Dias de Glória

diasgloria.jpgO realizador Rachid Bouchareb, francês de origem argelina, apresenta o filme “Dias de Glória”, que regressa à II Guerra Mundial, a uma França ocupada que necessita dos homens das suas colónias para se defender da Alemanha.

Por isso, mais de 500 mil soldados vieram do Norte de África para lutar pela metrópole. Vieram da Argélia, vieram de Marrocos, vieram da Tunísia, vieram, enfim, da África subsariana. Vieram, é o que conta. E, vieram porquê? Alguns para fugir à miséria, outros na esperança de fazer carreira militar e outros ainda que acreditavam que em caso de vitória a França daria a independência a essas colónias.

Eram homens mal preparados. Quase sem treino, chegavam a França onde lhes davam uma farda e uma arma. O resto era com eles. “Resto” era matar e não ser morto. Eram mal alimentados porque as melhores e mais nutritivas rações eram para os franceses ‘puros’. Mas, mesmo assim lutaram ao seu lado.

Lutaram e ganharam. Porém, a vitória foi amarga. Recambiados para as colónias, quando estas deixaram de o ser perderam o direito à pensão reservada a antigos soldados.

É mais ao menos este o cenário de “Dias de Glória”, um filme feito por um realizador francês de origem argelina, com actores franceses de origem argelina.

O mais importante poderá não ser o filme, mas a possibilidade de fazer os franceses pensar. Pôr os franceses a pensar sobre a época da descolonização e da integração feita aos imigrantes vindos dessas colónias.

Bouchareb, em entrevista à Ípsilon, defendeu que “Os franceses têm necessidade de conhecer toda a história de França e os momentos dolorosos da descolonização. Mesmo que a história não seja favorável à França, ela deve ser contada. Os franceses cometeram muitos massacres em muitos países, o passado não é formidável, e é preciso falar dele”.

A França não é um país em paz consigo mesmo. Tem dúvidas e pesadelos sobre o seu passado. Tem medos e interrogações a mais sobre o seu futuro. E, hoje é uma sociedade fria a cominhar num rumo incerto. Os seus dias de glória já passaram. Agora, juntou-se ao clube dos “mortais”, percorrendo o mesmo caminho de outros antigos impérios coloniais, como Portugal ou a Bélgica e a Holanda. 

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