O Berardo até tem razão mas… no Rui Costa não se toca!

O futebol é hoje um negócio como qualquer outro no mercado capitalista. Para se ter sucesso, é preciso conquistar resultados – entenda-se, vitórias. Para se conseguirem vitórias precisa-se de ter os melhores activos – leia-se, jogadores. As empresas (clubes) com melhores resultados serão os mais lucrativos e aqueles com maior poder de compra e atracção sobre o mercado de activos.

Como explicar, por exemplo, a ascensão do Lyon de equipa mediana de França a potência do futebol europeu? Boa gestão financeira e brilhante interpretação da realidade do futebol actual: aposta em jogadores jovens com potencial, moldá-los e vender os seus passes para depois ir buscar mais jogadores jovens, formá-los e vendê-los. O ciclo é interminável. Com o dinheiro da venda de Essien, ‘fizeram’ Diarra e aproveitaram Tiago. O primeiro rendeu milhões para o Real; Tiago é disputado por Juventus e Milan e o valor mínimo de licitação é de 18 milhões de euros – ele que foi para Inglaterra em 2004 por 12.5 milhões e foi ‘doado’ ao Lyon em 2005.

Não há volta a dar-lhe. Esta é a realidade do futebol de hoje. As equipas portuguesas, para se aguentarem, terão de apostar no mesmo: prospecção de talentos nacionais e internacionais – Brasil e PALOP poderão ser mercados interessantes – sua formação, integração nas equipas principais, valorização e venda. Um pouco aquilo que o Sporting tem feito, mas melhor e mais eficaz – Nani sai com apenas um título – Taça – ganho. Desportivamente, o Sporting pode ter perdido mais do que veio a ganhar financeiramente com a sua saída.

E, Berardo tem razão quando diz que o Benfica não pode contratar os jogadores que os outros não querem ou os ‘cotas’. Nessa lógica, Miccoli e Karagounis nunca deveriam ter vestido a camisola encarnada: nem Juventus, nem Inter queriam os jogadores. Ambos revelaram-se mais-valias, mas que ganhou o Benfica com eles? Nada.

Os clubes têm de perceber a posição que ocupam no mercado. Se o objectivo do Benfica fosse lutar ao nível internacional, provavelmente não teria contratado dois excluídos de rivais directos. Mas, como o Benfica quer é ganhar a Liga Portuguesa – fraquíssima em relação à maioria das outras Ligas na Europa – não se importa em contratar jogadores que não servem aos grandes europeus. Como o Porto que desespera pela lista de dispensados do Manchester United.

Derlei e Robert que acrescentaram ao nosso futebol? Nada. Em final de carreira e caros, a sua contratação foi mal pensada e desajustada em relação ao sentido das transacções dos grandes clubes: vender velho e comprar novo. Alguém duvida que Roberto Carlos não teria lugar em qualquer clube português? Mas, com 34 anos o Real Madrid achou que o ciclo tinha fechado e ele lá foi para a Turquia. A sua contratação pelo Fenerbache será uma mais-valia? Veremos. Em última instância terá a ver na relação entre aquilo que lhe pagam e aquilo que o Fenerbache vier a ganhar com ele lá .

Mas, há excepções a este futebol capitalista. Jogadores que escapam à simples lógica do mercado. Rui Costa é um deles. Nem querendo discutir a sua qualidade técnica, basta olhar para o plantel do Benfica e vemos que aos 35 anos é melhor do que todos os outros e corre quase tanto quanto os mais rápidos. Outro dos melhores jogadores do Benfica é Léo: 33 anos e corre tanto que até dói. Serão João Coimbra e Paulo Jorge melhores jogadores? Não são e se Berardo tem razão quando fala da idade, deveria ter pensado que a qualidade também tem influência e entre um Rui Costa com 35 anos e um Manu com 22, prefiro o nosso nº10.

Comparou Rui Costa a Baia. Fez mal. Para além de serem posições diferentes, o próprio Baia já confirmou que por ele jogava mais anos, mas como jogar significava aquecer o banco para o Hélton, preferiu descalçar as luvas e vestir o fato de dirigente.

Rui Costa é um símbolo do Benfica e no futebol o peso dos símbolos ainda conta – caso contrário, que faz lá o Mantorras? O público gosta deles e eles ‘levam’o espírito para o balneário. Costacurta foi campeão europeu pela 5ª vez esta época aos 42 anos. Maldini, capitão do Milan, tem 39. Para a próxima época ainda joga. Os nem sonham em vê-lo fora do plantel.

Em termos de movimentação mo mercado, volto a sublinhar que Berardo tem toda a razão. O Benfica não pode querer ser um grande clube e não investir em grandes jogadores. Mas atacar o coração benfiquista e, acima disso, a seriedade e o profissionalismo de um dos melhores que lá está foi baixo, incorrecto e de mau gosto. Pior ainda é a inacção da Direcção do Benfica no que toca à defesa do seu jogador e do seu activo.

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