Afinal havia outro

Março 12, 2008

O Eclipse tem um irmão. Fruto de uma relação bastarda, ilegítima e irracional nasceu o Bloco Central, parido esta noite pelo meu amigo e futuro jurista Josué Lopes.

A partir de agora, também estarei por lá.

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Só há um derby no futebol português que também é um clássico: é o de Lisboa, entre Benfica e Sporting, os únicos clubes, a par do FCP, que têm alguma coisa que se veja na sua sala de troféus.

Mas os jogos entre lampiões e lagartos são cada vez menos importantes. Contam-se pelos dedos de uma mão os desafios que realmente tiveram algum impacto na luta pelo campeonato nos últimos anos. Lembro-me, com algum custo de dois: o do ano passado, mas que também já era mais para o segundo do que para o primeiro, e o de 2005, ano marcado pela fim do infame jejum benfiquista.

De resto, são cada vez mais jogos para cumprir calendário. O Sporting e o Benfica não são, nos dias que correm, potências do futebol nacional. Qualquer clube vai à Luz ou a Alvalade com a legítima esperança de trazer, pelo menos, um pontinho. Por exemplo, há 10 anos atrás não caberia na cabeça de ninguém que, com ¾ do campeonato decorridos, o Benfica tivesse apenas 4 vitórias em 10 jogos na Luz. Nessa mesma linha de pensamento, seria inconcebível que houvesse uma equipa que em três jogos contra o Sporting não tivesse, pelo menos, perdido um.

Hoje, tanto vermelhos como verdes são clubes tristes, descontentes com o seu fado e incomodados pelo sucesso triunfal dos azuis do Norte. Ao Sporting incomoda que os dragões consigam cultivar uma cultura ganhadora nos seus jogadores, ao passo que os leões apenas formam miúdos com qualidade, mas que têm de sair para atingir dimensão internacional – olhem para Nani, por favor olhem para o Nani de hoje! Ao Benfica, ao meu Benfica, perturba muito admitir que o FCP representa hoje para Portugal aquilo que o Benfica dos anos 60 e 70 representou para o Portugal da sua época: é o líder natural dos destinos do futebol português, o campeão inevitável e único digno representante na Europa.

Por isso, resta aos de Lisboa lutar pelo título da 2ª circular que vale apenas o 2º lugar no campeonato. Tanto Bento como Camacho já perceberam que esse é o título deles, rezando ambos para que seja o ‘outro’ a apanhar o Jesualdo nas meias da Taça, para ao menos chegarem ao Jamor. O problema desta luta por coisas secundárias é que corremos o risco de nem isso conseguir. O perigo real que representa o Vitória de Guimarães para as aspirações uefeiras de Benfica e Sporting deve servir como alerta para Vieira e Franco: é preciso gerir a coisa com cabeça, tronco e membros, caso contrário perdemos os dedos e os anéis.

Ninguém continuará a perdoar sucessivos falhanços de política desportiva. Pouco me interesse que Vieira tenha sido o presidente do título em 2005; o Benfica de 2008 é mais terceiro do que primeiro. Aos adeptos do Sporting que diferença faz vencer a Taça se sistematicamente são arredados da luta pelo título?

Mas amanhã, durante 90 minutos, não vou pensar em nada disto. Porque é dia de derby da capital, entre Benfica e Sporting, o jogo da rivalidade eterna, histórica e tradicional. Não conta para o título, é pena, mas um Benfica X Sporting nunca é a feijões, há sempre qualquer coisa. Para além do mais, é o último derby de Rui Costa, para mim o último dos verdadeiros maestros, a contar para a liga. Que seria mais bonito do que ver o 10 fazer o golo da vitória amanhã? Vamos Benfica.

PS: Saudades daquela equipa - a da foto…

Derby à moda do Minho

Fevereiro 29, 2008

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Vamos lá!

Há Gato na SIC

Janeiro 11, 2008

Parece que é certo, porque o Quintela disse ao pessoal do Público, que Os Gato Fedorento vão para a SIC. Todavia,  só começam a trabalhar em Outubro deste ano - estão cansados e, digo eu, com os bolsos um pouco carregados.

A RTP perde o seu maior activo dos últimos tempos, essencialmente, em consequência da gestão de transição de Ponce de Leão que não quis ceder aos caprichos dos rapazes com o fedor mais desejado em Portugal quando estes lhe fizeram a proposta para novo contrato.

Para além de ser um exemplo da ineficiência das gestões de transição, espécie de treinadores interinos que não sabem muito bem aquilo que podem fazer, esta transferência é um exemplo do impacto que o fenómeno mediático tem sobre as cabeças pensadoras do mundo empresarial. Quem daria tanto por estes meninos se não fossem as campanhas da PT, as imitações do Marcelo ou as brincadeiras com o PNR?

Nuno Santos apostou no quarteto após este ter sido dispensado por Carnaxide. Agora, regressa à SIC e leva consigo a equipa que a estação dispensou há dois anos essencialmente porque têm piadas giras e porque o povinho lá vai achando graça ao grupo.

Pudera, em terra de cegos quem tem olho é rei. Então se souber imitar o Paulo Bento…

Bella Italia!

Novembro 30, 2007

Nos próximos dias o blogue estará um pouco menos activo do que o normal. Motivo? O seu autor estará em Itália, a participar num seminário dedicado às práticas da vinicultura e da jardinagem no século XXI.Tema muito interessante.

O autor aproveitará também para fazer uma visita pelo país. A seu tempo estará de volta.

Até ao seu regresso, os leitores poderão imaginar o conteúdo das aventuras do autor com base nalgumas fotos por ele gentilmente cedidas.

 Ciao.

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O sonho começou

Outubro 4, 2007

Muito antes de saber onde era Manchester, já eu sonhava com o Teatro dos Sonhos. Agora, já crescido, finalmente conheci o palco onde os sonhos acontecem. E, ele ali à minha frente. Let the dreaming begin.

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Os meus coxinhos

Outubro 1, 2007

A distância é grande, as saudades muitas mas eles estão aqui comigo. Falo da Instituição Coxeana, d’Os Coxos Futebol Clube, a agremiação desportiva mais bonita, sensual e charmosa da Universidade do Minho e arredores.

Podemos não ganhar muitos jogos, mas continuamos a ser os maiores. Sempre. E com gritos como este, bom, não há muito que possa ser feito para nos pararem. Continuem o bom trabalho, rapaziada! O capitão está a ver!

Abraço para todos os Coxos, Coxettes e restantes simpatizantes do núcleo de uma só perna.

Mil palavras

Setembro 22, 2007

Still Special

Setembro 21, 2007

chelseamourinhoportugal.jpgEsta foi uma semana muito ‘portuguesa’ aqui em Inglaterra. Primeiro, o omnipresente ‘caso’ McCann, com os jornais sensacionalistas ora a condenar os pais, ora a criticar a PJ, depois o futebol. Sim, o futebol, o jogo que eles dizem que inventaram e que conhecem melhor do que qualquer outro povo. Na terça, enquanto o Glorioso debatia-se em Milão, o Porto recebeu o Liverpool. Na quarta, foi a vez do United deslocar-se a Alvalade e socorrer-se do seu melhor jogador, Cristiano Ronaldo, para vencer o jogo. Ontem, foi a vez de Mourinho fazer as manchetes com o anúncio da sua saída do Chelsea.

Mourinho chocou a opinião pública quando chegou a Londres e intitulou-se o “Special One”. Agora, na hora do adeus a Stamford Bridge, José volta a impressionar, quer seja pela manifestação de apoio incondicional que recebeu dos adeptos do clube, quer seja pela fantástica indemnização que consegui extrair a Abramovich.

Hoje, a imprensa britânica dedica secções inteiras ao técnico português. No “The Times”, em artigo de opinião assinado por Giles Smith, pode-se ler que “Mourinho foi o melhor treinador que o Chelsea alguma vez teve – brilhante, apaixonado, perigoso engraçado e às vezes todas essas coisas juntas durante cinco segundos”.

Entre mais uma série de elogios, este cronista adepto do clube azul de Londres termina dizendo que “de facto, Roman Abramovich poderia anunciar esta manhã que tinha segurado os serviços de Rijkaard e Guus Hiddink na primeira parceria civil da história do futebol, declarar que ele e os dois treinadores estariam no aeroporto em Janeiro para receber Ronaldinho, e mesmo assim não seria qualquer tipo de consolação porque perdemos (os adeptos) Mourinho. Nós (adeptos) aceitávamo-lo de volta num segundo.”

Outro cronista, este sem ligações afectivas ao Chelsea, Tony Cascarino refere que “embora os jogadores do Chelsea possam respeitar Abramovich, eles amam Mourinho e estão a sofrer tanto quanto o seu anterior treinador”.

O mesmo Cascarino relata que se cruzou com o plantel do Chelsea por altura de uma acção de caridade. Conta que “o à vontade, a camaradagem – a ligação entre treinador e jogadores era simples e poderosa. Claramente, essa foi uma das razões para o sucesso do Chelsea. (…) Os jogadores amam Mourinho por tê-los tornado vencedores”.

Até Scott Minto, antigo defesa esquerdo de Chelsea e Benfica, reconhece que “Mourinho garante troféus” enquanto que Ray Wilkins, uma lenda do clube londrino, penitencia o facto de a Premier League perder um “treinador fabuloso”.

Enfim, a ideia geral é que a Premier League e o Chelsea perderam um (o?) dos melhores treinadores do Mundo à conta de uma casmurrice do dono do clube. Como sentenceia o editor de desporto do mesmo jornal, Simon Barnes, enquanto esteve em Inglaterra “Mourinho foi a estrela do futebol”.

Deus é português

Setembro 19, 2007

Não precisei de muito tempo para constatar uma realidade da cidade de Manchester: Aqui, Deus é português e seu nome é Ronaldo, Cristiano Ronaldo.

Desde o momento em que cheguei que pude ver os miúdos a envergar camisolas do madeirense, táxis com a imagem de Ronaldo e painéis de publicidade a mostrar o 7 do United.

Quando o United sobe ao relvado, as atenções viram-se para ele. Ronaldo. Dos pés do jogador português eles esperam sempre algo de diferente, algo de mágico. Mal a redondinha chega a Ronaldo, o bruá começa: “ohhhhh”, gemem eles baixinho. Quanto mais próximo da baliza adversária estiver Cristiano, mais alto é o gemido. Até que Ronaldo chuta. E o gemido baixinho se transforma numa explosão, numa manifestação ruidosa de júbilo.

Contra o Sporting foi da cabeça que Cristiano Ronaldo resolveu o jogo. Mesmo assim, quando Ronaldo driblava sobre os adversários a emoção do público era igual ao momento em que a bola balançou as redes de Stojkovic. Os ingleses apreciam o mágico e valorizam-no.

Por isso, Deus não é brasileiro. Nada disso. Em Manchester, a força divina vem de Portugal. Deus é português.