Morrer pelas palavras dos My Chemical Romance?
Maio 9, 2008
Fiquei extremamente perturbado quando li esta notícia no Bltiz: uma jovem inglesa, de 13 anos, suicidou-se e a mãe culpa a banda favorita da filha, os My Chemical Romance, pelo sucedido.
Conta o pai que a menina se auto-flagelava e que praticava rituais de iniciação emo. Eles, claro, achavam isso tudo normal. Era uma moda, conta a mãe da menina.
Depois do massacre de Columbine, em que Marylin Manson foi considerado um dos culpados pelo comportamento dos jovens, volta-se a discutir a influência que as letras podem exercer sobre os jovens.
Para mim, isto parece-me demasiado curto e conveniente. Os pais achavam normal e da idade que a rapariga cortasse os pulsos de vez em quando? E que era moda a consulta de sites emo?
Se calhar, para justificarem o suicídio de uma menina de 13 anos, os pais refugiam-se nas letras provocadoras (?) dos My Chemical Romance, quando na verdade poderiam e deveriam olhar mais para dentro e para si mesmos.
Se esta relação entre música mais sombria tiver correlação directa com comportamentos suicidas, então a escuta de algumas faixas da Beyoncé, Britney Spears ou Jessica Simpson poderá contribuir para a banalização do sexo por parte das meninas. Assim como, seria legítimo dizer-se que todas as pessoas que gostam de 50 Cent transformam-se em ‘gangsters’ de bairro.
Isso é claramente falso. Todos somos capazes de interiorizar e aceitar aquilo que quisermos da música. Claro que há umas que nos tocam mais do que outras, e algumas das quais aceitamos a mensagem. Porém, devem imperar o bom senso e temos de ser capazes de perceber qual a mensagem que estamos a interiorizar.
Se os pais desta menina se tivessem interessado um pouco mais pela sua vida, perguntado por que razão andava a cortar os pulsos, tratado de arranjar ajuda méidca para ela, talvez a pequena Hannah ainda estivesse viva.
Quando um filho se suicida aos 13 anos, os pais não se podem demitir e apontar os dedos a uma banda rock. Custará, com toda a certeza, aceitar que se deixou a filha chegar a um ponto de saturação, mas esta terá sido a realidade. E, numa altura de vazio, a jovem terá encontrado nos My Chemical Romance o conforto de que precisava.
Como perguntou Manson no documentário “Bowling for Columbine”, “where were the parents?” É isso, onde estavam os pais de Hannah?
Ler a notícia aqui.
Stevie Ray Vaughan
Abril 29, 2008
Making of… “Kiss Me, Oh Kiss Me”
Abril 23, 2008
David Fonseca é um dos nomes do momento da música portuguesa. Como se escreveu na Pública há umas semanas atrás, o ex-líder dos Silence 4 está a um passo de poder fazer o que lhe apetecer.
E tanto que (quase) pode fazer o que lhe apetece, que até coloca online um vídeo que retrata o “making of” the “Kiss Me, Oh Kiss Me”, a minha faixa favorita do seu último álbum.
Lá descobrimos como um único homem pode criar uma multiplicidade de sons e interpretá-los todos ao mesmo tempo, recorrendo, naturalmente, a equipamentos electrónicos. Um autêntico “one man show.
Quando se diz que o menino pode fazer o que quiser, é porque David Fonseca quebra barreiras com o seu comportamento e a atitude anti-vedeta que o ameaça tornar na maior vedeta portuguesa de todas. Inova na música, sem ter medo de ser olhado com desconfiança, nem tem problemas em se expor, desde que ache que a música venha a ganhar com isso.
O vídeo de “Rocket Man” é um exemplo de algo que podia ter descambado para o ridículo. Pelo contrário, o músico de Leiria conseguiu que a sua versão chegasse até Sir Elton. E fosse elogiada, segundo consta.
Tenho pena de que não cante em português, mas David Fonseca encanta o público em inglês e, afinal, a música não é uma língua universal?
Smells Like Teen Spirit
Abril 8, 2008
Faz hoje 14 anos que o corpo de Kurt Cobain foi encontrado pelo electricista que iria fazer a instalação de um sistema de segurança na casa do vocalista, em Seattle. O líder dos Nirvana lá estava, de espingarda sob o peito e carta de suicídio ao lado. Suspeita-se que Kurt terá morrido três dias antes.
“Sou demasiado instável (…) já não tenho paixão, por isso lembrem-se, é melhor arder do que esmorecer”, podia-se ler na sua carta de suicídio.
Cobain não se esqueceu da mulher, Courtney Love, e da filha: “Por favor continua Courtney, pela Frances. Pela sua vida, que será muito mais feliz sem mim”.
Cobain morreu aos 27 anos. Para trás, entre outros, deixa um álbum que renovou o rock e definiu o som do grunge: “Never Mind”, foi a sua obra-prima.
We’ve got a War to fight
Março 29, 2008
Não estive lá há 10 anos. Não estive lá na quarta-feira. Não estive lá na quinta-feira. Não fui ver Portishead. Não fui ouvir a voz de Beth Gibbons. Não me arrepiei com os acordes estridentes de Geoff Barrow e Adrien Utley.
Há 10 anos não poderia ter ido. Em 1998 andava a seguir demasiado Bryan Adams ou os Corrs para me aperceber dos Portishead – apesar de estar em vias de ‘riscar’ ‘Supernatural’, de Carlos Santana.
Ainda bem que não fui. Não tinha maturidade para perceber, ou tentar perceber, a riqueza presente no sofrimento das letras de Gibbons, nem os arranjos musicais ‘out of this world’ de Barrow e Utley.
Foi só aos 20 anos. Esperei 20 anos para ouvir Portishead. ‘Only You’ foi a faixa que marcou o início da minha relação com Beth. Desde o princípio todo aquele universo sonoro pareceu-me ter tanto de estranho, quanto de fascinante. Comecei a perceber que ouvir Portishead era embarcar numa viagem sem destino e, mais estranho, sem proveniência. Simplesmente, entrava-se na nave, não interessando – nem existindo – qualquer tipo de procedência anterior.
Mas foi com 21 que assumi o meu relacionamento com Beth Gibbons. Em Manchester, lar da Hacienda dos Joy Division e dos Smiths, de Roy Harper e dos Oasis, fui desafiado por um sueco a ouvir ‘Dummy’. Disse-me o rapaz, o único sueco louro que conheci, enquanto mascava uma pastilha de tabaco, que aquele era o derradeiro álbum, a verdadeira experiência musical em que corpo e alma se fundem e fazem um só. Não estava céptico, nada disso, mas custava-me a acreditar que fosse assim tão bom.
Mas é. Dummy é daqueles álbuns que todos os músicos querem fazer – e os Portishead acertaram à primeira. Lindo do plano musical e ao nível das letras, existe em todo o álbum um afecto, um carinho muito grande pela existência humana que transparece nos rasgos de dor, sofrimento e ódio que a vocalista deixa fugir por entre gemidos, sussurros e desabafos.
Talvez como a grande parte dos fãs, a faixa que me marcou foi “Roads”. Ouvi o álbum, numa madrugada após essa noitada em que o sueco Thomas me aconselhou a voz de Beth. Cheguei a casa, liguei o PC e carreguei no botão do download. 45 minutos depois estava deitado na minha cama, a ver o sol timidamente penetrar por entre as frinchas da persiana. Quando começou a tocar Roads, abri os olhos que se tinham fechado para criar o ambiente para a experiência musical. Despertei.
Despertei para as gotas de água que vão caindo e avisando que a tempestade estava a chegar. “Oh, can’t anybody see/we’ve got a war to fight/Never found our way/Regardless of what they say”, começa Beth. O tormento que contamina a sua voz é mel para os ouvidos de quem escuta. Acima de tudo é genuíno, não só o sofrimento, como a compaixão que erradia da sua boca.
Foi a partir desse momento, dessa manhã em que ouvi o álbum, que quis fazer parte do universo Portishead, quis conhecer mais sobre este grupo que marcou a segunda metade da década de 90 e que, tão naturalmente quanto surgiu, desapareceu para sempre. Descobri que a vocalista não fala em público, que não ouve música contemporânea e que, a maior parte das vezes, os outros dois músicos da banda não percebem as letras das músicas – apenas tratam de arranjar som para acompanhar a poesia de Beth.
Descobri também que inúmeras pessoas – sobretudo mulheres – classificavam Portishead como a melhor banda para se ouvir na cama, enquanto se faz amor ou sexo, para fins de procriação, ou para simples recreio.
Eu acho que têm razão. Mas, também, sou suspeito devido ao meu relacionamento demasiado próximo com Beth Gibbons, com a sua voz e com as suas letras.
Não estive lá há 10 anos, quando lá era a Zambujeira. Não estive lá na quarta, no Porto. Não estive lá na quinta, em Lisboa. Não estive. Mas com a voz de Beth e com a música de Geoff e Adrien estou sempre. Desde aquela noite em Manchester.
Foo Fighters e a consagração
Fevereiro 14, 2008
Para além das reuniões de alguns dos monstros sagrados do género, 2007 trouxe consigo a consagração de uma das mais importantes bandas rock da actualidade: os Foo Fighters.
De banda do baterista dos Nirvana a cabeça-de-cartaz de alguns dos maiores festivais de música do Mundo, o quarteto liderado por Dave Grohl teve um ano em cheio, em grande parte devido ao fantástico “Echoes, Silence, Patience & Grace”.
O álbum serviu para confirmar os Foo Fighters como a banda vanguardista do rock actual. Mantendo-se fiel à filosofia tradicional do rock’n’roll, o grupo apresenta por entre letras bem escritas e sedutoras um som recheado de influências clássicas do rock, tais como Led Zeppelin, Sonic Youth, Black Sabbath, Kiss, AC/DC, The Cars e Beatles.
A banda, cujo reportório inicial fora trabalhado por Grohl quando este ainda fazia parte dos Nirvana, evoluiu drasticamente nos últimos anos de grupo com riffs engraçados para um dos nomes mais fortes do mercado musical.
A noite dos Grammys serviu, para além de consagrar a rebelde e reabilitada Amy Winehouse e reforçar o misticismo em torno dos Daft Punk, para apresentar os Foo Fighters ao Mundo dizendo: “Olhai, estes são os novos embaixadores do rock’n’roll. Sigai-los!” Com a conquista de dois prémios, melhor álbum rock e melhor actuação rock, afiguraram-se como uns dos grandes vencedores da noite.
Isto tudo depois das críticas bastante favoráveis ao álbum e na sequência da limpeza geral que a banda tem vindo a protagonizar um pouco por todas essas cerimónias de prémios espalhadas pelo Globo.
O grupo, que até já esteve para acabar, ganhou novo fôlego nos últimos anos e prepara-se para continuar a trabalhar no rock e a encher palcos por esse Mundo fora.
Cada vez mais Harder, Better, Faster, Stronger
Fevereiro 9, 2008
Chegou às minhas mãos um dos melhores álbuns de 2007 e, provavelmente, o melhor disco gravado ao vivo no último ano. O “Alive 2007″ dos Daft Punk é uma obra-prima e merece um lugar na colecção musical de todos, incluindo aqueles que não têm uma grande afeição pela música electrónica.
Gravado em Paris, o álbum é uma contínua manifestação de júbilo, de energia positiva e de total submissão do público aos talentos dos dois DJ’s parisienses, Thomas Bangalter and Guy-Manuel de Homem-Christo, este último de ascendência portuguesa.
Tal como no “Alive 1997″, neste registo ao vivo o duo apresenta-se muito seguro no palco, aguentando os maiores sucessos comerciais sem, contudo, desmotivar o público. As transições e as misturas de faixas continuam a ser um cartão de visita dos Daft Punk. Faixas que à partida nada teriam a ver uma com a outra, fundem numa demonstração de harmonia que não está ao alcance de todos.
A mistura inicial do concerto, “Robot Rock” e “Touch it”, dá o mote para aquilo que viria a ser um festival de explosões sucessivas e contínuas de prazer, quer do público, quer do grupo, que não se coíbe de elevar a audiência à estratosfera com a mistura “Around the World”/ Harder, Better, Faster, Stronger” para depois o trazer, lentamente, de volta à Terra com “Burning”/Too Long” e “Face to Face”/”Short Circuit”.
O álbum é muito bom e para aqueles que, como eu, haviam deixado de acompanhar o duo depois de “Discovery” é uma fantástica caixa de recordações - “One More Time” leva-me sempre para o meu 9ºano. Neste disco, os Daft Punk poderão mesmo ter-se afirmado como a maior e melhor instituição dentro da música electrónica, ultrapassando alguns dos seus conterrâneos, como os Air, e dando o exemplo a outras que lhes querem seguir as pisadas, como os Justice.
Já ouvi quem dissesse que Daft Punk estão para a electrónica como Metallica para o metal. Se assim for, Alive 2007 é Metallica ácido, um concerto em que o grupo tem total poder sobre o público, em que se cria uma simbiose perfeita entre os dois. Exactamente o modus operandi dos 4 de São Francisco.
E, enquanto que o estilo electrónico se encontra cada vez mais dependente de Bangalter e Manuel De Homem-Christo, estes estão cada vez mais próximos do éter musical.
Arrepios Floydianos
Janeiro 17, 2008
Não é a mesma coisa que ouvir os floyd four. Não, não é. Mas anda lá perto e enquanto não pára de chover, só me resta ficar em casa e ouvir, ouvir, ouvir…
Metallica em Portugal… Nothing Else Matters
Janeiro 14, 2008
“No, nothing else matters”. Está confirmadíssimo: a 5 de Junho os Metallica vão encabeçar o festival “Rock in Rio 2008” no Parque da Bela Vista, em Lisboa.
Esta será a segunda vez que o quarteto de São Francisco participa no festival de Roberto Medina e a terceira vez que toca na capital portuguesa desde 2004.
E desta, tal como nas outras, quero lá estar a entoar os hinos do grupo em uníssono com os milhares de fãs que irão estar em peregrinação na Bela Vista.
Jim Morrison
Dezembro 8, 2007
Se fosse vivo, James Douglas Morrison faria hoje 64 anos. Infelizmente, há muito que a vedeta desapareceu deixando apenas o mito, sujeito à veneração dos muitos que seguiram a vida de Morrison com a mesma paixão e intensidade com que o líder mítico dos “The Doors” a viveu.