The Great Gig in the Sky

Sim, o título deste post refere-se a uma faixa de “The Dark Side of the Moon”, mítico álbum dos Pink Floyd. Mas não é deles que tratará o post.

Ao longo dos seus muitos anos de vida, o rock já perdeu várias das suas personalidades mais fortes e carismáticas. Kurt Cobain, Janis Joplin, Michael Hutchence, John Entwistle, Bon Scott, John Lennon, Syd Barrett entre muitos outros já tocam no Céu, ou numa qualquer outra área de existência pós-vida, a última paragem da viagem que é a vida.

Foram personalidades que chegaram, tocaram, inovaram e deixaram a sua marca para todo o sempre, não precisando de tocar até terem cabelos brancos para deixarem a sua impressão digital na história da música.

Bandas como Led Zeppelin, Metallica, The Who e Pantera perderam para o coveiro elementos vitais. Algumas conseguiram recuperar, outras não.

Eu gosto, por vezes, de pensar enquanto ouço “Rubber Soul”, “Wish You Were Here”, “Led Zeppelin IV”, “Ride the Lightning”, “Paranoid”, enfim, são tantos, que lá em cima alguns desses vultos do rock se juntam para umas jam sessions.

Quase que consigo ver. E ouvir, claro. John Bonham, na bateria, a dar início à sessão, com um solo improvisado de “Moby Dick”, acompanhado por Cliff Burton no baixo. George Harrison e Jimi Hendrix tocam a guitarra, o primeiro tratando de assegurar o ritmo, enquanto o outro aventura-se por solos nunca antes tocados. E Morrison, sim, Jim Morrison, com a sua voz tão divinal que chega a ser pecado ouvi-la, entretém o público. Cativa e chama a audiência, embebendo-a na sua poesia, no jogo que faz com as palavras, cruzando os seus ritmos e terminações.

Quando Morrison está cansado e pára para ir ao “Whisky Bar” entra Jeff Buckley para o seu lugar. Este, com o seu jeito meio criança, apaixona o público e envolve-o no seu timbre sublime, olhando-o como se não houvesse amanhã. Talvez se ouça o seu – e de Leonard Cohen – Hallelujah. Ironicamente perverso.

E passam a noite inteira a tocar, a tocar, porque só a música interessa, porque só fazer boa música é que interessa. Foi para isso que nasceram, é por isso que nos lembramos deles, é por isso que temos saudades deles e é por isso que quando nos juntarmos a eles vamos estar acompanhados pela derradeira e maravilhosa banda sonora.

A banda sonora vinda do céu.

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