Dois pesos, duas medidas

Pepe foi convocado para a selecção. Aquilo que alguns temiam tornou-se realidade por desígnio de Scolari.

Muitas foram as vozes críticas que se levantaram contra a chamada do brasileiro, agora luso também. Os argumentos usados foram vários, desde o facto de Pepe não ter nascido deste lado do Atlântico, como o facto de a sua chamada tirar lugar a jogadores portugueses.

Os partidários da decisão de Scolari defendem o seleccionador brasileiro. Obikwelu não é português, no entanto todos nos emocionamos com a sua prestação nas Olimpíadas de Atenas. O facto é que, dizem estes, se o atleta em causa representar uma mais-valia para a equipa então é um esforço válido.

Eu preferia que a selecção fosse composta por jogadores nascidos e criados em Portugal. Por muito que Pepe goste de Portugal, ele não nasceu cá, não cresceu cá, não estudou cá, enfim, não partilha dos mesmos valores culturais e patrimoniais que todos os outros portugueses.

Mas, esta é uma decisão que não pode ser tomada apenas com o coração. O futebol é um negócio, e o futebol de selecção não se encontra isento desta realidade. Os Mundiais e os Europeus são a Liga dos Campeões do futebol entre federações. É nessas provas que elas recebem a grande parte do seu financiamento e prestígio. Assim sendo, é forçoso que a equipa seja reforçada e constituída pelos melhores atletas à disposição do treinador. Sejam eles nascidos ou não em Portugal.

Os grandes culpados da chamada de Pepe não são, contudo, Scolari e sua equipa técnica. São os clubes, a liga e a Federação que tardam em tomar medidas restritivas. Sessenta porcento dos jogadores a actuar na nossa Liga são estrangeiros. Se olharmos para os plantéis dos 3 grandes, vemos que a minoria dos jogadores titulares são portugueses. Quando os clubes precisam de jogadores, optam pela alternativa no mercado estrangeiro.

Miguel Vítor assumiu a titularidade no eixo da defesa do Benfica por inexistência de alternativas. Com os regressos dos três (estrangeiros) centrais lesionados, mais a contratação de Edcarlos o seu futuro a breve trecho deverá passar pelo banco. Se assim for, como poderá o jogador evoluir?

Veja-se o caso espanhol. Os clubes só podem inscrever três jogadores extra-comunitários. Para mais, o futebol juvenil é estimulado e é mais competitivo. Como resultado, aparecem todos os anos, e nas mais diversas equipas, novos jogadores espanhóis.

O fim das equipas B, a ausência de limites nos jogadores estrangeiros inscritos e a inexistência de quotas para a inclusão de jogadores nacionais e formados no clube são razões que justificam a necessidade de Scolari em recorrer a Deco, primeiro, e Pepe, agora.

E, a não ser que medidas preventivas sejam tomadas, não se ficarão por aqui e a selecção continuará a ser reforçada por jogadores nascidos noutros países, que não cantam o hino e que não ‘falam a mesma língua’.

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