fica um cheirinho pequenino daquilo que se passa no Equador – não passo o vídeo porque este é um blogue de respeito.

A crise foi resolvida… há 232 anos atrás
Fevereiro 19, 2009
A actual crise financeira que te feito as delícias de jornais e televisões e que tem levado ao despedimento de milhares de trabalhadores em todo o Mundo encontrou solução. Melhor, a solução já tinha sido encontrada. Ainda melhor, a solução tem 232 anos. A solução é de Adam Smith.
«Adam Smith would be laughing too hard to say anything. Smith spotted the precise cause of our economic calamity not just before it happened but 232 years before – probably a record for going short.
“A dwelling-house, as such, contributes nothing to the revenue of its inhabitant,” Smith said in The Wealth of Nations. “If it is lett [sic] to a tenant for rent, as the house itself can produce nothing, the tenant must always pay the rent out of some other revenue.” Therefore Smith concluded that, although a house can make money for its owner if it is rented, “the revenue of the whole body of the people can never be in the smallest degree increased by it”. »
(…)
«The phenomenon of speculative excess has less to do with free markets than with high profits. “When the profits of trade happen to be greater than ordinary,” Smith said, “overtrading becomes a general error.” [438] And rate of profit, Smith claimed, “is always highest in the countries that are going fastest to ruin”. »
(…)
«The idea that The Wealth of Nations puts forth for creating prosperity is more complex. It involves all the baffling intricacies of human liberty. Smith proposed that everyone be free – free of bondage and of political, economic and regulatory oppression (Smith’s principle of “self-interest”), free in choice of employment (Smith’s principle of “division of labour”), and free to own and exchange the products of that labour (Smith’s principle of “free trade”). “Little else is requisite to carry a state to the highest degree of opulence,” Smith told a learned society in Edinburgh (with what degree of sarcasm we can imagine), “but peace, easy taxes and a tolerable administration of justice.”
How then would Adam Smith fix the present mess? Sorry, but it is fixed already. The answer to a decline in the value of speculative assets is to pay less for them. Job done.»
A ler.
“Amo o meu emprego”
Fevereiro 19, 2009

A sugestão é do Público, a fotografia é da Reuters. Em tempos de crise, há que não poupar esforços em arranjar maneira de dizer ao nosso patrão o quanto gostamos de trabalhar para ele. E ele agradece.
Only by the night
Fevereiro 12, 2009
Desde “Molly’s Chamber” muita coisa mudou na vida dos irmãos Followill. Bebendo influências à rica terra do Sul dos Estados Unidos, “Youth and Young Manhood” (2003) é um álbum cheio de referências, mais ou menos explícitas, a Lynyrd Skynyrd, Tom Petty ou aos Allman Brothers.
Foi com muita razão que o álbum foi considerado um objecto de revivalismo do southern rock dos anos 70, favorecendo uma atmosfera honky e privilegiando as melodias simples mas chamativas.
Em 2005, “Aha Shake Heartbreak” já nos mostra outra faceta dos Kings of Leon - porque é deles que falamos. Uma abordagem mais pura e clássica ao rock, sem esquecer as influências sulistas mas alargando o leque a nomes como Led Zeppelin, Neil Young ou os Rolling Stones.
Este é o álbum que começa o processo de estabilização dos Kings of Leon como um dos poucos grupos a procurar fazer rock como se fazia no tempo em que o rock era a principal sonoridade.
“Because of the times” segue esta linha de crescimento, apesar de ser o álbum menos interessante dos Kings e o que se começa a abrir ao mercado dos singles. Certamente, muito menos interessante do que “Only by the Night”, o álbum de 2008 que inclui o single “Use Somebody”, que tem merecido algum airplay nas nossas rádios.
Mas o álbum é muito mais do que isso. E, apesar de Use Somebody ser uma faixa demasiado pop, o restante álbum apresenta diversas composições bastante interessantes. Desde logo, “Closer” e “Crawl”, as duas primeiras faixas do álbum, mostram na perfeição como a voz de Caleb Followill se funde com a guitarra de Mathew Followill.
Porém, algumas questões levantam-se em torno de Only by the Night. Se é verdade que este é o álbum mais neutral dos Kings of Leon, no sentido em que a sua sonoridade não é marcadamente rock, muito mais perto dos U2 dos anos 90 do que dos Allman, não deixa de ser verdade que representa uma abertura da banda a influências que não as do sul dos EUA. E isso tem repercussões ao nível da sonoridade do LP.
Quem ficou fã com o primeiro disco, dificilmente vai considerar este como o melhor da banda – muito menos concordar que representa a maturação musical do grupo. Por outro lado, para quem gosta de boas melodias, algumas letras bastante interessantes e riffs não demasiado profundos que não possam ser apreciados pela generalidade dos fãs, mas também não demasiado simplistas para poderem ser desconsiderados pela crítica, “Only by the Night” pode mesmo ser um dos melhores álbuns dos finais de 2008 a encontrar terreno em 2009.
O burro foi mesmo o Roman
Fevereiro 9, 2009
Scolari foi despedido do Chelsea. Em tempos, apostei com um colega da SIC que o homem não chegava ao Natal. Ele apostou no Carnaval. Aparentemente, perdi essa aposta. Por outro lado, o Chelsea perdeu 7 meses com um treinador inapto, incapaz e bastante abaixo do nível de exigência da Premier League.
Scolari não tem competência, perfil e características para trabalhar na liga mais competitiva do Globo. O brasileiro dá-se bem em países como o nosso, onde a pressão (comparativa) é bastante reduzida e onde quem fala mais alto é rei. Como em Inglaterra é mais útil cair-se em graça do que ser engraçado, Scolari não se deu muito bem.
Volto a dizer. Como treinador, Scolari é mediano (para não dizer medíocre). Enquanto psicólogo de grupo, é fenomenal. Porém, se ao nível da Selecção muitas vezes dá jeito ter esse psicólogo, deve ser tremendamente chato trabalhar todos os dias com alguém que pede que o grupo se una e reza a Nossa Senhora para ganhar um jogo. O Terry e o Drogba, pelo menos, não acharam grande piada.
Aliás, os jogadores do Chelsea queixaram-se em Dezembro que os treinos eram muito leves e que não se sentiam nas melhores condições físicas. Pelo menos não em condição de disputar a Premier League.
Como técnico de clube, Scolari só se vai dar na Europa numa liga de exigência média-baixa, onde o seu perfil pode ser suficiente para motivar os jogadores. Itália, Espanha, Inglaterra e até a Alemanha são areia a mais para a pequena camioneta de Scolari.
I love you
Fevereiro 9, 2009
Em Março vou estar com vontade de ir ao cinema. Também tenho essa vontade agora, em Fevereiro, mas em Março vou ter um incentivo especial. Depois da febre dos Óscares, e de todo os “Benjamins” e “Slumdogs” levarem as estatuetas para casa, vou estar inclinado para ver um filme diferente, uma comédia sobre um homem que procura um… outro homem.
No filme que estreia nos EUA em Março, Paul Rudd é Peter Klaven, um bem-sucedido homem de negócios que se vai casar com a fofa Rashida Jones (baby, tu és mais fofa do que a Rashida). Porém, quando tem de escolher o seu padrinho para o casamento apercebe-se de uma coisa: não tem amigos do sexo masculino,
Peter inicia-se então numa viagem para descobrir o homem perfeito com quem possa partilhar um dia tão especial como é o dia do seu casamento. Depois de vários erros de casting, encontra Sydney Fife (Jason Segel), um tipo excêntrico e opinativo que se parece encaixar na perfeição no “bro” pretendido por Peter.
No entanto, a trama adensa-se porque à medida que Peter e Sydney ficam mais amigos, Peter e Zooey (que é intrepretada pela fofa Rashida, mas não tão fofa quanto tu, baby) vão-se afastando até que Peter tem de escolher entre o casamento e a amizade.
Um filme que promete ser engraçado, divertido e bem disposto, com bons actores que se sentem particularmente à vontade neste estilo de cinema. Realizado por John Hamburg, “I love you, man” tem todos os ingredientes para aliviar o espírito de alguém consumido após dois meses a ver dramas intensos e perturbadores à espera das escolhas das Academia.
Fica aqui um cheirinho.
Por Braga
Fevereiro 5, 2009
A promiscuidade entre futebol e política ficou bem patente com o episódio “Mesquita Machado”. O discreto autarca bracarense veio para as televisões dizer que lhe tinham ligado a meio de um almoço para dizer que, provavelmente, o Sporting de Braga seria roubado na Luz porque o árbitro nomeado era um conhecido benfiquista.
Não contente com isto, o ex-presidente da Mesa da Assembleia-Geral da FPF demitiu-se por não poder compactuar com os poderes repressivos que prejudicam semanalmente o Sporting Clube de Braga.
Não tenho a idade que tem o clube da minha terra, mas recordo-me de muitos outros episódios ao longo dos anos em que o Braga foi prejudicado pelas arbitragens. Então, por que motivo fez tanto barulho desta vez o engenheiro Mesquita? Porque desta, ao contrário das outras vezes, as eleições estão à porta. E, o voto do futebol conta muito. E, mais do que gostar do Braga, o que o Mesquita gosta é do lugar na Câmara.
Pela primeira vez desde 1974, a presidência da Câmara de Braga está aberta. Ricardo Rio tem vindo a ganhar mais apoios ano após ano. Por seu lado, Mesquita tem vindo a perder margem de manobra. Por isso o voto do futebol é tão importante. Tal como Durão conseguiu ganhar umas legistaltivas com o voto benfiquista, Mesquita quer que todos os simpatizantes (como primeiro ou segundo clube, não interessa) do Braga votem em si nas próximas legislativas. E, para conseguir esses votos demitiu-se da FPF. Vamos ver se valeu a pena.
Não era por este que o Dragão ia chorar?
Fevereiro 2, 2009
Ricardo Quaresma vai para o Chelsea por empréstimo. O internacional português não conseguiu impor o seu futebol no Inter de Mourinho – alguém achava que ia conseguir? – e depois de desiludir no Calcioprepara-se para jogar na Premier League, ao lado de uma legião de jogadores portugueses e treinado pelo antigo seleccionador, Scolari – que, a fazer fé na imprensa inglesa, pode até nem se aguentar muito mais tempo em Stamford Bridge.
Quaresma marcou um golo em meia temporada – e foi sem querer. Eleito o pior jogador do Calcio em 2008, o jogador que disse que as bancadas do Dragão iam chorar pela sua ausência e que se sentia grande demais para o futebol português, vai agora tentar a sua sorte em Inglaterra.
A palavra fracasso não deixa de ecoar um pouco pela carreira de Quaresma, que sempre que tentou a sua sorte lá fora nunca encontrou o sucesso. Cá, brilhou no Sporting e no FC Porto. Lá por fora, foi uma sombra na Catalunha e em Milão. Se Scolari não o recuperar, arrisco-me a dizer que Pinto da Costa fez um negócio brilhante: vendeu por 18 milhões um jogador que se arrisca a só dar prejuízo a quem comprou o seu passe. E Quaresma paga pela birra que fez na pré-temporada.
Dito isto, acho Quaresma um génio. Porém, no futebol isso não chega. É preciso trabalhar e querer ser o melhor. Medir o talento é difícil, mas não me parece que Cristiano Ronaldo tenha muito mais talento do que Quaresma. O que ele tem é maior capacidade de trabalho e uma força mental que não encontra paralelo. Pelo menos, não nos seus compatriotas.
Quaresma é bom. Mas nunca vai ser grande enquanto não melhorar o seu comportamento no treino e adoptar uma atitude ganhadora. Enquanto assim não for, Quaresma vai ser apenas “o tipo das trivelas”. Que, diga-se, em Itália não correram muito bem. A ver vamos como se safa em Inglaterra. À selecção dava jeito um bom Quaresma. Veremos se o encontramos em Londres. Duvido, mas…
Já agora, será que o Jesualdo o aceitava de volta?