Skinheads à portuguesa

Com a acusação feita pelo MP português a 36 membros de uma organização de extrema-direita portuguesa, Capítulo Português, com ligações à Hammerskin Nation, estalou o verniz.

Já há muito que se ouviam murmúrios de práticas de discriminação racial e étnica em Portugal, encabeçadas por portugueses contra imigrantes. Porém, agora, com esta acusação, já não se tratam de ‘murmúrios’ mas antes de gritos bem audíveis a ecoar um pouco por toda a sociedade portuguesa.

Em todas as sociedades, sabemos que existem indivíduos que compartilham ideais de xenofobia, racismo e que se associam de modo a levantar a sua voz e fazê-la ouvir na comunidade.

Durante algum tempo, foram desconsiderados. Ignorados, quase como se de uma minoria insignificante se tratasse.

Porém, circunstâncias globais como o aumento da deslocalização da mão-de-obra a uma escala muito maior – há quantos anos se tornou Portugal num país de acolhimento? – assim como a melhoria das condições de comunicação tornaram mais fácil e rápida a proliferação de tais ideais.

A revolução verificada nos transportes tornou possível que, por exemplo, líderes de movimentos neonazis se pudessem movimentar com relativa facilidade e discursassem nos mais diferentes locais, propagando assim a sua mensagem com maior fiabilidade e eficácia.

O facto é que o fenómeno da globalização facilitou todos estes processos. Tornou mais fácil e acessível a mobilização transoceânica das pessoas, mas também facilitou a difusão de todo o género de ideais, incluindo os racistas e xenófobos.

Essa associação dos movimentos skinheads às novas tecnologias permitiu uma maior organização e eficiências dessas mesmas estruturas, facultando possibilidades quase infinitas de definição de uma agenda e programa de acção, assim como alargou as bases de recrutamento.

De certa forma, o contínuo crescimento da força destes movimentos em Portugal tem uma explicação perfeitamente razoável e evidente: a maior exposição a imigrantes e a ideais de nacionalismo cada vez mais presentes na nossa sociedade.

O que fazer? Não se deve proibir. Deve ser permitido a todos os cidadãos a livre expressão de ideais e posições políticas. Aquilo que a comunidade no seu todo deve fazer é integrar as nossas comunidades imigrantes, acolhê-las e passar uma mensagem clara de que qualquer tipo de discriminação baseada na raça, no credo ou no sexo (entre outras) é errada.

Todas as grandes sociedades ao longo da história foram capazes de promover uma qualquer integração das suas comunidades imigrantes, retirando assim os benefícios que poderiam acrescentar à nação.

Uma comunidade multicultural é uma comunidade mais rica. Perceber isso é o primeiro passo para ultrapassar problemas racistas, xenófobos e/ou anti-semitas.

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Esta entrada foi publicada em Sociedade. ligação permanente.

Uma resposta a Skinheads à portuguesa

  1. Portugal_DiVisão_Azul diz:

    Países com taxas mais elevadas de criminalidade = EUA, Brasil, Africa do Sul
    Todos eles países multiculturalistas e multiraciais.
    O multiculturalismo destroi as nações europeias, e se a imigração não for controlada e não começarmos a tomar medidas de defesa da nossa identidade portuguesa branca, nós riemos desaparecer e só cá vão ficar mestiços e invasores.
    Portugal aos portugueses

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