País à esquerda?

Depois da derrocada da direita nas autárquicas de Lisboa muitos terão desejado anunciar a morte da direita. Sustentam que estes resultados associados aos das legislativas dão conta da cada vez maior dificuldade de a direita encontrar o seu eleitorado.

Em abono da verdade, a direita tem acumulado sucessivas derrotas a nível nacional. Depois da derrocada de Santana e Portas em 2005, agora foi a vez de Lisboa dar o cartão vermelho a laranjas e centristas. Nem a vitória de Cavaco poderá ser entendida como resultado da diligência da direita pois o mesmo procurou sempre fugir ao apoio partidário, nunca lhe dando muita importância.

A direita vive uma crise profunda. Crise de liderança e identidade que se explica pela ausência de posições políticas relevantes e figuras carismáticas de referência nos diferentes partidos. No PSD o nome mais forte é o de Manuela Ferreira Leite, mas a ‘dama’ de Durão Barroso não se está para chatear com as politiquices da vida partidária activa. Luís Filipe Menezes é um personagem de valor regional, não reunindo condições para ser um líder nacional – apesar de ter valia no plano Municipal. Depois temos um deserto de figuras interessantes mas desconhecidas, e outras conhecidas mas desinteressantes. Por onde escolher? Se calhar, Marques Mendes ainda é a melhor alternativa.

O caso de CDP/PP é bem mais grave. O partido está em vias de extinção. O desejado voltou, mas não convenceu ninguém. Portas esperou dois anos para regressar, orquestrou nos bastidores as etapas para esse retorno, comandou as primeiras desinteligências entre Ribeiro e Castro e o grupo parlamentar e depois apareceu e saqueou o lugar no Caldas. Agora, em vez de ficar para a história como um líder marcante que liderou o processo de entrada do CDS/PP no governo, será visto como aquele que liderou na hora da morte do partido, no momento do seu definhamento.

E o PS governa com maioria. Mas, não quer isto dizer que Portugal seja um país governado à esquerda. Nada mais falso. Na verdade, um país que faz parte de uma organização internacional como a EU e que se submete às leis da mesma não pode ter um governo com excessiva iniciativa. Isto é, o governo de Portugal não pode governar sem consideração pelas directrizes comunitárias. Assim, a política governamental está, à partida, enviesada.

Claro que o PS governa à direita. O PS de hoje não é o PS de Soares – nem sequer o de Sampaio. É um partido diferente, um partido claramente consciente dos seus deveres sociais, políticos e económicos. Aproximou-se da direita. Fixou-se no centro. Sócrates é tudo menos o líder de uma esquerda moderna.

Votar no PS não é votar à esquerda. É votar no centro, é votar na protecção do capitalismo e na lógica do mercado. E, na Europa de hoje, nenhum partido pode fugir a uma realidade simples: não somos ilhas isoladas. A política é consertada e não se pode fugir dela. Se Bruxelas legisla em certo sentido, Portugal tem de obedecer. E isto condiciona o Governo. Seja ele de direita ou de esquerda.

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