Master of puppets

Junho 29, 2009

E, a partir de hoje, sou mestre.

O Rei morreu

Junho 26, 2009

Com a morte de Michael Jackson, a música pop perde o seu maior ícone, a estrela que melhor soube usar a televisão para dar a conhecer a sua música, o seu Rei.

Talento e génio musical nunca lhe faltaram. Controvérsia e polémica também não. A pele foi ficando mais clara e os meninos foram aparecendo na sua cama no rancho ‘Neverland’. Os tribunais ilibaram-no e Jacko foi viver para a Irlanda, preparando a última digressão mundial, aquela que serviria para pagar a sua dívida que, de acordo com algumas notícias, ultrapassava os 500 milhões de euros. Nem os direitos dos Beatles lhe continuavam a valer.

Mas esse é apenas um lado da moeda. Do outro está o músico incrível, que desde cedo – talvez demasiado cedo – encheu salas de espectáculos, vendeu milhões de discos e criou algumas das mais belas e importantes obras da música pop.

A sua colaboração com os irmãos é interessante, mas foi a solo que Michael mais se revelou. Desde “Off the Wall” (1979) que o génio se foi revelando, mas foi “Thriller” em 1982 que mostrou o vocalista, bailarino e rei da imagem ao Mundo. Aliando-se ao fenómeno da MTV, e sabendo-se rodear de pessoas com experiência desde os tempos de Motown, como Quincy Jones, Jackson tornou-se num fenómeno global da música pop, um dos rostos mais reconhecidos no Mundo.

E é esta a imagem que deve ser guardada de Michael Jackson. A imagem do Rei da pop. O conquistador do Mundo. E, como homenagem à última estrela global, deixo aqui o vídeo do single “Thriller”, a música cujo videoclip não me deixou dormir durante uma mês, com medo que os zombies viessem atrás de mim.

“It’s after midnight and something evils lurking in the dark…”

Longe de casa

Junho 23, 2009

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Hoje é noite de São João em Braga. Um pouco por toda a região Norte esta é a noite em que ninguém fica chateado por levar com umas marteladas na cabeça ou ver o seu perímetro de segurança pessoal invadido por alguém com alho porro na mão, mortinho por esfregá-lo contra a cara.

Esta é também a primeira vez em muitos anos que não vou estar em Braga – sim, Braga e não no Porto – para a festa. Desde a sardinhada em casa do Manel, até aos copos com os amigos de sempre e, claro,  as aventuras pela – agora reaberta – Avenida da Liberdade, toda a noite é diferente. E, por isso mesmo, especial.

Não vou estar em Braga. Tenho pena. Mas, tal como digo quando toca ao futebol, para o ano é que é. E, para o ano, vou mesmo subir e descer a Avenida à martelada. 

[nota: a foto, que ilustra a nova Avenida da Liberdade, reaberta esta semana, foi tirada do blogue avenida central.]

Deixem-se de tretas

Junho 22, 2009

Tenho acompanhado com alguma tristeza toda esta confusão em torno das (cada vez mais) patéticas eleições do Benfica. Não encontro melhor expressão para classificar aquilo que se tem passado na Luz do que esta: o que nasce torto, raramente endireita.

Depois de uma época desportivamente frustrante no futebol sénior, a oposição a Vieira levantou a voz e pediu eleições antecipadas. Primeiro, LFV não cedeu. Depois, compreendendo que a oposição não estava tão organizada quanto isso, precipitou a queda da sua direcção. As eleições teriam lugar três meses antes do previsto.

Naturalmente, Bruno Carvalho e Moniz, o rosto do movimento “Benfica, Vencer, Vencer”, ficaram sem tempo para prepararem as suas candidaturas. E, se a de Carvalho avança na mesma, uma vez que serve apenas para marcar posição para futuras guerras, já o grupo de Moniz acabou por lamentar a antecipação e acusar aquilo de que já se suspeitava: falta de preparação para enfrentar uma direcção com oito anos de casa. Mas, afinal, não eram estes que queriam eleições antes do arranque da temporada?

Mas, o que me chateia não é a política atrás das eleições. São as polémicas, as deselegâncias e a brejeirice. Isso sim, preocupa-me. Moniz, aliado ao “Record” criticou Vieira e pediu explicações pelas derrotas no campo; Vieira, que já foi sócio do Sporting e que diz não saber quem lhe paga as quotas no Porto, respondeu dizendo que Moniz esteve 31 anos sem pagar as quotas na Luz; Bruno Carvalho veio dizer que uma análise dos estatutos diz que a demissão dos órgãos sociais por “estratégia” do presidente do clube é ilegal e que Vieira não deveria poder recandidatar-se.

E, atrás de tudo isto paira o fantasma de José Veiga, o dragão de ouro que foi campeão na Luz em 2005, que não se sabe comportar como um benfiquista – porque não o é – tal como mostra o seu comportamento e código de conduta ao longo dos anos em que serviu o Glorioso.

É giro dizer que antes de Portugal ser um país democrático, já o Benfica era um clube que elegia os seus representantes através de sufrágio. Mas, em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. Vieira não é tão mau presidente quanto a oposição quer fazer acreditar – basta olhar para onde estava o Benfica no final da década de 90 – nem os grupos de oposição são tão insignificantes.

Quer ganhe Vieira, quer haja eleições apenas em Outubro, o Benfica já perdeu muito este defeso. Muito do capital de confiança e de credibilidade que LFL foi construindo desde 2000 esvaiu-se com a negociata por Jesus, a saída de Quique, os comunicados ridículos para a CMVM e agora toda esta confusão em torno da ocupação da cadeira do poder.

Resta saber até que ponto esta instabilidade pode ser prejudicial para a campanha desportiva que aí se avizinha, com treinador novo e director desportivo ainda a apalpar terreno. Ramires, Patric, Shaffer e quem mais vier não vão encontrar um clube em paz. Cabe aos que continuam serem capazes de fazer a integração a esses e, todos juntos, criar condições para o triunfo de Jesus. Eu isso espero. E os outros cinco milhões novecentos e noventa e nove mil também.

Ficar mal na fotografia

Junho 16, 2009

Ontem, antes da reunião com a Comissão Política do PS, Sócrates disse que o mais importante é o partido sair das próximas eleições com uma maioria parlamentar, de modo a governar.

Inicialmente, correu a ideia de que isto significava que Sócrates tinha deixado cair a ideia de que o mais importante é conceder uma maioria absoluta ao PS. Contudo, assim que terminou a reunião, e provavelmente depois de compreendida a dimensão da sua gaffe, o ainda primeiro-ministro disse isto: “A maioria parlamentar é uma maioria absoluta, que eu saiba, a não ser que haja outra maioria parlamentar que permita governar sozinho, só a maioria absoluta”.

Maioria parlamentar e maioria absoluta não são uma e a mesma coisa. O chefe do actual Governo devia saber isso.

Ler mais aqui.

Chamo a atençao para a entrevista de Francisco Louçã no i, jornal que após uma relação fria e distante no início me tem vindo a conquistar aos poucos. O líder discute algumas coisas interessantes, entre as quais a total impossibilidade de uma coligação com o PS, qual a posição real do Bloco no actual espectro político, o que quer dizer ser a “terceira força política” do país e como pretende o partido romper com a tradição de partilha e alternância do poder entre PS e PSD.

Um dos momentos mais interessantes da conversa que Louçã manteve com Ana Sá Lopes tem a ver com a defesa do líder bloquista de que os sectores estratégicos da economia devem ser nacionalizados. Com isto, diz o Francisco que empresas que monopolizem um determinado mercado vital para o país devem estar nas mãos do Estado. Se não há concorrência, porquê beneficiar um determinado agente privado?

Mais, Louçã critica os reguladores, apelidando o sistema de regulação do mercado de “fracasso” e uma “anedota para enganar os incautos”. Uma das mais interessantes entrevistas de Louçã nos últimos tempos. Vale a pena a leitura. E, aqui está ela.

A direita é fixe

Junho 7, 2009

Olhando para os resultados das eleições para o Parlamento Europeu há algumas conclusões a tirar: a primeira é que os dois partidos de direita em Portugal estão bastante longe de estarem mortos; a segunda é que o Governo de Sócrates está claramente fragilizado; terceiro e último, mas não menos significativo, o espectro do Bloco Central ficou mais longe.

Por partes. A vitória do PSD e a subida do CDS mostram que o eleitorado de direita existe e, quando devidamente mobilizado, aparece nas urnas. Em comparação com as eleições de 2004, acto a que PSD e CDS concorreram em coligação, o PSD faz dez pontos a mais e o CDS tem o seu melhor resultado de sempre em eleições europeias.

Tão importante quanto isso, ambos os partidos fizeram bastante melhor do que o previsto pelas sondagens. Aliás, a direita costuma surgir bastante mal tratada nas sondagens para quaisquer eleições. Por esse facto, deverão servir estes resultados também para os centros de sondagens repensarem a forma como conduzem os seus estudos. Os resultados do CDS, que nas sondagens não saía dos 3 por cento, são bem ilustradores dessa necessidade de voltar a pensar o método usado para o cálculo dessas mesmas sondagens.

Depois, aquilo que pode ter sido o fim de um ciclo para Sócrates. A escolha de Vital Moreira acabou por se revelar falhada e o envolvimento directo de Sócrates pode mesmo ter evitado um resultado pior. A meros três meses das legislativas, não só a maioria absoluta de 2005 parece cada vez mais indefensável, como a própria vitória socialista é claramente discutível.

Da noite para o dia, Manuela Ferreira Leite e o seu PSD sóbrio e rígido são vistos pelos eleitores como alternativas viáveis de Governo. A escolha de Rangel, critica no início, acabou por se revelar certeira, tendo o candidato carregado o peso do partido quase sozinho e, mesmo assim, garantido a vitória. Sócrates tem de estudar a mensagem que os portugueses lhe enviaram pelas urnas. O fruto dessa reflexão será algo a conhecer nos próximos dias.

Por fim, a fragmentação do eleitorado tem como consequência primeira o fim do mito do Bloco Central. Com tamanha dispersão nas intenções de voto, não faz sentido olhar para uma coligação entre PS e PSD como única forma de garantir uma maioria de governo. Por exemplo, resultados de PSD e CDS somados dão quase a maioria absoluta. O Bloco Central perde espaço e  terreno, enquanto que uma nova AD pode ganhar espaço.

Naturalmente, estas são extrapolações feitas a partir de um acto eleitoral que contou com mais de 60% de abstenção e em que, no fundo, aquilo que estava em causa era a Europa e um cartão amarelo ao Governo – convém aqui notar a incapacidade profunda dos políticos em sensibilizar o cidadão para a importância destas eleições. Importante será, agora, perceber se o eleitorado mantém a tendência de voto contra o PS nas legislativas que se aproximam.

P.S.: É capaz de estar na hora de tornar o voto pela internet possível. Por exemplo, para quem está recenseado em Braga e trabalha em Lisboa a única alternativa é ir até ao Minho votar. Assim, o voto fica caro. Em tempos de banda larga, de Magalhães, de recenseamento automático  e demais equipamentos electrónicos, convém pensar numa solução a esse nível para o voto.