Um azar nunca vem só
Junho 22, 2008
A cidade de Grand Tower, no Estado do Illinois, é, de acordo com uma reportagem publicada na revista ‘Time’, a cidade mais “azarenta da América”. Situada precisamente na área correspondente à “Nova área sísmica de Madrid”, uma das mais violentas do continente americano, a cidade é constantemente atacada por cheias e os terramotos não são invulgares.
Agora, com a subida do Mississippi, o perigo de a cidade ser atacada pelas águas deixou de ser possível; é, nesta altura, certo que a cidade de Grand Tower vai sofrer com a subida do nível das águas.
Para ajudar à festa, o Governo Federal retirou o seguro contra as cheias. De acordo com as autoridades, se as populações de Grand Tower não se esforçam para fazer as melhorias necessárias e recomendadas em estudos conduzidos pela FEMA (Federal Emergency Management Agency) e que passam pelo levantamento de alguns prédios em relação ao nível médio das águas do rio, então o dinheiro dos contribuintes americanos não será gasto para ajudar essa cidade.
O problema é que Grand Tower é das cidades mais pobres da América. Muitas pequenas cidades com as quais desenvolvia relações de comércio foram desaparecendo, graças a calamidades como as cheias. Para se ter uma ideia, o último restaurante da cidade fechou em… 1993, data da última grande cheia.
Sem ligação à Internet nem livrarias por perto, restam à cidade pequenos negócios familiares e habitações avaliadas em $ 20.000.
De acordo com as últimas informações, as cheias do Mississippi estavam a apenas a duas horas de distância de Grand Tower. Vinte e um condados do Illinois e todo o Estado do Mississippi foram declaradas “áreas de desastre”. Os diques que aguentam o Rio Mississippi já têm várias fissuras.
“Desejamos pelo melhor, mas estamos à espera do pior”, diz o ‘mayor’ de Grand Tower, Burke Ellett. Se as águas destruírem a cidade, provavelmente não haverá dinheiro para a reconstruir.
“Somos apenas uma cidade que tenta sobreviver e não temos dinheiro para as reparações exigidas pelo Governo”, disse o presidente da câmara à Time. A única assistência que está assegurada é alojamento temporário e alimentação, caso a cidade seja afectada pelo temporal. Situação à qual responde, de forma cínica, o presidente Ellet “Isso é que é muito humanitário”.
Durante os próximos dias, as pessoas de “Grand Tower” vão estar à espera do Mississippi. Depois, veremos se restará alguma coisa pela qual valha a pena esperar.
Já não há palavra
Junho 21, 2008
Cristian Rodríguez comprometeu-se com o Benfica. Mais, o cebola, como é conhecido, jurou a pés juntos que em Portugal só no Benfica - quer dizer, ele só disse isto depois de ter admitido ficar contente pelo interesse do FCP, mas logo veio garantir que não jogava noutro campo que não a Luz.
Há várias semanas que se pode ler na imprensa desportiva que o jogador estava contratado, faltando apenas que os seus empresários viessem a Lisboa assinar o contrato e ceder a parte que detêm do passe.
Porém, essa viagem ia sendo sucessivamente adiada. Agora sabe-se por que motivo: os agentes de Rodriguez estavam a negociar com outros clubes, incluindo o FCP. Ou seja, depois do jogador ter acordado um contrato com o Benfica, os empresários continuaram a negociar com terceiros.
Chegado a um acordo com os dragões, os empresários passaram a bola para Cristian. O uruguaio terá ligado a Rui Costa e pedido para o Benfica igualar os números. O nosso ‘10′ não o fez. Cristian Rodriguez será jogador do FCP.
A meu ver, o Benfica fez bem. Rodriguez é bom, mas não ao ponto de merecer uma locura financeira para o manter. Mais, se o jogador falou com o FCP, é porque não estava completamente dedicado ao projecto Benfica. É um profissional, e tomou uma escolha profissional. Não tem é palavra.
Pode dizer-se que o Benfica teve uma época inteira para fechar este negócio e que o deixou fugir. É verdade. Segurar Rodriguez antes do final da época teria sido mais fácil e, talvez, barato. Porém, as indefinições em torno do futuro da administração do futebol não deram grande espaço de manobra ao Benfica.
Situação capitalizada pelo FCP. Sendo óbvio que esta contratação não se encontra alheada da polémica jurídica em torno da presença na Champions, o namoro de Pinto da Costa com os empresários de Rodriguez deverá ter começado há muito tempo. E, no momento certo, os campeões nacionais finalizaram toda a situação.
Para não dizer que contratar um jogador ao Maior clube do Mundo cai sempre bem, principalmente quando uma das referências do clube já abandonou o Dragão - Paulo Assunção - e as outras suplicam pelo bilhete de partida do Porto - Lucho e Quaresma, principalmente.
Agora, resta-me desejar ao Rodriguez a mesma sorte que tiveram Panduru, Kenedy, Pedro Henriques, Hugo Leal e Sokota na cidade do Porto.
Vamos engravidar?
Junho 20, 2008
“Miúdas, vamos engravidar?” Terá sido, mais ou menos, assim que 17 alunas do liceu de Gloucester, no Estado do Massachusetts, nos EUA, decidiram ficar grávidas. Namorados, amigos de ocasião e até um sem-abrigo (alegadamente, a troco de uma garrafa de teor alcoólico) são os futuros papás destas crianças.
A escola em causa é uma das pioneiras no acompanhamento de adolescentes grávidas. Adoptando uma política de não-exclusão, a escola oferece às alunas um centro de acompanhamento médico da gravidez e, após o nascimento dos rebentos, há também um serviço de ATL para as mamãs deixaram os meninos e irem para as aulas. A escola, inclusivamente, dedicava um dia por ano às “mães adolescentes”, deixando-as levar as crianças para as salas de aula e partilharem a sua experiência com os outros alunos.
Alegadamente, depois de terem visto o ‘tratamento’ prestado a uma colega que engravidara, um outro grupo de alunas terá decidido engravidar para beneficiar das mesmas regalias. Nenhuma tem mais de 16 anos.
A escola, depois deste surto de gravidezes, decidiu investigar se haveria alguma coisa que associasse todos os casos. E, de facto, concluiu que se tratou de um pacto entre as estudantes. 17 engravidaram, enquanto muitas outras tentaram sem sucesso.
De acordo com o director da escola, Joseph Sullivan, as estudantes após realizarem os testes de gravidez, e estes saírem negativos, aparentavam estar “mais tristes do que contentes”. Esse terá sido um dos motivos que despertou a atenção dos responsáveis.
O pacto já terá, pelo menos, três meses, altura em que o jornal local, o “Gloucester Daily Times”, chamou a atenção para o aumento do número de estudantes grávidas e a existência de um acordo de gravidez entre as alunas.
Na CNN, um dos responsáveis pelos programas educativos no Estado de Massachusetts, tal como a responsável pelo ATL da escola explicam a forma como eles vêem este caso. Para ver, aqui.
A Lei do mais forte
Junho 19, 2008
Portugal perdeu contra a Alemanha a possibilidade de disputar a terceira meia-final consecutiva de um Europeu de futebol. A derrota por 2-3 perante os germânicos, apesar de custosa, não deixou de ser justa.
A Alemanha foi a equipa mais inteligente. Percebeu quais eram os pontos fracos de Portugal e anulou-os. Melhor do que isso, entendeu por onde podia entrar na defesa nacional e conseguiu-o com êxito.
Por exemplo, a colocação de Schweinsteiger no lado direito do ataque tinha por objectivo explorar as debilidades de Paulo Ferreira. Podolski à esquerda ajudava Lahm a anular Simão. Com Ronaldo sempre vigiado de perto por dois adversários, sobravam Deco e Nuno Gomes, os melhores jogadores da Selecção – ao lado de Pepe – para criar os desequilíbrios.
Deco conseguiu criar muitos espaços para colocar a bola e Nuno Gomes abriu imensos buracos na defesa alemã, que deveriam ter sido melhor aproveitados por Simão e Ronaldo. Não foram e como quem não marca arrisca-se a sofrer, Portugal sofreu em quatro minutos. Foram dois golos que resultaram de dois erros crassos: falta de pernas de Paulo Ferreira para acompanhar Schweinsteiger e má colocação de Pepe – único erro na partida – no primeiro golo e total desconcentração defensiva, piorada pela notória falta de confiança de Ricardo, incapaz de se sair em termos a um cruzamento, no lance do golo de Klose.
O golo de Nuno Gomes permitiu acalentar esperanças, dizimadas após o falhanço de Ricardo e do árbitro, pois no lance do terceiro golo as culpas são a repartir pelos dois: se é verdade que Paulo Ferreira é carregado por Ballack, não é menos verdade que Ricardo saiu muito mal dos postes. Aliás, ao longo dos três jogos foi evidente o desacerto do guarda-redes, assim como a falta de empatia com os colegas.
Muito se vai falar da arbitragem para explicar esta derrota. E, apesar de não ser legítimo atribuir todas as culpas a Peter Frojdfeldt, a verdade é que o árbitro sueco esteve mal. E, esteve mal porque não manteve um critério linear, admoestando faltas para um lado – normalmente o alemão – e deixando jogar quando se invertiam as camisolas dos protagonistas da acção. O lance do terceiro golo alemão é capital, mas várias outras faltas e admoestações foram evidência de alguma falta de critério.
A UEFA deve olhar com atenção para a arbitragem deste Europeu. De muito mau nível e, em alguns casos, a roçar o medíocre. Pior do que isso, nota-se que o peso das Federações está a voltar ao terreno de jogo, com as mais fortes a ter alguns benefícios em contraste com as associações mais pequenas.
Porém, e voltando ao essencial, Portugal despede-se da Suíça por culpa própria. A equipa tinha mais futebol do que a Alemanha, mas nunca conseguiu mostrar que era superior. Deixou-se envolver na teia montada pelos germânicos e dela só saiu a espaços, normalmente quando Deco pegava na bola. Ronaldo? Nem vê-lo.
Terminou o reinado Scolari e a pergunta tem de ser feita: qual o legado do brasileiro? A meu ver, a grande conquista de Scolari foi a conquista da empatia do povo português com a selecção. Desportivamente, não creio que deixe grandes resultados: um segundo lugar num Europeu que era para ganhar, um quarto lugar num Mundial, uma péssima qualificação para o Euro 2008 e uma presença a roçar a desilusão na prova, com 2 derrotas em 4 jogos – não nos esqueçamos que o próprio Scolari colocou a fasquia nas meias-finais.
Com resultados destes em Inglaterra, não durará muito tempo no Chelsea.
Os Boston Celtics garantiram o seu 17º título da NBA. São a equipa com mais vitórias na prova, e a conquista de 2008 é a primeira desde 1986. Durante estes 22 anos, o domínio da NBA passou pelos Lakers de Magic, os Bulls de Jordan, regressou aos Lakers de Kobe e Shaq e parecia ter estancado nos Spurs de Duncan e Parker.
Agora, o “Big 3″, constituído por Pierce, Garnett e Allen conduziu os verdes de Boston à vitória final. Foi no sexto jogo da final contra os Lakers de Kobe e Gasol. No final, ficou 4-2, sendo de destacar que os Celtics ganharam os 3 jogos disputados no Boston Garden e ainda foram ganhar um ao Staples Center, de Los Angeles.
Numa final pautada pelo equilíbrio, e onde ambas as equipas venceram jogos após maravilhosas recuperações, venceu aquela que conseguiu ser mais espectacular e, ao mesmo tempo, consistente. Aliás, o resultado do sexto jogo, 131-92 acabou por ser o mais desnivelado da série, onde Paul Pierce foi enorme.
Pierce, aliás, merece este título mais do que ninguém. Depois de anos em que os Celtics nem aos palyoff foram, teve oportunidade para sair mais pediu para ficar e para a equipa se reforçar. Desta vez,os donos do clube acederam e foram em grande contratar Kevin Garnett - que teve com um pé nos Lakers - e Ray Allen.
Os resultados estão aí. O 17º título do Mundo é dos Celtics, os verdinhos de Boston. Aliás, como eu já tinha previsto em Agosto.
Alemanha
Junho 16, 2008
I freed millions from barbarism
Junho 15, 2008
George Bush deu uma entrevista ao Guardinan onde, sem papas na língua, confessou a sua crença de que deixa um legado positivo e uma importante marca na história. A ‘libertação’ de milhões das garras dos ditadores opressores é o seu maior orgulho. Para ler.
“President Bush flies into London today for the last time as US leader. In an exclusive and wide-ranging interview with Ned Temko on the eve of his visit, he defends his legacy, issues a stern warning to Iran … and reveals his plans for a freedom institute devoted to ‘universal values’.“
For a political leader who has rivalled Gordon Brown’s vertiginous nosedive in the opinion polls in the past year, president George W Bush looked remarkably untroubled by self-doubt as he crossed Europe last week.
The focus back home has shifted to the battle between Barack Obama and John McCain to succeed him. But Bush, on his last European tour as American President, is determined to prosecute his foreign policy agenda for his final seven months in the White House. Dealing aggressively with Iran, and its continuing nuclear aspirations, is top of the list. Stabilising and rebuilding Iraq, staying the course in Afghanistan and building a ‘unity’ alliance with key European leaders to achieve these goals are the other themes of the farewell trip.
At street level, the president’s visit to Slovenia, Germany, Italy, France and now Britain has sometimes had an almost surreal quality. It is not just the politicians and pundits who seem to have begun shifting their gaze to a post-Bush era. Despite a small scattering of demonstrations, with a further protest expected in London, there has been little of the fire and fury that greeted him at the height of the controversy over the Iraq invasion.
On the road to Fiumicino airport in Rome, where as in other capitals on his itinerary the police had far outnumbered any demonstrators, one taxi driver remarked: ‘Bush has been very bad for my country.’ But when asked what he had against the US President, it was not climate change policy, Iraq or Guantánamo Bay: ‘It’s the traffic!’
Bush’s focus, as he made clear in a lengthy Observer interview before his arrival in London today for talks with Brown, has been on forging a broader relationship with Europe that moves on from the days of his close partnership with Tony Blair. A united front is deemed vital to deal with what he sees as the West’s single most pressing policy challenge - heading off Tehran’s nuclear ambitions. ‘All options,’ Bush has stated repeatedly, remain ‘on the table’ if diplomacy fails to get Iranian president Mahmoud Ahmadinejad to abandon Iran’s uranium enrichment programme.
On his way to London, Bush was pressing broadly sympathetic leaders in Berlin, Rome and Paris on that issue, as well as on the need to beef up allied support for the battle against the resurgent Taliban in Afghanistan.
He may be on his way out next January, conceivably to be replaced by a Democratic candidate fiercely critical of his foreign-policy approach. But Rome’s closed thoroughfares, the small army of secret-service agents and the motorcade waiting to speed Bush to a meeting with the Pope after the Observer interview offered a reminder that he still holds the most powerful political office in the world. Bush has no regrets about how he has used that power. Asked what he thinks his legacy might be, he says he is happy to await the verdict of history. But he cannot resist also offering his own, suggesting ‘the liberation of 50 million people from the clutches of barbaric regimes is noteworthy, at a minimum’.
As the jacketless president expanded on his foreign policy strategy in the garden of the palatial 17th-century US ambassador’s residence on a Rome hilltop, he was keen to shift the focus away from the prospect of American military action against Iran. His interest, he said, was in ‘results’ - in demonstrating sufficient Western steel, through toughened economic and financial sanctions, to resolve the Iran issue diplomatically.
The real ‘options on the table’ that should worry the world lay elsewhere - in the likelihood of moves by Iran’s Arab neighbours to develop nuclear weapons of their own. He said the ‘time is now’ for the outside world to put in place ‘diplomacy with consequences’ to bring Iran’s uranium-enrichment activities to an end, not least because he believed that a new group of European leaders had ‘gone beyond the Iraq period’ and were engaged with the US in multilateral efforts on a range of other issues.
In London, however, Iraq inevitably will be back on the agenda. Today will begin for the President and the First Lady, Laura Bush, when they meet the Queen and Prince Philip at Windsor Castle, and will end with dinner with the Browns. But tomorrow - after breakfast with an international Middle East envoy named Tony Blair - he will have formal Downing Street talks with Brown and discuss a ‘timetable’ for British troop withdrawals from Iraq.
Asked in the Rome interview about popular opposition in Britain to the war and his presidency, he replied: ‘Do I care? Only to the extent that it affects people’s view of the citizens I represent. Do I care about my personal standing? Not really.’
He remained, he said, convinced that Iraq, and the world, was a better place without Saddam Hussein. And he said that while ‘Presidents don’t get to do re-dos’ on issues such as Saddam’s lack of weapons of mass destruction, there was one lesson from the run-up to the Iraq war that he felt was hugely relevant to the standoff in Iran.
‘We didn’t realise, nor did anyone else,’ Bush said, ‘that Saddam Hussein felt like he needed to play like he had weapons of mass destruction. It may have been, however, that in his mind all this was just a bluff … that the world wasn’t serious.’
No means no
Junho 14, 2008
A Irlanda rejeitou o Tratado de Lisboa. Melhor, os irlandeses votaram ‘não’ num referendo que perguntava se aceitavam que o país ratificasse o Tratado de Lisboa.
Porém, questiono-me sobre se, de facto, eles chumbaram o tratado. É verdade que eles votaram contra alguma coisa, mas duvido que tenha sido contra o tratado.
A Irlanda é dos países que mais beneficiou da presença na UE e tem um dos governos mais europeístas dentro da actual união - será, com toda a certeza, o mais europeísta da ilha britânica. Os irlandeses não são particularmente euro-cépticos como são, por exemplo, os ingleses. Emtão, por que raio, chumbaram eles o tratado?
Bem, provavelmente aquilo que chumbou foi o governo irlandês. Vítima de escândalos relacionados com corrupção e favorecimento político, recentemente houve até mudanças na liderança do executivo. Berti Ahren foi substituído por Brian Cowen em Abril deste ano.
Por tudo isto, antevia-se que a campanha não ia ser fácil. Aliás, várias foram as críticas lançadas aos políticos irlandeses por confiarem na vitória do sim e não se empenharem na campanha. Os resultados estão à vista, sendo que a ignorância e desconhecimento daquilo que está escrito no Tratado de Lisboa foram apontadas como as principais razões para o ‘não’ dado pelo povo irlandês.
Cavaco disse hoje que não faz sentido submeter à aprovação popular um tratado comunitário. Tem razão. As pessoas, nestas alturas, nunca decidem em função dos temas em cima da mesa. Aproveitam, sempre, estas alturas para mandar recados aos governos nacionais. Muito mais quando não sabem sobre o que estão a votar.
No entanto, esta rejeição irlandesa levanta outra questão: até que ponto a generalidade do povo europeu aceita os pressupostos do Tratado Europeu? Será que este ‘não’ irlandês não é, também, comunitário?
O futuro da Europa está condicionado. De nada valerá a validação do tratado em 26 estados, se o vigésimo sétimo não o aceitar. Os políticos terão de ser hábeis e arranjar uma nova solução: ou novo tratado, ou novo referendo - afinal, a diferença foi apenas de 7 pontos.
Qualquer que seja a solução escolhida, urge ser rápido na sua aplicação. É que a crise está aí.
“É o Phillipe, é o 21, é o capitão e como ele não há nenhum”
Junho 14, 2008
O Futuro da Europa nas mãos da Irlanda
Junho 12, 2008
Decorreu hoje na Irlanda o referendo ao Tratado de Lisboa, assinado na capital portuguesa a 13 de Dezembro último e que foi sendo rectificado, um por um, pelos membros da União Europeia. Agora, chegou a vez da Irlanda, país onde a constituição estipula que tais decisões só poderão ser verificadas após consulta popular.
Apesar de apenas se virem a conhecer os resultados amanhã de tarde, já muito se especulou hoje sobre o resultado. E, o motivo é simples: basta o ‘não’ da Irlanda para todo este processo sofrer um retrocesso e voltarmos à estaca zero.
Se o Tratado de Lisboa já era um compromisso político significativo em relação à Constituição Europeia, rapidamente chumbada em França e na Holanda, a não aprovação do tratado por Dublin significa que o mesmo não entrará em vigor, pois o mesmo tem de ser validado pelos 27 membros.
As primeiras sondagens davam conta de uma vantagem do ‘sim’. Porém, durante a tarde foi dada a conhecer uma sondagem que favorecia o não.
O futuro da União joga-se na Irlanda. Durão Barroso já disse que não há um plano ‘b’, em clara alusão ao facto de que caso falhe o Tratado de Lisboa a confusão vai ter residência permanente em Bruxelas.
Os irlandeses, não muito preocupados com isso, decidem em função do seu interesse. Se acharem que o Tratado de Lisboa serve os seus interesses, eles votarão a favor. Se acreditarem no desfecho inverso, então votarão no ‘não’.
Tal como aconteceu em França e na Holanda, as pessoas não vão votar em função daquilo que mais interessa à Comunidade. Estas eleições ‘europeias’ pecam sempre pela falta de um verdadeiro espírito europeu, e servem para se mostrarem cartões aos governantes. Os irlandeses votam em função dos interesses da Irlanda, pouco desassossegados pelas consequências que o seu voto irá ter na Europa. Até que ponto, os irlandeses estarão preocupados com a forma como a não validação do tratado poderá afectar, por exemplo, os cipriotas? Ou os malteses?
Falta uma consciência europeia. E, as classes políticas já compreenderam esse facto. Por isso, franceses e holandeses não voltaram a cometer o erro de colocar a aprovação deste tratado em discussão por referendo. Sabiam que ao fazê-lo estavam a perder o controlo da situação e corriam o risco de um sério embaraço político. Imaginem o que seria para a “França Europeia” de Sarkozy a rejeição do Tratado de Lisboa?
Contudo, não deixa de ser interessante fazer o seguinte exercício de especulação política: Se o Tratado de Lisboa fosse colocado em referendo, em quantos países obteria aprovação? Mais, Portugal aceitaria o tratado assinado na sua capital? E, terão os políticos o direito de legislar sobre matérias tão sensíveis sem consultar a população que os elegeu, correndo o risco de ir no sentido oposto do da maioria?


