Com cada vez mais buracos

Na edição de hoje, o Público – mais uma vez – dá a conhecer mais algumas discrepâncias no processo de licenciatura do primeiro-ministro. De acordo com o jornal, existe um certificado de habilitações em posse da Câmara Municipal da Covilhã (CMC) que não coincide com aquele mostrado por Sócrates na RTP.

São, nomeadamente, seis as notas divergentes entre um documento e o outro. Para além dessas disparidades, surgem também problemas ao nível das datas. No certificado da Covilhã, Sócrates é referido como tendo completado a licenciatura a 8 de Agosto de 1996. Ora, de acordo com o despacho da UnI o então secretário de Estado adjunto terminou o curso a 8 de Setembro de 1996, isto é, um mês depois.

Mais, o documento em posso da CMC refere como tendo sido feitas na UnI duas cadeiras que, afinal, não o foram. As cadeiras de Computação Numérica e Investigação Operacional foram, isso sim, completadas no ISEC e ISEL.

Para além de tudo isto, já ontem o mesmo jornal – cada vez gosto mais do Público – vinha esclarecido que Sócrates já conhecia António José Morais, o tal professor que o passou a quatro cadeiras e que ainda andou pelo governo. A relação entre os dois teve início, pelo menos académico, no ISEL um ano antes.

Foi também ontem noticiada a garantia dada por quatro alunos, da turma de Sócrates na UnI, que garantem nunca o ter visto nem nas aulas nem nos exames da cadeira de Inglês Técnico.

Aquilo que se pode depreender de tudo isto é que para Sócrates nunca foi importante o curso mas sim o diploma. Precisava de um estatuto respeitável. Nunca se preocupou com a qualidade de ensino das instituições ou professores. O que ele queria era o canudo.

Também me parece confuso que alguém que leve a sua educação a sério ande a saltar de faculdade em faculdade com a desculpa de ser mais perto. Tudo me parece muito estranho. Mas uma coisa é certa: Sócrates, a partir deste caso, deixa de servir de exemplo para quem quer que seja. Muito menos para os estudantes do ensino superior.

Um pouco na linha do que diz Paulo Portas, “ficará sem a arrogância moral”, e ainda mais de acordo com o que sugere Vasco Pulido Valente, “sem autoridade moral (…) faça o que fizer, nunca tornará a ser o que foi”. Nunca.

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