Oscars em 2008… o território dos mais velhos?

oscars-732859.jpgFoi na última madrugada que a Academia divulgou os nomeados para a 80ª edição dos Óscares, cerimónia anual que premeia aqueles que se distinguiram ao longo do ano no cinema.

Porém, este ano, e um pouco em linha com o que se sucedeu nos Globos de Ouro, fala-se mais da possibilidade de cancelamento da cerimónia do que propriamente dos nomeados. Apesar de estar ao lado dos escritores grevistas, não posso deixar de manifestar o meu pesar se, por sua obra, este ano não houver cerimónia.

E, atenção, não é que eu preste muita atenção à coisa. Sinceramente, acho quase impossível olhar para a carreira de alguns actores e realizadores e ver que nunca foram premiados ou, nalguns casos, nomeados. Custa-me ver que Pacino nunca foi reconhecido enquanto Michael Corleone, ou que Scorsese não ganhou por “Taxi Driver” ou “Raging Bull”. São coisas que me incomodam.

Mas, lá vou achando sempre alguma piada à festa – então com a apresentação de Jon Stewart – e acreditando que os vencedores são escolhidos pelas melhores razões, isto é, pelo facto de o júri realmente achar que a sua prestação foi exemplar e não por qualquer motivo político. Se assim for, não deixa de ser uma boa publicidade à actividade.

Deixando, por isso mesmo, a politiquice de fora, avancemos pelas nomeações de onde destaco, com muita surpresa, “Juno”de Jason Reitman que se encontra nomeado nas categorias de Melhor Filme do Ano e cujo realizador está nomeado na categoria de Melhor Realizador do Ano. Também a jovem Ellen Page figura entre as nomeadas para melhor Actriz e o argumento está inscrito na categoria de Melhor Argumento Original.

Dou conta do meu espanto pois, aparentemente, trata-se de um filme extremamente leve sobre uma adolescente que engravida de um rapaz particularmente estranho e que lida com a perspectiva de entregar a criança para adopção. Apesar desta sinopse poder parecer “crua”, o facto é que o filme faz da comédia e da ligeireza a sua força e canal de transmissão da sua mensagem tendo, talvez por isso, conquistado a Academia e os festivais de Toronto e Telluride.

Porém, o vencedor das nomeações, espécie de campeão de pré-época, é “No Country For Old Men”, o alucinante filme dos irmãos Coen, que se encontram nomeados para “Melhor Realizador”. Talvez por já ter sido pensada a sua nomeção por “In the Valley of Elah”, o veterano Tommy Lee Jones não viu a sua prestação no épico nomeada na categoria de Melhor Actor Principal – lembra-se de DiCaprio o ano passado? – mas Javier Bardem integra a lista de candidatos à estatueta de “Melhor Actor Secundário”, onde terá como adversários Casey Affleck, Philip Seymour Hoffman, Hal Holbrook e Tom Wilkinson.

O filme consta ainda nas nomeações em categorias mais técnicas, incluindo edição e som, assim como também se encontra na corrida ao galardão de “Melhor Filme do Ano”.

“There Will be Blood” “Michael Clayton”, “Atonement” e “3:10 to Yuma” também coleccionam várias nomeações nas categorias técnicas, encontrando-se os três primeiros ainda na lista para Melhor Filme do Ano.

Johnny Depp não surpreende ninguém com a sua presença entre os elegíveis para “Melhor Actor Principal” pelo seu papel em “Sweeney Todd”, mas terá como adversários George Clooney (“Michael Clayton”), Daniel Day-Lewis (There Will Be Blood”), VIggo Mortensen (agradável surpresa e reconhecimento por algumas representações passadas, pelo seu papel de mafioso russo em “Eastern Promises”) e o já referido Tommy Lee Jones.

Nas senhoras, destaca-se Cate Blanchett que, tal como nos Globos de Ouro, volta a estar presente enquanto Melhor Actriz Principal, em “Elizabeth”, e na categoria de Melhor Actriz Secundária pelo seu desempenho enquanto Bob Dylan, em “I’m not There”.

Para além de Blanchett e Ellen Page, Julie Christie (Away from Her), Marion Cotillard (La Vie en Rose) e Laura Linney (The Savages) completam a lista de nomeadas para Melhor Actriz do Ano.

Triste fiquei pela ausência de Tim Burton e de Helena Bonham-Carter da lista de nomeados por Sweeney Todd, assim como pela ausência de “3:10 to Yuma” das categorias da representação e realização. Não deixa também de ser interessante o desinteresse com que a Academia recebeu filmes como “American Gangster” e Charlie Wilson’s War, repletos de actores e realizadores consagrados mas que não fizeram os mínimos para estarem presentes na grande noite dos Óscares.

A cerimónia está prevista para dia 24. Até lá, vamos ter de esperar e lançar hipóteses. Quando acabar de ver todos os principais filmes do ano – faltam-me Sweeney Todd e No Country for Old Men – farei o mesmo.

Para já, a lista dos nomeados nas principais categorias.

  • Melhor Filme:

Atonement
Juno
Michael Clayton
No Country for Old Men
There Will Be Blood

  • Melhor Realizador

Julian Schnabel – The Diving Bell and the Butterfly
Jason Reitman – Juno
Tony Gilroy – Michael Clayton
Joel Coen and Ethan Coen – No Country For Old Men
Paul Thomas Anderson – There Will be Blood

  • Melhor Actor Principal

George Clooney – Michael Clayton
Daniel Day-Lewis – There Will Be Blood
Johnny Depp – Sweeney Todd The Demon Barber of Fleet Street
Tommy Lee Jones – In the Valley of Elah
Viggo Mortensen – Eastern Promises

  • Melhor Actriz Principal

Cate Blanchett – Elizabeth
Julie Christie – Away From Her
Marion Cotillard –La Vie en Rose
Laura Linney – The Savages
Ellen Page – Juno

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