O regresso do PPD

menezes1.jpgAcompanhei à distância a campanha pela liderança do PSD. Talvez devido a essa mesma distância, a vitória de Luís Filipe Menezes me tenha surpreendido tanto. Mas, uma revisão atenta da imprensa portuguesa permitiu-me perceber que a surpresa não era só minha; o espanto era geral.

Aqui o disse e aqui sustentei que não acreditava na vitória de Menezes. Disse-o porque acreditava que o eleitorado laranja não iria, de forma alguma, aprovar um retorno a um passado não muito distante, um retorno ao PSD de Santana. Se quisermos, ao populismo democrático.

O problema de Marques Mendes foi que ele nunca se assumiu como verdadeiro líder de oposição. Nunca conseguiu encostar Sócrates à parede; nunca conseguiu reunir a aprovação da maioria dos militantes. Foi sempre um líder “a prazo”, o qual se deixou “ficar por lá” enquanto não surgia alternativa melhor.

Porém, a principal razão para a queda de Mendes é, se quisermos, a mesma que assassinou Santana em 2005: ausência de apoios significativos. Não vimos figuras importantes do partido a colarem-se a Mendes, a associarem-se ao líder. Não vimos Rui Rio, Morais Sarmento, Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso e, claro, Manuela Ferreira Leite a colocarem-se determinantemente do lado do ex-líder do PSD.

Pelo contrário. Mendes achou-se só e deixado à sua sorte. Reuniu algum apoio interno, mas nunca se viu uma campanha mobilizada em torno dele. Incapacidade dele ou má vontade dos “históricos”? Provavelmente, ambas as coisas.

Aquilo que não deixa de ser verdade é que a desconfiança gerada no topo da hierarquia laranja em torno de Mendes, passou para a arraia-miúda que não perdeu tempo em substitui-lo por Luís Filipe Menezes.

Menezes não era caloiro nestas andanças. Em 2005 já havia tentado a liderança do partido. Em 2007 quase forçou as directas. Agora consegue o que sempre quis: ser líder do PSD.

Para o partido, é o retorno a uma linha forçosamente mais populista. Menezes, tal como Santana, procura em cada intervenção chocar, criar ondas de entusiasmo e, por isso, gosta de aparecer. Gosta do protagonismo.

O novo líder do PSD quer fazer a transição de presidente de Câmara capaz para Primeiro-Ministro, fazendo uma curta escala em líder da oposição. Não é um caminho fácil, mas também não era aquele que ele acabou de trilhar.

O problema mais imediato de Menezes é o parlamento. O autarca não é deputado. Vai ter liderar a oposição desde Gaia. Em tempos recentes, essa situação não se revelou proveitosa para anteriores líderes do partido, como Marcelo e Durão. Aliás, se olharmos para o partido vizinho do PSD, o CDS/PP, também Ribeiro e Castro acabou por perder a liderança do partido em grande medida por não ter mão no grupo parlamentar.

Mas, esta poderá ser uma diferença significativa, pois o actual grupo parlamentar do PSD foi constituído por Santana Lopes. Ora, se Menezes é um produto da ‘escola’ santanista, não será de estranhar que: a) receba um apoio incondicional do grupo parlamentar; b) que Santana Lopes assuma a liderança desse mesmo grupo e, por incrível que pareça, que seja a cara da oposição a Sócrates dentro do parlamento.

Dois anos volvidos, e parece que pouco mudou desde a noite negra de 20 de Fevereiro de 2005 para a direita portuguesa. Portas regressou ao CDS/PP (muito mais PP do que CDS) e Santana, melhor, Menezes, o delfim de Santana, é líder do PSD, deixando ao seu mestre a responsabilidade de liderar a oposição contra o homem que assinou a sua, de Santana, sentença de hibernação política há dois anos atrás, José Sócrates.

A política dá mesmo muitas voltas. Depois de 2009, veremos quantas mais irá dar.

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2 respostas a O regresso do PPD

  1. Bom post politica. Pertinente e muito objectivo. Gostei.
    Clica no meu nome que te enderecei um post que havia lançado sobre o Menezes.
    Quantoa o PSD espero que levante voo senão estamos mal…

  2. Josué Lopes diz:

    Falando em bom português, a merda é a mesma e só o cheiro é que é diferente. O PSD precisa de figuras novas e não daquelas que há anos tentam arranjar um tacho. A estes últimos lideres aplica-se uma celebre frase de um ex-presidente deste partido: “Hei-de ser primeiro-ministro, só não sei quando”.

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