Escolhas indesejadas

Nem Sócrates, nem Mendes escolheram quem queriam para a Câmara de Lisboa. Deverá ter sido das coisas mais custosas para José Sócrates prescindir do seu “nº2”. Em vésperas da Presidência portuguesa da UE, do Verão e dos sempre alarmantes focos de incêndio, perder o Ministro da Administração Interna era a última coisa que Sócrates queria.

 

Por tudo isso, António Costa não foi a primeira aposta. Coelho, Gama e Ferro Rodrigues não se mostraram interessados, enquanto que Soares se mostrou demasiado interessado. Na ausência de alguém com a confiança de Sócrates que se chegasse à frente, o nosso PM viu-se obrigado a recrutar o seu ministro favorito.

 

Assim se compreende a importância que a vitória em Lisboa tem para Sócrates, secretário-geral do PS, e para Sócrates, Primeiro-Ministro de Portugal, porque a escolha do primeiro levou o segundo a interferir no funcionamento de um ministério delicado e a escolher como substituto de Costa um juiz nomeado há menos de 2 meses para o Tribunal Constitucional. Medidas tão drásticas só nos podem levar a concluir que a vitória em Lisboa é findamental para o futuro político dos “dois” Sócrates, o estadista e o líder político.

 

Também Marques Mendes não escolheu quem queria. Aliás, aquilo que ele queria era que Carmona não tivesse sido constituído arguido e pudesse levar o mandato até ao fim – era menos uma chatice. Assim, teve de tentar reclamar alguns favores que tem vindo a prestar desde que chegou à liderança laranja. Resultado? Ferreira Leite recusou. Seara recusou. Teixeira Pinto recusou.

 

Tudo isso levou Mendes a puxar da cartola um nome improvável – ou duvidoso – Fernando Negrão, um ex-PJ actualmente arguido num caso relativo ao tempo em que foi administrador da Polícia.

 

Teríamos de ser muito ingénuos para aceitar que era Negrão quem Mendes queria. O próprio candidato não estaria à espera da tarefa. Mas, quando o líder não tem poder nem peso no partido, os ilustres não têm problemas em bater-lhe com a porta – até Santana se deu ao luxo de se excluir da corrida.

 

Mendes e Sócrates estão sós. Dentro dos partidos já ninguém os segue. A maioria absoluta vai aguentando Sócrates – o que tem sofrido desde a reforma de Coelho – enquanto que 2009 vai aguentando Mendes – o partido vai-lhe dar uma oportunidade. Se falhar “morreu”, politicamente falando.

 

Quem perder Lisboa, perderá o partido. Quem ganhar Lisboa, ganhará um balão de oxigénio que, contudo, se poderá revelar incapaz de garantir muito mais do que isso: uma aparente e rápida bonança. Os problemas regressarão depois.   

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Uma resposta a Escolhas indesejadas

  1. “enquanto que Soares se mostrou demasiado interessado.”

    Que perigo! Lol

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