Deborah Kerr

Outubro 18, 2007

Para aqueles que gostam de cinema, Deborah Kerr será sempre relembrada pelos seus papeis em “From Here to Eternity” e “An Affair to Remember”.

A escocesa morreu esta semana aos 86 anos na calma cidade de Suffolk, Inglaterra.

Apesar de não ser um conhecedor profundo da sua obra, guardarei para sempre o momento em que vi, pela primeira vez, um dos beijos mais quentes, sensuais e profundos da história do cinema. Irradia paixão bruta, animal, primitiva e transborda intensidade.

Refiro-me a Deborah Kerr e Burt Lancaster em “From Here to Eternity”. A ver.

A ouvir… não a ver

Outubro 1, 2007

A minha primeira experiência cinematográfica em Manchester não foi a mais auspiciosa. O filme escolhido foi o mais recente musical da autoria de Julie Taymor, chamado “Across the Universe”. A razão que me levou a ver a dita película foi simples: a banda sonora, inteiramente composta por músicas dos Beatles, ainda que interpretadas pelos actores e convidados – entre os quais, Bono Vox e Joe Cocker.

Mas, o aspecto interessante do filme acaba aí. E é pena, porque até tem boas ideias e tem um bom início. Porém, a dada altura a história perde-se, sente-se a falta de um fio condutor e nem o bastante seguro Mathew Gross é suficiente para aguentar o navio.

Jude (Mathew Gross), natural de Liverpool, parte para os EUA e conhece Max, um rebelde e inconformado estudante em Princeton. Tornam-se amigos e Max leva o seu comparsa britânico a sua casa para passar o Dia da Acção de Graças. Lá, Jude conhece Lucy (Evan Rachel Wood), irmã de Max.

Até aqui tudo bem. O problema é que a intenção da realizadora em fazer um louvor da mensagem dos anos 60 se perde depois disso e entramos numa rede de clichés e lugares comuns que não ficam nada bem.

Podemos perdoar o facto de o par amoroso se chamar Jude e Lucy (jogo entre duas das mais conhecidas faixas do quarteto de Liverpool, Hey Jude e Lucy in the sky with Diamonds) e até achar alguma piada ao facto de todas as personagens femininas, para além de Lucy, terem nomes cantados pelos Beatles – Sadie, Prudence e Rita. Mas, quando há uma desnecessária e excessiva colagem da personagem de JoJo (Martin Luther McCoy) a Jimi Hendrix, uma incoerente sequência musical, uma cópia desgarrada e evitável da célebre actuação dos Beatles no topo do prédio da Apple Rcords enquanto tocavam “Don’t Let Me Down” e uma (surpreendente?) fraca Evan Rachel Wood enquanto activista anti-guerra, começa-se a perder a paciência.

Os cameos de Bono, Joe Cocker,Eddie Izzard e Salma Hayek são pontos interessantes de um filme que na sua globalidade nunca ultrapassa o medíocre e o vulgar. A relação entre Jude e Lucy nunca consegue cativar o espectador, a química é fraca e a sua cena mais íntima não deixa de parecer uma imitação do momento partilhado entre Kate Winslet e Leonardo DiCaprio, quando este desenha o reatrato de Rose a bordo do Titanic de James Cameron.

Se a intenção da realizadora era um filme e evocar o legado musical da década de ’60, não se poderia ter restrito aos Beatles enquanto banda sonora, ainda por cima quando, por exemplo, tributos à memória de Jimi Hendrix e Janis Joplin estão em frente do espectador.

Mas, por outro lado, se a vontade era fazer uma declaração de amor aos Beatles, demonstrando como a sua música marcou o Mundo, como está carregada de amor, de mensagens pacifistas e como pode unir pessoas de Mundos diferentes, então também este intento acabou por ser defraudado, pois o filme passa por um enorme e multi-color videoclip dos “fab four”.

Mas, filme teve uma consequência positiva. Assim que cheguei a casa, deu-me uma vontade enorme de ouvir Beatles, e de me deliciar com a poesia de Lennon, McCartney e Harrison. Ok, e do Ringo também.

bbc.jpgEstalou a bomba na BBC, a emissora nacional de rádio e televisão no Reino Unido. Dois produtores da estação participaram na adulteração de resultados de televotações ocorridas nos últimos meses em diferentes programas e concursos emitidos por aquele canal.

Tratam-se de Richard Marson e Ric Blaxill e foram despedidos após ter sido descoberto que lideraram a iniciativa de “invenção” de vencedores fictícios em dois concursos de rádio emitidos pela estação “6 Music”.

Para além do escândalo nos concursos da 6 Music, também há notícias de adulteração de resultados na BBC Ásia, onde no programa Film Café os vencedores foram escolhidos pela produção, resultando num claro contraste com a decisão dos telespectadores que ligaram e participaram o seu voto à produção do programa.

Porém, a maior contestação surgiu na sequência do concurso patrocinado pelo programa infantil Blue Peter. Os espectadores do programa de animação foram convidados a escolher o nome do gato do protagonista. A maioria dos votantes optou por Cookie, mas a produção achou que Socks seria um nome melhor e anulou a decisão dos eleitores.

A solução encontrada pela administração do canal, após o sucedido ter sido trazido ao conhecimento do grande público, foi introduzir um segundo gato na história. E, este sim, será chamado de Cookie e fará companhia, entre outros, a Peter e Socks.

O acompanhamento desta história levou-me a pensar nalgumas coisas que se têm passado na RTP. Por exemplo, será que A Sónia Araújo ganhou mesmo o Dança Comigo? Será que a vitória da Luciana Abreu na terceira temporada do programa se deveu ao facto de ser uma nova cara da estação? Tantas interrogações.

3 libras

Setembro 23, 2007

“You talking to me?” Esta será, provavelmente, a passagem mais célebre do aclamado “Taxi Driver” de Martin Scorsese. Filme de 1976, conta com as interpretações de Jodie Foster, Harvey Keitel, Cybil Shepherd e, claro, de Robert De Niro que consegue no papel de Travis Bickle uma interpretação genuína, comovente e impressionante.

O filme foi nomeado para quatro Óscares, incluindo Melhor Filme, Melhor Actor Principal (Robert De Niro) e Melhor Actriz Secundária (Jodie Foster), não tendo ganho nenhum.  Injusto. Irremediavelmente injusto.

Bem, mas estava a passear por Piccadilly Circus aqui em Manchester quando, defronte de uma loja de discos e filmes, vejo o cartaz: “Taxi Driver for £3”.

Ora, ao câmbio de hoje essas três libras esterlinas correspondem a pouco mais do que € 4.30. Pareceu-me um negócio fantástico e fechei-o na hora.

O filme, esse, vale muito mais, mas muito mais, do que 3 libras. É Arte. Arte em movimento. Aquilo que de melhor o século XX ofereceu à herança cultural do Ocidente e da humanidade.

O musical

Setembro 5, 2007

Não gosto de musicais. “Moulin Rouge” e “Chicago” não me impressionaram. Os mais antigos também não. Mas, quando à formula do musical se acrescenta Tim Burton e Johnny Depp a coisa muda de figura.

O já chamado thriller musical de Burton, “Sweeney Todd”, adaptado de uma peça da Broadway com o mesmo nome, promete incomodar e perturbar os espíritos mais puros e delicados. Promessa de Burton.

Culto

Julho 20, 2007

  

Quando me falam em filmes de culto, há um que me salta logo à memória: “Entrevista com o Vampiro”. O filme com Tom Cruise, Brad Pitt, Kirsten Dunst, Christian Slater e Antonio Banderas é uma óbvia escolha para película de culto, de maravilhoso filme do Mundo fantástico onde o elo mais fraco é mesmo a, por vezes, insegura actuação de Pitt.

Enfim, fraquezas à parte, o filme de Neil Jordan reuniu o apoio de cinéfilos um pouco por todo o Mundo e é ainda hoje visto como uma das obras que melhor retrata o maravilhoso mundo do oculto, nomeadamente um dos seus personagens centrais: os vampiros. E não, estes não são da Transilvânia.

O Padrinho, pois claro

Junho 13, 2007

A saga de Coppola é uma das mais ilustres e premiadas da história do cinema. O segundo capítulo da trilogia “O Padrinho” é o melhor (?) de todos os filmes, quebrando a regra de que as sequelas são sempre inferiores aos originais.

A personagem constante ao longo da narrativa é Michael Corleone. Um dos seus momentos mais importantes e decisivos é quando aprova o assassinato do seu irmão, que o havia traído. Esse episódio irá marcá-lo para o resto da trilogia, sendo fundamental na sua decisão em ‘abandonar’ o negócio da família no 3º capítulo.

Al Pacino,um dos melhores actores da sua geração, é Michael Corleone, um dos papéis mais marcantes da sua carreira. Sempre que vejo Al Pacino, quer seja em Serpico, quer seja em Ocean’s 13, penso sempre em Michael Corleone e no momento em que se vira para o irmão e lhe diz: “You’re nothing to me Fredo, nothing.” Arrepiante e um dos momentos mais tensos do filme, da saga e do cinema.

Dias de Glória

Maio 28, 2007

diasgloria.jpgO realizador Rachid Bouchareb, francês de origem argelina, apresenta o filme “Dias de Glória”, que regressa à II Guerra Mundial, a uma França ocupada que necessita dos homens das suas colónias para se defender da Alemanha.

Por isso, mais de 500 mil soldados vieram do Norte de África para lutar pela metrópole. Vieram da Argélia, vieram de Marrocos, vieram da Tunísia, vieram, enfim, da África subsariana. Vieram, é o que conta. E, vieram porquê? Alguns para fugir à miséria, outros na esperança de fazer carreira militar e outros ainda que acreditavam que em caso de vitória a França daria a independência a essas colónias.

Eram homens mal preparados. Quase sem treino, chegavam a França onde lhes davam uma farda e uma arma. O resto era com eles. “Resto” era matar e não ser morto. Eram mal alimentados porque as melhores e mais nutritivas rações eram para os franceses ‘puros’. Mas, mesmo assim lutaram ao seu lado.

Lutaram e ganharam. Porém, a vitória foi amarga. Recambiados para as colónias, quando estas deixaram de o ser perderam o direito à pensão reservada a antigos soldados.

É mais ao menos este o cenário de “Dias de Glória”, um filme feito por um realizador francês de origem argelina, com actores franceses de origem argelina.

O mais importante poderá não ser o filme, mas a possibilidade de fazer os franceses pensar. Pôr os franceses a pensar sobre a época da descolonização e da integração feita aos imigrantes vindos dessas colónias.

Bouchareb, em entrevista à Ípsilon, defendeu que “Os franceses têm necessidade de conhecer toda a história de França e os momentos dolorosos da descolonização. Mesmo que a história não seja favorável à França, ela deve ser contada. Os franceses cometeram muitos massacres em muitos países, o passado não é formidável, e é preciso falar dele”.

A França não é um país em paz consigo mesmo. Tem dúvidas e pesadelos sobre o seu passado. Tem medos e interrogações a mais sobre o seu futuro. E, hoje é uma sociedade fria a cominhar num rumo incerto. Os seus dias de glória já passaram. Agora, juntou-se ao clube dos “mortais”, percorrendo o mesmo caminho de outros antigos impérios coloniais, como Portugal ou a Bélgica e a Holanda. 

Já cá fazia falta um post sobre o regresso de Jack Bauer aos ecrãs da televisão portuguesa. Há duas semanas que as noites de quarta-feira ficaram mais perigosas na RTP 2, com o destemido agente federal a combater as forças do mal.

Esta é a sexta temporada da série “24”. De acordo com alguns críticos televisivos norte-americanos, trata-se da mais agressiva e visceral de todas. Vamos ver. A acompanhar todas as quartas-feiras às 22h45 na RTP 2.

“Previously on 24”…

Esta é uma das minhas cenas favoritas de uma das minhas séries de culto: South Park. Por vezes desnecessariamente “politicamente incorrecta”, certo, mas mesmo assim uma das melhores séries de animação desde “Os Simpsons”.

 A ver.