Cada vez mais Harder, Better, Faster, Stronger

Chegou às minhas mãos um dos melhores álbuns de 2007 e, provavelmente, o melhor disco gravado ao vivo no último ano. O “Alive 2007” dos Daft Punk é uma obra-prima e merece um lugar na colecção musical de todos, incluindo aqueles que não têm uma grande afeição pela música electrónica.

Gravado em Paris, o álbum é uma contínua manifestação de júbilo, de energia positiva e de total submissão do público aos talentos dos dois DJ’s parisienses, Thomas Bangalter and Guy-Manuel de Homem-Christo, este último de ascendência portuguesa.

Tal como no “Alive 1997”, neste registo ao vivo o duo apresenta-se muito seguro no palco, aguentando os maiores sucessos comerciais sem, contudo, desmotivar o público. As transições e as misturas de faixas continuam a ser um cartão de visita dos Daft Punk. Faixas que à partida nada teriam a ver uma com a outra, fundem numa demonstração de harmonia que não está ao alcance de todos.

A mistura inicial do concerto, “Robot Rock” e “Touch it”, dá o mote para aquilo que viria a ser um festival de explosões sucessivas e contínuas de prazer, quer do público, quer do grupo, que não se coíbe de elevar a audiência à estratosfera com a mistura “Around the World”/ Harder, Better, Faster, Stronger” para depois o trazer, lentamente, de volta à Terra com “Burning”/Too Long” e “Face to Face”/”Short Circuit”.

O álbum é muito bom e para aqueles que, como eu, haviam deixado de acompanhar o duo depois de “Discovery” é uma fantástica caixa de recordações – “One More Time” leva-me sempre para o meu 9ºano. Neste disco, os Daft Punk poderão mesmo ter-se afirmado como a maior e melhor instituição dentro da música electrónica, ultrapassando alguns dos seus conterrâneos, como os Air, e dando o exemplo a outras que lhes querem seguir as pisadas, como os Justice.

Já ouvi quem dissesse que Daft Punk estão para a electrónica como Metallica para o metal. Se assim for, Alive 2007 é Metallica ácido, um concerto em que o grupo tem total poder sobre o público, em que se cria uma simbiose perfeita entre os dois. Exactamente o modus operandi dos 4 de São Francisco.

E, enquanto que o estilo electrónico se encontra cada vez mais dependente de Bangalter e Manuel De Homem-Christo, estes estão cada vez mais próximos do éter musical.

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