Tira o Pereira!!!

Mesmo longe, mas não muito longe, acompanho religiosamente os jogos do Benfica. A maioria das partidas consigo ver em Live Streaming, as outras ouço pelo relato das nossas rádios. De uma maneira ou de outra, ainda não perdi o contacto com a realidade do glorioso.

E, devo dizer, que ver os jogos do Benfica não é uma grande injecção de moral para quem está longe e já um pouco nostálgico. Vitórias sofridas, derrotas inexplicáveis e uma apatia e falta de jeito que assusta o maior coxo.

Seria fácil dizer que a culpa é do Camacho. O espanhol não trouxe com o seu regresso a mesma qualidade e virtuosismo como aquando da sua primeira passagem pelo clube. A equipa não joga tão bem nem mostra a agressividade de outros tempos em campo.

A insistência de Camacho em jogar com jogadores como Maxi Pereira e Binya chega a ser enervante! Está visto que são dois jogadores abnegados e esforçados, mas nem num clube de meio da tabela teriam lugar. Muito menos um lugar assegurado no onze inicial.

Chegar ao ponto de recuar Katsouranis (o melhor médio-defensivo na ausência de Petit) para central prova uma de duas coisas: ou Katsouranis é mellhor do que qualquer outro dos defesas-centrais do plantel, ou Binya é bom demais para ser sacrificado. E como a segunda não pode ser verdade, só resta a primeira.

E, acreditar que Katsouranis é melhor defesa-central, mesmo que adaptado à função, do que EdCarlos, Zoro ou Miguel Vítor levanta uma questão importante: porque se contrataram os dois primeiros e se promoveu o terceiro? Quando se contrata um jogador é porque se trata de uma mais-valia para o grupo. A serem contratados, tanto um como outro teriam de provar serem melhores do que quem já cá estava. Caso contrário, porque razão gastar dinheiro em jogadores para o banco e para a bancada?

Para o banco chegam os jovens promovidos dos escalões de formação. Miguel Vítor já provou que tem potencial mas não joga. E, não joga porque não tem nome. Porque não foi contratado no Brasil. Porque é da casa e os da casa podem sempre ser emprestados para rodar. Mesmo, por exemplo, se no seu último jogo tivesse jogado ao lado de EdCarlos, de o jogo ter sido em Milão e de ter sido o melhor elemento da dupla de centrais.

Mas, para mim, pior do que a insistência em Binya é a aparente veneração por Maxi Pereira. Tal como o camaronês, Pereira é um rapaz esforçado e tal mas não tem um décimo da qualidade necessária para estar no Benfica. A sua presença em campo não acrescenta nada. Absolutamente nada. Estar a jogar a lateral, médio ou ala não acrescenta nem diminui nada à exibição do Benfica. Aliás, até prejudica porque parece que jogamos com menos um.

Deixar Luís Filipe (quando Pereira joga a lateral) ou Di Maria e Adu (quando Pereira joga na ala) no banco quase que dá a entender que a equipa é moldada em função de onde Camacho quer que o uruguaio jogue. É difícil entender quando vemos que a equipa do Benfica é definida tendo em conta a vontade que o nosso treinador tem em jogar com um jogador que simplesmente não tem qualidade, nem real nem potencial, para jogar na nossa equipa.

Não gostava particularmente de Fernando Santos. Mas, pelo menos, ia compreendendo a lógica atrás de algumas das suas decisões e porque motivo mexia na equipa como o fazia. Não concordava, mas percebia a lógica. Porém, com Camacho não percebo nem uma nem outra coisa. O homem muda de táctica em função do adversário, troca de jogadores sem uma linha de raciocínio aparente e faz substituições estranhas. Trocar Rui Costa e Cardozo (falha muitos golos, mas pelos menos dá trabalho e está sempre no sítio certo) por Bergessio e Nuno Gomes revela, para além de falta de visão, ausência de um espírito criativo e capacidade de leitura de jogo.

Não quis trocar o Binya, tirou o Rui. Minutos depois o 18 foi expulso, passamos a jogar com 10 (ainda assim, mais um do que enquanto Pereira e Binya estiveram em campo em simultâneo) e confirmamos a derrota quando tínhamos de vencer para continuar na Liga dos Campeões – porque temos de jogar sempre para ganhar e estar na ‘Champions’ com a nata do futebol.

Camacho gosta de jogar com extremos. O problema é que o plantel foi construído para jogar num 4X4X2 em losango e não há flanqueadores de raiz. Talvez se possa falar no Di Maria e no Rodriguez, mas são ambos esquerdinos. E na direita? Quem joga? Maxi Pereira?

Mas, a culpa não morre em Camacho. Não foi Camacho quem contratou a maioria dos jogadores, nem foi Camacho quem disse que este era o melhor plantel da última década. Nem acredito que tenha sido Fernando Santos a pedir Andrés Diaz e Zoro para a equipa.

Enquanto que o Benfica não tiver um plano para o futebol profissional não vamos lá. O clube apresenta resultados financeiros e económicos interessantes, a aposta nas modalidades é segura e até as camadas jovens começam a oferecer bons resultados – investimento na Academia do Seixal não deve ser ignorado neste aspecto. Mas, o principal negócio do Benfica será sempre o futebol profissional e se esse não apresenta bons resultados não vale a pena dizer-se que se tem um saldo positivo nas contas, porque isso não preocupa em demasia o adepto.

Luís Filipe Vieira tem de passar menos tempo a oferecer o lugar a Rui Costa e mais algum a gerir o futebol do clube. Se perceber que não tem a capacidade necessária para ser o responsável pela pasta do futebol, então sempre pode ceder a mesma a alguém com mais conhecimento do mercado, tempo e vontade.

Qualquer coisa tem de ser feita de modo a que possa ficar orgulhoso e contente de ver o meu Benfica aqui longe, longe de casa.

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2 respostas a Tira o Pereira!!!

  1. Eu não engraço é com o Cardozo. O homem falha golos a todo o momento e não há maneira de sair da equipa. A minha equipa-tipo seria:

    Butt

    Luís Filipe Luisão David Luiz Léo

    Petit
    Rui Costa

    Di Maria Rodriguez

    Adu

    Nuno Gomes

    (se pudesse meter os lesionados, claro)

  2. hummm.. parece-me mais isto:

    Quim

    Nélson
    Luisão
    David Luiz
    Leo

    Petit
    Katsouranis

    Dí Maria
    Rui Costa
    Rodríguez

    Nuno Gomes

    uma variante. Saía o Katso, recuava o Rui e entrava o Cardozo.

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