Madame President

Se fossem hoje as primárias do Partido Democrata Hillary Clinton seria a candidata nomeada pelo partido para o assalto à Casa Branca. Mais, se as próprias eleições nacionais fossem hoje o apelido Clinton voltaria a ocupar o lugar do destinatário nas cartas dirigidas à casa grande de Pennsylvania Avenue. 

Neste momento, a mulher de Bill Clinton tem uma intenção de voto junto do eleitorado democrata de 40%, mais 10% do que o candidato que vem em segundo lugar, o senador do Illinois, Barack Obama.

Depois de 8 anos de Bush os EUA e o Mundo pedem por uma lufada de ar fresco. Suplicam mesmo por alguma coisa nova, diferente. As asneiras do presidente deixaram de ter piada, a sua aparente falta de retórica já incomoda assim como a sua estupidez e idiotice. Está na hora de alguma coisa diferente.

Estará na hora de Hillary? Talvez. Dê por onde der, nunca esteve tão perto a chegada de uma mulher à cadeira do poder na Sala Oval.

Existem dúvidas em torno de Hillary. Qual será a sua estratégia política? Isto é, quais serão as suas prioridades? Como vai agir perante o lobby das seguradoras de saúdes e reformar o sistema de saúde americano? Do plano económico, como tenciona espevitar a economia do país? Ao nível da educação, quais são os planos?

E, claro, não podemos deixar de falar do Iraque e do Afeganistão. Onde se posiciona a Senadora neste campo? Sabemos que é contra a guerra, mas como vai agir perante a mesma quando entrar na mansão presidencial? Ir-se-á sujeitar ao plano traçado por Bush ou, num rasgo de iniciativa, mandar recolher as tropas americanas e deixar o Iraque aos iraquianos?

O problema de uma retirada, neste momento, do Iraque é que o país não está em condições de superar tal situação. Caso as tropas aliadas deixassem neste momento o país, os grupos rebeldes ocupariam imediatamente o mesmo e todo o esforço teria ido por água abaixo.

De acordo com os americanos nada pode ser mais catastrófico. Isto é, após quatro anos a despejar dinheiro no Iraque, a contar o cada vez maior número de soldados americanos a voltar para casa em caixões e não sentados no avião, a perspectiva de poder vir a pensar que tudo foi em vão é terrível.

Qualquer que seja o resultado das eleições é certo de que se trata de uma altura crucial no Mundo. Enfrentamos em conjunto diversos desafios, como a redução das emissões de gases, o terrorismo, a guerra, a fome e as doenças contagiosas – para nomear alguns dos males que nos rodeiam. Para combater efectivamente estes perigos, precisamos dos EUA, do seu empenho e do seu dinheiro.

Por isso, temos de acompanhar o desenvolvimento desta campanha e esperar que o vencedor, seja Hillary ou outro, arrume rapidamente a casa porque precisamos que os Americanos olhem mais para fora do que para dentro. Que estejam na disposição de enfrentar mais os problemas do Mundo, do que os problemas dos americanos que, quase invariavelmente, se transformam em problemas de todos. Hoje, mais do que nunca, o Mundo precisa dos EUA e os EUA do Mundo. Perceberá Hillary aquilo que Bush deixou passar? Terá capacidade para entender que no Mundo Global todos precisamos de todos e que não vale a pena aos americanos refugiarem-se na sua bolha privada e passearem alegremente sós?

Espero que sim. Desejo que sim.

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Uma resposta a Madame President

  1. «Estará na hora de Hillary? Talvez. Dê por onde der, nunca esteve tão perto a chegada de uma mulher à cadeira do poder na Sala Oval.»

    A Monica Lewinsky já esteve lá perto, vá.

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