Where’s the rock ‘n’ roll?

“Pink Floyd? Que é isso?” Foi assim que um indivíduo, amigo de um amigo, reagiu quando lhe disse qual a minha banda favorita. Ficou a olhar para mim como se de extraterrestres se tratassem. Esse episódio, ainda que protagonizado por alguém cuja ideia de boa música é Linkin Park, despertou-me para uma realidade para a qual me tenho vindo a sensibilizar aos poucos, isto é, o desaparecimento da nossa cultura pop dos ícones do rock ‘n’ roll, dos verdadeiros ícones do rock. 

Quem ligar a televisão ou sintonizar a rádio em busca de música sabe, com certeza, onde deverá ir para ouvir hip-hop, punk, pop, electrónica, etc. Porém, quem, como eu, tem gostos diferentes fica com uma profunda mágoa ao perceber que não vai encontrar aquilo que quer ouvir em lado nenhum.

Quando ligo o rádio no carro ou a TV em casa já sei que não vou ouvir Bealtes, já sei que a única música de Metallica será “Nothing Else Matters”, obviamente nem pensar em ouvir Floyd, a não ser que seja a bela da “Wish You Were Here”.

Hoje em dia, aquilo que se quer é música curta, cheia de caixas de ritmos com refrões fáceis e descartáveis. Nunca passar uma música com mais de 3 minutos! Cruzes credo! E, a estrutura interna é sempre a mesma: estrofe/refrão/estrofe/solo/refrão. Aquilo que as discográficas querem são faixas “rádio friendly”, nunca interessados em produzir bons álbuns, aquilo que é importante é um bom single de lançamento para cativar. Por isso, muitos dos meus amigos me dizem que não compram música, pois “só gosto de uma música. Vou ao e-mule e «saco»”. Perdeu-se o culto do álbum.

No tempo do vinil, compravam-se os álbuns, não apenas por se gostar do tema lançado no air play – aliás, muitos nem lançavam singles – mas por causa dos artistas, porque se desenvolvia uma qualquer afinidade com eles e acreditava-se nas suas obras. Quando ouço “Freewheelin Bob Dylan”, de Bob Dylan, eu acredito nele, ouço-o porque confio na sinceridade daquilo que ele quer expressar. Por exemplo, nunca consigo ouvir “The Dark Side of the Moon” de outra maneira que não seja do princípio ao fim. Sem interrupções. Só assim faz sentido. Não são oito singles. São nove capítulos de um livro e, caso não leias o livro todo, nunca vais perceber aquilo de que se trata.

Mas há outra coisa que me entristece. A ausência de novas bandas de rock. Partilho com um amigo meu de uma teoria que pode ajudar a explicar o declínio da guitarra eléctrica e o aparecimento dos “MC’s”… a culpa é da MTV! A MTV foi o veículo responsável pela difusão de toda uma nova cultura musical, de toda uma nova onda musical. O rap, por exemplo, considerado como tudo menos música, passou a ser gradualmente aceite na cultura suburbana da América branca e essa legitimidade tornou possível o aparecimento dos primeiros “mainstream rappers”. Depois, também toda a onda punk e grunge de inícios de 90 teve a televisão como baluarte e suporte. E, durante todo esse período, que acontecia aos rockers dos 60, 70 e até meados 80? Consumiam-se, desapareciam. Gozavam os rendimentos, refugiando-se nas suas principescas mansões, deixando o rock ‘n’roll morrer aos poucos.

E, se os miúdos cresceram a ouvir Duran Duran e Michael Jackson, não podiam tornar-se nos novos “The Who”. Se já ninguém ouve Hendrix, não vamos ter ninguém num registo próximo do dele num futuro próximo e nunca vamos ouvir um trabalho de guitarra como em “Purple Haze”.

Aquilo de eu gostaria era de poder ligar o meu rádio e ouvir a guitarra do George Harrison, ou a bateria do John Bonham, a voz do Jim Morrison ou as teclas do Rick Wright. O que seria bom era dizer que gostava de Pink Floyd e não ter ninguém com os habituais “Quem?”ou “Esses velhos? Senta-te mas é aqui e ouve este Vibezinho….”.

O rock teve o seu auge durante os anos 60 e 70, períodos de grande transformação histórica e social e surgiu como ferramenta de arremesso a uma política rígida e conservadora que conduziu o planeta a algumas das situações mais tensas e dramáticas do nosso tempo. Era a mais bela e alta forma de expressão cultural. Quando os artistas queriam dizer alguma coisa, usavam a música para o fazer. Quando tinham um sonho, uma utopia, era o rock que servia de veículo para a sua manifestação e finalização.

E rock não é cabelos cumpridos e música alta. Rock é um estado de espírito, é uma forma de ver a realidade, uma possibilidade de relação com o real e sua interpretação. Por isso, mas também por ser o meu estilo favorito, é um pena ver o rock a definhar assim.

Guardo, em perfeitas condições, os exemplares dos meus álbuns favoritos. Trato-os com uma devoção quase sagrada. De entre os meus álbuns predilectos, aquele que tem uma data de lançamento mais recente é “Californication”, dos Red Hot Chili Peppers… Bem sei qual muitos de vocês estarão a pensar: “ Mas este tipo mora nalgum sótão? Então ele não ouviu isto ou aquilo… Como é possível?” Bem, é possível que exista muita coisa muito boa a ser lançada hoje – e continuo a consumir música contemporânea – mas simplesmente não reúne em mim o esplendor de um “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, “Revolver”, “Rubber Soul”, “Highway 61 Revisited”, “Are You Experienced?”, “Electric Ladyland”, “Paranoid”, “Number of the Beast”, “Master of Puppets”, “Exile on Main Street” ou, claro, de um “Dark Side of the Moon” ou “Wish You Were Here”.

Por falar nisto, Tricky despacha-te homem! O meu ouvido precisa de ti…

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32 thoughts on “Where’s the rock ‘n’ roll?

  1. estás a cometer um erro para o qual devias estar preparado, quanto às novas produções: estás e deixar-te enganar pelo mundo mediático.
    e a propósito destes últimos discos mencionados… é normal que não encontres muita coisa melhor. não por uma questão meramente qualitativa, mas porque foram alguns desses trabalhos que ditaram o rumo da história melómana mundial. são mais que obras, que peças, são marcos.

  2. Se me estou, ou não, a guiar pelo Mundo mediático não sei, mas o facto é que aos meus ouvidos não chegam sonoridades actuais que me apelem de um modo tão cativante quanto alguns dos exemplos que dei no post.
    reconheço que o mundo mediático se encarrega de despejar o lixo todo para cima de nós, e cabe-nos a tarefa de o evitar e tentar encontrar as pérolas, pois que as há, há, mas é tão difícil encontrá-las…

    Em relação aos “marcos” concordo plenamente contigo no que respeita ao facto de terem ditado os passos a seguir na história da música. Porém, não seria de esperar que hoje também assistíssemos à produção de trabalhos, ainda que diferentes, com a mesma profundidade espiritual e criativa? As possibilidades musicais não se esgotaram nos anos 70, pois não?

  3. Estava a perguntar se consideras que a música que mostras no teu blog, na rubrica “nos phones”, tem “profundidade espiritual e criativa”? Isto apenas para provar que ainda existe boa música. Basta é saber onde procurar.

  4. temos que ter uma base comum à partida: ‘boa música’ não é apenas aquela de que gostamos. aceitamos isto ou entramos imediatamente num poço sem fundo sobre a etimologia, as funções, os conceitos, os fenómenos, etc, da arte – que, penso, não nos interessa para aqui.
    concordo contigo. aliás, era disso que estava a falar quando escrevi que o Phillipe se estava a deixar enganar pelo mundo mediático. mas, quer parecer-me, há muito ‘boa música’ por aí para ser encontrada – ou simplesmente admitida como tal. e há também aquela que é considerada nessa prateleira e está tão longe dela quanto poderia estar.

    e agora especificamente sobre os meus ‘phones’, acredito que o Metal de uns Meshuggah, o Stoner Rock de uns Kyuss ou um Pat Metheny e o seu ‘Jazz contemporâneo’ não são para todos os ouvidos. o que fazer? boa pergunta. educação musical? e no entanto, se ouvires os primeiros que referi, vais começar por rir-te. ;o)

  5. «e agora especificamente sobre os meus ‘phones’, acredito que o Metal de uns Meshuggah, o Stoner Rock de uns Kyuss ou um Pat Metheny e o seu ‘Jazz contemporâneo’ não são para todos os ouvidos. o que fazer? boa pergunta. educação musical?»

    Queres ensinar as pessoas a gostar daquilo que achas que deveriam gostar?

    P.S.- Depois de uma conversa com o Beja deixei-me de responder por pontinhos; agora o que está a dar são citações comentadas 😀

  6. não foi o que escrevi. aliás, comecei por dizer que ‘boa música’ não é um conceito que se possa confundir com ‘a música que eu gosto’. a educação é uma via para reconhecer a primeira. caso simples: o teu ouvido pode não ser agradado por Mozart e, no entanto, não podes deixar de lhe atribuir mérito pela qualidade das suas composições. e vais ver que isto te fará mais sentido se te deres ao trabalho de pôr a atenção por uns minutos nos mencionados Meshuggah – é um trabalho de pura matemática, apesar do ‘barulho’.

  7. “não foi o que escrevi. aliás, comecei por dizer que ‘boa música’ não é um conceito que se possa confundir com ‘a música que eu gosto’. a educação é uma via para reconhecer a primeira. caso simples: o teu ouvido pode não ser agradado por Mozart e, no entanto, não podes deixar de lhe atribuir mérito pela qualidade das suas composições.”

    Faço tuas as minhas palavras.

    “e vais ver que isto te fará mais sentido se te deres ao trabalho de pôr a atenção por uns minutos nos mencionados Meshuggah – é um trabalho de pura matemática, apesar do ‘barulho’.”

    Ouvi o referido trabalho, e apesar de não ser o tipo de música que aprecio, não entendo muito bem quando dizes que “é um trabalho de pura matemática”?

    (estou a seguir o teu conselho Romano) 🙂

  8. Hugo,

    Em primeiro lugar é preciso explicares melhor a necessidade de haver uma cultura musical para que o povinho possa aprender a reconhecer a música boa (não temos políticas de cultura gastronómica para ensinar o que é comida boa).

    Mas admitindo que sim, fica a questão de determinar o que é a ‘música boa’. Quem é que define o que é ‘música boa’? Um especialista? E se os especialistas discordarem? O ministro da Cultura indigita um especialista responsabilizando-se pela escolha? E se o ministro for um imbecil?

  9. meu amigo, vou tomar o teu lugar bloguístico e ser áspero na resposta: não consigo discutir com uma pessoa que sei inteligente e que ainda assim coloca em causa a necessidade de uma educação cultural – e não apenas musical – e, numa ironia que me parece de todo política – mesmo que não tenha sido essa a intenção primeira -, lhe adiciona o conceito de ‘povinho’.

    mas apenas um apontamento final: se bem me lembro, Moisés Martins e António Fidalgo têm visões diferentes sobre a Semiótica; apesar do facto – já não estou certo dele, mas podes trocar a ‘categoria’ e os nomes, se estiver errado -, é do debate sério, compensado intelectualmente e através de um conhecimento profundo da matéria e dos seus satélites que se gera um conhecimento real.

  10. Que animado que isto está… para um post que apenas pretendia expressar o meu desencanto pelo facto de a música feita hoje – e sei que existe boa música – não chegar aos padrões de qualidade dos sons do rock clássico, isto é, a melhor música feita nos dias de hoje, não chega aos “calcanhares” daquela que foi gravada nos anos 60 e 70, não está nada mau!

  11. Hugo, mas eu discordo mesmo da necessidade de uma educação cultural. E penso que as políticas públicas – quaisquer que sejam – têm de ser justificadas perante o contribuinte que as paga.

    Agora pegando na analogia dos dois professores de Semiótica. Suponhamos dois professores de arte altamente qualificados. Um primeiro adora arte renascentista e abomina arte pós-moderna; aliás, não só abomina como considera-a um dos maiores embustes da história da arte. O segundo acha a arte pós-moderna o máximo. Cada um tenderá a educar os seus alunos de uma forma particular. No final, cada turma terá uma opinião particular acerca daquilo que é ‘boa’ arte. E o fim para o qual se instituiu a política de educação – o reconhecimento consensual daquilo que é ‘boa arte’, independentemente dos gostos pessoais – não foi alcançado.

  12. É obvio que o conhecimento apreendido nas escolas é sempre e será sempre visto da perspectiva de um professor (ainda para mais em termos tão peculiares como cultura ou ciências sociais), e interpretado pela perspectiva do aluno.

    Sendo assim, devemos partir sempre de um conceito intrinsecamente ligado a todos. Não existe o conceito de boa música, mas todos nós podemos definir o Zé Cabra por exemplo como má música. Sendo assim, existe sempre um intervalo onde cada um tem a sua perspectiva.

    É dai que parte a aprendizagem. Pela experiência pessoal e pelas experiências dos outros dentro de um intervalo de conceitos que nos permitem definir o que é bom e o que não é, sempre através de uma perspectiva.

    Eu concordo com a necessidade de uma educação cultural, pois acredito que a fomentação da alma e da mente é tão ou mais importante que a fomentação do corpo. E entenda-se por educação, não uma imposição mas sim um maior conhecimento.

  13. ó Romano, estás a cometer um erro: estás a supor que o ‘povinho’ é uma tábua rasa e que engole tudo o que lhe dão – quando com a educação se pretende que ele faça precisamente o contrário, que tenha espírito crítico.
    mais: a educação da arte não acontece num ano lectivo, numa cadeira distante. é um acto contínuo. de anos. logo, da mesma maneira que chegaste à semiótica uma dúzia de anos depois de começares a experimentar a caligrafia com uns traços e uns círculos, assim funciona, analogamente, a educação cultural.

    quanto ao resto, parece-me de todo caricata a tua visão sobre a necessidade de uma educação cultural. até porque, repara, uma criança educada num ambiente ‘intelectualmente estimulante’ – a cultura é intrínseca aqui, como a literatura infantil, p.e. – pode aumentar as suas ‘capacidades intelectuais’ até 25%. ora, e este número não se reflecte apenas na vivência da ‘cultura’ – pode fazer políticos mais capazes, p.e.

  14. Se calhar expressei-me mal. Eu não estou contra a educação musical: estou contra a educação musical pública, por razões que não dizem respeito ao assunto do post. (Mas um exemplo curto: concordo que a educação num ambiente ‘intelectualmente estimulante’ seja proveitosa; mas o Estado tem pagar essa educação, e esse pagamento é financiado através de impostos. E o que me diz a mim que os impostos colectados pelo Estado a milhões de pais diferentes para impor uma educação padronizada a milhões de crianças diferentes não são mais bem utilizados pelos próprios pais na educação das suas próprias crianças?)

    Agora, o assunto do post. O meu primeiro comentário surgiu na sequência disto:

    «e agora especificamente sobre os meus ‘phones’, acredito que o Metal de uns Meshuggah, o Stoner Rock de uns Kyuss ou um Pat Metheny e o seu ‘Jazz contemporâneo’ não são para todos os ouvidos. o que fazer? boa pergunta. educação musical?»

    O meu propósito era refutar que a educação musical levaria a que todos apreciassem, por exemplo, o tal Pat Metheny. Se os próprios especialistas não se entendem, como é que os aprendizes o vão fazer?
    A ‘educação cultural’ poderia levar a que o Metheny fosse completamente desprezado (decerto que há músicos que o desprezam). E que o Zé Cabra, por exemplo (e pegando no exemplo do Alex), fosse idolatrado (decerto que haverá por aí algum tipo capaz de dizer isso justificando a escolha com alguns critérios).

    E estes não são exemplos estapafúrdios. Riemann esteve quase a ser internado num manicómio, Kurt Godel foi considerado insano, os trabalho de Pessoa e Camões passaram praticamente despercebidos nas respectivas épocas e Galileu foi obrigado a dizer que era o Sol (e não a Terra) que se movia. Por outro lado, as teorias económicas marxistas continuam a ser consideradas válidas por alguns – mesmo após todos os falhanços históricos) e o quadro ‘Merda de artista’ foi considerado por alguns eruditos como o clímax da arte actual. Ah, e há coisa de um ano o Ministério da Cultura entendeu apoiar uma exposição de quadros em Serralves cuja obra maior era a foto de um ânus dilatado (o dinheiro público para subsidiar a exposição deve ter sido considerado bem empregue pelo conjunto de teóricos da arte do MC que define aquilo que deve ser apoiado).

  15. por pontos, mas por pontos curtos:

    1. não acredito na elitização do ensino da arte – tal já acontece (em Portugal) nos dias que correm e o resultado não é bom. olhe-se, a propósito, para as políticas dos países escandinavos a este respeito;

    2. continuas com o mesmo erro de raciocínio: não se quer padronizar coisa nenhuma, mas aprender de forma sustentada e com pensamento crítico e, por isso, válido. ou queres dizer-me que as culturas Pop que os miúdos aprendem no momento, de forma descartável e deficitária – porque nem a sua história dominam, mas apenas a parte do intervalo de tempo em que se inserem – é suficiente para as cabecinhas do ‘povinho’, em detrimento de um crescimento intelectual com as bases ‘clássicas’?

    3. o pensamento cultural padronizado já existe: dão-lhe o nome de Português, ou de Literatura Portuguesa, lá por alturas do secundário. plano pedagógico execrável este, sem espaço para perguntas, sem espaço para respostas de real interesse – ao contrário das que te dão: «Pessoa referia-se ao sol, a uma bola de queijo, a uma de futebol, à ponta do nariz, ao olho do cu, quando escreveu a palavra ‘círculo’ neste poema. têm que saber isto para o exame!»

    4. quanto mais pessoas conhecedoras do universo cultural houver, menores são as hipóteses de algumas das exposições mirabolantes de Serralves. ou será que haveria a par deste extraordinário museu para apaixonados do arte contemporânea, um intimamente ligado à Renascença, outro ao Impressionismo, outro ao Expressionismo, Dadaísmo, Cubismo, Surrealismo, Pop Art, etc?

  16. 1. Não vejo relação entre ensino privado e elitização. O mercado de pão em Portugal é privado e é tudo menos elitista. Mas isto já cai um bocado fora do âmbito da questão.

    2. Eu li isto: «acredito que o Metal de uns Meshuggah, o Stoner Rock de uns Kyuss ou um Pat Metheny e o seu ‘Jazz contemporâneo’ não são para todos os ouvidos. o que fazer? boa pergunta. educação musical?». Talvez tenha sido má escolha de palavras, talvez não tenhas querido dizer o que disseste; mas o que se extrai deste trecho é que a educação musical faria com que os alunos aprendessem a gostar dos autores em causa. O que eu disse foi que isso não só não é líquido, como é extremamente improvável: porque os próprios especialistas (professores em potência) não se entendem e estão, em muitas questões, em campos diametralmente opostos.

    3. É por isso que eu defendo o ensino privado. (Mas lá está, já cai fora do âmbito da questão.)

    4. A exposição de Serralves foi aprovada por «pessoas conhecedoras do universo cultural».

  17. 1. pois cai;

    2. não quero que gostem, quero que reconheçam – e aqui voltas cair no mesmo erro. não podes descontextualizar essa afirmação;

    3. porquê?

    4. pois foi. o que não percebeste era que a parte válida do meu 4º ponto anterior era a pergunta e não a afirmação. mais pessoas conhecedoras = pluralidade. volto a afirmar que não se querem padrões.

  18. 2. Muito bem, que reconheçam, erro meu. Mas o argumento mantém-se: muitos especialistas não reconhecem o tipo. Como é que os alunos o vão reconher?

    3. Remeto para o teu primeiro ponto: «pois cai» 😉

    4. O que te leva a dizer que a opinião favorável a Serralves não seria maioritária?

  19. 2. ok, má escolha de palavras: usemos perceber na vez de reconhecer. saber o que é velho, o que é novo, o que é reciclado, onde estão as modas, porquê, etc. chama-se conhecimento. o resto deixemos a uma parábola com a teoria darwinista.

    4. só porque o PS tem maioria absoluta, não quer dizer que os restantes partidos deixem de existir e que parte deles não tenham assento parlamentar, pois não? pluralismo.

  20. garante um número maior de informados. como temos sensibilidades diferentes, os gostos diversificam-se. (não, não faças essa pergunta: não, não são diversificados hoje em dia)

  21. Não era essa a pergunta desta vez.

    Mas confesso que não percebo por que deveria o Estado preocupar-se com gostos diversificados. O motivo que aduziste para justificar a educação cultural era que ela trazia maiores qualificações; mas um tipo pode ter uma educação excelente – e, em consequência dela, passar a ser um intelectual do caraças e um óptimo político – e, ainda assim, continuar a gostar de Zé Cabra.

    P.S.- «garante um número maior de informados. como temos sensibilidades diferentes, os gostos diversificam-se». Então afinal o objectivo era mudar os gostos ou não?

  22. escrevi ‘gostos’ a pensar num dos pontos da discussão – a exposição de Serralves. e é apenas natural que uma pessoa que tem um conhecimento mais vasto melhore a sua condição de apreciador.
    (e custa-me a crer que no exemplo que acabaste de dar essa pessoa gostasse do Zé Cabra pela sua expressão artística, mas gostaria antes por uma outra qualquer – de comédia, de ridículo, etc.)

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