Quanto vale uma câmara?

O PSD retirou a confiança política a Carmona Rodrigues. Os vereadores laranja demitiram-se. Carmona manteve-se.

Marques Mendes fez aquilo que tinha de fazer. Já não havia condições para suportar Carmona. Em consonância com o que fez em relação aos casos Valentim e Isaltino, fez questão de afastar o partido da trapalhada.

Se olharmos em termos práticos, Mendes fez muito bem. Aliás, fez um serviço muito melhor ao partido agora do que quando se afastou de Loureiro e de Morais. Porquê? Porque Carmona não tem qualquer hipótese de vencer a câmara a solo. Não será nunca um adversário dos sociais-democratas. É independente, não tem bagagem política e não mobiliza as massas – daí não reunir a simpatia popular que os outros têm. Não é um perigo directo – mas poderá ser um inconveniente eleitoral.

Mais, Lisboa não será propriamente Gondomar, nem Oeiras. Os eleitores são mais exigentes e não elegerão para uma posição de destaque um arguido num processo de corrupção. Para além disso, os partidos da oposição serão muito mais assertivos no ataque a Lisboa do que às outras duas Câmaras em questão.

Mas, levanta-se outra questão: Lisboa é a maior câmara do país. A par do Porto, é a autarquia mais desejada. A câmara da capital foi uma das responsáveis pela primeira rebelião anti-Sócrates dentro do PS, isto aquando da derrota de Carrilho. Não será essa uma autarquia valiosa o suficiente, do ponto-de-vista de estratégia política, para engolir uns sapos?

Teria sido legítimo que Mendes, por se tratar de Lisboa, tivesse mantido o apoio a Carmona e posto a máquina partidária a trabalhar no sentido de ajudar a imagem desgastada do autarca e avançar em força com ou sem Rodrigues em 2009?

Provavelmente não. Se quisesse manter alguma coerência Mendes tinha de abandonar Carmona Rodrigues. Se olhássemos para a questão com uma mente muito aberta, poderíamos ser tentados a defender a probabilidade de o PSD manter agora a câmara sem Carmona ser (pelo menos) igual à de a conquistar em 2009 sem ele e, por isso, Marques Mendes poderia ter apoiado o seu autarca actual e garantido o cumprimento do actual mandato, com a possibilidade de investir num refrescamento da imagem do partido junto dos eleitores.

Mas no imediato estaria a cometer suicídio político. O dele e o do PSD, ao mesmo tempo que deixou o PS numa situação difícil, pois não tinha ainda posição oficial sobre a matéria. Mendes fez a única coisa que havia a fazer: Carmona é um independente que apesar de ter sido postulado como o modelo do autarca perfeito, era um peso demasiado grande para o PSD. O divórcio era o único trilho.

Só depois das eleições é que poderemos tirar ilações definitivas. O facto é que Lisboa e o Porto – e, vá lá, a Madeira – são os últimos bastiões de poder do PSD. Perder Lisboa, significa perder um deles. Conseguirá o PSD recuperar a cidade? Acho que não. A não ser que João Soares – o salta-pocinhas – seja o próximo presidente. Ou se Maria José Nogueira Pinto for a candidata. Aí, não digo nada.

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