O Irão é que é mau

Qual profeta, George W. Bush anda em digressão pelo Médio Oriente a fazer propaganda aos valores da democracia. Em discurso directo nos Emirados Árabes Unidos, um dos países menos democráticos do Mundo, Bush relançou a sua cruzada contra os infiéis iranianos, classificando a nação como “o patrocinador oficial do Terror no Mundo”.

Entre os pecados iranianos podemos ver que financiam extremistas, que ameaçam a paz no Líbano, vendem armas aos Talibãs, intimida os seus vizinhos com um discurso ameaçador, desafia as Nações Unidas e desestabiliza toda a região ao recusar abrir as portas do seu programa nuclear.

Numa anormal demonstração de tacto político, Bush lá deu conta de que os EUA não podem compactuar com governos que prendem adversários políticos ou, pior do que isso, que os assassinem. No entanto, em nenhum momento ele fez questão de referir qual a nação – Paquistão – ou movimento – Hamas – em causa.

E é aqui que voltamos aos Emirados, essa bela nação em uma minoria governa o resto, em que uns vivem na opulência e maioria na pobreza, onde os imigrantes não têm direitos e onde se recrutam trabalhadores em países como o Sri Lanka para os explorarem em favor dos mais poderosos.

E Bush lá estava, no palácio dourado do Emir a dizer coisas de democracia. O Mundo a ouvir mas a fazer de conta que não está a ouvir. Como quando disse que quer deixar a paz no Médio Oriente antes de deixar a Casa Branca. Ouvimos, acenámos com a cabeça e fomos ver o jogo do Benfica.

Bush deixará a Sala Oval em Janeiro do próximo ano – as eleições são “já” em Novembro. Não vai deixar saudades, como se pode ver pelo ávido interesse com que se discutem as primárias deste ano. Porém, vai deixar uma marca na história do país e do Mundo como o Presidente cowboy que meteu o país no Iraque sem uma estratégia para o tirar de lá, como o Presidente que encaminhou o país rumo à recessão, como o Presidente que congelou as reformas na educação e como o Presidente que ignorou os problemas do sistema de saúde americano.

Mas não se preocupem muito com isso, porque ele também não. O que interessa é dizer que o Irão é que é mau e que é preciso derrubar o governo. O filme chama-se “Charlie Wilson’s War”, mas quando fizerem adaptação da presidência de Bush a cinema, sem problemas que o título “Little Georgie’s War” assenta que nem uma luva.

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