Afinal, somos uma democracia ou não?

Está a fazer confusão a muita gente um cartaz (reforço, um) colocado em Lisboa por obra e graça do Partido Nacional Renovador (PNR).

“Basta de imigração, Nacionalismo é solução – Portugal aos Portugueses” podia-se ler no dito cartaz. Meio Mundo, desde advogados a deputados, passando por juízes e autarcas correram às câmaras e gravadores e deram conta das suas duvidadas da licitude do placar.

O líder do PNR, José Pinto Coelho, deliciou-se com a exposição gratuita que deram ao seu cartaz e por se ter falado no seu partido. Com toda a certeza que nem ele esperava o mediatismo conseguido.

A este propósito, o director do Público, José Manuel Fernandes escreveu um dos mais claros e racionais editoriais desde há muito disponíveis na imprensa portuguesa. Aquilo a que Fernandes faz alusão é ao facto (perigoso?) de muitos portugueses concordaram com o PNR – “O que está ali escrito é o que pensam muitos portugueses. Muito mais do que aqueles que votaram no PNR”.

Face a esta situação, como reagir? Os políticos, fazendo alusão à proibição de partidos fascistas na Constituição Portuguesa, pediram a intervenção da polícia e a remoção imediata do cartaz. Ora, digo eu, não serão estas medidas totalitaristas? Não será isto a proibição da livre expressão de um cidadão? Não deverá o regime democrático garantir a livre expressão?

Se a intenção é a do combate a xenofobia e ao racismo, não se conseguirá vencer essa luta através da força policial. Isso só irá dar mais poder a esses movimentos e, mesmo, uma maior legitimação social.

A única forma de travar esses grupos é através do debate. Da apresentação de ideais. Percebemos o valor que a imigração tem para Portugal? Expliquemos isso, de forma inteligente e cuidada. Compreendemos a importância que, num Mundo global, a diversidade cultural e étnica tem numa sociedade? Aclaremos os menos esclarecidos.

A beleza de viver em democracia é que todos temos liberdade de nos exprimir. E essa expressão deverá ser, sempre, livre e absoluta. Às outras facções cabe a resposta pelos mesmos trâmites. No dia em que punamos um fascista por se insurgir contra a imigração, de forma civilizada e ordeira, com recurso à proibição e interdição estamos a ser iguais a eles. Estamos a ser totalitaristas e não liberais. Perdemos o combate. Perdemos a razão.

E, como diz José Manuel Fernandes, “um liberal não proíbe nem censura, luta antes pelas suas ideias – quer quando está em maioria, quer quando é uma «minoria de um»”.

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