Ribeiro e Castro “fears” Paulo Portas

O ainda líder do CDS, Ribeiro e Castro, diz que não tem medo de enfrentar Portas em eleições directas, mas que essa é uma reforma para o futuro. Agora, o caminho deverá ser ir a votos em congresso. O “campo” de Portas insiste que o curso para a escolha do novo líder deverá ser pelas directas, e fará todas as pressões necessárias para o conseguir.

Ora, aquilo que Ribeiro e Castro sabe, e todos nós, é que o CDS/PP é o partido de Portas, isto é, é dele. Quando Portas se demitiu após a catástrofe das últimas eleições deixou um lugar muito complicado para preencher. O CDS é um partido muito pequeno, com um cada vez mais diminuto eleitorado fiel. Durante os sete anos em que liderou os destinos do partido, Portas consumiu o partido. Reduziu-o a ele. A mudança de nome para PP diz tudo – quer se leia como “Partido Popular” ou “Paulo Portas”.

Quando um partido tão pequeno tem um líder tão mediático, o mais natural é que a sua ausência cause perturbação no seu seio. E foi o que aconteceu ao CDS. Sem Portas, que outra figura se apresentava como capaz de liderar o partido durante a dura tarefa de o reposicionar no espectro político? Telmo Correia teria sido a escolha natural. Porém, o antigo ministro do turismo foi demasiado passivo e lento na criação de laços com os membros do partido. Quem não teve esse problema foi Ribeiro e Castro que passou de deputado europeu convidado a estar presente no Congresso a líder do partido.

O seu discurso forte e populista atraiu as bases do partido. Seguiram-no. Mas, o estado de graça de Ribeiro e Castro foi curto. Demasiado curto. Ele não tinha assento parlamentar. Por isso, a oposição que iria fazer era aquela que as televisões lhe permitissem. Por outro lado, o grupo parlamentar do partido – do qual Portas faz parte – não seguia o novo líder, sendo o porta-voz do grupo, Nuno Melo, um dos principais saudosistas de Portas.

Mas a sua maior dificuldade foi o facto de estar longe de Lisboa. Não estando em no parlamento, como poderia passar a imagem para os seus partidários de que estava em cima do governo? De que estava a contestar directamente, olhos nos olhos, Sócrates? Como garantir que era levado a sério? Um líder político que não está na Assembleia é quase como se não existisse. Se já no hemiciclo é difícil contrariar Sócrates – Marques Mendes que o diga – fora dele é quase impossível.

Mas nem tudo foi mau. O CDS foi à boleia de Cavaco e lá “ganhou” as presidenciais e foi o único partido de direita a declarar-se contra o aborto – sendo, no entanto duvidoso dizer-se que todos os votos do não foram obra do CDS nem que todo o eleitorado CDS votou não. Porém, a polémica envolvendo a demissão de Nuno Melo do cargo de líder do grupo parlamentar, associado ao constante zum zum de que Portas se estaria a mexer no sentido de voltar à política activa, levaram à insegurança da liderança de Ribeiro e Castro.

Diz a história que nenhum líder do partido foi batido em Congresso. Tenho sérias dúvidas que essa tendência se continue a verificar desta vez, quer se opte pelas directas, quer se vá pelo dito congresso.
O facto é que o mais provável é que Ribeiro e Castro entre para a história do partido como “aquele” que o aguentou durante os anos de férias de Portas, sem quaisquer reformas ideológicas ou estruturais de vulto que justifiquem a sua marca no partido azul e amarelo. E, depois de Portas voltar a tomar o partido, pode ser que a direita tenha, por fim, uma voz no parlamento. Talvez.

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