No Jim, this is still not The End. Not yet.

220px-jim_morrison_photo.jpgTermina hoje a semana “Doors” na Antena 3. Durante os últimos dias  a estação celebrou o quadragésimo aniversário do lançamento do primeiro álbum do quarteto. Foi em 1967 que Morrison, Manzarek, Densmore e Krieger revolucionaram a cena musical americana.

Não sendo, talvez, uma banda tão grande em Portugal quanto é nos EUA – facto que é perfeitamente explicável por questões políticas e sociais –  os “Doors” são uma das minhas duas bandas americanas favoritas – a outra são os Metallica. Foi dos primeiros grupos a aliar poesia pura e música, aparecendo como pioneiros da cena psicadélica nas Terras do Tio Sam. O seu líder foi Jim Morrison e, em homengem ao livro de Aldous Huxley, “As portas da percepção” (The doors of perception), chamou o grupo de “The Doors”. Aquilo que ele queria era que as pessoas abrissem as portas da sua mente.

Numa altura em que os Beatles ainda andavam com “She loves me” e os Pink Floyd ainda eram “The Pink Floyd Sound” foram os Doors quem iniciou a transição para o rock progressivo. Morrison não era um letrista. Era um genuíno poeta que se queria rebelar contra o sistema repressivo e conservador dos EUA e usava a música como veículo. Ficou célebre o concerto em Miami, no qual desafiou a audiência ser “livre”, verdadeiramente livre. Quase tão célebre como quando cantou que queria matar o pai e dormir com a mãe…

Muitos confundem a história do grupo com a do seu líder. O facto é que Morrison era a alma da banda. O seu coração. Escrevia boa parte das letras e as pessoas que compravam os álbuns e iam aos concertos queriam vê-lo a ele. Os outros eram a banda dele. De certa forma, ele transcendeu o grupo. Sem ele, os outros ficaram sem alternativa a não ser lançar, continuamente, “best of’s” e álbuns remisturados ou lançar singles nunca antes editados. Isto para não falar da viajarem pelo Mundo, debaixo do nome “Doors 2000” ou “Riders on the Storm”. Ninguém acreditou. Porquê? Porque já não havia alma. Já não havia coração. Já não havia Morrison. Já não eram os Doors. Eram três tipos mais um a tocar qualquer coisa parecido a “Doors”. Não havia Jim.

Que Jim Morrison se auto-destruiu, é um dado consumado. Ninguém o nega. Assim como ninguém negará o impacto que a sua obra teve, tem e terá na música. Ele foi o primeiro verdadeiro “rock star” e seguiu a máxima “live hard, die young”, sugerida por John Derek no filme “Knock on any door”.

Para um grupo que produziu apenas durante 4 anos – 1967 a 1971 – a obra desse tempo não deixa de impressionar: 6 álbuns de originais, mais um duplo concerto ao vivo e, ainda, um outro álbum lançado após a morte de Morrison, chamado “American Prayer”, em que os restantes três elementos juntaram acompanhamento musical a uma gravação de Jim a recitar uma série de poemas dias antes de partir para Paris, onde morreria em Julho de 1971.

O legado de Morrison irá perdurar no tempo. Muito depois dos seus três companheiros morrerem e já não houver “box sets” para editar. Morrison marcou um momento da história da música popular e faz parte da nossa cultura. O seu nome é associado a todo um modo de ser e de encarar a vida. O dito carpe diem. Morrison viveu e morreu como quis.

Podemos concordar, ou não, com as suas posições, mas não podemos deixar de reconhecer que foi alguém que nunca deixou de viver de acordo com os seus princípios. E isso é inegável e, até, bonito. Um ícone, portanto.

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