The Australian Pink Floyd Show
Março 15, 2009
Na última sexta-feira, o Coliseu de Lisboa recebeu os Australian Pink Floyd, uma banda-tributo do grupo de Roger Waters e que visitou o nosso país pela terceira vez. Conta quem viu que o espectáculo foi engraçado e que os meninos até sabem tocar. Em cena esteve “The Wall”, a “rock-ópera” do grupo britânico que faz 30 anos em 2009.
A propósito disto, deixo aqui a minha posição sobre as bandas-tributo. São engraçadas mas estimulam a preguiça. Estes miúdos australianos andam pelo Mundo fora a cantar coisas que não são deles. Não foram eles quem escreveu a música nem desenhou os arranjos. Em última instância, quem os vai ver tem Gilmour, Waters, Mason, Wright e Barrett na cabeça. Não os aussies.
As bandas-tributo não fazem grande sentido se ouvidas fora dos bares ou cafés da cidade. Pagar bom dinheiro para ir ouvir alguém a tocar música dos Pink Floyd – e tentando imitar todo o show do grupo – é parvo e triste. Seria como comprar uma versão d”‘Os Maias” não assinada por Eça mas quase quase igual à obra original.
Eu também passo o dia inteiro a tocar Floyd, Stones, Beatles, Johnny Cash e Doors – Zeppelin ainda é muito complicado. Mas, não ando a tentar fazer uma carreira à custa de outros. Nem a tentar promover-me com a música gravada por outros grupos.
Nunca nada é tão bom como o original. O genuíno. É preferível ouvir o álbum ao vivo do “The Wall” do que ir ver os “Australian Pink Floyd”. Porquê? Porque a arte não deve ser nem copiada nem imitada. A obra pertence a quem a criou. Os outros deveriam retirar inspiração dela para criarem a sua própria obra de arte.
A continuar assim, vamos ter 100 indivíduos a fazer o solo da “Comfortably Numb” o que traz duas consequências: primeira, vulgariza o trabalho original; segunda, enviesa o trabalho de criação artística com toda a gente a tocar ‘como Gilmour’ e ninguém a tocar como ‘Page.
E, por muito que eu goste dos Floyd, viver sem Zeppelin seria um sacrifício tremendo.