Diz-me algo que eu não saiba

A Sedes alerta: Portugal está a passar por “um mal-estar difuso”. As razões para tal conclusão são claras: degradação da confiança no sistema político, sinais de crise nos valores, comunicação social e justiça, criminalidade, insegurança e os exageros cometidos pelo Estado.

Ao longo do documento apresentado pela Associação, pode-se ler que se verifica uma contínua “degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários”. Ora, o eventual falhanço das relações entre eleitores e regime político traduzir-se-á num “vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas”.

Quais as soluções apresentadas pela Sedes para resolver este problema de confiança entre população e classe política? Essencialmente, os partidos políticos terão de “ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade; e não devem ser um objectivo em si mesmos”.

A Sedes argumenta ainda sobre a influência, muitas vezes nefasta, dos meios de comunicação social na sociedade e a promiscuidade da sua relação com a justiça, salientando que a “combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz” contribui para a “degradação da qualidade da vida política”.

Em consequência dessa confusão encontrada pela Sedes, aparece sustentada a ideia de que esse carácter especulativo da comunicação social “alimenta um estado de suspeição generalizada. Sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a”.

E o relatório do grupo continua, continua, continua… lançando farpas ao Estado, à justiça e administração interna. Porém, após a leitura do documento faço apenas uma pergunta: O que diz a Sedes de novo? Na realidade, aquilo que a Sedes fez foi passar para um documento formal o produto de uma observação da sociedade que qualquer um pode fazer – e que quase todos fazem. Nenhuma destas conclusões é transcendental e muito menos extraordinária.

De facto, aquilo que apetece perguntar é quando é que se vai deixar de constatar o óbvio e começar a resolver os problemas identificados pela Sedes e por todos os portugueses, ou pelo menos por aqueles que não foram cegados pela poeira lançada nos últimos dias pela maioria rosa?

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