Benazir Bhutto assassinada

Quando morre a primeira mulher que chefiou um governo islâmico é claro que se trata de uma notícia infeliz. Mais triste se torna se tivermos em linha de conta que a dita foi assassinada numa altura em que ameaçava voltar a ocupar o lugar, tendo regressado há pouco mais de dois meses de um exílio forçado.

Falo de Benazir Bhutto, a paquistanesa que foi primeira-ministra do seu país de 1988 a 1990 e entre 1993 e 1996. Bhutto, filha do antigo primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto que foi enforcado por suspeita de envolvimento no assassinato de um adversário político em 1979, esteve exilada oito anos depois de ter sido considerada culpada de corrupção.

Bhutto regressou ao Paquistão em Outubro tendo, quase de imediato, sido colocada em prisão doméstica por Musharraf. Depois de levantada a sentença, decidiu que não iria viver uma vida de opressão e isolamento imposto por terceiros. Procurou viver a sua vida e pagou o preço dessa audácia: vítima de um atentado suicida, morreu segundos depois de ter sorrido e acenado para a multidão que a acompanhava em Rawalpindi.

Pouco mais se sabe para já, a não ser que Bhutto, que preparava a eleição para um terceiro mandato ao leme do estado paquistanês, foi assassinada enquanto se encontrava com um grupo de apoiantes, não se sabendo ainda ao certo se foi atingida por alguns dos tiros disparados antes da explosão ou se terá sido a bomba a responsável pelo seu falecimento.

A morte de Bhutto é mais um indicador de um cenário há já algum tempo especulado: o Paquistão poderá, rapidamente, entrar numa guerra civil que irá pôr a nu as debilidades do actual regime político do estado islâmico. Aparentemente, os culpados são um dos grupos radicais que, nas palavras de Musharraf, o “Paquistão tem combatido”.

O alarme internacional soa ainda mais alto se tivermos em conta que o Paquistão é uma das nações com poder nuclear e que um confronto civil pode tornar incerto o paradeiro desses instrumentos. Imaginemos que os tais radicais conseguem colocar as mãos num desses engenhos. E depois? Como reage o governo paquistanês? O que faz a comunidade internacional? E a Índia? De certeza que Nova Deli não vai ficar a olhar de fora e apreciar o espectáculo.

Adivinham-se problemas para aqueles lados. Muitos problemas. Mais ainda do que aqueles que eles têm tido.

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