Hasta Siempre

Quando em 1959 Fidel Castro liderou uma revolução armada contra o governo de Fulgencio Batista, poucos acreditavam que o recém-criado estado comunista resistiria muito tempo. Para mais, com a conhecida oposição dos EUA ao comunismo.

Aliás, em plena guerra-fria, os EUA foram sempre claros na sua relação com Cuba: não existiria qualquer tipo de contacto enquanto o estado fosse governado por Fidel e companhia. A associação da ilha à URSS era entendida como perigosa, e incidentes internacionais, como a Baía dos Porcos e a Crise dos Mísseis, foram-se sucedendo, comprovando a frieza das relações entre americanos e cubanos no período pós-revolucionário.

O líder cubano resistiu a muitas adversidades. O embargo americano e a crise económica verificada após a queda da União Soviética foram testes aos quais Fidel teve de se submeter. Através da legalização do dólar americano e da abertura do país ao turismo conseguiu evitar males piores, não obstante o fecho a ritmo continuado de fábricas um pouco por todo o país. Aliás, para fazer face à crise petrolífera, aceitou trocar médicos por petróleo com a Venezuela.

Fidel governou Cuba com longos discursos e mão-de-ferro até ao dia 31 de Julho de 2006, momento em que delegou no seu irmão os poderes de Presidente do Conselho de Estado, enquanto recuperava de uma operação aos intestinos. Desde então, diversos rumores têm circulado acerca da sua saúde. De facto, até antes da sua operação a CIA circulou deixou fugir a ideia de que Castro sofreria de Parkinson. O histórico líder cubano negou totalmente o boato.

Apesar de ter aparecido a espaços na televisão, e de Hugo Chávez insistir vezes sem conta que Fidel estava quase de volta, o facto é que Fidel Castro anunciou esta semana a sua retirada da vida pública. “Não aspirarei nem aceitarei o cargo de Presidente do Conselho de Estado e de Comandante Supremo” escreveu em carta dirigida à Assembleia Nacional.

Castro não fugirá à associação à morte de milhares de oponentes ao seu regime que foram assassinados e aprisionados durante a primeira sua primeira década no poder. Foram também criadas sob sua supervisão as Unidades Militares de Auxílio à Produção, ou seja, campos de trabalhos forçados onde se confinaram os desalinhados sociais, homossexuais e até testemunhas de Jeová com o objectivo de lhes eliminar as influências contra-revolucionárias.

O professor Marifeli Pérez Stable, um antigo apoiante de Castro, revelou que diariamente tinham lugar “milhares de execuções” chegando a colocar a hipótese da existência de crimes contra a humanidade praticados pelo estado cubano. Estes campos foram mantidos de 1965 até 1967, altura em que foram encerrados devido à pressão internacional.

Seja como for, Fidel Castro é ainda hoje uma personalidade controversa, amada por uns e odiada por outros. A sua marca no Mundo será, muito provavelmente, a de ditador e assassino, de opressor de liberdades e de diversidade política. Porém, será também sempre uma figura de resistência à força irresistível dos EUA, aquele que não cedeu e a quem não se conseguiu forçar que aceitasse a americanização do seu país.

Herói para uns, déspota para a maioria, Castro afasta-se da ribalta numa altura em que Cuba mantém-se longe dos EUA. Mas, e agora? Será que Castro vai viver para ver uma aproximação entre Cuba e os EUA, entre o socialismo revolucionário e o capitalismo?

Chegou-se a defender que caso os EUA levantasse o embargo a Cuba, o regime cairia em menos de três meses. Pois bem, agora que Fidel saiu da jogada, e o seu irmão é um líder de papelão, qual será a posição americana perante Cuba? A próxima jogada pertence a Obama ou a McCain, pois Bush está fora-de-jogo há muito tempo – às vezes pergunto-me se chegou a equipar-se, mas isso são coisas para outro post.

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