Precipitações

Estão muito em voga na realidade da sociedade portuguesa as chamadas “precipitações”, aquelas acções impensadas que podem conduzir, e são muitas as vezes que o fazem, os indivíduos para situações bem mais desfavoráveis do que aquelas em que estavam inicialmente.

Por exemplo, Alípio Ribeiro precipitou-se quando afirmou que os investigadores da PJ se haviam – imagine-se – precipitado ao constituir arguidos os pais da menina inglesa desaparecida na Praia da Luz em Maio do ano passado.

A precipitação do Director nacional da PJ pode até custar mais do que a eventual precipitação dos seus subordinados, pois enquanto as conclusões destes ainda terão de ser verificadas, ou não, as declarações do responsável máximo já não podem ser ignoradas nem atenuadas.

Alípio Ribeiro desautorizou completamente os seus investigadores, minando qualquer futuro achado no caso. A partir do momento em que classificou como “precipitadas” as decisões dos responsáveis pela investigação do caso, o director deitou por terra meses de trabalho e derrubou os profissionais que se dedicavam ao caso.

Os investigadores deixaram, naquele momento, de contar com o apoio daquele que deveria sempre protegê-los e servir de escudo aos constantes ataques, principalmente de Inglaterra, a que são sujeitos todos os dias.

Infelizmente, não é só Alípio Ribeiro quem tem uma relação próxima com a precipitação. Por exemplo, de cada vez que abre a boca o presidente do Benfica esquece-se de medir a quantidade e qualidade daquilo que vai dizer e, mais vezes do que menos, precipita-se.

Quando olhou para o plantel em Julho e disse que era o melhor da década e que ia limpar tudo, o Sr. Vieira precipitou-se. E precipitou-se porque a esta altura do campeonato deveria saber que não se ganham títulos só por se gastar muito dinheiro em jogadores sul-americanos. Para se ganhar títulos é preciso ter qualidade em campo e fora dele.

Porém, para se poder ter qualidade dentro do campo, é preciso que os artistas e o Maxi Pereira se sintam protegidos pela direcção. É necessário que exista uma estratégia para o grupo e, mais do que isso, que exista quem a ponha em prática e que proteja o plantel.

Sem esse tipo de relação, não há muito que se possa pedir. Quer dizer, até se podia pedir ao presidente para não falar em público – arrepio-me de cada vez que um microfone se aproxima daquele bigode – e para não mandar recados pela televisão. Mas, no campo, só se vai ganhar alguma coisa quando se tiver condições para ganhar.

E como se poderia falar de precipitação sem se mencionar o “Sr. Precipitação”, o ministro e engenheiro – este é mesmo engenheiro, passou o exame da ordem e tudo – Mário Lino?

É verdade, “jamais, jamais” se poderia esquecer o papel desse brilhante orador e político visionário que de tanto insistir na Ota acabou por levar o aeroporto para Alcochete. Coitado do senhor, eu bem sei que quem se precipitou a sério foi o patrão dele – aquele que nem engenheiro é – mas gosto mais de pegar com o Mário, porque ele tanto insistiu no caso que chegou a ser considerado para personalidade do ano na Ota.

Na verdade, ele queria era poupar as gentes de Alcochete de levar com a poluição do aeroporto e a Academia do Sporting de sofrer ainda mais prejuízos do que aqueles que já tem, mas acabou por perder e ao tanto insistir que a sul do Tejo só havia “deserto”, acabou por contribuir para que agora a margem sul seja um deserto com aeroporto.

Regra geral, aqueles que não se precipitam são os que se dão melhor. O Pinto da Costa, no que ao Porto diz respeito, não se costuma precipitar muito e essa situação tem tido os seus resultados.

E que tal um esforço contra a precipitação no futuro? O país e o Mundo agradecem.

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